Diabolik Lovers - União de Sangue
76 Capítulo 69: Desejo
Na piscina da escola, Keiichi e Aoi estavam de mãos dadas, sentados na beira com Arisa ao lado. Enquanto ele usava o uniforme, as duas usavam maiôs por acabarem de ter aula. Arisa ajeitou o curto cabelo ao retirar a touca de natação e sorria enquanto conversavam.
— Né, Arisa. Você recebeu algum chocolate no White Day? – perguntou Keiichi.
— N-Não. – ela desviou o olhar, envergonhada – Acho que ninguém gosta de mim.
— Não fique chateada. – disse Aoi, ainda de touca – De repente o garoto que gosta de você ficou envergonhado e não teve coragem de dar o chocolate.
Ela abaixou o olhar, assentindo.
— Talvez. – fitou-os – Mas e vocês?
— Keiichi me levou a um restaurante. – ela sorriu – E não precisava. – encarou-o – Eu tinha dito que poderíamos ficar em casa.
— Então diga que não gostou. – ele sorriu.
Ela desviou o olhar, emburrada. Keiichi inclinou-se sobre ela, sorrindo.
— Eu sei bem do que você gosta. Não finja que não gostou de ter ido lá. – endireitou-se.
— Tá... – confessou – Gostei. Mas você não sabe de uma coisa. – sorriu, confiante.
— O que?
— Sobre como quero que seja nossa primeira vez.
— Velas pelo quarto e pétalas de rosa sobre a cama. – ele disse em tom óbvio – Como foi com Daichi e Asuka.
— Eh?! – ela enrubesceu – Como sabe disso?
— Arisa me contou. – apontou para ela com o dedão.
Arisa arregalou os olhos.
— Aoi não sabia?! – exclamou, docemente – Você disse que ela queria, Keiichi-kun!
— Keiichi, seu trapaceiro! – exclamou Aoi.
Ele riu.
— Eu estava curioso.
— Isso não vale!
— Mas agora sei como agradar perfeitamente você. – ele sorriu largamente.
Ela o encarou, emburrada e enrubesceu. Era verdade, agora ele sabia perfeitamente como agradá-la, mas não era para ele descobrir naquele momento.
— Idiota... – desviou o olhar.
Keiichi sorriu, inclinando-se e beijando sua bochecha.
— Desculpe. – sorriu gentilmente – Me perdoa?
Ela fitou-o, semicerrando os olhos. Aquela expressão sempre lhe convencia. Era fofa e gentil, as duas coisas que ela mais gostava.
— Tá bom. – beijou-o.
— Né, vamos. Tenho aula agora.
— Hum. – ela assentiu, tirando a touca e deixando o cabelo cair sobre suas costas – Vou tomar banho.
— Levo você até o vestiário.
Ela assentiu, voltando-se para a irmã.
— Arisa, você vem?
— Vou ficar mais um pouco. – sorriu – Até mais.
— Não demore. Temos aula daqui a pouco.
Ela assentiu, sorrindo enquanto observava-os ir embora após Aoi vestir um roupão. Arisa abaixou o olhar em direção à água. Sua irmã tinha um namorado e ela ainda estava sozinha. Não era algo incômodo para ela, porém agora a maior parte do tempo quando elas estavam juntas, Keiichi também estava presente. Ela não se sentia incomodado com sua presença, ele era engraçado e fazia Aoi feliz, porém ela sentia falta de quando apenas as duas ficavam juntas. Será que Arisa também seria assim se começasse a namorar?
Asuka mudou um pouco quando começou a namorar Daichi. Passou há dividir seu tempo entre o trabalho, a família e o namorado. Assim como Aoi. De repente era algo natural e que realmente acontecia quando alguém começava a namorar. Mas mesmo assim, ela sentia falta. Porém algo lhe deixava alegre. Antes de dormirem, sempre conversavam e riam. Era seu momento favorito do dia.
Enquanto pensava, fitando a água, ela não reparou a porta para a piscina se abrir. Kenji adentrou o lugar com uma caixa contendo algumas bolas de vôlei e avistou Arisa sentada na beira da piscina. Ele sorriu, caminhando até o canto e pondo a caixa no chão. Aproximou-se dela, observando-a em seu maiô azul e desviando o olhar por um momento ao ver as curvas de seu corpo. Arisa era doce e suave como a onda de uma calma praia, porém possuía um corpo que excitava qualquer um.
— Oi, Arisa. – disse ele, pondo a mão na nuca.
Ela assustou-se por um momento, porém sorriu docemente.
— Kenji-kun.
— O que faz aqui?
— Keiichi, Aoi e eu estávamos conversando. Eles foram embora, mas eu fiquei. E você?
— O professor pediu que eu trouxesse uma caixa com bolas de vôlei. – disse ele, sentando-se ao seu lado – Daqui a pouco teremos aula aqui.
— Ah. – sorriu – Você é prestativo.
Ele engoliu em seco ao ver seu sorriso, voltando-se para frente. Desde aquele dia em que aqueles garotos a importunaram e ela o abraçou, Kenji não conseguia tirar Arisa da cabeça. Por que estava pensando nela desse jeito? Ela sempre foi gentil e sorridente com ele. Exceto no dia em que ele tocou seus seios, quando ela gritou. Porém ele nunca havia pensado nela dessa forma. Por que agora?
— Né. – fitou-a, sorrindo nervosamente – Ganhou algum chocolate?
— Não.
— Que pena. Talvez eles estivessem com vergonha.
— Vergonha?
— É. De você rejeitá-los.
— Por quê?
Ele a olhou em dúvida, franzindo a testa.
— Porque você é bonita. – disse em tom óbvio, fazendo-a corar – Muitos garotos gostam de você.
Ela abaixou o olhar.
— Impuros? – perguntou.
Kenji não compreendeu. Arisa nunca se importou com status.
— Ei, não precisa pensar assim porque aqueles caras falaram isso. Eles são idiotas.
— Hum. – ela concordou – Mas isso acontece sempre. Algumas garotas me ignoram, falam coisas sobre mim.
— Elas são idiotas. – ele franziu as sobrancelhas.
Ela achou graça, deixando escapar uma risada.
— Obrigada.
Kenji desviou o olhar, pondo a mão na nuca por um instante.
— Né... Eles ainda estão incomodando você? É só chamar que eu resolvo. – olhou-a.
Arisa fitou-o, sorrindo suavemente e negando com a cabeça.
— Eles pararam. Obrigada.
— H-Hum. – assentiu, voltando-se para a água – Né, vamos nadar. – falou de repente, levantando.
— Eh? Mas você não está usando...
Arisa parou de falar ao vê-lo tirar a roupa. Kenji ficou apenas de cueca e ela viu que era preta. Ele pulou dentro da água, emergindo em seguida e rindo.
— Vamos, Arisa!
Ela hesitou, porém sorriu. Levantou e mergulhou, emergindo em seguida e passando as mãos em seu rosto.
— Bom mergulho. – ele sorriu, jogando água em seu rosto.
Ela exclamou, rindo e fazendo o mesmo. Kenji gargalhava enquanto jogava água em Arisa e ela se aproximou, pondo as mãos em seus ombros e o afundando. Ele prendeu a respiração, porém abriu os olhos debaixo da água e viu os seios dela próximos de seu rosto. Ele ruborizou e emergiu bruscamente, fazendo-a afastar-se um pouco.
— Desculpe... Machuquei você? – ela perguntou.
— Não... – ele desviou o olhar – Tudo bem. – virou-se.
Arisa abaixou o olhar, pensando ter feito algo. Porém Kenji apenas tentava controlar-se. Desejava tocá-la e beber seu sangue. Porém não podia fazer isso. Ele saiu da piscina, pegando sua roupa e se aproximando de um dos sofás. Secou-se, vestindo sua calça. Arisa saiu da piscina e pegou uma toalha, secando-se e se aproximando dele.
— Kenji-kun... Eu fiz alguma coisa?
— Não. – disse ele, mantendo-se de costas.
Ela abaixou o olhar.
— Desculpe...
— Não precisa pedir desculpas. Você não fez nada.
— Então você não gosta de mim?
— Quando dei a entender isso? – ele achou graça, vestindo a camisa.
— N-Nunca... Mas...
Kenji fechou os olhos, estremecendo. Ao abri-los, seus olhos verdes estavam vermelhos. Por que ele sentia tanta sede? Isso nunca aconteceu antes com nenhuma outra garota.
— Me fale o que é. – ela pediu, docemente.
Ele engoliu em seco, voltando-se para ela ao terminar de abotoar sua camisa. Ele era dez centímetros mais alto, porém mesmo como olhar baixo, ela pôde ver seus olhos avermelhados. Ao olhá-los, Arisa não compreendeu a razão por estarem assim.
— Por que...?
— Não sei. – mentiu – Tenho que ir. – afastou-se de repente, indo embora.
Arisa permaneceu parada, surpresa. Se Kenji estava com os olhos vermelhos, queria dizer que estava com muita sede. Algo assim poderia ser controlado. Porém ele não conseguiria se a sede fosse intensa. Ela abaixou o olhar, ele estava normal antes. Ruborizou ao achar que ela teria sido a causa.
Ao chegar em casa naquela noite, Kenji apressou-se e correu para um dos banheiros, trancando-se. Não parava de pensar em Arisa. Encheu a banheira e tirou a roupa, entrando. Tentava tirá-la da cabeça, mas era impossível. Ele fitou o teto, suspirando e deixando o corpo escorregar, imergindo na banheira e deixando algumas bolhas de ar escaparem. Ele não devia ter entrado na piscina com ela, percebera isso naquele momento. Agora era impossível tirá-la da cabeça, principalmente por causa daquele maiô.
Após o banho, Kenji direcionou-se para a sala de jogos. Ele viu pela janela seu tio Kanato treinando com Yuuhi no jardim enquanto seu tio Ayato e Daichi os observavam. Isso queria dizer que ou seu pai estava sozinho na sala de jogos ou com sua irmã ou com sua mãe no quarto. Se ele estivesse com sua mãe, os dois apenas sairiam do quarto na manhã seguinte. Então ele desejou imensamente uma das duas primeiras hipóteses.
Ao chegar, viu-o com Akane, jogando dardos no alvo.
— Pai, posso falar com você?
— Kenji. – ele cantarolou – Quer jogar conosco?
— Não é exatamente isso.
— Então espere sentado, cabeça de tomate. – disse Akane.
— Você também é. Sai daqui!
Rin surgiu repentinamente, sentando no sofá próximo à eles.
— Ei, parem de brigar. – franziu as sobrancelhas.
— Kenji quer falar com meu pai e me mandou ir embora. – disse Akane.
— O que quer falar com ele?
Ele desviou o olhar, hesitante.
— É assunto de homem.
— Ah. – Akane cantarolou, rindo – Quer transar com alguém e quer conselhos do papai?
— Não é isso, estupida!
— Então fale o que é. – ela cruzou os braços, sorrindo maliciosamente.
Os dois se encaravam, porém Kenji nunca falaria aquilo na frente delas. Rin fitou sua expressão, percebendo que realmente era um assunto que apenas Laito poderia conversar com ele. Ao fitar Laito, que assentiu, ela levantou, pondo as mãos nos ombros de Akane.
— Vamos, filha. – disse, fazendo-a andar em direção à porta.
— Mas, mãe...
— Você já perturbou seu irmão o suficiente. Vamos.
Akane reclamou, porém foi com a mãe. Ao ver a esposa fechar a porta, Laito se aproximou do filho, pondo seu chapéu na cabeça dele.
— Pode falar. – sentou-se em cima da mesa de sinuca.
Kenji hesitou, envergonhado, porém se sentou no sofá.
— É Arisa.
— O que houve? Não apertou os seios dela de novo, né? Eu sei que ela cresceu e agora está bonita, mas...
— Não é isso, pai! – ele exclamou, envergonhado – Acho que estou gostando dela. – confessou.
Laito elevou as sobrancelhas, surpreso. Kenji era parecido com o primo Akashi, porém mais discreto em relação à sua fama com as várias garotas com quem saía. E Arisa não era exatamente seu tipo. Ela era bonita, porém tímida e doce demais. Se ele quisesse dormir com ela, não iria conseguir nunca. Porém Laito tinha certeza de que o filho não faria isso com Arisa. Ambos cresceram juntos e toda a família Mukami era amiga dos Sakamaki. Kenji não seria tão desprezível.
— Tá... – ele pensou – Pensei que ela não fazia seu tipo de garota.
— Não é isso... – Kenji levantou, andando de um lado para o outro – Estávamos na piscina da escola hoje. Ela tinha acabado de ter aula e eu levei uma caixa com as bolas de vôlei pra lá para a aula. A gente conversou, ela estava chateada por não ter ganhado nenhum chocolate no White Day. Eu tentei animá-la e entramos na piscina, mas... – ele pôs as mãos no rosto – Argh... Aquele corpo...
Laito achou graça, porém conteve a risada.
— E... O que você fez?
— Saí da piscina. – ele o olhou, parando – Mas meus olhos ficaram vermelhos. Isso nunca aconteceu!
— Queria beber o sangue dela.
— Muito... – ele se sentou no sofá – Ela pensou que tinha feito algo errado e eu disse não. Eu só queria sair de lá... Se não eu não sei o que faria com ela.
— Kenji. – Laito levantou e sentou ao seu lado – Você não faria nada com ela. Ir embora foi uma prova disso.
— Mas eu queria tanto, tanto beber o sangue dela. Isso não é normal.
— Quando bebeu sangue pela última vez?
— Ahm... – pensou – Não me lembro. Eu estava saindo com quatro garotas, então...
— Então você se esqueceu de beber sangue. – Laito suspirou – Como você conseguiu esquecer isso?
Kenji desviou o olhar, deixando um sorriso escapar. Na verdade as garotas o ocupavam bastante. E ao ver aquele sorriso, Laito estreitou os olhos em sua direção.
— Kenji, passe a dividir melhor o seu tempo entre se alimentar e dormir com garotas. Não quero você pulando em cima de Arisa por ser idiota.
— Foi mal... – ele desviou o olhar – Mas acho mesmo que gosto dela.
— Então fale com ela.
— Arisa mal consegue olhar nos meus olhos. Essa foi a primeira vez.
— Então faça com que a segunda vez aconteça.
Kenji o olhou, elevando as sobrancelhas.
No dia seguinte, Amaya fora até a mansão Sakamaki. Riichi a recebeu e correu com ela para o quarto para mostrar o jogo novo que comprara. Ele usava uma bermuda jeans e camisa azul enquanto ela usava um short branco e blusa lilás com mangas que chegavam até seus antebraços. Quando entraram no quarto de Riichi, ele prontamente correu até a televisão, presa à parede. O videogame ficava sobre um móvel logo abaixo da televisão e os dois se sentaram sobre o carpete com os controles sem fio nas mãos.
Enquanto jogavam o novo jogo de Riichi, ele fitou Amaya pelo canto do olho. Na maioria das vezes eles se viam na escola, usando uniformes. Porém agora com roupas casuais, ele conseguia ver como ela havia se desenvolvido nos últimos anos. E diferente de todos os dias, naquela tarde Amaya usava uma tiara e seu longo cabelo estava solto, pendendo sobre suas costas. Riichi lembrou-se do dia dos namorados quando ela lhe deu os chocolates. Ele não podia gostar dela assim, não podia tirar sua pureza. Riichi não era como Akashi e Kenji, porém sabia que se começasse a namorar Amaya, com certeza desejaria fazer coisas além de beijos.
Quando ele perdeu aquela fase, Amaya o fitou em dúvida.
— Você perdeu. – falou – Estava prestando atenção? Você nunca perde.
— Acho que não estava. – ele deixou escapar uma risada – Foi mal.
— Hum. – ela sorriu.
Riichi reiniciou a fase do jogo, engolindo em seco. Ele gostava dos cabelos de Amaya, de seus olhos, de seu corpo. Enquanto pensava nisso, balançou a cabeça repentinamente ao notar que estava quase a imaginando nua em sua mente.
— O que foi, Riichi? – ela perguntou, achando graça.
— Nada. – ele sorriu – Estava pensando em como você é baixa.
— Eh? – ela franziu a testa – Não sou tão baixa. Temos apenas dez centímetros de diferença.
— Você ainda é baixa.
— Você que é baixo. Seu pai e seu irmão são mais altos que você.
— Seus irmãos também são mais altos que você. – ele riu.
Ela franziu as sobrancelhas, emburrada.
— Bobão... Seus pais têm uns quinze centímetros de diferença.
Riichi riu mais uma vez, porém pôs a mão em sua cabeça, afagando-a. Amaya levantou o olhar, fitando-o com seus grandes olhos.
— Estou apenas brincando.
— Hum. – ela assentiu.
Ele a fitou, parando de afagar sua cabeça e enrubesceu, recuando a mão e desviando o olhar. Ela o observava sem entender, seu olhar estava baixo.
— Riichi... Está triste? – perguntou, aproximando a mão para tocar sua bochecha, que estava rosada.
Ele segurou sua mão ao notar a aproximação e ruborizou mais ao tocá-la, porém sorriu.
— Triste? – achou graça – Não estou triste.
— Mas parece. É por que eu ganhei? – sorriu – Vou deixar você ganhar na próxima. – brincou.
Riichi sorriu gentilmente, abaixando sua mão. Ele abaixou o olhar, pensando.
— Né, Amaya...
— Hum.
— Você... Gosta de mim?
— Sim. – ela sorriu.
Ele a olhou e sorriu, sabendo que ela encarara a pergunta de maneira inocente.
— É... Eu também gosto de você.
Ela encolheu os ombros, feliz.
— Mas... – disse ele – Lembra quando falei que no dia dos namorados as meninas davam chocolates e se os garotos aceitassem, eles se beijavam?
Ela assentiu, prestando atenção.
— Você gosta de mim assim? – ele perguntou.
— Sim. – disse, ainda sorrindo.
Riichi suspirou, abaixando o olhar. Não adiantava falar sobre isso com ela. Amaya encarava tudo de forma inocente, sempre sorrindo e sempre assentindo.
— Quero casar com você um dia, Riichi. – disse ela, de repente.
Ele arregalou os olhos, fitando-a.
— Eh?
Ela achou graça e repetiu:
— Quero casar com você um dia.
Riichi permaneceu a olhando, paralisado. Amaya sorria alegremente e deixou uma risada escapar enquanto olhava sua expressão. Mesmo sendo inocente, o que dissera era verdade. E ele percebeu isso. Porém arregalou os olhos mais uma vez, já que Amaya inclinou-se para frente e apoiou as mãos no carpete, beijando sua bochecha.
Ao cessar e afastar-se levemente, olhou-o com os olhos semicerrados. Riichi semicerrou os dele e engoliu em seco, inclinando-se repentinamente e beijando-a. Amaya elevou suas sobrancelhas, porém fechou os olhos, aceitando o beijo. Ao cessarem, Riichi endireitou-se enquanto Amaya se sentou. Não disseram nada, apenas se olhavam. Ele pegou o controle do videogame e voltou a jogar, assim como ela.
Enquanto jogavam, Riichi a fitou algumas vezes, desviando o olhar e voltando à olhá-la. Ao fitá-la novamente, perguntou:
— Você sabe o que casais casados fazem?
— Hum. – assentiu – Mamãe me contou quando perguntei.
Ele desviou o olhar. Naquele momento Reiji passava pelo corredor com um livro na mão e avistou a porta do quarto de Riichi aberta e o som do videogame. Franziu a testa em dúvida, pois geralmente quando ele estava jogando com Amaya, os dois exclamavam e faziam bastante barulho. Ao se aproximar da porta, escutou o que Riichi falava com ela. Ele estava com o olhar baixo e disse:
— Né... – desviou o olhar – Quer namorar comigo?
Amaya o fitou, tracejando um sorriso curioso.
— Vamos fazer a mesma coisa que casais casados?
— N-Não. A gente apenas se beija.
— Ah... – ela sorriu – Claro.
Riichi virou o rosto para o outro lado, sorrindo sem jeito.
— Hum. – assentiu.
— Riichi.
— Hum? – voltou-se para ela.
Amaya inclinou-se, beijando-o. Riichi semicerrou os olhos, corando e os fechando, pondo gentilmente a mão no rosto de Amaya. Reiji os observava e sorriu, voltando a andar. Pelo visto seu filho caçula estava crescendo mais rápido do que ele pensava.
Naquela tarde, Kaya usava um vestido preto de gola alta e sem mangas. Ela se encontraria com Yuuzo no lago em alguns minutos e naquele momento os dois conversavam pelo celular, enviando mensagens. Ela sorria, mordendo o lábio inferior enquanto digitava. Na direção oposta, Shuu e Masami caminhavam lado a lado, conversando e viram a expressão animada de Kaya ao notarem-na caminhar em direção aos dois. Nas duas últimas semanas ela andava mais alegre e não largava o celular nem por um minuto.
— Kaya. – Masami sorriu – Para onde vai animada desse jeito?
Ela levantou o olhar, sorrindo sem jeito, porém achando graça.
— Vou para o jardim, tia.
— Com quem está conversando? – Shuu sorriu de maneira maliciosa – Namorado, finalmente?
— N-Não. – ela desviou o olhar – O que quer dizer com “finalmente”? – fitou-o.
Shuu tracejou um meio sorriso, achando graça.
— Pensamos que não gostasse de ninguém.
— E-Eu não gosto. – mentiu – Estou conversando com Yuuzo.
— Jura? – ele sorriu, elevando as sobrancelhas – Você tem ido para casa dele mais vezes nessas duas últimas semanas.
— Estamos estudando.
— Sei. – ele sorria, desconfiado.
Masami desviou o olhar, achando graça.
— E-Eh, tio, não é nada demais. – ela sorriu, passando pelos dois – Ah! E parabéns por hoje. – sorriu.
— Obrigada. – Masami sorriu.
Kaya afastou-se, continuando a caminhar pelo corredor. Shuu fitou Masami, que sorria.
— Hoje?
Ela o olhou e semicerrou os olhos de maneira tediosa.
— Que dia é hoje, Shuu?
— Dez.
— De que mês?
— Abril.
— E o que aconteceu dia dez de abril há algumas décadas?
Ele pensou e Masami cruzou os braços.
— É o nosso aniversário de casamento, Shuu. – disse, aborrecida.
— Eu sabia. – disse ele, achando graça e abraçando-a – Feliz aniversário de casamento. Faz tanto tempo...
Ela cessou o abraço, afastando-o com as mãos e cruzando os braços mais uma vez.
— Que bom que lembra.
— Claro que lembro. Estava planejando uma surpresa pra você essa noite.
— Surpresa? – ela estreitou os olhos em sua direção, desconfiada.
— É. Um presente especial. Você vai amar.
— Vou? – ela sorriu maldosamente – Que bom. Pois se for mesmo especial... – aproximou-se, olhando-o nos olhos – Eu vou usar aquela fantasia de gato que você me pede para usar há meses.
Shuu elevou as sobrancelhas, sorrindo.
— Vai ser muito especial. – falou.
Masami relaxou a expressão, suspirando e achando graça. Claro que ele esquecera. Porém para a surpresa de Masami, ela realmente surpreendeu-se. Não pela surpresa que hipoteticamente Shuu planejava para aquela noite. Mas por ele a pegá-la no colo e ir para o quarto com ela, fazendo-a sorrir.
Kaya direcionou-se para o jardim, enviando uma última mensagem para Yuuzo, dizendo que chegaria em um minuto.
— Kaya. – Shirou a chamou.
Ela parou, virando-se.
— Shirou. – falou, surpresa.
— Né, volte a falar comigo. Por favor. – ele sorriu, sem jeito – Desculpe pelo dia dos namorados.
Ela elevou as sobrancelhas, surpresa. Kaya não estava mais com raiva dele há algum tempo, porém decidiu não contar à Shirou para castigá-lo um pouco mais. Quando ele falou aquilo, ela sorriu.
— Desculpe, Shirou. Mas não estou mais com raiva de você. – confessou – Queria apenas castigá-lo.
— Ah. – ele achou graça, porém suspirou de maneira aliviada – Ainda bem. Não quero que você pare de falar comigo.
— Não vou. – ela sorria – Mas pare de tentar se confessar pra mim.
Ele abaixou o olhar, assentindo.
— Tudo bem. – sorriu suavemente – Acho que você não gosta mesmo de mim desse jeito, né.
— Acha?
Ele deixou uma risada escapar, suspirando.
— Tá, não gosta mesmo. Eu vou... Tentar te esquecer.
Kaya achou graça, rindo.
— Você vai encontrar alguém muito especial que vai gostar demais de você. – sorriu – Tudo bem?
— Sim. – ele sorriu – Mas pode me fazer um favor?
— Qual?
— Não fique tão bonita assim até eu te esquecer.
Ela riu, vendo-o virar-se.
— Até mais.
Kaya virou-se e caminhou até o jardim, atravessando-o e adentrando a floresta. Ela apressou-se, animada e chegou ao lago, vendo o cais ao longe e procurando por Yuuzo. Ao virar-se, seus olhos foram tampados e ela sorriu, tocando nas mãos dele. Yuuzo as abaixo e virou-a para si, beijando-a. Ele usava calças escuras, camisa branca e suéter preto desabotoado. Kaya envolveu seu pescoço com os braços, sentindo-o abraçá-la e suspendê-la ao ficar ereto. Naquele momento, como em muitos outros, Kaya percebera como Yuuzo estava alto.
Ele a levou até próximo de uma árvore e se sentaram na grama. Yuuzo recostou as costas na árvore e Kaya sentou entre suas pernas, deitando as costas no peito dele e observando-o entrelaçar os dedos aos seus. Ele beijou sua cabeça, cheirando seu cabelo e fazendo-a rir.
— Está nervosa? – ele perguntou – A festa será em cinco dias.
— Não muito. Escolhi meu vestido e mamãe enfim aceitou a cor.
— E qual será?
— Surpresa. – ela o olhou, sorrindo.
Yuuzo a beijou, correndo o beijo para sua bochecha e em seguida para seu pescoço. Kaya voltou-se para frente, fechando os olhos e sentindo-o envolvê-la com os braços. Ele beijava e mordiscava seu pescoço, contendo-se. Já havia mordido Kaya algumas vezes, porém sempre tentava se conter. E ela sempre tocava gentilmente seu rosto, dizendo:
— Pode morder se quiser.
Yuuzo fitou seus olhos, aproximando o rosto e mordendo-a. Kaya ofegou, torcendo levemente a expressão e ouvindo-o beber seu sangue. Ele fechou os olhos, franzindo as sobrancelhas e apreciando o sabor atraente do sangue de Kaya. Yuuzo nunca bebera o sangue de outro vampiro, porém sabia que o sangue dela era diferente. Ele o atraía de tal maneira que era quase impossível evitar bebê-lo quando estavam sozinhos. Não sabia se realmente era apenas por causa de seu sangue ou por estar apaixonado por ela.
Ao cessar, ele respirou de maneira ofegante por um momento.
— Seu sangue... – sorriu – É muito bom.
Kaya sorriu, voltando-se para ele e limpando seus lábios.
— Obrigada.
Ela ouviu um som atrás das árvores e voltou-se para a direção, atenta. Os dois estavam se encontrando às escondidas por planejarem esperar para contar sobre o namoro até o dia seguinte à festa de aniversário dela. Porém Kaya franziu as sobrancelhas, confusa. Viu um vulto de um animal passando entre as árvores, possuindo forma de cachorro. Relaxou a expressão por um momento, com certeza devia ser Kuro passeando pela floresta.
— O que foi? – perguntou Yuuzo, extasiado.
Ela o olhou e sorriu, beijando-o.
— Nada.
Ele sorriu e a abraçou, deitando-a em seu peito e observando o lago. Kaya sorriu, fechando os olhos e segurando a mão de Yuuzo.
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