Diary Of a Paradise! Sweetie
2 Koori Tsuki (parte II)
Já fazia alguns dias que eu tinha descoberto ser uma ‘mew’, seja lá o que isso for. Acontece que até agora ninguém havia me mostrado o verdadeiro significado disso... E pra mim aquilo não passava de uma desculpa esfarrapada para que conseguissem mais uma funcionária pra trabalhar. Não que eu fosse de grande utilidade, porque eu estou sempre saindo de madruga e acordando bem tarde, o que acarreta várias broncas seguidas do “Dai-bunda”, como eu gostava de chamá-lo.
Mas esses dias, teria que agir como uma garota comum e responsável. Sabe o que é? É que meus pais vem me visitar, e eu não posso simplesmente dizer que eu sou uma bêbada tarada que está sempre em noitadas, festas e baladas beijando tudo e todos sem pensar nas consequências. Talvez eles dessem graças a Deus por eu só beijar. Ou talvez até desconfiassem da minha palavra e achassem mesmo que eu faria algo como sexo com qualquer um. Afinal, quem beija pode muito bem fazer sexo. Uhu!
O fato é que eu continuo mesmo virgem. Acho que o Kaisuke está longe de ser um cara pra mim. Ele é muito bonitinho, fofinho, carinhosinho... Parece o tipo de cara meloso, e não dá pra ficar com um desses, sabe. Eles ficam no seu pé por dias só com um beijo, imagina com SEXO! S-E-X-O, sexo. Ok, já parei. Hahahaha.
Mas voltando aos meus pais... É hoje que eles vem pra Tóquio, então eu tenho que pegá-los no aeroporto e levar direto ao Café. Afinal, tenho que mostrar que sou tão responsável que até emprego tenho! Hehe. Eles vão se impressionar.
— E aí, Koori? Sendo muito “comida” por aí? — Daisuke e seus comentários desagradáveis... — Ah é, esqueci que você tem que bancar a santinha porque seus pais vem aí, não é mesmo? Oposto que isso vai ser um super desafio pra você!
— Cala a boca, imbecil. O que eu faço da minha vida é problema meu. E bom, é mais fácil que eu deixe de fazer o que eu faço do que você arranjar um cérebro. Hoho! — Quebrei tua cara, mané!
— Hahaha, muito engraçada. — Ele disse, num belo toque de sarcasmo.
— Igualmente.
— Ei, vocês dois! Parem de brigar e vão logo trabalhar. Você, Koori, volte a limpar! E Daisuke... Vá para o caixa imediatamente. — Disse Kemmy, parecendo desesperada. Será que tem algo com ela? Ela está sempre tão alegre...
— Tudo bem, capitão! Não precisa todo esse stress. — Daisuke também demonstrou estranheza.
— Eu NÃO estou estressada! Pare de enrolar e volte logo pro seu lugar! — Ela quase gritou, enquanto fazia uma expressão aborrecida.
— Tudo bem, tudo bem. Calma, já estou indo. — Com uma cara de cansado, lá foi o Daisuke assumir seu posto.
— E você Koori, o que está olhando? — Vi um olhar maligno me fitando. Nunca pensei em ver a Kemmy naquele estado!
— N-n-nada! Gomenassai! — Fiquei vermelha, morrendo de vergonha. Droga, não devia ter dado bobeira. Sempre odiei levar bronca desde pequena. — Ah, Kemmy... Desculpe se for incômodo, mas eu gostaria de sair daqui a 10 minutos para buscar meus pais no aeroporto. Será que você poderia me liberar? — Ela respirou fundo antes de responder.
— Pode, pode sim. Me desculpa se eu descontei minha raiva em cima de você... É só que... Meu namorado me deixou por uma vadia de quinta e eu estou furiosa! Não consigo evitar ficar assim, sabe? Gomen mesmo. — Ah, claro, garotos. O problema de todas!
— Tudo bem. Todas nós temos um dia assim. Até mesmo eu que nunca namorei, só fiquei, fico meio decepcionada com alguns garotos. — Pude ouvir uma risadinha sarcástica vindo do Daisuke, mas ignorei. — Deixa ele pra lá, me promete? Ele não te merece, e você com certeza tem algo bem melhor esperando por você.
— Hai! Muito obrigada, Koori-san. Mesmo que façam só alguns dias, você se tornou uma boa amiga.
— De nada! É pra isso que amigas servem, não é mesmo? — Dei uma piscadela pra ela e caímos na gargalhada. Como a Kemmy era gente boa!
Quando terminei de limpar o chão, fui me trocar nos fundos e peguei um táxi para o Aeroporto Internacional de Tóquio. Fazia alguns meses que não via meus pais, e mesmo que nunca tenhamos tido tanto contato, eu sentia falta deles, tinha que admitir...
Chegando lá, logo os avistei. Meu pai com seu cabelo preto, óculos escuros e roupa de surfista. Já minha mãe, com seu belo cabelo castanho ao vento e seus olhos azuis faiscantes, estava com uma blusa branca e uma saia muito colorida e estampada. É, meus pais acabam de voltar do Hawaii!
— Koori querida! Como tem sido na escola? — Disparou minha mãe agitada, no minuto que me viu.
— Ótimo mamãe, como sempre! — Caham.
— Muito bem, minha filha! Agora... Pode nos levar em casa? Estamos completamente exaustos. — Disse meu pai, arfando.
— Claro pai, mas primeiro deixaremos as malas em casa e iremos para o meu trabalho, só para que vocês conheçam o local. Pode ser? — No instante em que pronunciei a palavra ‘trabalho’, os dois se entreolharam surpresos.
— Trabalho?! — Disseram, simultaneamente.
— Sim, por quê? Não posso trabalhar não? — Falei, com um toque de estranheza.
— É que, meu amor, você só tem 13 anos... — Minha mãe pareceu preocupada.
— Bobagem, mãe! Você sabe que eu tenho que me virar agora que vocês estão sempre viajando. E arrumar um emprego é uma ótima atividade pra ocupar meu tempo e me ajudar mais ainda na minha responsabilidade. — Ah, como eu adoro minha habilidade de ser convincente!
— Nesse caso, filhinha, continue com o bom trabalho! É assim mesmo que se faz.
Meu pai deu um beijo no meu rosto e nós saímos do aeroporto com destino a minha casa, para só depois irmos ao Café. Depois de deixarmos as malas, chegamos rapidamente no estabelecimento em que agora eu trabalhava. E lá estava Daisuke na porta, parecendo me esperar desde o momento que saí dali. Já estava sentindo que ele estava para aprontar alguma.
— Olá, sejam muito bem-vindos. A propósito, vocês é que são os meus sogros, não é mesmo? — Podia sentir meus olhos queimando, jogando faíscas pra todo lado.
— Sogros? Você não me contou que tinha um namorado, querida! — Minha mãe falou, empolgada.
— E não tenho. Ele é só o Daisuke. Ele ama falar bobagem e tirar onda comigo. Não o levem a sério, por favor. — Tentei manter minha voz calma e controlar minha raiva, para não acabar pulando naquele inútil e isso acabar resultando numa briga sangrenta.
— O que é isso, minha linda. Não tenha vergonha de mim! Eu sei que é difícil admitir que tem um namorado por causa do seu “currículo”, mas você tem que parar de mentir pra si mesma. — Ah, aquela risadinha sarcástica da qual eu tanto odiava.
— Eu não minto nem pra mim mesma, nem pra ninguém. Se eu nunca encostei um dedo em você, muito menos você em mim, nós não podemos nem ser ficantes, quanto mais namorados. Desista de tentar acabar com a minha vida, Daisuke. Você irá fracassar, tenho dito. — Ui! Às vezes eu arraso com discursos. — Vamos entrar, mãe, pai. Deixa esse bobalhão pra lá, ele não sabe o que diz.
— Tudo... Bem. — Disseram os dois.
— Ah, esse é um dos meus chefes... Infelizmente. — Não pude evitar aquela suspirada básica. De repente, a Kemmy pula porta afora para dar ‘Oi’. — E essa é outra.
— Yooooooo! Me chamo Akasaka Kemmy, e vocês?
— Muito prazer, meu nome é Tsuki Takanori. Essa é minha esposa, Tsuki Sae. Nós acabamos de voltar de viagem do Hawaii e estamos exaustos. Será que vocês não teriam algo que nós pudéssemos beber? Precisamos mesmo de algo para refrescar.
— Claro, fiquem à vontade. Se quiserem, lhes apresento o local.
Dito e feito. Kemmy, como é sempre muito educada, fez questão de tratar meus pais como se eles fossem da família. Deu o que eles pediram e apresentou cada canto do café — exceto o laboratório, onde faziam pesquisas sobre esse lance de fundir animais, é claro.
De repente, ouvi um barulho esquisito, vindo de fora do Café. Fui correndo para descobrir do que se tratava, quando me deparei com uma enorme ave sanguinária que mais parecia um cisne. No mesmo instante pensei em me transformar, mas e meus pais? Olhei com horror para Kemmy e ela piscou pra mim, então decidi seguir em frente.
— Mew Mew Koori, Metamorpho-sis! — Gritei logo de cara e me transformei sem me importar com o que pudesse acontecer. De repente, lá estava eu com uma roupa realmente sexy e orelhas e cauda de algum animal que não consegui identificar, exatamente como o Dai-bunda falou. Parti para a ação imediatamente, chamando minha arma, um longo par de fitas — Koori Riboso! — e logo depois comecei a atacar — Ribbon Ice Check!
Foi uma luta longa e cansativa, ataques pra lá e pra cá, arranhões feios que deixaram marcas, acrobacias que eu nem pensei que poderia ou que sabia fazer. Até que, de repente apareceu um bichinho peludo, que abriu a boca e jogou um coraçãozinho azul e amarelo pra mim. Ele murmurou algo sobre juntar as fitas, então foi isso que eu fiz. Juntei e as prendi com o tal coração, e logo em seguida deu um poderoso ataque.
— RIBBON ICE SURPRISE! — Eu disse, para que o ataque pudesse atingir o inimigo. De repente, o tal cisne virou uma garota, totalmente machucada, com arranhões por todo o corpo.
— Eu voltarei, pode esperar! — Sua voz estava com um terrível ar de vingança e seus olhos demonstravam ódio. Ela desapareceu num piscar de olhos e finalmente pude descansar.
Pousei no chão (não que eu possa voar, na verdade eu só me agachei para relaxar) e do nada eu estava com minha aparência normal. Deitei-me naquele gramado macio e tirei um cochilo. Algum tempo depois, acordei com meus pais me chamando, apavorados achando que eu tinha sido atacada pelo monstro e havia desmaiado. Bom, de fato, eu havia, e meu corpo estava cheio de machucados. Mas eu pude acordar e acalmá-los, dizendo que não tinha sido nada demais e que eu estava bem. Kemmy também tentou confortá-los e conseguiu.
Bom, essa é basicamente minha história... E ah, sobre o Kaisuke e minha virgindade... Digamos que tomaram rumos bastante diferentes. Pra falar a verdade, conheci outro cara um tempo depois, e o Kai-kun passou longe de “abrir minhas portas”. Espero que tenham gostado, porque agora vou nessa. FUI!
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