Diabolismo

4 visões surreais


das noitas mal dormidas

em espeluncas sem água

quente

ouvindo o buzzzzz distante do letreiro do motel

das noites de lua cheia

como a matilha de lobos correndo no deserto da cidade

em meio aos comércios e arranha-céus

guiados pelas janelas adormecidas

iluminados pela luz pálida do neon

de bares de esquina e beira de estrada

com os pensamentos longe da crise econômica

ou das contas a pagar

mas fudendo garçonetes

em cima das mesas de sinuca

entre as paredes sombrias que ecoavam guitarras distorcidas

os melhores poemas que eu li nasceram no meio da imundície

dos esgotos

entre ratos famintos e baratas rastejantes

tão inexplicável quanto flores

que nascem

em meio às pedras