Diabolismo
5 faróis de trânsito
Fortaleza se ergue em milhares de janelas acesas durantea noite febril como olhos caídosno meio da noite,onde os desejos infames se unemàs intermináveis taças embebidasde uísques caros e o sexo a vaporardendo pela madrugadacom a sujeira dos esgotos quemarcam suas bolas de futebolem meio às favelas que crescem desordenadasempilhando-se em linhas tortasque afundam seu reflexo na margem do rio negro,as ruas escuras e mal-iluminadas discorrendoo medo como células embriagadas de heroínacorrendo pelas veias em telas de filmes pornô na madrugadaácida onde moram os corrompidose os desajustados,a vista do horizonte se perde no deserto de prédios comerciais
de pessoas nervosas em ternos quentese óculos escuros, que trocam suas almas por gravatas,suas cabeças girando como ponteirosloucos e mecanizados giram em um relógioem andares apressados, sem ver o mundo acabarao seu lado, sem ver as mãos de suascrianças que circulamde ônibus em ônibus em busca de qualquercoisa que mate sua fomede viver, sua tragédia, seus olhares cansadose doentes e dentes rotose o sabor infame da Virgem Morte em seus lábiosque perambulam como almas perdidas com seus batonsborrados na Beira-Mar,correndo como lobos em avenidas e becos estreitos onde não morama Dona Clemência nem a Santa Dignidadeque vivem com medo escondidas sob os telhadosque chovem todos os diascorpos desencarnados e almas desalmadasdesaparecendo como pó sob o nariz de umgaroto de 13 anos.
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