Diabolik Lovers - União de Sangue
5 Capítulo 5: A indiferença do segundo filho
No mundo e sociedade vampira, o primogênito torna-se o senhor da casa da família e possui o direito ao respeito dos irmãos, caso tenha. Irmãos e irmãs possuem apenas o direito de manter a dignidade do nome que carrega. Caso o primeiro filho seja uma mulher, esta jovem carrega o dever de casar-se com um homem de bom nome e ter filhos para não envergonhar nenhuma das duas famílias.
Mana era a segunda filha da família Sakamaki. Ela não herdaria a casa e perderia seu nome ao casar-se. Geralmente uma jovem com o futuro resumidamente traçado de apenas respeitar a irmã mais velha, ser uma dama para não envergonhar a própria família e possuir respeito próprio para casar-se com um homem de nome e lhe gerar filhos não seria tão feliz. Ela considerava sua família diferente das demais. Mesmo sendo fruto de um casamento arranjado, notava amor entre os pais e tinha o respeito da irmã, o que era raro na relação mais velho e mais novo. O irmão mais velho sempre subjugava o mais novo.
Mana obteve a mesma educação da irmã, porém de forma menos rígida. Ela possuía a liberdade sobre querer tocar apenas um instrumento musical ou querer ou não ler um livro como passatempo. Masami por outro lado deveria ser educada, eloquente, intelectual e saber tocar ao menos três instrumentos musicais. Tudo em um sincronismo perfeito. Mana não possuía tal peso sobre os ombros, porém era isso o que lhe fazia querer tal atenção.
Algumas vezes em sua vida ela desejou ter nascido primeiro. Receber toda a atenção da mãe e ser a primeira filha a ser cumprimentada ao chegarem a um baile. Com o passar dos anos, ela passou a desejar apenas um bom homem. Alguém que lhe faria companhia e lhe fizesse ter vários filhos para que ela os criasse de forma diferente. Daria atenção à todos – ou o máximo que pudesse, pois haveria crianças levadas, claro – e muito amor. E agora ela estava há apenas um passo de casar-se com um homem de bom nome. Mas esse homem não lhe dera nenhuma atenção na primeira semana de sua chegada.
Reiji parecia ser gentil, mesmo com sua rigidez e seu valor exagerado pelas regras da casa. Mana tentava não irritá-lo e seus modos se tornaram impecáveis depois de conhecê-lo. Após a semana de indiferença, ela decidiu mudar um pouco. Optou por deixar de fazer suas clássicas tranças e passou a usar a metade do cabelo preso ou um coque baixo com uma grossa trança na lateral da cabeça.
Em seu primeiro dia de aula, ela estava animada. Usava o uniforme corretamente e o penteado do coque. Às cinco e meia a limusine partiu para a escola, e a divisão dos sexos na parte de dentro era notável. As jovens mantinham-se sentadas na parte da frente e os irmãos na parte de trás.
Mana esperava ganhar a atenção de Reiji por ser uma das que não mudaram o vestuário, usando-o de forma errônea. E Rin era uma delas. Ela arregaçou as mangas de seu blazer e dobrou as mangas de sua camisa branca, além de seu colete estar aberto e a camisa para fora da saia. Suas grossas pulseiras de espinhos também não faziam parte do conjunto. E por mais surpreendente que fosse, Masami também mudara o conjunto. Ela optou por não usar o blazer e as mangas de sua camisa branca estavam dobradas até os antebraços. Mana achou um absurdo por ela nunca ter se comportado de tal forma, mas pensou que a irmã finalmente estivesse experimentando o gosto da liberdade.
Enquanto o carro seguia o caminho, Masami observou a irmã e seu cabelo.
— Mudou o penteado. – comentou.
— Eh... Hum. – assentiu Mana – Quis deixar um pouco a infância de lado.
Masami semicerrou os olhos ao fazer uma expressão tediosa ao duvidar.
— Ah, sim... Acredito.
— Ora... – Mana desviou o olhar – Foi sim.
— E não teve nada a ver com Reiji?
— Eh... Talvez.
— Prometemos que não iríamos mudar.
— Pensei que falara sobre a personalidade.
— Também está mudando isso. Pensa que não notei? – disse Masami – Está quieta e discreta na casa. Você nunca foi assim em casa.
— E você? Por que mudou o uniforme?
— Não mudei nada. Apenas não quero usar o blazer e dobrei as mangas.
— E essa pulseira?
Masami olhou para seu pulso esquerdo, onde havia uma pulseira de pedras.
— Vai se tornar Rin? – Mana cochichou.
— Está me comparando com ela? – Masami arregalou os olhos – Olhe para ela.
Ambas olharam Rin na ponta do comprido banco com o braço sobre o encosto. Mana franziu a testa, realmente não poderia comparar a irmã com ela.
— Você é a noiva do primeiro filho. Não acha que deveria estar de acordo? – disse Mana.
— Olhe para ele e veja se ele está de acordo. – disse Masami, franzindo as sobrancelhas.
Mana o fez e viu Shu com um cardigã bege sobre a camisa branca ao invés do colete, além do fato da camisa estar um pouco aberta, sem gravata e o blazer estar sobre seus ombros. Ele não parecia incomodado, estava com os braços cruzados e os olhos fechados, ouvindo música com seu mp3 no pescoço como sempre. Mana voltou a olhar para a irmã, que sorria levemente. Se o próprio noivo não se importava com o uniforme, por que ela deveria?
— Ao menos posso desfrutar de quebrar as regras às vezes. – disse Masami, cruzando os braços e pernas, e recostando-se no banco.
O carro parou em frente à grande escola e todos saíram, adentrando em seus corredores rosado e lilás. As janelas eram grandes e algumas o topo circular, mas o mais belo eram os vidros coloridos. Havia também em alguns dos corredores cômodas com um vaso de flores para enfeitar.
Todos caminharam até o ponto que Reiji permitiu. Ele parou e olhou para o grupo, parando seu olhar sobre Yuka e Reiko.
— Vocês estão na mesma classe que Subaru, então vão com ele.
— Sim. – Yuka assentiu, gaguejando.
Procurou por Subaru, que estava virando a esquina do corredor atrás deles. Ela correu para alcançá-lo enquanto segurava sua bolsa e Reiko os seguiu, caminhando calmamente. Reiji então continuou.
— Rin, Sora e Mana estão na mesma classe que Ayato, Kanato e Laito.
Mana abaixou o olhar, chateada. Claro que ela não ficaria na mesma classe que ele. Os seis partiram para sua classe e por fim, Reiji disse:
— Masami está em nossa classe.
Ela assentiu, seguindo-os e franzindo as sobrancelhas por estar na mesma classe que Shu.
Para Mana a aula parecia não passar. Ela observou os trigêmeos e percebeu que nenhum parecia prestar atenção no professor. Ayato estava com os braços esticados sobre o encosto do assento, a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados. Kanato brincava com seu “Teddy” e Laito olhava para o professor com a cabeça apoiada na mão, porém Mana sabia que ele não estava o olhando de verdade. E do lado das meninas Rin desenhava algo desconcertante no caderno. Apenas Mana e Sora pareciam prestar atenção.
No intervalo entre as aulas, ela andou pelo colégio para conhecê-lo e descobriu uma piscina atrás de uma das portas duplas. O lugar estava com as luzes apagadas, porém a piscina iluminava com sua luz. Mana sentou-se em um dos bancos e passou a observar a água. A luz que a água refletia no teto formava traços dançantes aos quais Mana observou enquanto pensava e desejava companhia. Especificamente de Reiji, porém sabia que ele não a procuraria.
Ela fechou os olhos e tentou imaginar como seria seu futuro casamento com Reiji. Como seriam os dias, semanas e anos ao seu lado. Mana acabou adormecendo, porém despertou quando alguém lhe tocou o ombro e a chamou. Ela abriu os olhos e quando a visão deixou de ser turva, viu quem não imaginava estar ali.
— Reiji...san?
Ele ajeitou os óculos e voltou a olhá-la.
— Francamente, não esperava que cabulasse aula.
— O que?
— Sua quarta aula está ocorrendo e você está aqui.
— O que?! – ela arregalou os olhos e levantou, correndo para a porta – Me desculpe!
Mana foi para sua aula imediatamente, não imaginava que havia dormido tanto. E o que menos queria era decepcionar ou irritar Reiji. Pensou na hora que havia o irritado, então na volta para casa preferiu nem sequer olhá-lo. Não sabia se seria recriminada com aquele olhar.
No dia seguinte ela acordou disposta a lhe pedir desculpas por cabular aula sem querer. Não havia notado que passara tanto tempo. Vestida em um short jeans e blusa escura de mangas longas e justas que deixava seus ombros à mostra, ela se direcionou até à sala onde Reiji costumava ficar durante o dia quando não inspecionava a mansão.
Levantou a mão, porém hesitou por um momento, batendo em seguida.
— Pode entrar.
Engolindo em seco, ela adentrou o cômodo e o viu olhando para a entrada com um tubo de ensaio na mão, ao lado de uma mesa com tubos de ensaio e alguns frascos, vazios e cheios. Ao lado direito havia uma enorme estante repleta de livros.
— Hum, Mana.
— Sim. – ela sorriu – Queria falar sobre ontem.
— Ontem?
— Caí no sono e faltei algumas aulas.
— Ah, correto. – disse ele, lembrando-se e voltando a olhar para o tubo de ensaio com um líquido azul – Seu comportamento é compreensivo. – pingou algo no tubo e o balançou.
— Eu apenas queria pedir desculpas. Não queria que se decepcionasse.
— Por mais que seja minha noiva e a etiqueta diga que deva ser impecável seu comportamento em todos os sentidos, seja aqui ou no colégio... Na verdade não me importo com o que faz.
Mana arregalou os olhos, seu sorriso desapareceu.
— O que?
— Nosso noivado é puramente um arranjo. – disse ele, virando a página de um livro aberto ao seu lado – É necessário que eu explique novamente?
— Mas... – ela tentava compreender – Pensei que...
— O que? – ele ajeitou os olhos – Acredito que tenha aceitado o convite por estar futuramente unindo-se a um puro de primeira classe. Quem não aceitaria? Porém não creia que nosso noivado ou sequer o casamento será mais esse um arranjo.
Mana engoliu em seco, abaixando o olhar. A franja cobriu seus olhos, que acumulavam lágrimas prestes a cair.
— Deseja falar algo mais? – perguntou Reiji, pingando outra gota no tubo de ensaio.
Mana balançou a cabeça, negando.
— Não. – disse com a voz embargada.
Como Reiji não a olhava mais, nem ao menos notava a lágrima que escorria de seus olhos, Mana se retirou. Abriu a porta e a fechou tão silenciosamente que Reiji a olhou. Com palavras doloridas sendo ditas, geralmente o individuo esboçaria reação. Porém Mana não o fez e ele estranhou, voltando ao que fazia.
Ela caminhou pelo corredor com a cabeça baixa. Em um ponto dele, Rin vinha na direção oposta com o olhar entediado. Pelo menos até ver Mana em seu estado.
— Mana, não é? – perguntou.
Mana parou, porém não respondeu. Rin a olhava debaixo, era apenas poucos centímetros mais baixa que ela.
— O que houve? – riu – Reiji por acaso a mordeu e você percebeu que não adianta tentar dizer não?
Por um momento ela desejou que tivesse sido isso. Ao menos iria significar que ele a desejava de alguma forma. Ela não respondeu, apenas voltou a andar.
— Ah... Não fique assim! – Rin exclamou, gargalhando e continuando.
Chegando ao quarto, Mana fechou a porta e desejava fechar a si mesma. Seria mais fácil conviver com um homem tão frio como este? Seria possível ela sequer deitar-se com ele para ter filhos? Sim, seria. Porém a questão era se ele estaria disposto a deitar-se com ela. O resto de suas centenas de décadas seria repleto de solidão e angústia.
Deitada em sua cama, agarrada ao travesseiro, Mana lembrou-se de algo que já não olhava há anos. Levantou e foi até sua penteadeira ao lado da janela. Não sabia por que o havia trazido, já não escrevia desde os quatorzes anos. Mas lá estava ele em sua gaveta para lhe livrar dos pensamentos ruins. Seu diário. Um belo livro em capa dura branca e detalhes dourados com todas as folhas em branco para escrever o que desejasse.
Mana se sentou em sua escrivaninha do outro lado do quarto e o abriu, pegando uma caneta e pondo-se a escrever. Ao menos alguém saberia o que ela pensava, e esse alguém nunca iria revelar seus sentimentos dolorosos daquele momento.
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