Notas iniciais
Créditos a Mia Ikumi e Reiko Yoshida.

Eu havia acabado de voltar de uma festa, como sempre fazia. Eram 4h AM. Cheguei tonta e cansada em casa. Afinal, como você acha que uma garota se sente depois de pegar geral? Hahaha. É, pois é. Meu estilo é totalmente sexy e sedutor. Quem mandou eu nascer linda, né?

Bom, acho que já deu pra pensar que escola de manhã não rolou. Eu sempre fui meio preguiçosa e digo isso na cara dura, ainda mais voltando pra casa de madruga! Vale ressaltar que eu ainda fiz tudo aquilo que se faz antes de dormir, como por exemplo: trocar de roupa, escovar os dentes, ir ao banheiro, colocar comida pro cachorro (ok, eu não tenho cachorro, mas enfim) e o principal! PEGAR NO SONO! Ah, eu sou péssima pra isso.

Mas retomando... Eu me diverti pra caramba e talvez nunca tivesse me divertido tanto. No outro dia, acordei umas 3h PM. Ah, se eu tenho pais? Ter tenho, mas eles estão sempre viajando e nunca tem tempo pra mim... Pois é. Tive que aprender a me virar desde cedo, cedo.

Corri pra cozinha e catei uns pedaços de pizza que havia comprado outro dia. Comigo é assim: Praticidade acima de tudo. Portanto, comida só serve se for instantânea. Coloquei uns dois pedaços no microondas pra esquentar e tive que almoçar isso aí. Pizza de calabresa com Coca-cola. Nada demais...

Meu cabelo ainda estava meio bagunçado quando me olhei no espelho. Ah, deixa pra lá, é a moda, né? Então que seja. Essas eram as vantagens de ter cabelo curto e liso: Não preciso me preocupar tanto em ter que escová-lo o tempo todo. Por isso eu sempre mantive meu cabelo castanho numa altura que nem chegasse aos meus ombros. É como eu disse: PRATICIDADE.

Percebi que estava faltando leite em casa e saí para comprar no supermercado. Vesti um suéter azul, por cima da minha blusa branca de alcinha, com meu inseparável short rasgado. Nos pés, calcei uma sandália rasteira e lá fui eu, comprar nada mais nada menos que... Leite e um pouco mais de comida, porque sabe, amo comer (quem não ama?). Tá, tudo bem, fazer compras nunca foi meu forte, então porque eu estava me preocupando?

Estava passando pelos corredores, e quando cheguei ao de congelados, vi dois caras gatíssimos por lá. Eles eram muito parecidos e, no mínimo, eram irmãos. Os dois tinham o cabelo verde e olhos azuis, mas um tinha um cabelo mais curto, e o outro, mais longo. Resolvi então me aproximar deles...

— Ei, vocês! — Eles me olharam confusos, e logo depois se entreolharam. — É! Vocês mesmos. — Corri até eles, ficando sem fôlego. É, eu tenho um fôlego fraco! — Eu procurei por esse tipo de leite por toda essa sessão, e vejam só, vocês encontraram! — Tentei arrumar um assunto pra puxar papo.

— Err... Pois é... Se quiser, tem mais um monte desse por aqui... — O garoto de cabelo curto falou, parecendo sarcástico. Ele podia ser gato, mas só por isso fiquei com uma cara de raiva.

— Desculpe a grosseria do meu irmão. — Disse o outro. — Aqui, tome essa caixa, pegaremos outra. Aliás, meu nome é Midorikawa Kaisuke, e o seu?

— Nossa, domo arigatou! — Ele parecia ser o cara mais gentil do mundo, não que isso fosse algo que eu levasse em conta, se é que entendem o lado “pegadora” da vida. — Meu nome é Tsuki Koori, prazer! — E que prazer, uuuuuui.

— Não há de quê! Bom, agora temos que ir para o caixa. Espero que algum dia nos esbarremos por aí.

— Ah. Quer dizer que eu passo por tudo isso e você não pede meu telefone? — Pisquei pra ele discretamente.

— Hã... Claro, desculpe, eu esqueci completamente. — Nesse instante ele ficou complemente vermelho! Haha, ficava mais gato ainda quando tava com vergonha?! Gostei dessa.

Passei pra ele meu telefone, peguei o dele e saí saltitando pelos corredores do supermercado. Aquilo ia dar o que falar, a se ia! Mesmo que o tal do irmão do Kaisuke (que até então eu não sabia o nome) me reprovasse completamente. Tá, que seja, quem disse que eu gostei da cara dele? Tudo bem que ele é igual ao Kaisuke, mas acho que deu pra entender a ideia.

Cheguei em casa pensando mil safadezas pra se fazer com o Kaisuke... Afinal, um gostosão daquele, acha que eu não vou pensar? Aposto que “ele” é bem grande! Hehehe. Pode me chamar de safada o quando quiser, eu sou assim mesmo. Apesar de que sou virgem, mas detaaaaalhes. Isso é coisa que o tempo “cura”, não é?

Ahhh, a gente trocou telefones, mas vou esperar ele ligar. Eu estou querendo ficar com ele muito mesmo, mas tenho que bancar a difícil, afinal eu sou Tsuki Koori, a rainha da pegação! Tenho que manter minha imagem, né.

Depois que cheguei em casa, fui tomar um banho bem quente, e fiquei me apalpando pensando em como o Kaisuke poderia fazer aquilo em meu lugar... Queria tanto ter essa sensaçãoooooo! Tenho várias amigas que já fizeram sexo e falam que foi maravilhoso. Acho que se eu fizesse, não ia mais parar de jeito nenhum. Ainda não fiz porque é muita bobeira fazer com um cara que nunca vi. Tipo, mesmo com camisinha, tem mil e uma doenças e isso me apavora um pouco, pra ser sincera. Eu não estou afim de namorar tão cedo, mas eu quero um cara pra ficar e conhecer um pouquinho melhor antes de me dar de corpo (literalmente!) e alma pra ele. E o Kaisuke parecia ser o cara perfeito pra isso.

Acabado o banho, me enxuguei na minha toalha azul-turquesa (se ainda não percebeu, azul é minha cor favorita!) e ouvi o telefone tocar. Tenho certeza que não é o Kaisuke, ele não parecia tão desesperado, e bom, eu acertei. Era minha mãe falando que ela e meu pai vinham passar o final de semana em casa. Ok, agora eu iria treinar pra bancar a boa garota e não parecer um mau exemplo para meus pais, coisa difícil pra mim.

Eu estava feliz me arrumando pra dar um passeio num parque aqui perto da minha casa. Como sou uma pessoa meio desinformada, não sei o nome direito, mas sei que tem um Café lá por perto... Vesti um vestido branco com alguns detalhes azuis (falei que sou viciada nessa cor) e prendi meu cabelo com laços da mesma cor.

Ao chegar lá, eu achei o tal Café tão bonito que resolvi dar uma entradinha. A verdade é que nunca o tinha visto de perto, só ouvido falar mesmo. Quando entrei, vi um ambiente muito aconchegante, super feminino, mas que também era frequentado por garotos (e uau, só gatinhos, ein!). Presumi que o lugar deveria ter uma dona mulher, e achei que tinha acertado. Avistei uma garota aflita, de cabelo castanho, um pouco abaixo dos ombros, e olhos mel, além do uniforme cinza. Quando ela me viu, veio logo se dirigir para mim.

— Olá, em que posso servi-la? — Ela me perguntou, com um toque de delicadeza impecável.

— Ah, oi. Eu estava passando e resolvi dar uma entradinha aqui. Será que vocês não tem um cardápio? — Falei, sentando em uma mesa e colocando a mão no queixo, sem tirar meus olhos dos dela.

— H-h-hai. — Não sei se foi só impressão, mas além de gaguejar ela ficou meio vermelha. Nossa, sou tão irresistível assim?

— Ok, obrigada. Mais uma coisa... — Dei uma pequena pausa antes de continuar. — Porque não tem outras garçonetes por aqui? — Ela me olhou como se procurasse as palavras certas para responder.

— Bom... É que... Não tem muitas garotas que se candidatam ao cargo, assumem a responsabilidade. Eu sou mesmo a única garçonete por aqui, e sou dona desse estabelecimento também, junto com dois amigos. — Uau, sou boa mesmo em dedução. Mas espere... Ela disse amigOS?

— Deve ser uma grande responsabilidade. Bom, boa sorte. — Me virei, e passei a encarar o nada.

— Ok, obrigada. Vou pegar um cardápio e volto já! — Ela deu um leve sorriso, que consegui ver pelo canto do olho, e saiu logo em seguida.

Lá fui eu encarar meu bando de nada novamente. Não sei, mas eu gostava de olhar para aquela grama verde que era visível através das portas transparentes do Café.

Não demorou muito, senti uma mão no meu ombro, que presumi ser da tal garota. Aliás, eu nem havia perguntado o nome dela. Isso seria algo que eu faria nesse instante!

Mas quando me virei, pra minha surpresa, não era ela quem estava lá. E adivinhe quem? Adivinhe, adivinhe! KA-I-SU-KE! KYAAAAAAAAAAAA! Ele parecia ainda mais adorável que hoje de manhã, oh meu Deus!

— Hey, parece que o destino está a nosso favor, não é mesmo? — Ele piscou pra mim e meus olhos brilharam enquanto ele se sentava ao meu lado. — Ou você sabia que eu era dono daqui?

— Nossa, é mesmo? Juro que não sabia. Que legal! — Fiquei encarando-o por um tempo, mas depois retomei minha fala. — Desculpe falar isso, mas aquele seu irmão chatinho está por aqui? — Meus olhos rondaram o Café em busca do outro garoto de cabelos verdes, enquanto Kaisuke lançava uma gostosa gargalhada no ar.

— Hahaha, tudo bem, às vezes ele é mesmo insuportável! Bom, pra começar, acho que não o apresentei. Seu nome é Daisuke, somos irmãos gêmeos. — Olhei pra ele com uma cara de estranheza.

— Eu nunca acreditei que irmãos gêmeos pudessem ter diferenças drásticas, mas acho que agora eu acredito... — Hesitei por um minuto. — OU EU ESTAVA CERTA O TEMPO TODO E VOCÊ É IGUAL A ELE? — Me levantei da cadeira, de olhos arregalados e quase gritando. Ele riu novamente.

— Você é muito engraçada, Koori... Claro que somos diferentes. Somos mesmo bem diferentes.

— Ufa... Que alívio! — Dei um suspiro e comecei a puxar papo. — Como você sabia que era eu aqui? Sabe o que é, é que de manhã eu tava com um visual meio relaxado, agora estou mais arrumadinha. — Falei, curiosa.

— Ora mais... Ninguém é igual e você é uma garota muito especial, só de olhar pra você eu percebo isso. — Fiquei muito vermelha, e ele continuou a falar. — Mas mudando de assunto... O que seria essa marca que você possui no pescoço? — Hã? Que marca?

Passei a mão pela minha nuca e senti mesmo uma certa profundidade. Espera aí, como nunca havia percebido aquilo antes? Eu passava tanto a mão no pescoço! Enquanto tomava banho, arrumava o cabelo, colocava colares... Fiquei sem entender nada.

— Nossa... Pra ser sincera nunca havia notado isso antes. — Fiquei com uma cara de interrogação.

— Hm... É mesmo? Será que você poderia vir comigo até os fundos do Café? — E eu achando que eu era quem estava desesperada! Mas ué, assim tão rápido?

— C-c-claro...

Ele se abaixou e beijou minha mão, puxando-a em seguida e me levando ao tal lugar. Eu não esperava que ele fosse desse nível de cavalheirismo. Aposto que o irmão dele não chegava nem perto disso, hahahahahah! Mas voltando. Chegamos num lugar com muitos computadores, e muitas coisas típicas de laboratório. Deduzi então que o lugar seria isso mesmo, um laboratório. Lugar estranho pra se “pegar de jeito”, né? Mas estranho ainda porque a tal garçonete e o irmão dele, Daisuke, estavam lá! OMG, SERÁ QUE ELE GOSTA DE SEXO GRUPAL? Estou ferrada.

— Acho que ela é uma mew, Dai. Olha a marca que ela tem no pescoço! — Disse a garota.

— Hã? — Me peguei completamente confusa. — O que é isso? O que tem essa marca no pescoço?

— O que? Vou ter que aturar essa maluca sexual no meu próprio Café? Era só o que me faltava! — Daisuke imbecil! Hunf.

— Espera aí! Do que vocês estão falando?? — Mais ainda fiquei sem entender nada. — E DE ONDE TIROU A IDEIA DE QUE EU SOU UMA MALUCA SEXUAL, SEU MERDA? — É, merda mesmo. Não me contive, odeio gente tipo essezinho.

— Calma, calma Koori. Está tudo bem. É só que...

— Que? Que o que? Alguém pode me explicar direito o que está acontecendo? — As palavras iam saindo da minha boca de uma forma que nem eu mesma controlava.

— Deixa de ser estressada, garota. O negócio é o seguinte: Você tem DNA de uma ‘merda’ de animal e vai ter que salvar o mundo com seus poderes, que você adquiriu ao ter seu DNA fundido. Daí você vai virar uma putinha “gostosa” de roupas curtas e coladas no corpo, o que pra você não vai ser dificuldade, né? Vai ter também orelhas e uma calda do tal animal que você tem o DNA e uma arma em formato de qualquer coisa pra você controlar. Mas do jeito que você é, duvido que aprenda as coisas direito tão cedo. Hehe. — DAISUKE MALDITO. A vontade que eu tenho é de PULAR NO PESCOÇO DELE e ESFATIAR TODA AQUELA CARINHA! Grrrrr.

— “Estressada” é o seu... — Antes que eu terminasse a frase, a garota me interrompeu e se apresentou.

— Ah, desculpe, acho que você não sabe meu nome ainda, não é mesmo? Me chamo Akasaka Kemmy, muito prazer... Koori, não é?

— Sim, sim. — Tentei me acalmar. — Mas me explica, além dessas coisas que aquele imbecil disse, o que mais eu terei que fazer?

— Bom... Você terá que trabalhar como garçonete desse estabelecimento, junto a mim. É que aqui é tipo uma base secreta para nós. — Base secreta? Interessante! — Sem falar que eu e o Kai-kun amaaaaaamos cozinhar, na verdade. Então as coisas se encaixaram, sabe! Ah sim, há outras de você espalhadas por aí. Quero dizer, garotas e/ou garotos com DNA de animais. Uma de suas missões é ajudar-nos a encontrá-los.

— Você é uma delas? — Perguntei curiosa.

— Na verdade não. Mas alguém tem que servir os clientes, não é? — Ela piscou para mim.

— Tudo bem então... Por onde eu começo? — Pareci empolgada ao responder. Afinal, salvar o mundo deve ser algo divertido e nada mal.

— Vestindo esse uniforme e pegando seu bloquinho de notas e/ou esfregão! Você está oficialmente contratada para fazer parte do nosso time!

HÃ? EU VOU SER... UMA EMPREGADA DOMÉSTICA? Ah, não. Logo EU! Tanta gente por aí, kyaaaaaa. Peguei uma caixa com um uniforme azul (pelo menos isso!) que estava nas mãos da Kemmy e fui me trocar. Não sei como, mas ele caiu perfeitamente em mim. Depois de um tempo, eles me explicaram que foi proposital, já que eles escolheram cor, medidas e etc de acordo comigo, mesmo que nem me conhecessem, mas somente por pesquisas detectaram isso. Ah, é por isso que o Dai-bunda me chamou de “maluca sexual”. Ele provavelmente conhecia minha fama de pegadora. Que seja, isso pra mim não é grande coisa. Bom, o importante é que eu consiga ficar pronta pra virar o que eles chamam de ‘mew’. Só espero que eu não demore a me acostumar com a ideia...