Notas iniciais
A narrativa pode estar diferente, então, desculpe caso isso incomode de alguma forma. O nome do capítulo não vai fazer sentido algum até que você o leia :3 (exceto para as pessoinhas que acompanham a página do facebook e viram o trecho desse capítulo que eu postei, huehaueha) E me desculpem por algum erro de gramática. Comecei a escrever às dez da noite e terminei às onze e meia, então tô sem tempo de revisar porque PRECISO ir dormir! Boa leitura. ♥ [capítulo revisado e editado em 17/02/2018]

Nix

1 mês depois

Estava deitada sob uma pequena sombra de uma árvore, me sentindo um pouco solitária, talvez. Mas gosto de ficar junto aos meus pensamentos. Eles me guiam no intuito de ser uma loba melhor. Como? Uhm... Eu não sei bem. Mas gosto de refletir sobre as coisas, por mais aleatórias que sejam. Acho que peguei essa mania do Mike. Ele adorava fazer isso quando era um filhote.

Apesar de estar ligeiramente longe da caverna que chamávamos de casa, ainda conseguia sentir seu cheiro familiar. Isso me deixava satisfeita, pois em determinadas vezes, parecia que eu não conseguia sentir cheiro algum. Não somente da caverna. Nenhum mesmo. Felizmente, acho que está tudo bem agora.

— O que está fazendo? — Midnight apareceu do nada, me assustando. Não a ouvi chegar; a loba sempre fora muito silenciosa.

— Nada. Literalmente. — dei de ombros. — Apenas... pensando.

Ela sentou ao meu lado, sem dizer nada. Uma brisa silenciosa fez com que meus pelos cinzentos balançassem, como numa dança agradável. A mesma brisa também fez os pelos negros de Midnight sacudirem, porém, de uma forma bem menos intensa. Meus pelos são mais longos do que o de todos os lobos da família, então é de se esperar que eles se balancem mais.

— Entendo. — ela fechou seus olhos. — Você achou que eu fui bem?

Sua pergunta me pegou de surpresa.

— Hã?

— Ontem, em nossa primeira caçada como uma verdadeira equipe e blá blá blá. — ela esclareceu. — Eu... eu quase ferrei tudo.

Midnight parecia melancólica. Eu sei que ela sempre tenta mostrar seu melhor para todos, mas às vezes nem sempre dá certo.

— Está tudo bem. Nós derrubamos o cervo! — sorri, tentando animá-la.

— Diamond pulou no pescoço dele, distraindo-o de mim. Admito que se não fosse por ela eu provavelmente teria levado um coice. — ela divagou. — Mas não diga isso à ela! — a loba rosnou de leve.

Rolei meus olhos calmamente.

— Um dia vocês terão que resolver suas desavenças. Nós somos uma família! Aile! — levantei-me ao dizer a última palavra, que significa família. Lembro-me até hoje de uma velha história que papai nos contou quando éramos filhotes. Essa história é como uma fábula, e se passava num tempo muito antigo, onde a ao invés de família, a maioria dos lobos simplesmente dizia aile. Quer dizer vínculos fortes, seres em união. Até hoje, dizem que a palavra possui um forte significado, e só deve ser utilizada ao se referir a múltiplos laços firmes, não obrigatoriamente unidos por nascimento. Afinal, família é mais do que apenas um pai ou uma mãe. É amor. Alegria. União. Lealdade. Responsabilidade. E muito mais.

Midnight deu um longo suspiro, e cutucou uma pedrinha com sua pata esquerda.

— Você sabe que é verdade. — fitei a loba negra, que demonstrava estar cheia de insegurança.

Ela me lançou um olhar desafiador, e pulou em minha direção, me derrubando no chão. Começamos a ter uma luta de brincadeira. Ri internamente, pois sentia falta disso.

Midnight não tirava seus olhos amarelos dos meus, até que eu finalmente consegui a prender no chão.

Arqueei uma sobrancelha e a lancei meu olhar desafiador. Ela parecia gostar do "jogo", e conseguiu as forças para se livrar de minha jaula e me derrubar no chão. Agora eu estava presa.

Que situação, não?

— Acho que você venceu. — afirmei, um pouco ofegante.

Ela deu um fino sorriso.

— É, eu... eu também acho. — ela saiu de cima de mim, me deixando sair facilmente.

Sacudi meu pelo, agora ligeiramente sujo.

— Uhm... eu vou pra casa, mana. — Midnight disse simplesmente. — Obrigada.

— Obrigada...? Pelo quê?

A loba apenas lambeu minha bochecha e seguiu seu caminho para nossa caverna. Ela era tão difícil de entender quanto nosso pai.

Caminhei na direção contrária à dela, me afastando um pouco mais. Cheguei numa pequena elevação da terra, onde eu podia observar o pôr do sol de maneira privilegiada.

Mesmo com tamanha tranquilidade que provinha daquele momento, minha cauda não parava de se agitar, deixando transparecer minha ansiedade e impaciência. Contudo, consegui me controlar e me mantive parada como uma rocha.

E o Sol se foi. Lentamente, como se algo o prendesse. Como se quisesse ficar e continuar distribuindo seu calor por aí. Infelizmente, ele não pode. Eu ainda não podia ver a Lua, mas assim que a visse, ficaria a observando por longos minutos, como faço todas as noites. O porquê? Nem eu sei ao certo. A Lua me deixa relaxada, o que me ajuda a dormir com mais facilidade.

Depois de certo tempo resolvi, então, ir para casa.

***

— Olá, pai! — cumprimentei assim que cheguei em casa. Ele estava do lado de fora da caverna, observando as estrelas que começavam a aparecer no céu.

Papai apenas me deu um olhar cuidadoso e encostou seu nariz no meu. Não perguntou por onde estive. Talvez Midnight tivesse lhe dito que passei uma parte do meu dia com ela. É, talvez.

Entrei na caverna calmamente. Todos ali já estavam dormindo, menos Midnight. Me deitei próximo a mesma.

— O que andou fazendo? — ela sussurrou, enquanto seus vívidos olhos amarelos brilhavam na escuridão. — Você... demorou.

— Nada muito importante. — respondi sem delongas. — Fiquei observando o pôr-do-sol. Parecia estar mais bonito do que das outras vezes.

— Por que acha isso? — seu tom revelava uma sincera curiosidade.

— Sinceramente, eu não sei. Só senti, eu acho. É complicado explicar.

— Hum. Imagino que tenha sido bonito. Mas você sabe que não me importo muito com esse tipo de coisa.

Lambi sua bochecha.

— É... é quase impossível ver você concentrada num céu estrelado ou algo do gênero. — comentei. — O dia que isso acontecer, ficarei no mínimo bem espantada.

Ela deu uma risada bem baixa.

— Não faço por mal. Somente... não me interesso. Prefiro correr por aí do que observar paisagens. Só isso. — ela se encolheu um pouco.

— Eu sei, eu sei. Estava apenas brincando.

— Tudo bem. — ela deixou um bocejo escapar, deixando seus enormes dentes à mostra. Eles fazem um estrago nas presas. — O sono está batendo. De verdade.

Concordei com a cabeça. Admito que também estava me sentindo meio sonolenta.

— Boa noite. — ela disse.

Sorri de canto e dei uma breve olhada no céu, mas Midnight estava aérea demais para perceber isso.

— Boa noite.

Notas finais
{ a playlist está levemente diferente porque eu ouvi músicas levemente diferentes até encontrar o melhor estilo que me desse inspiração para "ser" a Nix, e assim, narrar como ela ♥ } Accidentally In Love - Mia Wrays (cover) Youth - Mia Wrays (cover) Fucking Boyfriend - The Bird And The Bee Cola - Lana Del Rey Young And Beautiful - Lana Del Rey Goodness Gracious - Ellie Goulding