Diamonds Are Forever
1 Introdução - My dirty little secret
Solução era uma palavra que ele gostaria muito de acreditar no momento, por mais que o futuro fosse lhe dar bastante dinheiro, ele tinha medo. O medo nos faz fazer coisas que nunca sequer pensamos algum dia em fazer. Ele não parava de olhar o celular em cima da mesa, se sentia observado, mas... Não tirava os olhos do celular, não piscava, não tirava as mãos das pernas cobertas com um jeans grosso. Queria chorar, mas sabia que não podia... Não até chegar o que ele esperava. A professora escrevia baboseiras na lousa... Ele não se importava, estava ansioso, batia os pés compulsivamente no chão, sem ritmo nenhum. Levou uma das mãos a boca, as unhas entre os dentes, o celular se acendeu. A espera de dois dias tinha acabado. Ele tampou os olhos, com brechas entre os dedos e pegou o celular com a outra mão.
''Parabéns, filho. Você foi aprovado. Meu orgulho! Estamos te esperando em casa pro jantar, sua mãe fez teu prato favorito. Não se atrase. Vamos comemorar!''
Ele largou o celular na mesa, não conseguia falar, tremia e o que ele temia aconteceu... Não conseguia parar de chorar. E então o celular acendeu outra vez:
''O que aconteceu? -J''
Ele ergueu a sobrancelha, procurando quem havia mandado isso, percebeu o garoto sentado no meio da sala, escrevendo no caderno, com o celular de lado. Coçou a cabeça e esperou tocar o sinal. Não respondeu a mensagem. Nem uma, nem a outra. Tocou o sinal e ele foi o primeiro a sair da sala. Costumava andar com um pessoal de outra sala, mas eles não estavam lá, não quando ele precisava. Então ele se trancafiou em uma das cabines do banheiro, colocou uma música qualquer no celular e ficou lá. Relia a mensagem de seu pai e não conseguia parar de pensar no medo que estava sentindo. Sentiu o celular vibrar:
''Eu sei onde você está. -J''
Ele não ligou, a esta altura mal conseguia chorar. O celular vibrou outra vez, outra mensagem:
''Por que não abre essa porta? -J''
E as mensagens seguiram:
''Pode abrir, eu não mordo. -J''
''Você não confia em mim? -J''
Ele desligou o celular e com uma voz trêmula de quem voltaria a chorar a qualquer momento ele respondeu.
- Não. — Abriu o trinco da porta, mas não escancarou-a.
Ele viu a porta se abrindo lentamente, rangendo como os dentes de um idoso, ele queria fugir dali, ele queria... Foi quando surgiu a figura do garoto de sua sala. Pequeno, magro, de cabelos escuros, branco, vestido com um jeans e um moletom azul escuro, mordendo os cordões do moletom como uma criança. Ele olhou o garoto, levantou-se do vaso e saiu da cabine do banheiro, apoiando as mãos na parede, socou-a rapidamente e saiu. Ele queria que o garoto insistisse nele, mas não foi o que o garoto fez. O garoto saiu do banheiro, olhou-o e subiu pra sala novamente. Ele ficou quieto sem conseguir se mover. O guarda da escola o olhou:
- Você está bem, filho?
Ele não conseguia se mexer. O celular vibrava no bolso da calça, mas ele não conseguia se mexer. Ele pensava em tanta coisa, coisas variadas, coisas como: Seu pai se orgulhando de seu futuro, sua mãe cozinhando Bangers and mash sem a maldita salsicha de Cumberland, que certa vez mandou sua mãe colocá-la em certo orifício do corpo, rendendo-lhe parte de seus problemas familiares, mas agora ele era o orgulho de seu pai, não tinha com o que se preocupar... Subiu pra sala, não conseguiu se concentrar em nada, pegou o celular. 6 mensagens.
''Não fique triste. -J''
''Não sei o que houve, mas... Pera. Sei sim. -J''
Ele estranhou. Continuou lendo.
''Época de alistamento, correto? -J''
''Teu pai é ex-embaixador... Precisa de um orgulho. -J''
''Você foi recrutado. -J''
''Não fique assim, soldado. -J''
Ele apertou algumas teclas com muita dificuldade devido as mãos que tremiam.
''Vai pro inferno. -S''
Bateu o sinal. Ele não queria ir pra casa. Não queria comer Bangers and mash, não queria ser o orgulho da família. Pegou a bolsa e saiu da sala, estava sendo seguido. Saiu da escola, ainda estava sendo seguido. Apertou o passo, olhou pra trás, o garoto o seguia, apertou o passo, tentou correr, mas não conseguiu. Sentiu uma mão segurar seu braço com força, parou de andar. Ficou quieto, tentando respirar.
- Olha pra mim. — Disse o garoto com a voz um tanto grossa pra sua idade.
- Não quero. Não quero nada. — Respondeu.
- Você quer sim e eu sei o que.
- Responde o que eu quero, já que você tá sabendo mais de mim do que eu mesmo.
- Você quer fugir. Eu sei... Todos querem.
- Eu quero fugir mesmo. Eu sei o que acontece nesses lugares...
- O que? Você aprende a matar?
- Nunca mexi em uma arma na vida.
- Mentira.
- Ok.
Os dois ficaram quietos.
- Sebastian, é esse o teu nome, não é? Não foge disso... Não faça pelo teu pai, faça por ti.
- Eu não me importo com isso.
- Você se importa com alguma coisa na tua vida?
- Me importo, com as músicas do meu celular. — Disse se livrando da mão do mas baixo.
- Faça o que quiser.
- É exatamente o que eu vou fazer, James. Vou aprender...
Ficaram num silêncio enlouquecedor dessa vez. Só sentiam a respiração um do outro. Sebastian pôs-se a andar. Ouviu a respiração ofegante do outro.
- Você me deve, Sebastian. — Disse.
- Aham... — Saiu.
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