Diabolik Lovers - União de Sangue

75 Capítulo 68: Inocência


Na mansão Sakamaki, Tomoe descia a escada para o primeiro andar. Ela usava um vestido azul e a saia balançava enquanto andava, assim como seu liso cabelo loiro na altura dos ombros. Ela fora passar a tarde com Maori e Akane e avistou Yuuhi sentado na escada. Há algumas semanas Tomoe o olhava de maneira diferente, porém tentava se comportar como sempre. Aproximou-se, descendo os degraus e parou ao seu lado.

— Yuuhi. – sorriu.

Ele não respondeu, olhava para seu aparelho e usava os dois fones de ouvido. Ela reparou nos fones brancos e tocou seu ombro. Ele despertou, levantando o olhar e fitando-a ao seu lado.

— Tomoe. – tirou um dos fones – Desculpe, estava alto.

— Tudo bem.

— O que foi?

— Ahm... Nada. – sorriu sem jeito – Né, você vai ter uma acompanhante na festa de Kaya?

— Acompanhante? Pensei que não precisava. – suspirou – Minha tia inventa cada coisa.

— N-Não precisa, na verdade. – ela levantou uma das mãos – Estou apenas perguntando.

— Ah. – compreendeu – Não. Por quê? Quer ir como minha acompanhante?

— E-Eh, n-não precisa se não quiser. – ela desviou o olhar, enrubescendo.

Na verdade Tomoe desejava saber se ele tinha alguém em mente.

— Tudo bem. – disse ele.

Ela o olhou, surpresa.

— O que?

— Quer ir comigo? – ele perguntou – Afinal, vai ser um baile mesmo. E minha tia está amando isso. Ela adora festas.

Tomoe riu.

— Ela é engraçada. Bem alegre.

— Hum. – concordou.

Ela sentou ao seu lado no degrau.

— Né, e aquelas suas tias? Sua mãe tem várias irmãs, né? É muito legal.

Ele sorriu levemente com os olhos semicerrados.

— Minha mãe é a mais velha.

— Hum. – ela assentiu, sorrindo.

— Tia Ruka é a segunda mais velha. Ela se casou com Naruki, irmão da tia Rin.

— Eles têm três filhos, né?

— Sim. – assentiu – Dois meninos e uma menina. Tia Rikae casou com Satoya, o outro irmão da tia Rin. Eles têm dois.

— Eu acho isso tão divertido. – ela achou graça.

Ele a fitou, sorrindo mais uma vez e voltando-se para frente.

— Tia Rina tem apenas um filho e diz que não quer ter mais, mas o marido quer mais filhos. Eu não acho que ela esteja tão relutante quanto diz. Minha mãe disse que provavelmente ela logo dirá que está grávida.

Tomoe sorriu.

— Tia Raina e tia Rana se casaram com gêmeos também. Tia Raina tem quatro filhos e tia Rana está grávida do quarto. E tio Ryuu se casou há três anos com a garota com quem ele namorou no colégio e já estão esperando o terceiro filho. Minha avó está muito feliz.

— Tenho certeza. Eu a conheci no aniversário de vocês, ela é tão bonita.

— Hum. – ele concordou.

— Mas e o seu avô?

— Não o conheci. Minha mãe disse que ele enlouqueceu e morreu quando ela tinha 13 anos.

— Ah. – Tomoe abaixou o olhar – Sinto muito.

— Por quê?

Ela o olhou, surpresa.

— Eu nunca o conheci, não tenho por que ficar triste.

— H-Hum. – concordou.

— Eu ficaria triste se acontecesse algo com Maori, meus primos ou vocês. Eu não o conheci, então...

— Eu também? – ela apontou para si.

— Sim.

Tomoe enrubesceu, olhando-o.

— Você está bem? – Yuuhi perguntou, tocando sua testa – Está vermelha.

Ela abriu levemente a boca, estremecendo. Ele estava tocando sua testa, ela estava sentindo sua pele em contato com a dela.

— Tudo bem? – ele perguntou.

— S-Sim.

Yuuhi levantou, segurando sua mão e fazendo-a levantar. Desceu o resto do lance e caminhou pelo corredor, levando-a consigo.

— Pra onde estamos indo?

— Pra cozinha. Vou pedir à minha mãe pra ver se você está bem.

Ela elevou as sobrancelhas, surpresa, porém sorriu. Yuuhi preocupava-se mesmo com ela, mesmo demonstrando apenas sua expressão apática. Ele era gentil e ela gostava disso. Tomoe se pôs ao seu lado, caminhando com ele de mãos dadas. Sabia que sua mãe diria que ela não tinha nada, claro, porém quis aproveitar aquele momento.

Mais tarde na escola, Haru observava a cidade no terraço do colégio. Tocou a grade, semicerrando os olhos. Completara nove dias desde que Minato e ela se beijaram, e ela não conseguia esquecer. Ele a tocou de forma diferente, de uma maneira que ninguém nunca havia feito. Agora havia se tornado difícil tirá-lo de sua mente.

Ela suspirou, pondo uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Haru.

— Eh! – assustou-se, virando-se e vendo Minato, que a olhou em dúvida.

— O que foi? Te assustei? – riu – Né, Ren quer falar com você sobre alguma coisa das anotações dele.

Ela desviou o olhar, tracejando um meio sorriso. Haru havia escrito o nome dele e o de Kaori em algumas folhas de suas anotações e provavelmente ele agora desejava brigar com ela.

— Eh... – deixou uma risada escapar – Não conte que estou aqui.

— Fez besteira, né? – ele perguntou, pondo as mãos nos bolsos – O que fez?

— Escrevi em algumas anotações dele.

Ele riu, aproximando-se.

— Você é louca, ele vai te matar.

Ao vê-lo se aproximar, Haru recuou até sentir a grade contra suas costas. Minato franziu a testa em dúvida e semicerrou os olhos, suspirando.

— O que você tem?

— N-Nada. – ela sorriu sem jeito.

Ele franziu as sobrancelhas.

— Não precisa ficar assim por causa daquilo. Passou, esquece. Ainda somos amigos.

Ela desviou o olhar, envergonhada. Se fosse apenas pelo beijo, ela esqueceria sem problemas. Porém não era mais apenas aquilo. Haru estava começando a gostar dele. E isso estava deixando-a confusa.

— Né, vamos. – disse ele – Vou comprar um sorvete.

— Mas Ren...

— Se encontrarmos com ele, vamos correr. – deixou escapar uma risada.

Haru sorriu e o seguiu.

No dia anterior, Akane havia ganhado uma competição de arco e fecha na escola. Ela era competidora a nível nacional e muitos alunos de outras escolas a conheciam. Sendo popular entre os garotos, a maioria das garotas desejava ser como ela. Ela tinha longos cabelos castanhos avermelhados como o pai, assim como seus olhos verdes.

Akane e Kenji eram populares entre o sexo oposto. Várias meninas queriam sair com ele e vários garotos queriam sair com ela. Porém ao contrário de Kenji, Akane não queria sair com ninguém. Porém, claro, havia um garoto em especial que desejava muito sair com ela.

— Akane! – cantarolou Minoru.

Ela parou no corredor do colégio, suspirando.

— Ai, não...

Minoru se aproximou e pôs o braço ao redor de seu pescoço.

— Parabéns pela competição. – ele sorriu – Eu tenho uma comemoração perfeita pra você.

— O que você está fazendo aqui, Minoru? De novo!

Ele riu e segurou gentilmente sua mão, fazendo-a voltar-se para ele.

— Akane-chan... – ele sorriu gentilmente – Você sabe que gosto de você.

Ela revirou os olhos, suspirando.

— Por que você acha que estou sempre brincando? – ele perguntou – Estou falando sério.

— Não está não.

— Por que você não me leva à sério?

— Você é mais novo que eu. É imaturo.

— Um ano mais novo! – ele riu – É a mesma diferença entre Daichi e Asuka. E Keiichi e Aoi. Você tem é medo.

Akane arregalou os olhos, franzindo as sobrancelhas em seguida.

— Eu não tenho medo. Você é imaturo, fica dando em cima como faz com todas as garotas e é muito convencido. Eu nem preciso estudar com você pra saber isso.

— Sou solteiro, então se elas deixam, eu dou em cima. – ele sorriu – Se você fosse minha namorada eu não faria isso. Tenho idade e maturidade suficiente pra ficar com você. E eu não sou convencido. – riu.

Ela cruzou os braços, emburrada.

— Não.

Minoru pôs as mãos em seus ombros, sorrindo suavemente e semicerrando os olhos. Abaixou até sua altura, dizendo:

— Quero ser bem direto com você, está bem?

Ela o olhava.

— Quero namorar você. Quero casar com você e ser o único cara com quem vai dormir. Quero ficar com você pra sempre. Entendeu agora?

Akane descruzou os braços enquanto ele falava. Assimilou suas palavras e ruborizou com cada uma.

— Deixe de ser idiota. – ela resmungou, afastando-se dele e indo embora.

Minoru suspirou, porém sorriu levemente. Ao menos agora ela sabia o que ele realmente queria. A partir daquele momento, ele precisaria conquistá-la. o que seria ainda mais difícil.

Na biblioteca, Akae arrumava alguns livros atrás de uma das estantes. Em uma mão, ela equilibrava três livros e os colocava em seus devidos lugares. Akashi adentrou a biblioteca naquele momento e viu o lugar vazio. Suspeitou que Akae estivesse arrumando as estantes, pois ela apenas saía da biblioteca para assistir às aulas. Após procurar, ele a encontrou no corredor das últimas estantes.

— Akae.

Ela o olhou e desviou o olhar, voltando a arrumar os livros.

— Fale.

Os dois haviam se beijado na semana do dia dos namorados e não falaram mais sobre o ocorrido durante aquele um mês e meio. Porém Akashi não conseguia tirar aquele beijo da cabeça. Nunca havia sentido isso, mas desejava beijar Akae mais uma vez.

— Né, quero te beijar de novo.

Ela achou graça e guardou o último livro, voltando-se para ele.

— Tudo bem.

Akashi não demonstrou emoção, apenas se aproximou e pôs a mão por dentro do cabelo dela, beijando-a. Akae fechou os olhos, sentindo-o movimentar a língua dentro de sua boca e fazendo o mesmo. Ele pôs o braço em volta de sua cintura, aproximando-a e sentindo seus seios contra seu peito. Akae cessou o beijo calmamente e o olhou.

— Então sentiu minha falta? – sorriu.

— Mais ou menos. – ele desviou o olhar, sorrindo.

Ela se voltou para a estante, verificando se todos os livros estavam em seus respectivos lugares. Akashi a observava. Ela possuía seios do tamanho que ele gostava, longos cabelos que o atraíam e mesmo com o uniforme, ele sabia que seu corpo era esbelto do jeito de que gostava. Além do mais, ele a conhecia e sabia de todas as suas qualidades e defeitos. Não havia nada de ruim em gostar dela e querer beijá-la mais.

— Saia comigo. – pediu.

Akae parou de mexer nos livros, abaixando a mão e fitando-o.

— Não.

— Eh? – ele franziu a testa, surpresa – Por que não?

— Akashi, não precisa se preocupar e me chamar pra sair.

— Me preocupar?

— Sobre eu me apaixonar por você. – ela sorriu suavemente – Não foi meu primeiro beijo.

Akashi desviou o olhar, sorrindo de maneira frustrada por não ter sido o primeiro e principalmente por ela falar o fato tão naturalmente.

— Tudo bem. – olhou-a – Mas não é por isso que estou chamando você pra sair.

— Então por quê?

— Ah... – ele pensou, debochadamente – Provavelmente porque gosto de você.

Akae franziu a testa, confusa e chocada. Akashi não era o tipo que gostava de uma garota. Ele gostava de várias garotas e quase sempre ao mesmo tempo. Porém não neste sentido emocional, mas apenas beijos e coisas a mais. Ela nunca ouviu falar que ele havia dito algo assim para alguma garota.

— E-Eh... Como assim “provavelmente”? Não é o melhor jeito de falar isso.

— Não? – ele pensou – Nunca gostei de ninguém antes. Não sei bem o que falar.

— Akashi...

— Né.

Ele se aproximou, fazendo-a recuar até chocar-se levemente contra a prateleira logo atrás. Akashi parou próximo dela, olhando-a de cima. Akae corou suavemente, envergonhada.

— Quero namorar você. – disse ele – Depois daquele beijo acho que percebi isso. Quero ser o seu primeiro na cama. Ensinar a você como sentir e dar prazer.

— Cale a boca! – ela exclamou, tampando os olhos com as mãos – Não fale essas coisas pra mim! Aquilo foi apenas um beijo.

— Mas se continuássemos provavelmente eu teria posto um filho em você. – disse ele, engrossando um pouco a voz – Parei porque você é inocente e eu sei disso.

Ela o olhou ao abaixar as mãos.

— Mas eu...!

— Já beijou? – ele achou graça – Isso não importa. Diga que já dormiu com alguém.

Ela hesitou, desviando o olhar de maneira envergonhada. Akae nunca havia feito isso, nunca havia estado em uma cama com um homem.

— Viu? – ele sorriu, pondo as mãos nas prateleiras e fazendo-a olhá-lo ao prendê-la – Eu gosto disso. Se quiser, posso fazer coisas que nunca imaginou que seriam feitas com você. – aproximou-se de sua orelha, sussurrando – Posso fazer com que sinta prazer e tenha um orgasmo.

Akae arregalou os olhos, pondo as mãos em seu peito e afastando-o. Suas bochechas estavam avermelhadas e ele sorriu ao vê-las.

— Você é apenas um pervertido, Akashi! – exclamou – É assim que você fala com as garotas?!

Ele riu.

— Muitas vezes elas que falam assim comigo.

Ela elevou as sobrancelhas, surpresa. Abaixou os braços, desviando o olhar de maneira emburrada.

— Pervertidos...

Ele sorriu gentilmente, segurando seu queixo e fazendo-a olhá-lo.

— Akae... Eu gosto de você.

Ela o olhava, corando mais uma vez.

— Quer sair comigo?

— Hum. – assentiu – Mas não faça nada pervertido. E nem fale assim comigo de novo.

Ele riu, abaixando a mão.

— Tudo bem. – abraçou-a – Você é minha pequena virgem.

Ela arregalou os olhos, seu rosto ficou completamente vermelho.

— Idiota! – exclamou, tentando bater nele.

Akashi achou graça, continuando a abraçá-la e beijando-a de repente. Akae arregalou os olhos, porém os fechou logo em seguida. Abraçou-o, apertando levemente a parte de trás de seu blazer. Mesmo não tendo aceitado o pedido de namorado, sentia-se envergonhada por eles brevemente saírem para um encontro.