Dias Cinzentos

1 Ultima Tarde de Sol


Era uma Tarde fria de inverno, o Sol ainda estava alto, dava pra ver a sombra das folhas das árvores que se moviam com o vento gelado que toda hora soprava lentamente fazendo as folhas secas se arrastarem pelo chão da praça.

Não me lembro da hora que sai de casa, porém lembrava-me muito bem dos gritos de minha mãe:

- Volte logo — ela gritava

Os gritos dela ainda estavam em minha cabeça enquanto eu escrevia em meu caderno. Eu estava sentado em um velho banco de uma praça, ali bem perto de casa, eu não iria muito longe, pois eu precisava voltar logo para ajudar minha mãe a recolher a roupa do varal, o tempo sempre mudava a tardezinha.

Quando o vento gelado bateu outra vez, fechei meu caderno e olhei para cima, o tempo estava mudando e eu precisava voltar pra casa, me levantei devagar, e coloquei meu caderno debaixo do meu braço para poder arrumar meu cabelo que tinha ficado todo armado com toda aquela ventania.

Arrumei meu casaco, pois estava frio coloquei minha touca e sai andando devagar, olhando para todos os lados da praça, era uma praça pequena, bom tudo naquela cidade era pequeno, pois era uma cidadezinha do interior. As árvores eram as unicas coisas enormes daquele lugar, a praça parecia uma floresta de tanta árvores e plantas que tinha por toda parte.

Coloquei meus pés na rua para poder passar do outro lado, que era onde ficava a minha casa, escutei um carro correndo em uma velocidade absurda, pois aquela rua era pequena demais para correr daquela maneira. Depois escutei um barulho, como se o carro tivesse batido ou capotado. Sai correndo para ver o que havia acontecido, e realmente o carro havia batido em uma ambulância que estava parada em frente a uma casa.

- Cadê o motorista do carro? — escutei uma voz dizer isso.

Havia muitas pessoas e a polícia havia acabado de chegar, não consegui ver nada, e achei melhor voltar pra casa, minha mãe ficaria preocupada com minha demora. Virei minha cabeça e começei a andar mas ouvi uma gritaria e minha curiosidade foi maior, voltei um pouco atrás para ouvir.

- Ele me mordeu — disse o policial

- Ele Está louco, só pode ser isso — gritou uma mulher

Depois disso escutei alguns tiros, e comecei a correr, o mais rápido que eu pude, passei pelas ruas desesperado, as pessoas ficavam me olhando como se estivessem se perguntando:

- O que será que acontceu com ele?

Cheguei em casa, mal abri o portão e minha mãe estava na porta, pronta para ir atrás de mim.

- Jason, onde você estava? eu já estava preocupada. porque está com essa cara? — Minha mãe fazia uma pergunta atrás da outra, ela sempre fazia isso, era um de seus costumes.

- Mãe, aconteceu uma coisa estranha lá perto da praça, houve uma confusão, uma batida de carro, tiros...

- Espere — minha mãe gritou

Eu respirei por um instante, e fiquei mais calmo.

- Que confusão foi essa filho pode falar agora — minha mãe estava bem calma.

- Não sei, mas teve um acidente lá perto da praça, dai os policiais chegaram e houve tiros. — eu disse tentando me acalmar.

- Filho não entendi muito bem, mas fique ai, vou ver o que está acontecendo.

Minha mãe saiu de casa, ela queria saber o que estava acontecendo, ela precisava saber que nós estava-mos seguros, era outro de seus hábitos. Me sentei no sofá e fiquei assistindo, um programa tão chato que eu comecei a pegar no sono.

Derrepente minha mãe abriu a porta, senti aquele vento gelado, e percebi que o sol havia sumido e no lugar do sol, umas nuvens escuras que deixaram a tarde bem escura, seria um dia muito bom para dormir se não fosse a pressa de minha mãe de sair de casa.

- Filho prescisamos sair desa casa, ou melhor da cidade. — Disse minhã mãe juntando todas as coisas com rapidez, ela pegou uma mala e começou a colocar algumas roupas.

- Mãe o que está acontecendo? — Perguntei ainda sonolento.

- Não posso explicar filho, vamos arrume suas coisas, precisamos sair já — ela gritou

Eu precisava obedece-la Peguei o que eu tinha e coloquei em uma mala bem pequena, era uma velha mochila de escola. Só vesti uma luva preta e uma blusa de frio vermelha, era a blusa mais quentinha que eu tinha, e eu iria precisar, pois estava mais frio do que nos outros dias.

Mal cheguei a sala, minha mãe já estava com o carro ligado me esperando do lado de fora. Fechei a porta e sai, quando olhei para a cidade, fiquei por um momento assustado. Todas as pessoas faiam a mesma coisa, estavam todos pegando suas malas e colocando dentro de seus carros.

- Estamos em Guerra — Perguntei a minha mãe quando entrei no carro.

- Não — ela respondeu friamente começou a dirigir, ela corria mais que o necessário.