Diabolik Lovers - União de Sangue
28 Capítulo 26: O tipo de amor
Notas iniciais
Após duas semanas de distrações depois do baile, Rin não aguentava mais que Laito desconversasse sobre sua mãe e a história do calabouço. Ela queria saber o que houve com ele, o que aconteceu para ele se tornar quem era. Caso fosse outro tipo de pessoa antes. Porém Laito não queria nem um pouco ser interrogado e acabou descobrindo em Rin uma característica irritante: ela não desistia tão facilmente.
Rin o perseguia por toda a casa, fazendo perguntas onde quer que estivessem. Ela queria saber e descobriria de qualquer jeito. Mas Laito sempre a distraída, levando-a para seu quarto ou simplesmente dizia não, falando para ela deixá-lo em paz. Porém ela tinha certeza de que alguma hora ele cederia. Era apenas questão de tempo.
Ao ouvir batidas na porta de seu quarto, Laito foi até ela e a abriu, vendo Rin com sua expressão irritada. Ele fechou a porta de forma tediosa, porém ao virar-se, ela o encarava dentro de seu quarto.
— Pare de fugir de mim.
— Rin-chan, você era mais atraente quando não era chata. – disse ele, indo até a poltrona e sentando-se.
— Vai dizer ou não o que quero saber?
— Se me negar, você vai embora?
— Não.
Ele suspirou, entediado.
— Podemos fazer sexo primeiro?
— Não!
— Hum... – reclamou – Tudo bem... Chata.
Rin semicerrou os olhos, cruzando os braços. Sentou-se no banco esverdeado a frente da cama, esperando. Ele respirou fundo, porém sabia que ela não iria embora. Então, enfim, desistiu.
— Cordelia era nossa mãe.
— Isso eu já sei.
Ele franziu as sobrancelhas em sua direção, continuando:
— Quando éramos crianças, ela direcionava todos os seus esforços para que Ayato fosse o melhor dos seis filhos. Kanato era seu passarinho afinado e eu... O terceiro.
Rin prestava atenção.
— Isso mudou quando cresci. – Laito sorriu levemente – Eu a queria tanto, tanto... Queria tanto seu amor. Até que enfim ela me viu e deu-me todo o amor que eu desejava. Ela foi a primeira com quem dormi.
Rin arregalou os olhos, descruzando os braços.
— O caso que teve... Foi com ela?
Laito sorriu.
— Ela era delicada e me ensinou várias coisas. Apenas vinha até mim para isso, mas ela tinha outros amantes. Então para ela sempre vir, eu os matei.
Rin olhava-o, franzindo a testa.
— Mas nosso pai me jogou no calabouço quando descobriu sobre nós. Eu a amava tanto... Mas ela foi até lá com nosso tio e fez sexo com ele na minha frente, dizendo que agora tinha outro e que eu não era especial para ela. Ela me traiu... Quis matá-lo, mas ela me pediu para que não o fizesse. Mas quando apareceu enquanto eu tocava piano, dizendo que Ayato queria matá-la... – sorriu – Não me surpreendeu. Eu sabia que ele o faria mais cedo ou mais tarde.
Laito abaixou o olhar, desfazendo o sorriso.
— Levei-a até um lugar seguro, ela disse que sabia que poderia contar comigo. E quando perguntei, ela disse que me amava mais do que qualquer um. Mas... Eu sabia que ela nunca iria mudar. Então fiz com que ela fosse minha por toda a eternidade.
Ao terminar, olhou para Rin, vendo-a com o olhar surpreso e ligeiramente enojado.
— Não me olhe assim, Rin-chan. Nunca amou ninguém?
— Sua própria mãe o corrompeu, não vê isso? – franziu a testa.
— Ela me amou.
— Isso não é amor!
Laito levantou bruscamente, franzindo as sobrancelhas, furioso.
— Não diga o que não sabe! Ela me amou, ela me deu o corpo dela!
— Isso não significa que ela te ama!
Laito franziu as sobrancelhas, agarrando seu braço e pondo Rin para fora do quarto. Ao virar-se para exclamar, ela deparou-se com a porta batendo a sua frente. Arregalou os olhos, surpresa e chocada. Não acreditava que Laito poderia ser tão difícil. O cara despreocupado e divertido que a seduzia e a fazia rir agora era irritado e até doentio.
Laito não falou mais com ela nos dias seguintes, mal permanecia por muito tempo no mesmo cômodo. Rin estava chateada e pode-se dizer que até triste. Ele era o único que lhe fazia companhia de todos que moravam naquela casa. E agora ela estava sozinha, completa e tremendamente sozinha. Não possuía amigos ali e seu hobby provocou vários conflitos.
Durante os vários dias em que Laito manteve-se distante, Rin ficou em seu quarto. Pela primeira vez desde sua chegada, ela sentiu falta da família e principalmente de seus irmãos. Porém enquanto pensava, ela entendeu algo. Por mais incomum que fosse.
Ao compreender de fato o que havia acontecido no quarto de Laito, dias atrás, ela compreendeu que ele fazer sexo com uma mulher significava que amava essa mulher. Então como sua mãe teve um caso com ele, ela o “amava”. Era a forma mais distorcida de amor e, mesmo que Rin nunca houvesse amado alguém, ela sabia que isso não era amor.
Decidiu tentar mais uma vez. À noite, deitada para dormir, ela desistiu e levantou, saindo do quarto. Pretendia conversar com ele e explicar o significado correto de amor. Simplesmente fazer sexo com alguém não significava exatamente que a pessoa sentia amor. Ela simplesmente poderia estar apenas se satisfazendo. E em vista à personalidade de Cordelia, ela era uma mulher desiquilibrada e promíscua. Havia dormido com o próprio filho e o corrompido, fazendo-o acreditar que aquilo era amor.
Rin, vestida em sua camisola preta e robe, procurou por Laito em seu quarto, porém ele não estava lá. Desceu para o hall de entrada e caminhou pelos corredores. Porém apenas quando se aproximou da porta que dava para o jardim, encontrou-o. Ela o viu de costas, metade de si estava para fora, atrás de uma parede. Ele deu um passo, desaparecendo. Porém ao se aproximar e abrir a boca para chamá-lo, Rin arregalou vagarosamente seus olhos ao ver o que se passava.
Laito estava debruçado sobre uma mesa, em cima de uma empregada. Sua saia estava levantada e ele a possuía ali mesmo, abrindo cada vez mais suas pernas. Laito sorria maliciosamente, vendo a mulher gemer.
— Lai...to. – disse Rin, chocada.
Ele atentou-se, olhando para trás. Avistou Rin há poucos metros de distância, ainda na mesma posição. Laito não se importava nem um pouco se alguém o visse fazendo o que gostava. Porém ao ver a expressão de Rin, a decepção e até tristeza em seu olhar, ele franziu a testa em dúvida.
Rin o olhava, ele não dizia nada. Então, cansando-se de assistir ele ainda dentro da mulher, virou-se e foi embora.
— Rin-chan...?
Ela subiu as escadas, sua respiração quase falhava enquanto tentava segurar aquele sentimento em sua garganta. Desapareceu, indo para o telhado e olhando para o horizonte escuro. Porém isso não foi o suficiente, a imagem de Laito com aquela mulher lhe vinha continuamente à mente. Ela sabia bem que ele era como era, porém não imaginava que pudesse traí-la dessa forma. Rin não conseguiu conter as lágrimas, que escorriam por seu rosto com facilidade. Ela percebera agora que possuía sentimentos fortes em relação à ele.
Laito surgiu no telhado, o primeiro lugar que pensou e que sabia que a encontraria. Viu-a de costas, silenciosa enquanto olhava para frente.
— Rin-chan...
Ela encolheu os ombros ao ouvir sua voz. Ele deu um passo para se aproximar, porém Rin disse em sua voz embargada:
— Não chegue perto de mim...
Ele parou, arregalando os olhos ao notar o tom de sua voz.
— Não pretendia...
— Ser flagrado? – perguntou ela, ainda sem olhá-lo – Há quanto tempo faz isso?
— Desde que chegou, essa foi a primeira vez. Você me irritou, então eu estava chateado e só queria relaxar. Não pensei que fosse me ver.
Enquanto ele falava, Rin abaixava a cabeça, desejando que se calasse.
— Rin-chan, olhe pra mim.
Laito aproximou, esticando a mão para tocar em seu ombro. Porém Rin virou-se e o olhou, paralisando-o ao ver sua expressão. Ele permaneceu com a mão esticada, olhando as lágrimas escorrendo e seu rosto entristecido. Nunca vira Rin dessa forma, pensava até que ela não possuía uma expressão triste.
— Você dorme comigo, mas não me ama. – disse ela, olhando-o fixamente.
— Claro que amo. – ele sorriu levemente, abaixando a mão.
— Então ama aquela empregada também?
— Hum, bem...
— Não há como amar todas as pessoas. Não vê como seu amor está errado? Isso é apenas usar os outros. E sua mãe te usou. – virou-se, ficando de costas.
— Não diga o que não sabe...
— Cale a boca. – ela rangeu os dentes, encolhendo-se e apertando os punhos – Você me traiu... Me machucou.
Laito arregalou os olhos novamente, lembrando-se subitamente do calabouço e sua mãe sendo possuía por Richter. Ela o traíra com seu tio e percebera que ele à pouco fizera o mesmo com Rin. Porém antes de falar qualquer coisa, ela desapareceu.
Rin voltou pra seu quarto. Sentando lentamente em sua cama com a cabeça baixa. Engoliu em seco, pela primeira vez descobrira que estava apaixonada e no mesmo dia fora magoada dessa forma. Deitou-se, cobrindo-se. Semicerrou os olhos, tentando esquecer o que se passara e guardar o sentimento no fundo de seu coração. Porém segundos depois, ela apertou a coberta próximo de seu coração, abaixando a cabeça ao encolher-se e voltando a chorar. Tentava conter, porém o choro e dor simplesmente saíam.
Durante os dias seguintes, Laito tentava descobrir o que exatamente fizera de errado. Ele queria apenas relaxar, pois Rin o havia irritado. Não via nada demais em relaxar com a empregada. Porém não tirava da cabeça a imagem de Rin no telhado, chorando. Não esperava esse tipo de reação dela. Era diferente, triste e ela parecia decepcionada. Pensou no que ela dissera sobre ele tê-la traído e machucado, lembrando-se mais uma vez de sua mãe e Richter. Ele ficou com raiva por ela tê-lo traído, porém não sentiu decepção ou tristeza. Agora desejava saber o que Rin sentia exatamente. E o mais importante: o que sentia por ele.
Laito desejava conversar com ela, porém durante aqueles dias quando ele adentrava um cômodo onde ela estava, Rin se retirava, ignorando-o. Ele desistiu por um tempo, deixando-a ficar sozinha.
Em um desses dias, Rin estava sentada na mureta de uma das varandas. Ela observava o jardim com os olhos semicerrados. Forçava-se a não enxergar mentalmente a cena de Laito com a empregada, porém ela constantemente lhe vinha à mente, fazendo-a franzir as sobrancelhas. Sora passava pelo corredor naquele momento, notando Rin e aproximando-se da porta.
— Rin. Você está bem?
— Por que a pergunta? – disse ela, olhando-a.
— Parece triste.
Ela franziu a testa, desviando o olhar.
— Acho que estou mesmo.
Sora adentrou a varanda, aproximando-se.
— Laito e você brigaram? Esses dias vocês não parecem estar tão próximos.
— Só porque ele já foi seu noivo, não quer dizer que seja da sua conta. – disse ela, irritada.
Sora surpreendeu-se. Rin abaixou o olhar, percebendo que tratava mal alguém que queria apenas saber se ela estava bem. Nunca lhe ocorreu que ela era tão ofensiva. Suspirou, olhando-a.
— A gente brigou.
— Hum, entendo. – disse ela – Mas acredito que logo vão se falar como antes.
— Eu não acho.
— Por quê? – perguntou, surpresa.
— Ele me traiu com a empregada. Peguei os dois transando na saída para o jardim.
Sora arregalou os olhos.
— Ele é diferente, mas... Não achava que faria algo assim.
— Fez isso pra relaxar porque antes já tínhamos brigado.
— Relaxar?
Rin desviou o olhar.
— Ele tem uma noção distorcida de amor.
Sora abaixou o olhar, pensando. Laito realmente era peculiar de uma forma bem estranha, mas não se surpreendeu ao ouvir Rin dizer isso. Afinal, todos conheceram a mãe dele naquele dia.
— Bem... Isso é realmente complicado.
— Hum. – Rin abaixou o olhar.
— Não vai nem tentar explicar o que realmente é o amor?
— Não.
— Sabe... – disse Sora, virando-se e apoiando o quadril na mureta – Às vezes precisamos ceder quando amamos a pessoa.
Rin a olhou.
— Eu não amo o Laito.
— Mas você está se comportando como alguém que o ama. – Sora sorriu, desencostando da mureta e saindo da varanda.
Rin a acompanhou com o olhar, abaixando-o em seguida e pensando. Ceder não era seu ponto forte, porém ela queria voltar a sentir o que sentia quando se divertia com ele. Laito a fazia sorrir e rir como ninguém nunca o fizera. Era algo diferente, talvez fosse mesmo amor. Mas não conseguia ceder, não queria ser magoada de novo. Tinha medo de que ele a magoasse mais uma vez. Mas ao mesmo tempo sentia sua falta. Apertou a blusa na altura do peito, sentindo aquele sentimento novamente. Era forte, porém naquele momento doía. E ela não queria que doesse mais.
Rin saiu de cima da mureta e adentrou o corredor, indo para o segundo andar e para o quarto de Laito. Ao se aproximar, levantou a mão para bater na porta, porém hesitou. Optou por surgir em seu quarto, porém ao aparecer ao lado da cama, viu Laito sentado no banco de estofamento esverdeado. Ele estava levemente encurvado, com a cabeça baixa e com os antebraços sobre as coxas.
Ao vê-lo pela primeira vez dessa maneira, seus olhos marejaram. Ela correu até a cama, pulando sobre ela e abraçando-o por trás. Laito arregalou os olhos, pondo a mão sobre a sua ao surpreende-se.
— Rin...?
— Eu quero você... – dizia ela com a voz embargada – Eu quero você apenas pra mim. Quero amar você de verdade e quero que você me ame de verdade. Eu vou te ensinar, eu juro... Eu vou te ensinar...
Ela o apertou mais, abraçando-o fortemente. Laito semicerrou os olhos, fazendo-a cessar para virar-se em sua direção. Rin o olhava com os olhos cheios de lágrimas. Ele tocou seu rosto gentilmente, observando sua expressão.
— Quando você fez essa expressão no terraço... Eu não gostei.
Ela elevou levemente as sobrancelhas.
— Não quero te machucar... – ele franziu a testa, entristecido – Não quero vê-la triste. Tem algo errado.
Ela assentiu, segurando sua mão gentilmente.
— Ela... Realmente... Me usou? – ele perguntou.
— Sinto muito.
Laito franziu as sobrancelhas, enraivecido, olhando-a em seguida.
— Então amar alguém é não poder dormir com outra pessoa.
— Não exatamente. – ela sorriu levemente – É você não querer fazer isso com mais ninguém. Porque não precisa de outra pessoa para fazê-lo feliz dessa forma. Ou eu acho que é isso... É o que eu sinto.
Laito elevou levemente as sobrancelhas. Rin enrubesceu, desviando o olhar. Quando fora a última vez que ficara com vergonhada dele? Laito inclinou-se, aproximando o rosto e tocando seu rosto, virando-o para ele. Beijou-a suavemente, dizendo ao cessar:
— Me ensine esse tipo de amor.
Rin o olhou, surpresa. Laito estava sério, porém não sério demais. Parecia realmente desejar saber. Ela sorriu, feliz, e assentiu.
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