Diabolik Lovers - União de Sangue
38 Capítulo 36: Sem mais pesadelos
Notas iniciais
Kou era famoso e gostava disso. Amava a atenção que recebia e as fotos que tiravam de si, ele sentia-se importante e amado. E isso fazia com que seu ego crescesse ainda mais. Em vista à sua infância difícil, sua adolescência era perfeita. Ele era idolatrado por seus fãs, suas fotos eram publicadas em revistas e ele ganhava várias roupas ao usá-las para divulgação. Porém algo o incomodava em sua vida perfeita. O desafeto de Mei.
Ayame Mei era uma cantora que estudava na mesma escola que ele e o detestava. Ele não imaginava o porquê, já que todas as garotas o amavam. Mas ela não, ela era diferente. Kou até achava-a bonita, ela realmente era. Longos cabelos loiros que passavam de seus quadris, olhos azuis, pele clara. Ela poderia ser mais baixa que ele dez centímetros, mas era esbelta e bem bonita, o que ligeiramente atraiu Kou. Principalmente porque em casa, ele assistira no computador uma gravação de um de seus shows. Ela sorria de forma animada, cantava e sua voz era harmoniosa. Mas por que ela não gostava dele?
Kou fora convidado para mais uma sessão de fotos e era maquiado no estúdio. O lugar era grande, possuía uma grande tela branca, assim como o chão e todos colocavam grandes lâmpadas em suportes ao redor, assim como as câmeras fotográficas nos tripés. Kou conversava animadamente com a maquiadora, que sorria admirada por ele.
— Né, né. Você é bem bonita. – ele sorriu, rindo quando ela corou.
— Obrigada, Kou-kun.
O fotógrafo aproximou-se dele, que o fitou de forma agradável.
— Kou-kun, já está tudo pronto e Mei-chan chegou.
— Mei? – ele o olhou em dúvida – Ayame Mei?
— Sim, eh... Não sabia que ela viria? Oh, céus, cometemos um erro.
— Tudo bem. – ele sorriu – Tenho certeza de que tudo vai dar certo.
— Obrigada.
Kou sorriu, vendo-o se afastar. Olhou-se no espelho, franzindo as sobrancelhas ao mudar de expressão. Então não seria apenas ele, mas ela estaria nas fotos também. Além de dividir a atenção no estúdio, dividiria nas revistas. Ao levantar, caminhou até a mesa com pratos de comidas e doces. Mei pegara uma uva e a comeu.
— Mei-chan. – Kou cantarolou ao se aproximar – Não me avisaram que viria, mas vamos fazer um ótimo trabalho juntos, né?
Ela o olhou com a expressão calma, e passou por ele. Kou arregalou os olhos, surpreso. Cerrou o punho, não poderia ser desagradável naquele momento. Aproximou-se dela novamente, que entrara em uma cabine para trocar de roupa e fechara a cortina.
— Mei-chan. – disse ele em tom levemente desagradável.
— Sim.
— Eu fiz algo a você?
— Não. – disse ela, docemente – Por que a pergunta?
— Porque parece que você me detesta.
— Mas eu o detesto. – ela achou graça.
— Eh?!
Kou arregalou os olhos, surpreso.
— M-Mas...! Por quê?
Mei suspirou e afastou a cortina, surgindo para ele. Kou elevou as sobrancelhas, ela usava um belo vestido sem mangas e com fitas saindo do meio do decote reto para amarrar no pescoço.
— Eh...
— O que? – ela perguntou – Gostou?
Ele franziu as sobrancelhas, emburrado.
— Por que o interesse em saber o motivo para eu não gostar de você? – ela perguntou.
— Ora... Todo mundo gosta de mim.
— Por isso. – ela sorriu levemente.
— Eh?
— Você é tão profundo quanto uma poça rasa. – olhava em seus olhos – Pode até conseguir enganar essas garotinhas que só querem seu rostinho bonito, mas a mim você não engana.
Ela saiu da cabine, passando por ele. Kou a observou ir até a maquiadora, que prontamente a arrumou. Ele franziu as sobrancelhas, emburrado. Após todos estarem prontos, Kou e Mei foram para o centro da tela branca, recebendo instruções para serem naturais e espontâneos. Ambos assentiram, sorrindo. Mei olhou-o, dizendo:
— Posso não gostar de você, mas seremos profissionais.
— Hum. – ele assentiu.
Quando as fotos começaram, Kou e Mei fizeram poses. Ela voltou-se para ele, segurando seus ombros enquanto ficava de costas para a câmera, olhando-a. Ele a abraçava em outra foto e beijava sua bochecha em mais outra enquanto ela sorria. Seguraram as mãos, abraçavam-se e faziam expressões animadas e gentis um para o outro. O fotógrafo e os maquiadores, além de outras pessoas presentes, admiravam os dois, que pareciam combinar perfeitamente.
A última foto foi tirada ao terminarem e eles desfizeram a pose, sorrindo.
— Ok! – disse o fotógrafo – Todas ficaram perfeitas, será difícil escolher as principais. Obrigada, Kou-kun, Mei-chan.
— Obrigada. – disse Mei, docemente.
— Kou-kun! – uma das maquiadoras exclamou, admirada – Vocês são namorados? Combinam tanto!
— Na verdade somos! – ele sorriu.
Mei o olhou em dúvida.
— Né, Mei-chan? – segurou sua mão, sorrindo.
Mei franziu a testa, vendo no fundo de seus olhos um olhar debochado e malicioso.
— H-Hum. – assentiu – Sim, claro!
Kou sorriu, rindo em seguida. Para ele fora uma brincadeira, para Mei algo sério. E ela deixou bem claro isso quando se aproximou de Kou no corredor do colégio no dia seguinte. Ele tinha várias garotas ao seu redor, que se afastaram ao vê-la se aproximar e pegar em sua mão de forma séria.
— Precisamos conversar. – disse ela.
— Ah, Mei-chan e Kou-kun estão brigando? – uma delas exclamou.
— Por favor, não se separem!
— Vocês são lindos juntos!
Mei franziu a testa, impaciente e tirou Kou dali, levando-o para as escadas. Ao descer o primeiro lance, parou com ele ao lado da janela.
— Qual o seu problema? – perguntou, cruzando os braços – E como elas sabem dessa palhaçada?
— Não tenho problema nenhum. – ele sorriu – E fui eu quem contou.
— Você é um falso! – ela exclamou – Por que mentiu? Agora todos pensam que estamos namorando.
— E por que você não desmentiu? Poderia muito bem dizer que eu estava brincando ou inventar qualquer outra coisa.
— E-Eu... Você me pegou de surpresa!
Ele sorriu, achando graça e se aproximando dela, que o encarava.
— Admita, você gosta de mim.
— E o céu é roxo. Até parece!
— Pense bem, se nos virem juntos nossos fãs vão aumentar. Serão fãs do casal Kou e Mei.
— Isso é ridículo, eu não gosto de mentiras.
— Mas fingiu muito bem ontem nas fotos.
— Foi diferente! – ela exclamou, descruzando os braços – Eram poses! E meu agente que me convenceu a ir até lá.
— Até ele deve saber que é bom para você ser vista comigo.
— Você é um duas caras, falso e egoísta! – apontou para ele.
— Mas eu aposto que posso conquistá-la. – ele sorriu.
— Eh...?
Kou aproximou-se de Mei, fazendo-a recuar e encostar as costas na parede. Sua expressão enraivecida era fofa para ele, que achava graça. Pôs a mão na parede, olhando-a.
— Vamos fazer um acordo.
Ela franziu as sobrancelhas.
— Vamos fingir por um mês que estamos namorando. – disse ele – Nossas popularidades vão subir bastante. Então, antes do natal, vamos nos separar.
— E o que você pretende com isso?
Ele sorriu maliciosamente, segurando em seu queixo.
— Vou provar a você que posso fazer com que goste de mim. Se eu ganhar, vou simplesmente estar certo. Se você ganhar...
— Você me deixa em paz! – ela exclamou, dando um tapa em sua mão e se retirando.
Kou a olhou ir embora. Tracejou um sorriso malicioso no rosto, pensando em como iria ser divertido fazer com que Mei se apaixonasse por ele. Isso faria enfim ele se esquecer do fiasco com Yuka.
Durante novembro, Kou e Mei fingiram estar namorando. E como ele falou, a popularidade de ambos aumentou e muito. O número de convites para fotografias juntos cresceu e os pedidos para autógrafos também. Na escola, eles eram vistos frequentemente juntos fora da sala de aula. As garotas quase gritavam quando diziam seus nomes. Quando uma delas pediu uma vez para ele beijar Mei, pois nunca os viram se beijando, Kou segurou-a pela cintura. Mei ruborizou ao olhá-lo se aproximar e segurou seu rosto, aproximando-o e surpreendendo-o. Porém não com um beijo, mesmo que parecesse para as garotas, que gritavam. Ela simplesmente o ameaçou em um sussurro, dizendo que se ele a beijasse, ela iria cortar sua língua. Porém mesmo não a beijando, Kou tinha outras ideias para agradar os fãs. Presenteava Mei nos corredores do colégio e até já apareceu com um buquê de rosas nos braços. Ela ficava surpresa e sorria, porém simplesmente pensava que ele era ridículo.
Após duas semanas, Kou decidiu que deveriam começar a ser vistos saindo juntos e passou a levá-la ao cinema, restaurantes e parques. Realmente suas fotografias juntos na internet aumentaram. Porém um dia em que voltavam andando para casa após um jantar, uma forte chuva começou e os encharcou. Como a casa de Kou era a mais próxima, correram para lá. Mei avistou ligeiramente sua casa, vendo como era grande, porém não se surpreendendo.
Ele abriu a porta para ambos e entrou, fechando-a. Ela tocou o cabelo, sentindo-o realmente encharcado. Antes de subirem para se secar, Yuma e Azusa se aproximaram, vendo que haviam chegado.
— Kou. – disse Yuma – Está chovendo muito? – riu.
— Engraçado.
Mei o olhou, vendo como ele era alto e o outro como era enfaixado.
— Quem são? – perguntou.
— Meus irmãos. Yuma e Azusa. Ruki deve estar em algum lugar.
— Ah, então é essa a garota que está fingindo namorar? – perguntou Yuma.
— Você contou?! – ela exclamou, olhando-o.
— Claro, são meus irmãos!
Ela suspirou, pondo a mão na testa. Azusa a olhou, dizendo:
— Mei-san... Você é bem... Bonita.
— Eh, obrigada. – sorriu sem jeito.
— Sua voz também... É bonita. Kou assiste... Seus vídeos.
— Eh? – olhou-o em dúvida.
— Tá, tá! Vamos subir logo! – disse ele, mudando de assunto – Quanto mais rápido se secar, mais rápido vai embora.
— Concordo.
— Acho que não. – disse Yuma – Está sendo avisado nos noticiários para as pessoas não saírem até a chuva acabar.
Mei franziu a testa.
— Ótimo...
— Vamos. – disse Kou.
Eles direcionaram-se para seu quarto, entrando e Mei reparando no lugar onde ele dormia. Era um quarto bonito e turquesa, logo na entrada havia um banheiro e um pequeno corredor que se abria para o lugar. Sua cama era grande, havia uma lareira, o armário embutido na parede, havia uma cadeira com estofamento amarelo e uma grande janela com cortinas roxas de mesmo tamanho.
Kou tirou seu colete escuro e jogou-o sobre a cadeira, sentando-se na cama enquanto ela se aproximava.
— Odeio isso. – disse ele, tentando desabotoar a camisa branca – Ei, pode me ajudar a me trocar? Não sou bom com botões.
Mei desviou o olhar por um momento, pensando que seria algum plano dele. Porém ao perceber que ele realmente não era bom nisso e Kou exclamar para ela andar logo, aproximou-se e ajoelhou a sua frente, desabotoando cada botão. Por um momento ela se sentiu irritada, ele mantinha sua expressão altiva, como se fosse um príncipe sendo servido.
— Hum, obrigada. – disse ele ao vê-la terminar, tirando a camisa.
— Pode me emprestar uma roupa? – perguntou ao levantar.
— Hum.
Kou virou-se para o armário, pegando uma de suas camisas. Ao fazê-lo, Mei arregalou os olhos ao ver suas costas. Havia cicatrizes de grandes cortes em suas costas. Ela desviou o olhar, já sabia que ele era um impuro. Apenas dessa forma poderia ter conseguido cicatrizes. Porém, então, quando humano, ele deve ter sofrido. Ela abaixou o olhar, tentando imaginar como teria sido aquela dor.
— Tome. – disse ele.
— Eh, obrigada.
Mei fora para o banheiro se trocar e voltou vestida com a camisa de Kou, que ficava grande nela. Kou pendurou suas roupas e a dela num cabide na porta do armário para secar. Ela se sentou na cadeira, ouvindo o barulho da chuva forte. Porém ao passar meia hora sentada ali enquanto Kou tomava banho, percebeu que nem tão cedo a chuva passaria.
Ao notá-lo sair do banheiro vestido apenas em uma bermuda, olhou-o e estreitou os olhos ao lembrar das cicatrizes.
— Posso perguntar uma coisa?
— Hum.
— Que... Cicatrizes são essas nas suas costas?
— Ah, isso? – ele mostrou-a, voltando-se para ela – Está preocupada? – cantarolou maliciosamente.
Ela desviou o olhar, enrubescendo.
— Deixa eu te contar uma história. – disse ele.
Ela o olhou, prestando atenção enquanto ele falava.
— É sobre um menino que era solitário desde o dia em que nasceu.
Mei atentou-se, levantando suavemente as sobrancelhas.
— Era uma vez um menino que vivia nos esgotos desde que se entendia por gente. – dizia ele – Nunca tendo visto o mundo lá fora, ele tinha um desejo. Era o pequeno e redondo céu, visível do bueiro. Ele desejava aquele brilho, o lindo céu. – fez um circulo com as mãos – O menino achava que seu sonho se realizaria se ele fosse lá para fora. Um dia, ele conseguiu sair. Seu coração se encheu de esperanças para aquele mundo novo. No entanto, ele foi levado para uma instituição.
Mei franziu a testa.
— O lugar era cheio de crianças que não tinham para onde ir, assim como ele. Lá, um mundo mais terrível que os esgotos aguardava o menino. Ele era muito bonito comparado às outras crianças, por isso ganhou boas roupas e comia boa comida. Mas, em troca, ele se tornou presa dos aristocratas, que usavam o poder do dinheiro e o tratavam de forma subumana, usando-o de várias formas.
Ela arregalou os olhos. Kou abaixou o olhar, sorrindo levemente.
— Pensando que seria deixado em paz, o menino arrancou seu próprio olho. Mas neste mundo... Algumas pessoas acham que imperfeições são bonitas...
Mei olhava-o, ele contara tudo isso de forma tranquila. Ela abaixou o olhar, entristecida. Kou a fitou, perguntando:
— Por que essa cara?
— Hum... Por isso tem essas cicatrizes? Como pode falar tudo isso... Tão calmo?
— Ah... – ele pensou, sentando-se na cama – Mas algumas coisas boas aconteceram também.
Ela o olhou.
— Eu ganhei irmãos. – disse ele – Foi quando conheci Ruki, Yuma e Azusa.
— Hum... – ela assentiu, compreendendo que não eram irmãos de sangue.
Kou levantou e aproximou-se, segurando sua mão e fazendo-a levantar. Ela corou, olhando-o. Usava apenas sua camisa e calcinha, sentindo-se exposta.
— Né, Mei-chan. – sorriu ele – Durma comigo.
— Eh?! – ela corou, arregalando os olhos – O-O que? Só p-porque me contou essa história, não quer dizer que...!
— Pare de falar. – disse ele, impaciente – A chuva não vai parar, vamos dividir a cama.
Ela franziu as sobrancelhas, emburrada. Porém, por fim, precisou dormir na casa de Kou.
Enquanto os minutos passavam, Mei não conseguia dormir. Constantemente lembrava-se da história que ele contou, deitada ao seu lado debaixo das cobertas. Era triste e traumática, como ele conseguia sorrir? Como conseguia contar tudo aquilo de forma tão calma? Coisas boas aconteceram, porém ele sofreu demais. Mei semicerrou os olhos, talvez seus irmãos tenham o ajudado a superar isso.
Ela encolheu-se, fechando os olhos e tentando dormir. Por mais que tentasse não conseguiu, e isso apenas piorou ao começar a ouvir Kou gemer. Ela atentou-se, assustando-se ao ouvi-lo exclamar de forma ofegante.
— Parem! – exclamou, encolhendo-se na cama.
Mei sentou-se, olhando-o. Ele estava encolhido, agarrando o lençol com força.
— Por favor, parem...
Ela franziu a testa.
— Kou.
— Não... Não quero... Não...
Mei aproximou a mão de suas costas, parando repentinamente quando ele exclamou:
— Parem!
Ela não sabia o que fazer, pretendia procurar um de seus irmãos para ajudá-lo. Mas ao ameaçar levantar, ele se virou para ela e segurou seu pulso. Ela o olhou, vendo-o com a expressão amedrontada, ainda dormindo.
— Não...
Mei acalmou a expressão.
— Kou...
Ele ameaçava chorar, ainda negava-se a algo. Ela deitou, abraçando-o e pondo a mão em sua cabeça. Ele aos poucos parou de tremer e se encolher, abraçando-a e acalmando a respiração ofegante. Ela adormeceu, dormindo durante toda a noite e acordando na manhã seguinte sem Kou ao seu lado. Ao sentar-se, viu-o sair do banheiro enquanto secava o cabelo. Ele a olhou e perguntou se ela dormiu bem. Mei assentiu, confusa. Ele se comportava como se nada tivesse acontecido, então ela não comentou nada.
Durante a semana ela não parou de pensar naquela noite. Aquilo a atormentava como se houvesse acontecido com ela. Porém Kou se comportava como sempre no colégio e quando saíam. Aquele comportamento a incomodava a tal ponto que ela começou a se preocupar com ele, o que a surpreendeu. Ela não deveria fazer isso. Se fizesse, ele ganharia. Mas ao mesmo tempo em que se negasse a ter afeição por ele, preocupava-se com Kou. Ele poderia ser o duas caras que fosse, mas no fundo ele era bom. E isso a fez sentir raiva de si mesma, pois realmente achava que estava se apaixonando.
Kou a levou para passar uma tarde em sua casa. Ela aceitou, ainda lembrando-se do dia da chuva, porém fora mesmo assim. Os dois estavam sentados no sofá da sala de estar, vendo no iPad de Kou a popularidade do casal. Yuma chegou no cômodo e os viu, sentando-se no outro sofá.
— Vocês estão mesmo saindo nas capas todas as semanas. – disse ele, pondo algumas revistas sobre a mesa de centro.
— Nossa! – Kou exclamou, animado e pegou uma das revistas.
Mei viu a capa, eles estavam de mãos dadas e sorriam um para o outro enquanto caminhavam pelo parque. Ela lembrava-se desse dia. Kou insistiu para caminharem, pois notou fotógrafos os seguindo. Ela o olhou, ele sorriu de forma contente. Naquele momento Azusa entrou na sala de forma calma, caminhando até eles e sentando-se ao lado de Yuma no sofá.
— Mei. – cumprimentou-a, sorrindo levemente.
— Oi, Azusa-san. Tudo bem? – ela sorriu.
— Hum... – ele assentiu, voltando-se para os irmãos – Né... Yuma... Kou...
— O que? – Yuma o olhou, assim como Kou.
— Queria... Perguntar algo...
— Pode falar. – disse Kou, atento.
— Hum... – ele pensou – Quando Momo... Esteve aqui... Ela falou algo...
— O que ela falou? – Yuma perguntou em dúvida.
— Que pode... Demonstrar que gosta... De alguém com... Um beijo... Ou uma mordida. Mas... Também com... Algo mais íntimo.
Mei pensou, olhando-o e concluindo o que realmente achava.
— Isso é verdade. – Kou riu.
— Tá, mas... O que você quer perguntar? – disse Yuma.
— Quero saber... O que é o... “Algo mais íntimo”...
Eles o olharam de forma cômica, entreolhando-se em seguida. Mei franziu as sobrancelhas em direção à Kou, que parecia querer dizer algo ridículo.
— Ela não te falou o que era?
— Não... Quando pedi para... Me mostrar... Ela disse... Para ficarmos... Com beijos... Por enquanto.
Kou gargalhou. Yuma franziu as sobrancelhas em sua direção.
— O que ela está querendo dizer... – Yuma ia dizer.
— Que uma coisa muito legal vai acontecer! – Kou exclamou, interrompendo-o.
— O que...? – perguntou Azusa.
— Bem, você vai...!
Mei empurrou Kou de repente, fazendo-o cair do sofá. Ele lhe lançou um olhar irritado, vendo-a voltar-se para Azusa, que não entendeu por que ela fez aquilo.
— Azusa-san, você está falando da Momo de cabelos brancos e olhos azuis?
—Sim...
— Acho que ela é da sala ao lado da minha no colégio. – pensou – Bem... Ela está falando que talvez em breve vocês fiquem mais próximos e que ela gosta muito de você.
— Ah... É isso...? Mas... O que é... Algo mais íntimo...?
— Não sei como explicar, mas vai significar que ela confia em você.
— Ah, é! Que ela confia muito, por que vai dar...!
Mei jogou uma das almofadas em Kou, que se calou instantaneamente. Yuma deixou uma risada escapar e Azusa sorriu levemente ao compreender um pouco sobre o que Momo quis dizer.
No dia seguinte na escola, Mei estava no corredor conversando com uma das colegas. Ela pediu uma foto para dar a uma prima que gostava muito da Borboleta Azul e Mei sorriu gentilmente ao posar para a foto. A colega agradeceu e se foi. Mei voltou-se para a janela, olhando o lado de fora.
— Ei, Mei-chan – cantarolou Kou, aproximando-se.
Ela o olhou, despertando. Ele esboçou um sorriso e mostrou-lhe uma rosa.
— Pra você.
— Eh... – disse, surpresa e pegou-a – Não precisava, o corredor está vazio.
— Eu sei. – ele encostou-se na parede – É realmente pra você.
Ela abaixou o olhar em direção à rosa e tracejou um suave sorriso.
— Né, gostou? – ele sorriu maliciosamente.
— Hum. – olhou-o, assentindo.
Ao ver sua expressão, franziu as sobrancelhas.
— O que foi?
— Não vai dizer nada?
— O que?
— Eu dei algo à você, então me dê algo.
— Não. – disse ela, simplesmente.
— Ei, as coisas não funcionam assim.
— Não. As coisas não funcionam como você pensa que funcionam. Não pode achar que dando algo à alguém vai ganhar outra coisa em troca.
Kou franziu as sobrancelhas, era a segunda vez que escutava isso. Porém a olhou de forma surpresa ao ver sua expressão entristecida.
— Eh... Mei-chan?
Ela virou-se e se foi, afastando-se.
— Ei...?
— Me deixe em paz!
Kou franziu a testa em dúvida, franzindo as sobrancelhas em seguida e ficando emburrado. Por que as garotas eram tão difíceis e complicadas?
Completara um mês na semana seguinte e Kou levou Mei para casa mais uma vez. Queria ouvi-la confessar que estava apaixonada por ele no conforto de seu quarto. Porém ela não estava nem um pouco disposta a dar a resposta facilmente. Mei estava sentada na cadeira enquanto ele a olhava da cama, impaciente.
— Não vai dizer? – sorriu maliciosamente.
— O que? – encarou-o desafiadoramente.
— O que eu quero ouvir.
— Que você é um idiota? Eu também quero dizer.
Ele estalou a língua.
— Diz logo pra você ir embora.
Ela virou o rosto, emburrada. Ele franziu as sobrancelhas, irritado. Mei estava com os braços cruzados e a expressão aborrecida, porém aos poucos acalmou-a. Kou a olhou em dúvida, não entendia por que ela estava ficando triste dedes a semana passada para aquela.
— O que você tem?
Ela o olhou.
— Kou... – hesitou, calando-se por um momento – O que faziam com você?
— Como assim?
— Em relação à história que me contou.
— Muitas coisas.
— Mas... Ahm... – abaixou o olhar – Você teve pesadelos naquela noite e... Pareciam horríveis.
Kou desviou o olhar, aborrecido.
— Isso não te interessa. – resmungou.
— Mas...
— Pare de ser intrometida! – olhou-a.
Mei levantou de repente, fazendo-o olhá-la de forma surpresa. Kou via seus olhos marejarem até o ponto de ela chorar.
— Eu não sou intrometida! – exclamou – Você gemia e se encolhia enquanto me segurava. Como não pensar nisso depois do que me contou?! Não era um pesadelo comum!
Ele abaixou o olhar, franzindo a testa.
— Eram eles... – falou – Os aristocratas.
Ela estreitou os olhos, chorando. Imaginava mil e uma coisas pelas quais ele passou.
— Eu me importo com você, Kou.
— Mentirosa. – resmungou.
— Só porque eu disse aquelas coisas não precisa desconfiar de mim.
— Vocês mesma disse. Eu sou superficial.
— Não... – ela negou – É divertido, me faz rir mesmo quando fico com raiva e...
Mei hesitou, o que o fez olhá-la. Ela agarrou sua própria mão, pondo-a contra o coração e abaixando o olhar. Ruborizou apenas em pensar em dizer. Kou a olhou, deixando seu olho direito ligeiramente em tom vermelho e lendo seus sentimentos. Ele se mostrou surpreso, arregalando os olhos. Ao olhá-lo, Mei aproximou-se com calma e segurou seu rosto gentilmente. Ele a olhava, impressionado e a viu beijar sua testa. Kou acalmou o olhar, sorrindo suavemente.
— Então... Eu ganhei mesmo?
Ela o olhou timidamente. Abaixou até sua altura, pondo as mãos em seus ombros enquanto ele a olhava. Aproximou o rosto, tocando suavemente seus lábios ao beijá-lo. Kou fechou os olhos, percebendo como eram suaves. Mei o fez deitar-se na cama, pondo-se sobre ele enquanto apoiava as mãos e joelhos no colchão. Seus longos cabelos escorregavam por suas costas, caindo sobre a cama. Kou a olhava, notando que ela voltara a chorar. Algumas lágrimas pingaram em seu rosto, fazendo-o franzir a testa.
— O que foi? – perguntou.
— Eu não... Eu não quero te ver sofrer. – ela fechou os olhos, chorando.
— Não estou sofrendo, minha vida é feliz.
— Mas você tem pesadelos!
Kou semicerrou os olhos, aproximando a mão e tocando seu rosto gentilmente. Ela o olhou, enrubescendo por chorar daquele jeito. Kou tracejou um sorriso sincero, dizendo:
— Você é tão fofa.
Mei apertou os lábios um contra o outro, aproximando-se e beijando-o mais uma vez. Kou semicerrou os olhos, fechando-os e virando Mei em direção à cama, deitando-a. Apoiou as mãos e joelhos no colchão, fazendo com que ela deitasse a cabeça no travesseiro. Correu sua mão pela cama, segurando a mão de Mei e entrelaçando seus dedos aos dela.
— Posso dormir com você?
Ela assentiu.
— Estou falando de sexo. – disse ele, sorrindo sem jeito.
Ela enrubesceu, assentindo. Kou semicerrou o olhar, beijando-a. Mei apertou sua mão, envergonhada. Assistiu suas roupas sendo tiradas delicadamente e seu corpo sendo beijado em pontos que a deixavam ainda mais envergonhada. Ele parou, permanecendo a olhando e tocou seu âmago, fazendo-a contrair as pernas enquanto continha o arquejar e movimentando os dedos enquanto a via ofegar. Ele beijou seu pescoço, olhando-o e mordendo-o. Mei arquejou. Kou pôs-se entre suas pernas, olhando-a ao cessar de beber seu sangue. Estava prestes a experimentar algo que o faria sentir prazer e engoliu em seco, nervoso.
Kou moveu-se para frente, sentindo-a cada vez mais enquanto observava sua expressão ruborizada. Mei cobriu o rosto com os braços, ofegando. Ele segurou seus braços, tirando-os da frente e abraçando-a enquanto começava a mover-se mais rapidamente. Sua respiração ficava cada vez mais ofegante, gemendo enquanto sentia aquele prazer e apoiava a cabeça de Mei em sua mão. Ela ofegava, gemendo e cruzou as pernas ao redor de seu quadril, abraçando-o e apertando suas costas. Era impossível descrever como ele a fazia se sentir enquanto estava dentro dela.
Ao terminaram, Kou pôs o braço debaixo da nuca de Mei, fazendo com que ela deitasse ao seu lado. Ela olhava para baixo, envergonhada. Nunca imaginou que dormiria com Kou.
— Né... – ele disse ao pensar – Por que “Borboleta Azul”?
— Eh? – olhou-o – Ah... – abaixou o olhar mais uma vez – Foi uma coisa que meu pai me explicou uma vez.
— O que? – olhou-a, envolvendo-a com o braço.
Ela enrubesceu, sentindo-o acolhê-la.
— Hum... – franziu a testa – Quando eu era criança os garotos me chamavam de feia e suja por eu ser mestiça. Eu odiava ir para a escola, eles sempre me importunavam. Mas uma vez eu estava no jardim de casa e meu pai se aproximou, vendo que eu observava uma lagarta.
Ele prestava atenção.
— Ele perguntou o que eu achava sobre a lagarta e eu disse que ela era feia. Ele apenas sorriu, dizendo que ela se transformaria numa linda borboleta. E que não podíamos julgar alguém que ainda iria mudar. Algum tempo depois, aquela lagarta virou uma borboleta azul. Era linda. – ela sorriu, recordando.
Kou a olhava, semicerrando os olhos. O tom avermelhado surgiu mais uma vez em seu olho direito e ele acalmou o olhar, percebendo que os sentimentos de Mei eram os mais puros que já havia visto. Deitou-se de lado, fazendo-a olhá-lo. Mei ruborizou e ele a beijou, pondo-se sobre ela mais uma vez.
Se passara apenas um mês. Era o suficiente para alguém se apaixonar a ponto de dormir com a pessoa? Kou e Mei não sabiam, porém haviam feito e adormeceram ao terminarem pela segunda vez. Ele dormia abraçado à Mei, que também o abraçava. Ambos respiravam profunda e calmamente. Pela primeira vez Kou não teve pesadelos.
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