Diabolik Lovers - União de Sangue

69 Capítulo OVA: Crianças Mukami


A mansão Mukami estava diferente. Não era mais tão quieta quanto antes. Agora possuía várias crianças correndo de um lado para o outro, fazendo seus pais sorrirem quase o tempo todo. Porém como na mansão Sakamaki, havia sempre os bagunceiros que quase ateavam fogo na casa. Na família Mukami, os mais bagunceiros eram os filhos de Kou e Mei. Porém apenas os meninos, que enlouqueciam os tios quando os pais saíam para fazer shows.

Os filhos de Kou e Mei eram semelhantes a eles em relação ao cabelo e olhos, que eram loiros e azuis. Quem comandava era Minato, o mais velho de doze anos. E seus “subordinados” eram Hyuuga e Minoru, dois dos trigêmeos de dez anos. Ao contrário deles, as meninas eram quietas e calmas. Asuka, de onze anos, amava cantar e sua tia Momo amava ouvi-la enquanto pintava. Tomoe, a terceira dos trigêmeos de dez anos, por outro lado, gostava muito de ler e sempre pedia livros novos para seu tio Ruki. Ela acompanhava Akae na leitura, que também gostava muito de ler.

Akae, de dez anos e filha caçula de Ruki e Arizu, possuía cabelos pretos com as pontas esbranquiçadas e olhos azuis acinzentados. Ela era a cópia de Ruki e gostava de ler tanto quanto ele. Ryuuji tinha doze anos e era o mais velho dos filhos de Ruki, possuindo os mesmos cabelos que o pai, assim como sua personalidade. Tendo, porém, os mesmos olhos cor de mel que sua mãe. Arisa e Aoi, de onze anos, eram gêmeas, porém semelhantes apenas em relação ao cabelo arroxeado herdado da mãe. Arisa possuía cabelos na altura dos ombros e olhos cor de mel como Arizu, sendo doce e tímida. Aoi possuía cabelos que passavam dos ombros e olhos azuis acinzentados como Ruki, sendo sorridente e extrovertida.

Os filhos de Yuma e Saki eram Yuuzo, Kaori e Kokoro. Yuuzo, de treze anos, era semelhante à Yuma em relação à aparência e a personalidade, porém com um jeito doce da personalidade de Saki. Ele era rígido e mal-humorado às vezes, porém sorridente e animado a maior parte do tempo. Quando não estava na escola, Yuuzo passava todo o tempo do lado de fora, no jardim. Ele gostava de ajudar o pai com a horta e amava se sujar na terra, fazendo com que Saki sempre chamasse sua atenção para ir tomar banho.

Kaori, de doze anos, possuía os cabelos escuros da mãe e os olhos castanho-claros do pai, tendo a personalidade gentil e tímida, porém não tão tímida como Arisa, sua prima. Ela gostava de passar o dia com as primas e ouvir Asuka cantar. A caçula, Kokoro, de onze anos, era a pequena e doce filha de Yuma, a qual ele cuidava com todo carinho. Ela era parecida com o pai e com seu irmão, tendo os cabelos castanho-claros na altura dos ombros e olhos da mesma cor. Era carinhosa e gostava de ficar com o pai, mesmo que não apreciasse muito mexer na terra como Yuuzo.

Os filhos de Azusa e Momo eram Mai, Azuma e Amaya. Mai, de doze anos, possuía o mesmo cabelo verde-escuro que o pai e os olhos azuis da mãe. Era gentil e tímida com pessoas estranhas, porém sorridente com quem já conhecia. Azuma, de onze anos, era como Mai, possuindo o mesmo cabelo que o pai e os olhos da mãe. Mesmo sendo parecido com Azusa, ele não falava como ele, porém possuía a mesma expressão apática. Amaya, de dez anos, falava tão vagarosamente quanto o pai. Ela herdara os cabelos brancos de Momo e os olhos roxos de Azusa, sendo doce e inocente como ele e tendo admiração por sua coleção de facas.

Naquela noite foi a vez de Yuma, Saki, Azusa e Momo buscarem as crianças. A maioria caminhava ao lado deles de maneira calma e educada, porém os filhos de Kou eram inquietos e corriam sem parar. Saki e Momo quase enlouqueciam enquanto tentavam fazê-los parar, porém com apenas um grito de Yuma, eles se calavam e ficavam quietos. Mas a inquietude não era à toa. Kou e Mei estavam em uma turnê pelo Japão há duas semanas e voltavam para casa nesse fim de semana.

Após trocarem de roupa, as crianças permaneceram na sala de estar com os tios. Ruki e Arizu lhes deram o jantar e agora o que lhes restavam era esperar. Hyuuga e Minoru corriam ao redor da sala, tentando pegar um ao outro enquanto Yuma estava sentado no sofá com Kokoro e Kaori ao seu lado. Saki estava sentada na poltrona e tentava conter sua risada. Yuma naquele momento já não tinha mais paciência e os seguia com o olhar. Yuuzo estava sentado em frente à mesa de centro, fazendo seu dever de casa para ficar livre durante todo o fim de semana e sendo seguido por Asuka, Tomoe e Akae.

— Parem de correr! – Yuma exclamou.

Hyuuga e Minoru continuaram a correr. Saki e Momo se entreolharam, preparando-se. Ele respirou fundo, gritando:

— PAREM DE CORRER!

Os dois imediatamente pararam e o fitaram, rindo da sua expressão furiosa. Yuma franzia as sobrancelhas, encarando-os.

— Sentem-se no sofá e fiquem quietos. – apontou para o móvel.

Eles o fizeram, porém cutucavam um ao outro, ainda inquietos. Kaori deixou uma risada escapar enquanto o pai apoiava os braços no encosto do sofá. Amaya adentrou o cômodo naquele momento com seu caderno nas mãos e aproximou-se de Yuuzo, ajoelhando ao seu lado.

— Yuuzo... Pode me... Ajudar...?

Ele levantou o olhar, vendo seus curtos cabelos brancos presos em duas pequenas marias-chiquinhas baixas e ela em um vestido rosado.

— Hum. – ele assentiu, aproximando o caderno de si e vendo de qual assunto se tratava – Está vendo esse número?

— Sim...

— Com esse aqui, você tem que fazer isso aqui. – disse ele, escrevendo.

Amaya olhava como ele o fazia e elevou as sobrancelhas, sorrindo ao compreender.

— Obrigada...

Yuuzo sorriu, assentindo. Tomoe, que era da mesma classe que Amaya, inclinou-se suavemente para ver do que se tratava.

— Como fez? – perguntou.

— Assim... – disse Amaya, escrevendo em seu caderno.

— Ah, isso! – Tomoe sorriu, pondo uma mecha de seu curto e liso cabelo atrás da orelha.

Ruki estava ao lado de uma mesa de canto e aproximou-se, sorrindo levemente para Hyuuga e Minoru, que possuíam cabelos médios.

— Por que vocês não fazem os deveres agora? Assim quando seus pais chegarem vão estar livres.

— Eu quero fazer com meu pai. – disse Hyuuga.

— Eu também. – falou Minoru.

Minato estava sentado em uma poltrona e os fitou, fechando o caderno ao terminar seus deveres de casa.

— Eles não vão chegar hoje. Sempre chegam no dia seguinte.

— Mas mamãe disse que chegariam hoje. – disse Minoru – Ela prometeu.

— Mas às vezes ela não consegue cumprir a promessa. A última vez foi assim.

— Minato tem razão. – disse Asuka e virando-se para eles – Não é sempre, mas às vezes os shows não acabam na hora que eles esperam. Principalmente numa turnê. E eles estão em Kyoto, é um pouco longe.

Minoru abaixou o olhar, entristecido enquanto Hyuuga franzia as sobrancelhas, emburrado. Os trigêmeos eram apenas parecidos em relação à aparência. Hyuuga geralmente se irritava facilmente, mesmo se controlando com os ensinamentos de sua mãe. Ele era brigão e pelo menos duas vezes na semana seus pais ou seus tios recebiam bilhetes informando que ele havia brigado na escola. Minoru não brigava e nem se irritava, e como Mei dizia “ele é um doce de menino”. Sendo um menino gentil e carinhoso, ele apenas se entristecia quando algo não acontecia como ele queria. Tomoe era carinhosa e gentil como Minoru, acrescentando um pouco de timidez às vezes.

Minato, agora com doze anos, estava amadurecendo e já não se irritava mais como antes. Mesmo comandando as brincadeiras com seus irmãos, ele compreendia quando algo não ocorria como o planejado. Principalmente seus pais, que eram famosos e às vezes não podiam cumprir suas promessas. Ele já entendia isso, assim como Asuka, que possuía cabelos loiros ondulados que passavam de seus ombros. Ela era uma menina tão doce quanto Minoru e mesmo com apenas onze anos, compreendia que as coisas às vezes podiam não acontecer como o esperado.

Enquanto seus irmãos estavam emburrados e chateados, sua tia Arizu aproximou-se de Ruki. Pela sua expressão, Asuka já sabia a notícia que viria. Quando Arizu contava que Kou e Mei chegariam no dia previsto, ela olhava cada um e sorria gentilmente. Porém quando eles se atrasariam mais um dia ou mais alguns dias, ela não os olhava.

— Ruki, eles vão vir apenas amanhã. – disse Arizu, baixo.

Ele a olhou e assentiu, semicerrando os olhos.

— Eles vão vir amanhã, né? – perguntou Minato enquanto os observava.

Ruki o olhou. Assim como Asuka, ele também diferenciava as expressões dos tios.

— Eles vão chegar de manhã. Não conseguiram trem esta noite.

— Ah. – Minato suspirou, levantando – Tudo bem. Vou dormir.

Momo e Saki entreolharam-se, sabendo que ele também estava chateado. Ao terminar os deveres de casa, Asuka fechou seu caderno e levantou, assim como Tomoe.

— Boa noite. – sorriu gentilmente – Vamos, Tomoe.

— Hum.

Ao se retirarem, os irmãos as seguiram. Azusa estava sentado no outro sofá com Mai ao seu lado enquanto Azuma estava ao lado da mãe. Seu cabelo verde-escuro estava um pouco mais comprido e ele ainda usava suas faixas. Ao fitar Momo, sorriu suavemente e disse:

— Né... Vamos todos... Dormir.

Yuma e Ruki o fitaram e sorriram, concordando. Ruki e Arizu chamaram seus filhos e os puseram na cama. Ryuuji possuía seu próprio quarto enquanto as meninas dividiam por enquanto um quarto, tendo cada uma sua cama. E assim como elas, Kaori e Kokoro também dividiam o quarto enquanto Yuuzo tinha o próprio. Mai dividia o quarto com Amaya e Azuma possuía o próprio. Minato por outro lado, possuía o próprio quarto. Ele não dividia com os irmãos mais novos por ser um pouco mais velho, ao contrário de Asuka, que gostava de dividir o quarto com Tomoe.

Porém, quando os pais não estavam em casa, Hyuuga e Minoru iam para o quarto de Minato. Algumas horas após todos irem dormir, os dois saíram do quarto e atravessaram o corredor, entrando no quarto do irmão. Minoru virou a maçaneta e logo o viu deitado na cama. Ao ouvir a porta se abrir, Minato abriu os olhos e suspirou, achando graça.

— O que vocês querem? – perguntou.

Os dois se aproximaram da cama e cada um subiu por um lado, deitando debaixo das cobertas. Permaneceram quietos por alguns minutos, até que Minoru perguntou:

— Minato... Por que mamãe e papai fazem shows?

— Eles gostam. – disse ele – Eles já eram famosos muito antes de nascermos.

— Eles gostam bastante, né? – perguntou Hyuuga.

— Sim.

— Eles gostam de ficar com a gente também, né? – perguntou Minoru – Eles viajam e ficam dias fora.

— Eles viajam a cada três meses e ficam apenas duas semanas fora, Minoru. – disse Minato – Se fossem outros famosos, ficariam meses fora.

— Então eles fazem isso pra ficarem mais tempo com a gente?

— Claro. Eles precisam ganhar dinheiro. Tia Momo ganha dinheiro pintando e eles ganham cantando.

— Hum. – ele assentiu.

Hyuuga virou-se, deitando de lado e fechando os olhos enquanto Minoru sorria levemente. Minato ajeitou-se, deitando de barriga para cima e dizendo:

— Vocês tem que parar de vir pra cá.

— Essa é a última vez. – disse Minoru.

— Hum. – Hyuuga concordou.

Minato deixou um sorriso escapar, os dois disseram o mesmo na última vez.

No quarto de Yuma e Saki, as cobertas moviam-se sobre a cama. Saki envolvia o pescoço dele com os braços enquanto Yuma movia-se, estando entre suas pernas. Ele apoiava as mãos no colchão e dobrava os joelhos, observando-a tentar conter os gemidos. Seus seios balançavam, assim como seu corpo desnudo enquanto ele a empurrava. Yuma ofegava, semicerrando os olhos e vendo Saki sorrir.

— Está alto. – ela cochichou.

Ele sorriu, achando graça. Abraçou-a, passando a movimentar-se mais rápido e fazendo-a gemer mais alto, precisando beijá-la para abafar o som. Ao sentir Saki arranhar suas costas, percebeu que o ápice havia chegado para ela. Yuma sentou-se na cama, pondo-a sentada em seu colo e fazendo com que cruzasse as pernas em volta de seu quadril. Saki soltou o cabelo dele, que recentemente havia sido cortado e estava na altura de seus ombros, porém continuava sendo preso em um bolo no alto de sua cabeça. Ele segurou sua cintura, fazendo-a mover-se para cima e para baixo enquanto ela segurava em seus ombros, olhando-o com os olhos semicerrados e a respiração ofegante.

Ao terminarem, Yuma deitou-a, ainda a beijando e cobriu ambos mais uma vez. Saki pegou sua camisola, que estava jogada ao lado da cama, e vestiu-a. Após dar a ele sua bermuda de dormir, Yuma a vestiu e a abraçou.

— Você não se conteve muito hoje. – Saki achou graça, abraçando-o.

— Desculpe... – ele riu – Não consigo. Você é tão...!

— Yuma-kun. – ela o repreendeu, rindo.

— Eu juro, amo nossos filhos. Mas era tão legal quando a gente podia fazer o barulho que quisesse.

Saki deixou uma risada escapar, assentindo e desviando o olhar.

— Eles estão crescendo tão rápido. Yuuzo já está com treze anos. Como pode? Daqui a pouco ele vai namorar... Casar... Ter filhos...

— Saki, pare de ser dramática. Ele tem treze anos!

— E Kokoro... Ela está crescendo tão rápido.

Yuma suspirou, deixando uma risada escapar.

— Você sabe que o crescimento de vampiros é diferente que o de Humanos, né?

— Eu sei. – olhou-o – Mas ainda assim é rápido.

Ele riu, pondo a mão em sua cabeça e afagando-a.

— Ei, ei... – disse ele – Eles não vão sumir de repente.

Ela assentiu, aconchegando-se em seus braços.

— Pelo menos vou ter sempre você. – sorriu, feliz.

Yuma riu, Saki era dramática demais.

Enquanto abraçavam-se para dormir, a porta do quarto se abriu e Yuuzo apareceu com Kokoro ao seu lado. Ele dava a mão à ela, que segurava o travesseiro. Saki sentou-se, olhando-os em dúvida.

— O que houve, filho?

— Kokoro me acordou. Teve um pesadelo.

— Ah. – disse ela, sorrindo levemente – Venha aqui. Os dois.

Yuuzo franziu a testa, porém caminhou com Kokoro até a cama. Saki a pegou no colo, deitando-a ao seu lado e Yuuzo deitou ao lado de Yuma, que o cobriu. Poucos segundos depois, Kaori surgiu no quarto e deitou ao lado de Kokoro, fazendo Saki sorrir.

— Por que eu tenho que dormir aqui também? – perguntou Yuuzo.

— Você gostava de vir para nossa cama quando criança. – disse Saki – Era tão bonitinho.

Kaori deixou uma risada escapar, contagiando Kokoro.

— Calem a boca. – Yuuzo murmurou.

— Kokoro-chan. – Yuma murmurou – Depois do seu aniversário não poderá mais dormir em nossa cama.

— Por quê? – ela perguntou, ameaçando chorar.

— Você precisa enfrentar seus medos. Era apenas um pesadelo.

— Hum... – assentiu – Que bom que falta muito para o meu aniversário. – sorriu.

Yuma achou graça. Saki e ele estavam de costas um para o outro e puseram levemente seus braços para trás, segurando a mão um do outro para dormirem.

Na manhã seguinte, Kou e Mei chegaram à mansão. Os dois passaram pela grande porta com duas malas, as quais Kou carregava. Ele as colocou ao lado da porta e Mei observava a entrada, que estava silenciosa. Entreolharam-se e sorriram, seus filhos ainda deviam estar dormindo. Adentraram os corredores e passaram por uma das portas, vendo Ruki, Arizu, Momo e Azusa na sala de estar e acenando para eles, que sorriram e fizeram o mesmo.

Caminharam em silêncio até o quarto dos filhos e entraram calmamente no quarto das meninas. Asuka e Tomoe ainda dormiam. As camas delas permaneciam lado a lado e os dois sentaram-se em cama uma. Kou mexeu no cabelo ondulado de Asuka, parecido com o seu.

— Acorde, acorde, acorde. – cantarolou.

Mei beijou a cabeça de Tomoe, pondo uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha e vendo-a despertar. Ao abrir os olhos, Tomoe os arregalou e sorriu.

— Mamãe! – exclamou, sentando-se e abraçando-a.

Asuka despertou com a irmã e viu o pai sentado em sua cama.

— Vocês chegaram! – exclamou, abraçando-o.

— Por que demoraram tanto? – perguntou Tomoe ao cessar o abraço – Hyuuga e Minoru ficaram tristes.

— Desculpe. – disse Mei – Depois que o show acabou, tivemos que ficar para receber fãs. Foi um pouco difícil ir embora e perdemos o trem.

— Tudo bem. – ela sorriu, abraçando-a – Vocês estão aqui.

Mei sorriu, contente. Os quatro direcionaram-se para o quarto de Minato após verem o quarto de Hyuuga e Minoru vazio. Ao abrirem a porta, viram os três dormindo na mesma cama. Asuka e Tomoe correram em direção à cama e pularam sobre eles, ficando de pé e pulando em cima da cama. Os três despertaram e as viram pulando, confusos.

— Adivinhem quem chegou! – Asuka pulava.

— Papai e mamãe! – exclamou Tomoe.

Minoru sentou na cama e tracejou um largo sorriso, pulando e correndo em direção à mãe. Kou se aproximou e pegou Hyuuga no ar quando ele também pulou da cama. Ele o abraçou, exclamando:

— Vocês demoraram!

Minato se sentou na cama, sorrindo enquanto olhava os dois ao passo que as irmãs pararam de pular. Mei e Kou sentaram-se na cama de Minato, que ficou entre eles. Mei pôs Minoru em seu colo e Kou pôs Hyuuga entre suas pernas. As meninas sentaram-se a frente dele e todos se cobriram com as cobertas da cama de Minato.

— Né, como foram as duas semanas? – perguntou Mei – Na última vez que ligamos, Asuka disse que você brigou na escola, Hyuuga.

— Desculpa... – ele desviou o olhar – Um garoto quis pegar meu lanche.

— Precisava dar socos e chutes?

Hyuuga a olhou de maneira surpresa, perguntando-se como ela sabia disso. Mei sorriu e disse:

— Não tente esconder nada de mim. Eu sempre descubro.

— Ruki te contou! – disse Kou, achando graça – Não fale como se descobrisse por conta própria.

— Calado! – ela exclamou, rindo.

Os outros sorriram.

— Minhas notas estão boas. – disse Minato – E as do Minoru também.

— Hum. – ele assentiu – Yuuzo e Ryuuji nos ajudaram.

— Isso é bom. – Kou sorriu.

— Escrevi uma nova música. – contou Asuka.

— Depois vamos ouvir. – Mei sorriu.

— Terminei aquele livro. – disse Tomoe, sorrindo.

— Isso é ótimo! – Mei sorria – Né, Kou?

— Claro. – ele sorria – E adivinhem.

— O que? – perguntou Hyuuga.

— Compramos várias coisas pra vocês! – ele abriu os braços.

As crianças sorriam, animadas, e Kou pulou da cama, correndo para fora com elas. Mei arregalou os olhos, surpresa, porém acalmou o olhar e sorriu, levantando e saindo do quarto. Ela acreditava que Kou amava o fato de ser pai, mas principalmente por poder ser criança de novo. Seus filhos não sabiam, porém ela bem sabia que ele não teve a infância que toda criança merece ter. E Mei amava vê-lo brincando com os filhos.

No quarto de Azusa e Momo, os dois dormiam na cama. Enquanto ele estava deitado de barriga para cima, Momo estava deitada com a cabeça sobre seu peito, abraçando-o. Ela respirou fundo e encolheu-se, despertando. Ao abrir os olhos, fitou o marido e sorriu gentilmente. Momo não dormia muito, porém apenas o fazia para ficar ao lado de Azusa. Gostava de observar seu rosto, sua expressão tranquila enquanto dormia.

Azusa abriu lentamente os olhos e Momo enrubesceu, desviando o olhar.

— Sempre acorda... Antes de mim...

Ela sorriu, olhando-o. Azusa deitou-se de lado, pondo o braço sobre a cintura de Momo. Ela semicerrou os olhos com seu olhar e viu-o aproximar o rosto, beijando-a. Momo ruborizou ao sentir sua língua entrar calmamente em sua boca e contraiu as pernas.

— O que... Foi...? – Azusa perguntou ao acessar.

Ela balançou a cabeça, negando e pôs-se sobre ele, pondo as mãos gentilmente em seu rosto e beijando-o. Não importava quanto tempo passasse, Azusa continuava a ser inocente. Não tanto quanto antes, porém às vezes Momo achava graça por suas expressões de dúvida quando ela tinha a iniciativa.

Após começarem, Azusa passou a observá-la e principalmente a sua expressão e suas bochechas ruborizadas. Ele segurou sua mão, aproximando-a de si e beijando-a, envolvendo-a com os braços. Virou-a, pondo-se sobre ela e apoiando as mãos no colchão, continuando a ver sua expressão enquanto se movia e notando que ela apertava as pontas do travesseiro, gemendo baixo.

— Você sempre me vira... – ela sorriu.

— Eu gosto... De te ver... Assim... – disse Azusa – Seu cabelo... Fica espalhado... E bonito... Suas bochechas... Ficam vermelhas...

Momo sorriu timidamente. Ao terminarem, Azusa respirava de maneira ofegante, ainda sobre Momo, beijando-a. Ela o fez se virar, deitando ao seu lado. Ele a envolvia com um dos braços, tocando seu rosto e sentindo a maciez de sua pele. Correu a mão por suas costas, sentindo o longo cabelo branco de Momo e cessando, fitando seus olhos azuis.

Azusa cobriu-se e Momo fez o mesmo, cobrindo-se até os seios ao escutar algo. A porta do quarto se abriu lentamente e Momo a fitou, vendo Amaya surgir vestida em seu pijama. Ela correu até a cama, sorrindo e aproximou-se da mãe.

— Mamãe... Vamos pintar... – pediu, docemente.

Ela sorriu, voltando-se para a filha.

— Claro. Mas troque de roupa primeiro para tomarmos o café da manhã.

— Mamãe... Por que você... Está sem roupa...?

— E-Eh... – Momo corou – Bem...

Azusa sentou-se, fitando a filha e dizendo ao sorrir:

— Momo e eu... Estávamos...

— A-Azusa! – ela exclamou, envergonhada e voltou-se para a filha – Amaya, vá fazer o que eu disse, por favor.

— Hum. – ela sorriu, assentindo e correndo para fora do quarto.

Ao vê-la saindo, Momo sentou-se e olhou para o marido.

— Azusa, não pode dizer essas coisas à Amaya. E para nenhuma das crianças.

— Por quê...?

— Porque elas são crianças. Ainda não entendem o que isso significa.

— Hum... Entendi... – disse ele, beijando-a de repente – Podemos... Fazer... De novo...?

Momo surpreendeu-se, sorrindo.

— Rapidinho.

Azusa sorriu, beijando-a mais uma vez e deitando-a, pondo-se sobre ela.

Os irmãos Mukami não precisavam comer, assim como sua família, porém todos sempre se reuniam para o café da manhã. Como era o primeiro dia do fim de semana, Ruki e Arizu cozinhavam na cozinha com a ajuda de Saki e algumas das crianças, como Ryuuji, Arisa, Aoi, Tomoe, Kaori, Kokoro e Mai. Ruki poderia se mostrar sério muitas das vezes para os filhos e sobrinhos, porém ele sorria suavemente enquanto cozinhava com a esposa e com as crianças. Para ele, aquele era um dos melhores momentos da semana.

— Ryuuji, leve esse prato para a mesa, por favor.

— Hum. – ele assentiu.

Após terminarem e levarem os pratos para a mesa, Ruki adentrou a sala de jantar e viu todos ao redor da mesa. Yuma pegava comida para Kokoro e lhe deu o prato, pondo-o a frente dela enquanto Saki fizera o mesmo com Kaori e Yuuzo se servia sozinho, sentando-se. Minato e Asuka já haviam se servido e comiam ao passo que Mei ajudava Minoru e Tomoe, e Kou competia com Hyuuga para ver quem comia mais. Momo pegou comida para Azusa e lhe deu o prato, colocando-o a sua frente e vendo-o sorrir suavemente. Mai e Azuma se serviram sozinhos e Amaya teve a ajuda do irmão, que pôs o prato a sua frente após pegar comida para ela.

Quando Ruki fitou Arizu, viu-a pondo o prato para Akae, que agradeceu, e fitou Ryuuji e as gêmeas, que já comiam. Ruki percebeu como a casa fora preenchida e lembrou-se de quando eles precisaram comprar uma mesa maior para todos poderem se sentar ao redor. Ao fitar Arizu, Ruki sorriu.

— Ei, não coma tudo, Yuuzo! – exclamou Hyuuga, levantando.

— Calado, tampinha! – Yuuzo apontou o garfo para ele – Você já está comendo demais!

— Parem de brigar! – Ryuuji exclamou, sentado – Vocês brigam todos os dias, fiquem quietos.

Ruki os fitou, sorrindo e aproximando-se de Arizu, sentando ao seu lado. Ela sorriu sem compreender sua expressão, porém alegrou-se.

Após o café da manhã, todos passaram o dia cumprindo seus afazeres e ocupando-se com seus passatempos. Momo, por exemplo, estava em seu ateliê com Amaya e pintava em uma nova tela. O cômodo do primeiro andar possuía paredes brancas com lindas flores que ela mesma pintara e várias telas penduradas com belas pinturas, além de duas mesas com inúmeras tintas e pincéis. Momo estava sentada no banco em frente ao cavalete, segurando um pincel e a paleta com as diversas cores. Tocou a cor azul com a ponta do pincel e o levou até a tela, tingindo-a suavemente. Amaya estava sentada em uma cadeira de madeira, desenhando em seu grande caderno.

— Olhe, mamãe... – disse ela, mostrando seu desenho.

Momo a fitou, vendo um punhal desenhado em seu caderno com belos detalhes no cabo.

— É lindo. – sorriu.

— É um... Dos punhais... Do papai. Viu... O cabo...? Eu coloquei... Flores... – disse Amaya, alegre – Achei... Que ele... Fosse gostar...

— Ele vai. Seu pai ama seus desenhos. Quer mostrar à ele?

— Hum. – ela assentiu, levantando e saindo.

Amaya correu pelo corredor e passou pela porta da sala de estar, voltando e vendo seu pai e seu tio Ruki conversando.

— Faz três semanas. – disse Ruki – As provas deles já acabaram, então poderão vê-los se quiserem.

— Hum... Verdade... – falou Azusa.

Amaya entrou no cômodo, aproximando-se do pai e sentando ao seu lado, voltando sua atenção para si.

— Papai... Olhe... – mostrou-lhe o desenho.

Azusa pegou seu caderno, observando o desenho e sorrindo levemente.

— É igual... A minha... Adaga. – disse ele, surpreso.

— Hum. – ela assentiu – Coloquei... Flores...

Ele sorriu, afagando sua cabeça. Ryuuji adentrou o cômodo com um livro na mão, estando vestido em calças escuras, assim como sua camisa de mangas compridas. Ele se aproximou de Ruki com uma das mãos dentro do bolso da calça.

— Pai, já acabei esse livro.

— Eu lhe dei ontem. – disse Ruki, surpreso.

— Ah, ora, ora. – cantarolou Kou, adentrando a sala – Não reclame, ele é igual a você.

Ruki o olhou, deixando escapar um suave sorriso ao assentir e voltando-se para o filho.

— Já leu quase todos os meus livros.

— Quase. – Ryuuji tracejou um meio sorriso – Vou pegar outro.

Seu pai achou graça e Akae adentrou a sala de estar de repente, caminhando até Ruki e lhe entregando o livro.

— Você também?

— Eh? – ela o olhou em dúvida.

— Seu irmão acabou de me devolver um livro. Já acabou?

— Já, mas apenas vim devolver. Tomoe e eu vamos para o jardim. – ela sorriu levemente, retirando-se com Ryuuji.

Kou a seguiu com o olhar, rindo e fitando Ruki.

— Ela é engraçada.

— Madura demais para idade. – Ruki pensou – Me lembro de quando ela nasceu. Mana disse que ela seria como eu.

— Hum. – assentiu – Faz algumas semanas que não os vemos. As crianças começaram a estudar e depois Mei e eu fomos para a turnê.

— Verdade... – disse Azusa – Estávamos... Falando sobre... Isso...

— De quem estão... Falando...? – perguntou Amaya.

— De Riichi e os outros. – disse Kou.

Amaya fitou o pai.

— Quero ver... Riichi...

Kou sorriu, fitando Ruki. Amaya gostava de brincar com Riichi, assim como com os outros. Azusa pôs a mão em sua cabeça, afagando-a. Ela levantou, pegando seu caderno e saindo da sala. Após verem-na sair, continuaram o assunto.

— Que tal ligarmos para eles? – disse Kou.

— Hum. – Ruki assentiu.

No jardim, Saki e Arizu estavam penteando o cabelo de Aoi e Kaori, sentadas na pequena escada. Akae, Tomoe e Kokoro estavam debaixo de uma árvore, conversando e Minato estava com Asuka e Arisa debaixo de outra árvore, ajudando a irmã com uma nova música. A porta-dupla para o jardim estava aberta e Yuma saiu de dentro de casa, acompanhado por Yuuzo, que segurava uma cesta. Ao notá-los, Saki perguntou:

— Já vão colher?

— Os tomates cresceram rápido dessa vez. – disse Yuuzo.

— Yuuzo estava ansioso. – disse Yuma.

— Tente não se sujar tanto. – Saki sorriu, amarrando o cabelo de Kaori em um rabo de cavalo – Da última vez você ficou da cor da terra.

Kaori e Aoi riram.

— Caladas! – ele exclamou – Meu pai jogou terra em mim, mãe! Não foi minha culpa!

— Tudo bem. Mas tentem não se sujar.

Ryuuji adentrou o jardim com um novo livro nas mãos e passou por eles.

— Ryuuji, quer colher os tomates conosco? – perguntou Yuuzo.

— Não, obrigado. – levantou a mão, continuando – Tio Yuma jogou terra em mim na primeira e última vez que os acompanhei.

Yuma conteve a risada.

— Você começou a reclamar. – disse ele.

— Pai, mas você também jogou terra em mim.

— Eu sempre jogo terra em você. Você nunca usa luvas. – deu de ombros e virou-se – Vamos.

Yuuzo franziu a testa e o seguiu. Saki abaixou o olhar em direção ao cabelo de Kaori.

— Prontinho.

— Obrigada, mãe. – disse ela, levantando e correndo.

Arizu trançou o cabelo de Aoi e a deixou ir. Ela correu com Kaori até a árvore onde Minato e as meninas estavam e sentaram ao lado deles. Saki e Arizu os observavam, sorrindo e Saki fitou Yuma, que estava abaixado ao lado de um dos pomares.

— Você conseguiu mesmo fazer com que Yuma-kun cortasse o cabelo. – comentou Arizu.

Saki deixou uma risada escapar.

— Aquele comprimento foi o máximo que consegui. – disse ela – Mas ele já disse que vai deixar crescer de novo. Na verdade gosto quando o cabelo dele está grande.

— Então por que pediu que cortasse?

— Queria ver como ficava.

— Vai pedir à Yuuzo?

— Já pedi. – ela riu – E ele disse para eu não encostar no cabelo dele. Yuma disse que Yuuzo parece com ele quando tinha essa idade.

— Eles estão mesmo parecidos. Ryuuji é tão parecido com Ruki que me assusta.

Saki riu.

— Pensei que Azuma seria igual à Azusa-kun. – pensou Arizu.

— Mas ele é.

— Em relação à fala.

— Amaya acabou herdando esse lado. – Saki sorriu – Mas não fala tão devagar quanto ele.

— Verdade. A fala dela está melhorando.

As duas viram Hyuuga e Minoru passarem correndo, pulando os poucos degraus da escada e correndo em direção ao jardim, passando a perseguir um ao outro e fazendo Akae, Kokoro e Tomoe os assistirem.

— Já disse para não correrem! – exclamou Mei ao chegar.

Ela suspirou e sentou ao lado de Arizu.

— É só ter mais de quatro horas que cheguei e eles não me obedecem mais.

As duas riram.

— Eles nunca nos obedecem. – disse Arizu – Apenas Yuma-kun, mas porque ele grita.

— Eles apenas param no susto. – disse Mei.

Saki achou graça.

— Quando eles crescerem, você vai sentir falta disso.

— Talvez. – Mei sorriu – Mas agora eles me deixam louca.

— Momo tem sorte. – disse Arizu – Todos são tão calmos.

— Verdade. Sortuda. – franziu a testa.

Mai passou por elas e caminhou em direção aos outros, sentando ao lado de Asuka e os outros e vendo o que faziam. Azuma caminhou em direção à Yuma e Yuuzo. Ele não gostava de mexer na horta como os dois, porém gostava de observá-los. Era como arte para ele. Amaya chegou correndo no lado de fora e parou em frente à Arizu.

— Tia, pode fazer tranças no meu cabelo?

— Claro. – ela sorriu.

Amaya sentou-se a sua frente e deixou sua tia pentear seu curto cabelo, dividindo-o e fazendo marias-chiquinhas. Ela observava os primos correndo, querendo brincar também e lembrou-se da sala de estar.

— Tia...

— Sim?

— Tio Ruki... Falou sobre Riichi... E os outros...

— Os Sakamaki?

— Sim...

As três entreolharam-se, sorrindo.

— Acho que vocês podem vê-los. – Arizu sorriu – Tiraram notas excelentes. Como vocês são de escolas diferentes, é um pouco triste, né?

— Hum. – Amaya assentiu.

— Podíamos chamá-los! – disse Saki, animada – Vamos fazer algo aqui em casa e chamá-los.

— É uma boa ideia. – disse Arizu – Vamos falar com os meninos depois.

— Concordo. – Mei sorriu.

— Prontinho, querida. – disse Arizu à Amaya.

— Obrigada... – ela sorriu, correndo.

Amaya correu em direção aos primos, correndo atrás deles e sendo feita de boba. Mei exclamou, dizendo para eles pararem de zombar da prima e eles começaram a correr atrás dela, que ria. Debaixo da árvore, Minato dava o caderno para Asuka, que observava o que ele havia rabiscado e escrito. Arisa, Aoi, Kaori e Mai olhavam o caderno, vendo a nova música da prima.

— Que tal agora? – perguntou Minato.

Asuka lia os trechos.

— Está mesmo bom. – sorriu – Obrigada.

Minato assentiu.

— Posso ver? – perguntou Arisa.

— Eu também! – Aoi sorriu.

— Hum. – Kaori concordou, assim como Mai.

Asuka deu o caderno à Arisa, que também mostrou às outras. Elas leram a música que Asuka escrevera e Minato mudara ligeiramente algumas palavras.

— Está ótimo! – disse Aoi, sorridente.

— Está mesmo. – Kaori sorriu.

— Você já se apaixonou, Asuka? – perguntou Arisa, timidamente.

— Não. – ela riu – São apenas algumas coisas que imagino.

— A música está boa. – disse Minato – Só consertei algumas palavras, mas é melhor você sentir primeiro e escrever depois.

— Mas quando vou sentir isso?

Minato pensou, desviando o olhar e dando de ombros.

— Sei lá.

Asuka revirou os olhos.

— Mamãe e papai só se apaixonaram quando estavam no ensino médio, então...

— Você quer ser famosa como seus pais? – perguntou Kaori.

— Ahm, bem... Não sei. Eu gosto de cantar. Mas também gostaria de gostar de alguém.

As meninas a fitavam, pensando o mesmo. Minato franziu as sobrancelhas de maneira tediosa.

— Garotas... – reclamou, levantando.

Enquanto as meninas conversavam, Minato foi até Ryuuji e sentou ao seu lado. Ele estava debaixo da mesma árvore que Akae, Tomoe e Kokoro, porém do outro lado. Ao ouvir o primo suspirar, perguntou:

— O que houve?

— Elas estavam falando da música e agora estão falando de garotos.

Ryuuji tracejou um sorriso, achando graça.

— Está lendo o que? – perguntou Minato.

Seu primo fechou o livro com o dedo na página que lia e mostrou-lhe a capa.

— Legal. Posso ler depois?

— Hum. Mas você não é o tipo que lê livros. – olhou-o, confuso.

— Tomoe me conta algumas histórias sobre os livros que ela lê com Akae e eu gostei de alguns.

— Entendi.

Enquanto Hyuuga e Minoru corriam com Amaya, ela notou seus tios Ruki e Kou saindo de dentro de casa com seu pai e sentando ao lado de suas respectivas esposas. Azusa estava sozinho, porém Momo logo chegou e sentou-se ao seu lado, observando as crianças. Amaya parou de correr e caminhou até Akae, Tomoe e Kokoro, sentando ao lado delas. As duas conversavam enquanto ela observava os tios.

— O que foi, Amaya? – perguntou Akae.

— Eh? – olhou-a – Quero ver... Riichi...

— Ah, sim! – disse Tomoe – Também quero vê-los.

As outras assentiram.

— Eles vem aqui ou nós vamos na casa deles? – perguntou Akae.

— Não sei...

— Eles parecem estar conversando, talvez seja disso. – disse Tomoe.

As três fitaram os tios, que estavam sentados nos degraus.

Na horta de Yuma, ele terminara de colher os tomates com Yuuzo e colhia as alfaces, pondo-as na cesta. Yuuzo pegara algumas sementes e fazia pequenos buracos na terra, colocando-as e cobrindo-as com terra. Ele não usava luvas e sentia a terra em suas mãos. Para ele era a melhor sensação que poderia ter.

Yuma terminou de pôr as alfaces na cesta e o fitou, franzindo a testa e sorrindo ao achar graça.

— Já falei pra você usar luvas quando mexer na terra.

— Eh, esqueci. – disse Yuuzo – Estava pensando em algo.

— Algo? – ele sorriu maliciosamente – Ou em Kaya?

Yuuzo o olhou de maneira tediosa enquanto enrubescia e Azuma conteve a risada.

— Pare de falar essas coisas, pai. Ela é minha amiga, assim como Shirou.

— Se fosse apenas isso você não estaria vermelho. E, afinal, já tem algumas semanas. Isso é mesmo chato.

Yuuzo desviou o olhar, voltando a plantar as sementes.

— Azuma, quer me ajudar?

— Não, obrigado. – disse ele com os braços cruzados – Só gosto de olhar.

— E qual é a graça?

— Essa é a minha graça.

Yuma riu.

— Azuma mantêm uma distância segura da terra. – disse ele – Diferente de você, ele sabe que tem que usar luvas.

— É terra, pai. É mais legal assim.

— Mas você pode se sujar.

— Não vou me sujar.

— Sério?

Yuma fitou a terra, pegando um punhado com a mão e jogando em Yuuzo, acertando seu ombro e um dos lados de seu rosto.

— Pai! – ele exclamou, olhando-o – Por que fez isso?

— Já disse. Você está sem luvas!

Yuuzo franziu as sobrancelhas de maneira entediada.

— É terra. – disse ele, pegando um punhado e jogando no pai, que riu.

Azuma assistia aos dois e afastou-se, sabendo que logo começaria uma guerra de terra, como sempre. Porém dessa vez sentiu uma bola de terra acertar a parte detrás de sua cabeça. Ele parou, semicerrando os olhos e virando-se de forma aborrecida para eles.

— Quem foi?

Yuma e Yuuzo apontaram um para o outro. Azuma aproximou-se calmamente do canteiro, agachando-se e de repente jogando terra nos dois, que riram e continuaram com a brincadeira. Yuma ria, jogando terra no sobrinho e no filho. Porém Saki viu o que estavam fazendo e levantou rapidamente, apressando-se até a horta.

— O que estão fazendo...? – ela perguntou, porém exclamou quando uma bola de terra molhada acertou seu rosto.

Eles pararam, olhando-a de maneira amedrontada e vendo-a tentar tirar aquilo do rosto, porém não funcionando muito.

— Desculpa, mãe... – disse Yuuzo, recuando.

— “Desculpa”? – olhou-o ao abrir os olhos e abaixou ao lado do pomar.

Yuuzo arregalou os olhos e agachou rapidamente ao vê-la atirando uma bola de terra contra ele. Saki acidentalmente acertou o peito de Yuma, que a olhou e sorriu desafiadoramente.

— E-Eh... Foi sem querer... – disse ela.

— Claro que foi. – ele sorriu, pegando mais terra.

Saki correu, rindo e ele correu atrás dela, jogando a terra molhada em sua direção, porém atingindo Kou na cabeça. Mei tampou a boca com a mão, surpresa. Yuuzo e Azuma riram, entreolhando-se. Kou levantou, olhando-o de maneira aborrecida, porém tracejando um sorriso malicioso. Caminhou até a horta e pegou dois grandes punhados da terra mais molhada que havia. Yuma correu, assim como Saki, que ria. Kou tentou acertá-lo, porém propositalmente voltou-se para Mei e a acertou.

— Ah! – ela exclamou – Kou!

Ele gargalhava.

— Desculpe! – cantarolou.

— “Desculpe” nada! Você fez de propósito! – ela levantou, correndo atrás dele.

— Eu não fiz não! – ele exclamava, rindo.

As outras meninas riam, assim como Ruki e Azusa. Porém Hyuuga e Minoru notaram o que acontecia e entreolharam-se, sorrindo de maneira mal-intencionada. Os dois correram para a horta e pegaram terra com as duas mãos, jogando nos tios que ainda estavam sentados e fazendo-os exclamarem.

— Hyuuga! Minoru! – exclamou Momo, tentando tirar a terra do cabelo.

— Não adianta... – disse Azusa, ajudando-a – A terra... Está molhada... Apenas vai sair... Com um banho...

— Esses dois. – resmungou Ruki, tentando limpar a roupa.

— Admita. Foi engraçado. – disse Arizu, segurando sua mão e levando-o consigo – Vamos.

— Para onde?

— Ter nossa revanche.

Ele surpreendeu-se, porém achou graça.

Pouco a pouco, todos passaram a participar da brincadeira. Yuuzo jogava terra em Azuma, porém em um dos momentos ele desviou e a bola acabou acertando Akae, que o encarou e começou a participar. Tomoe, Kokoro e Amaya sorriram uma para a outra e correram atrás dela, ajudando-a a tentar acertar os primos. Eles riam, animados e continuavam. Hyuuga e Minoru acertaram Minato e Ryuuji, que os olharam de maneira espantada e se vingaram, jogando várias bolas de terra neles, que gargalhavam. Kou acertou Asuka, que exclamou e correu atrás dele. Ruki acabou acertando acidentalmente as gêmeas, que o olharam espantadas e acabaram rindo, correndo atrás dos pais. Azusa e Momo acertaram Mai e Kaori, que exclamaram e riram.

Toda a família jogava terra uns nos outros, rindo e se divertindo. Porém Minato, Hyuuga e Minoru tiveram a ideia de ligar o registro da mangueira de borracha que Yuma usava para molhar as plantas e jogar água em todos. Todos exclamavam ou gritavam, sendo molhados e tendo as roupas encharcadas, ficando ainda mais sujas por causa da terra. Quando a brincadeira cessou, as mulheres da casa encararam os três bagunceiros e mandaram todos tomarem banho. As meninas foram com suas mães para um dos grandes banheiros e os meninos foram com seus pais para o outro banheiro.

No banheiro onde os meninos se encontravam, os pais estavam dentro da grande e redonda banheira cheia de espuma com as crianças, ajudando-as.

— Que ideia foi essa da mangueira? – perguntou Ruki, ensaboando a cabeça de Ryuuji.

— Admita, foi engraçado. – Kou riu, ensaboando a cabeça de Hyuuga enquanto Minato ensaboava a cabeça de Minoru.

— Foi ideia do Minato. – delatou Minoru.

— Cala a boca. – ele murmurou.

— Foi divertido... – disse Azusa, sorrindo levemente enquanto ensaboava a cabeça de Azuma, que riu.

— Admito. – disse Ruki – Foi divertido.

— Foi mesmo. – disse Azuma – Mas tio Yuma que começou.

— Não comecei nada. – exclamou ele, ensaboando a cabeça.

Yuuzo ensaboava a própria cabeça e o fitou, semicerrando os olhos e franzindo as sobrancelhas.

— Você quem começou sim!

— Você não estava usando as luvas. – disse ele, molhando a cabeça para tirar a espuma.

— E isso é desculpa?

— Não importa quem começou. – disse Kou – Estou feliz por Mei ter esquecido que joguei terra nela. – riu.

— Pensei que ela fosse matar você. – Yuma riu.

Kou gargalhou e pediu que Hyuuga fechasse os olhos para ele molhar sua cabeça e tirar a espuma. Após fazê-lo, começou a ensaboar a própria cabeça.

— Vocês tiveram sorte dessa vez. – disse Kou aos filhos – Sua mãe ainda não falou nada sobre castigo.

— Tomara que ela esqueça. – disse Minoru, molhando a própria cabeça.

— Tomara. – Minato riu.

No banheiro onde as meninas se encontravam, suas mães estavam igualmente dentro da grande e redonda banheira com as filhas. As gêmeas ensaboavam a cabeça uma da outra, assim como Asuka e Tomoe. Momo molhava a cabeça de Amaya, que se encolheu e fechou os olhos ao lado de Mai, que molhou a cabeça. Saki molhara a cabeça de Kaori e agora ensaboava a cabeça de Kokoro. Arizu ensaboava a própria cabeça após fazê-lo com Akae e ajudava Saki com o cabelo, assim como Mei com Momo.

— Eles sujaram meu caderno. – Asuka reclamou.

— Mas foi divertido. – Tomoe sorriu.

— Confesso que foi. – disse Mei, agora ensaboando a própria cabeça – Mas aqueles três com a mangueira... Eles vão ver.

— Azuma se divertiu mesmo. – Momo sorriu, molhando a cabeça.

— Ryuuji também. – Arizu sorriu, contente – Foi a primeira vez que o vi sorrir assim.

— Nós nos vingamos. – disse Akae.

— E foi divertido! – Kokoro sorriu, rindo.

— Foi! – Arisa e Aoi disseram em coro, rindo.

— Mas fiquei toda suja. – disse Mai, ensaboando-se.

Momo sorriu, achando graça.

— Bem, agora estamos todas limpas.

— E vamos esconder aquela mangueira! – exclamou Mei.

Elas riram.

— Né. – disse Saki, molhando a cabeça – Falei com Yuma sobre os Sakamaki quando estávamos entrando e ele achou uma ótima ideia.

— Vamos vê-los? – perguntou Kaori, animada.

— Claro. – sua mãe sorriu – Vamos ligar para eles amanhã. – sorriu.

Após o banho, as crianças estavam limpas e arrumadas, e Saki caminhava pelo corredor. Acabara de pentear o cabelo e pretendia ir para a sala de estar, onde todos estavam. Porém ao passar pelo telefone da casa, ouviu-o tocar e virou-se, caminhando até o aparelho e o pegando, pondo-o ao lado da orelha.

— Alô?

Saki? – Mana alegrou-se

— Mana?! – ela exclamou, sorrindo largamente – Estávamos falando de vocês hoje!

Que bom! – riu – Liguei para convidá-los para virem aqui no próximo fim de semana.

— Que ótimo! Estou com saudades!

Saki e Mana permaneceram ao telefone por quase uma hora. Após desligarem, Saki direcionou-se alegremente para a sala de estar e se deparou com todos ao redor do sofá onde Kou estava sentado. Ao se aproximar, viu que ele estava com o álbum de fotografias no colo, mostrando para as crianças fotos antigas.

Saki sorriu, aproximando-se de Yuma e perguntando:

— O que estão fazendo?

— Eles queriam relembrar algumas coisas.

— Adivinhe quem ligou.

Ele a olhou em dúvida.

— Quem?

— Mana.

Os pais se voltaram para ela e algumas das crianças continuaram a ver as fotos.

— Eles nos chamaram para ir à mansão no próximo fim de semana. Pelo visto pensaram a mesma coisa que nós. – ela sorria.

— Isso é ótimo. – disse Arizu, contente.

Momo e Mei entreolharam-se, sorrindo, assim como Kou e Azusa.

— Olhe! – disse Yuuzo, apontando para uma das fotos – Sou eu, Shirou e Kaya.

Saki olhou a foto, vendo os três com dois anos de idade e sentados no tapete da sala de estar dos Sakamaki.

— Vocês três são inseparáveis desde pequenos. – ela sorriu, lembrando-se.

Yuuzo fitou a foto mais uma vez. Kaya era um bebê, porém era bonita desde pequena. Yuma notou seu olhar, sorrindo.

— Todos ficavam na sala de estar quando eram pequenos, brincando juntos. – comentou Mei.

Enquanto seus pais conversavam e se lembravam de uma época distante, algumas das crianças Mukami estavam ansiosas para rever os amigos. Foram apenas três semanas, porém parecia que haviam se passado meses.