Diabolik Lovers - União de Sangue
4 Capítulo 4: Primeiros dias
Estávamos no jardim de casa. Eu usava um vestido branco, tinha oito anos. Mana brincava com algumas bonecas debaixo da pequena cobertura onde minha mãe geralmente tomava chá. Seu cabelo curto estava preso em duas pequenas tranças. O meu cabelo era curto e geralmente o deixava solto. Parecíamos irmãs gêmeas, a única diferença era a tonalidade de nossos cabelos loiros.
Mamãe lia um livro, próxima de Mana enquanto eu cheirava algumas flores há poucos metros dali. Nossa casa possuía um belo jardim com flores que para mim eram únicas. Eu amava as rosas e seu aroma, porém toquei na terra onde elas estavam plantadas. Agachei-me como toda criança faria ao tocar algo molhado e fofo e fiz algumas construções, como uma pequena casa e alguns bonecos de terra. Percebi uma sombra crescer logo atrás de mim e me virei.
— Masami. – recriminou minha mãe em seu tom suave – O que pensa que está fazendo?
— Brincando, mamãe. – sorri.
Ela franziu as sobrancelhas em reprovação. Fora pior que me bater. Levantei, entristecida.
— Entre e tome um banho. – continuou – Você é uma dama, não deve brincar na terra. É desagradável.
— Mas mamãe...
— Calada.
Arregalei os olhos, silenciando-me e apenas ouvindo.
— Quando crescer, você se tornará a esposa de um nobre vampiro. Como pensa que ensinará seus filhos a serem cavalheiros e damas se você mesma não for? Isto me decepciona, Masami. Entre imediatamente.
Abaixei o olhar, lentamente semicerrando os olhos e me virando para entrar em casa.
Despertei naquela manhã de forma abrupta, voltando a mim e lembrando-me de onde estava. Mansão Sakamaki, meu quarto. Me sentei, pondo a mão em minha cabeça. Usava uma camisola lilás e meu cabelo estava solto, ligeiramente bagunçado. Olhei ao redor e me senti aliviada por Shu não estar em meu quarto. Levantei, tirando a colcha de cima de mim e indo em direção à penteadeira para pentear meu cabelo.
Logo faria uma semana desde nossa chegada. E todos os dias eram monótonos. Havia doze pessoas naquela casa, fora os empregados. Então como poderia ser tão tediosa nossa convivência? Cada um parecia querer ficar em sua própria companhia, ou pelo menos a maioria.
No segundo dia após chegarmos, eu estava na sala de estar acompanhada por um livro que peguei na biblioteca. Minha irmã havia chegado e se sentado ao meu lado, olhando o que eu fazia. Poucos segundos depois, o lugar ao qual pensei ser silencioso, já não era mais. Rin chegou com uma expressão tediosa e sentou-se no sofá a nossa frente, cruzando as pernas. Seu vestido vermelho era bonito, assim como suas botas pretas.
— Algumas de vocês receberam a visita deles ontem? – perguntou sem demora ou educação.
Mantive meu olhar no que estava lendo.
— Não. – disse Mana – Por quê? Você teve?
— Hum. – reclamou – Nem um pouco. Pensei que ao menos uma visita íntima eu teria.
Mana corou.
— Como assim? – riu, sem graça – Esse tipo de coisa é apenas após o casamento.
— Ah, então você acredita nisso? – ela sorriu maliciosamente – É melhor lhe informar logo. Quando eles nos desejarem, eles nos terão. Afinal, vamos ser esposas deles mesmo. – deu de ombros.
— Ahm... – Mana gaguejou – Não creio que Reiji-san faria algo desse tipo.
— Eu gostaria que Ayato ao menos me mordesse. Ele mal me olhou. Se bem que, mesmo sendo o terceiro filho, não gostei da escolha. O quarto é estranho, mas Laito-san...
— Rin-san, isso não é coisa que se diga.
— Hum, quem liga? – ela deu de ombros – Eles podem nos trocar a qualquer momento se quiserem. Que mal faz eu apenas imaginar?
Mana desviou o olhar, entristecida. Por mais que tenha se tornado noiva de Reiji como desejava, tinha receio de ser trocada. Porém não creio que ele o fizesse. Não por ela, mas por sua personalidade indiferente.
Enquanto falavam, Sora entrou no cômodo de forma discreta com a mão em seu pescoço e o olhar perdido. Rin logo pôs seus olhos nela.
— Ah... – cantarolou – Laito-san não perdeu tempo.
— Eh? – ela a olhou – C-Como assim?
Rin tocou o próprio pescoço com o indicador.
— Não é nada disso. – disse Sora sem jeito.
Rin surgiu logo atrás dela, tirando sua mão do pescoço e o cabelo da frente, expondo as duas marcas distintas.
— Ora, ora... – sorriu como sempre sorria – Que mentirosa.
— Não faça isso, por favor... – Sora cobriu as marcas das mordidas.
— Conte-nos, conte-nos. – cantarolou.
— Não!
— Deixe-a em paz, Rin-san. – disse Mana – Isso é algo pessoal.
E realmente era. Quando um vampiro mordia outro vampiro era como se fosse um beijo ou algo tão íntimo como dormir juntos. Em humanos não importava, era apenas para se alimentar. Mas em um semelhante era íntimo, intenso e poderia ser considerado como violação se não fosse permitido pelo vampiro mordido e mesmo assim feito. Mas com o que Shu pretendia fazer na noite anterior e com a reação de Sora, aqueles irmãos banalizavam completamente o significado de uma mordida. E creio que Rin fazia o mesmo.
— Foi bom? Ele gostou do seu sangue? Ele gemeu? – perguntou Rin ininterruptamente.
— Não interessa a ninguém o que houve noite passada. – concluiu Sora, se retirando.
Rin suspirou, entediada e sentou no sofá por mais dez minutos, até que desistiu de incomodar mais alguém e se retirou. Continuei a ler e Mana continuou sentada, quieta. Ela bem sabia como eu apreciava silêncio enquanto lia um bom livro.
— Sora pediu pra ele parar, mas ele não parou – Reiko disse repentinamente, sentada em cima da cômoda próxima a nós.
— Desde quando está aí? – exclamou Mana, virando-se.
— Há uns quinze minutos.
— Eh... – Mana sorriu sem jeito – Por isso ela não quis contar nada, deve ter sido desconfortável. Mas como sabe?
— Gosto de andar um pouco antes de dormir. Foi tarde. O ouvi a elogiar na camisola e ela pedir que ele saísse. Depois um barulho parecido como se ele houvesse a obrigado a deixar.
A forma apática, sem sentimentos, a qual Reiko falava não me surpreendia mais.
— Eu sinceramente não apreciaria algo assim. – ela concluiu.
Mana sorriu, achando um pouco de graça em sua expressão.
— Que colar é esse em sua mão?
— Hum. – Reiko olhou para suas mãos sobre o colo – Mamãe me deu.
Antes de Mana continuar a conversa, Reiko desceu da cômoda e caminhou com cautela até se retirar. Mana suspirou, me olhando.
— Pelo visto ninguém gosta de ter uma conversa considerada normal.
Sorri levemente, achando graça.
Após pentear meu cabelo e relembrar os momentos dos primeiros dias ali, peguei uma muda de roupas e me direcionei ao banheiro. O grande banheiro possuía azulejos beges, chão branco, pia e banheira de porcelana e torneiras douradas.
Enquanto punha para encher a banheira, prendi meu cabelo em um coque e tirei meu robe e camisola, ficando apenas de calcinha. Ouvi a torneira se ferrar sozinha. Segurei minha camisola na frente de meu corpo, virando-me em direção à banheira. Franzi as sobrancelhas ao ver Shu, sentado sobre a banheira com a mão na torneira, vestido em calças escuras e cardigã verde como a blusa de mangas compridas que usava por baixo.
— Poderia me dar o mínimo de privacidade?
Shu apenas se levantou e se aproximou, ficando próximo de mim e da pia.
— Ei... – disse, irritada – Esse comportamento é inadequado.
— Tirar a roupa na minha frente também não foi?
Arregalei os olhos, enrubescendo.
— Mentira. – ele sorriu levemente – Mas gostaria de saber como é seu corpo. – aproximou a mão da camisola que eu segurava.
Agarrei-a mais fortemente, porém dei um tapa em sua mão. Ele não esboçou reação ou emoção, apenas me olhava. Virou a cabeça e olhou para o espelho. Pensei por um momento que houvesse mudado de ideia e iria embora, porém ele analisava o reflexo. Ao ter curiosidade e olhar também, vi a lateral de meu corpo despido. Ele podia ver minha calcinha e parte de meu seio. Arregalei os olhos e corei mais uma vez.
— Pelo visto tem um corpo bonito. Não gosto do meu pai, mas escolheu bem. – disse Shu.
— Ei! Você não é nada educado. É um pervertido!
Quando me aproximei para empurrá-lo, forçá-lo a sair, escorreguei para trás e ele propositalmente caiu sobre mim, apoiando as mãos no chão. Encolhi-me, ainda coberta com minha camisola. Que homem insolente! Meus sentimentos – raiva e vergonha – ficaram fora de controle. Puxei levemente minha camisola para tentar cobrir o rosto, porém apenas cheguei até a boca, se não ficaria despida. Shu pareceu gostar de minhas bochechas coradas e meu olhar envergonhado ao qual desviei.
Pensei que ele tentaria algo mais, porém não fez nada. Apenas se levantou e me ofereceu a mão para também fazê-lo. Levantei de forma desengonçada, tentando manter a roupa na frente do corpo. Shu manteve a cabeça baixa, sua franja tampava seus olhos. Após me ajudar, saiu do banheiro simplesmente.
Preferi esperar alguns minutos para me certificar de que ele não voltaria enquanto eu estivesse dentro da banheira. Porém ele não voltou. Tomei meu banho em paz, mas pensando na forma como ele saiu. Foi estranho, diferente da forma como estava. Ou Shu brincava de forma nada engraçada ou ele era um rapaz consideravelmente problemático.
Ao voltar para meu quarto, fechei a porta e me escorei nela, suspirando. Ao olhar para minha cama, vi um uniforme em um cabide sobre a colcha. Me aproximei e o observei melhor. Saia e blazer escuros assim como o colete e as meias até as canelas, camisa branca social, gravata borboleta vermelha e sapatos marrons. Com certeza o uniforme de nossa nova escola noturna. Além de morar com eles, iríamos estudar com eles. Legal.
Será que as outras noivas estavam tendo os mesmos problemas que eu?
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