Lisa mantinha o olhar fixo, receoso e estouvado diante do envelope que suas mãos trêmulas amparavam. Branco, um tanto desbotado e maltratado pelo tempo. Em sua face anterior havia escrito de vermelho-salmão: “Secretioresque”.

A desconfiança, juntamente com a insegurança e de certa forma a vulnerabilidade a dominaram naquele instante. Tais sentimentos advinham do fato dela presumir que ele contivesse informações pertinentes. Sentiu calafrios. Seu corpo dava a impressão de que iria desabar, portanto achou conveniente sentar-se e respirar pausadamente antes de abri-lo. Algo a fez acreditar que aquele envelope surrado resolveria toda a situação de vez. Que aos poucos sua vida seria retomada e que sua consciência pudesse finalmente tranquilizar-se. O tormento o qual estava passando era equivalente à uma faca apunhalada em seu peito, a qual desintegrava sua vitalidade, tornando-a vazia, inútil e dessemelhante. Apos consternados acontecimentos, sua personalidade adquirira uma nova consistência. A garota inabalável enchia-se de odiosidade, rancor e fúria. Buscava respostas e agora poderia tê-las. Ao abri-lo descobriu a verdade imprevista, que assolava a sua alma naquele instante.

Sentiu primeiro o mundo ruir diante das palavras contidas nele, mas respirou fundo e fez a coisa certa: escolheu viver. Viver e, agora, contar.

Notas finais
*Secretioresque = Confidencial