Diabolik Lovers - União de Sangue

29 Capítulo 27: Intenções - parte I


De forma cautelosa e obscura, as coisas começavam a mudar na vida das noivas dos Sakamaki. Os Mukami planejavam infiltrar-se na vida amorosa de quatro das seis noivas e fazê-las se apaixonar por eles pelo motivo incógnito de seu mandante.

Eles não sabiam qual era a razão, porém cumpririam com a missão pela devoção que possuíam em relação ao seu salvador. Graças à ele, os quatro foram salvos e libertos do sofrimento. Agora não hesitariam em fazer qualquer coisa que ele mandasse. Afinal, fazer uma garota se apaixonar era fácil. Ou é o que pensavam.

No colégio, Kou e Yuka passaram a conversar sempre que se encontravam acidentalmente no corredor. Ou era o que ela achava. Ela ingenuamente sorria em sua direção, respondendo o que ele perguntava e rindo quando ele dizia algo engraçado. Kou, porém, mesmo cativado pela personalidade doce e ingênua de Yuka, mostrava-se duas faces em seus pensamentos enquanto pensava qual passo daria em seguida. Ele não hesitaria nem mesmo em beijá-la, porém acreditava que ainda não estava na hora para usar isso.

— Então você é famoso? – perguntou Yuka, sentada na escada ao seu lado.

— Sim, eu sou. – ele sorriu – Você nunca me viu na televisão?

— Eu não costumo assistir televisão, desculpe. – sorriu sem jeito.

— Bem... – cantarolou – Então amanhã vou trazer uma revista. Tem várias fotos que tirei para uma marca de moda.

— Que legal. – Yuka sorriu, animada.

Kou sorriu, fechando os olhos, porém os abriu ao perceber alguém se aproximando. Sorriu maliciosamente de forma discreta, vendo Subaru se aproximar. Ao fazê-lo, ele viu Yuka ao lado de um garoto.

— Subaru-kun. – ela sorriu, contente.

— Yuka. – olhou-a, prontamente franzindo as sobrancelhas – O que está fazendo?

— Conversando com Kou-kun. Ele é divertido e é famoso. Você sabia?

Ele franziu ainda mais as sobrancelhas, olhando para Kou.

— Vamos. – disse à Yuka, começando a andar.

— Eh? Por quê?

— Porque estou falando.

— Mas não quero ir. Estamos conversando.

Subaru parou, olhando-a mais uma vez, aborrecido. Kou levantou, sorrindo alegremente.

— Ei, ei! Não precisam brigar. – levantou as mãos, balançando-as – Acredito que Subaru-kun deva estar com ciúmes de vê-la com outro garoto, Yuka-neko-chan.

Subaru rangeu os dentes, enraivecido. Kou olhou-o, sorrindo maliciosamente. Seu olho direito, coberto por sua franja, brilhou ligeiramente em tom vermelho.

— Ah, claro... – disse ele, sorrindo ao voltar a sua forma alegre – Você gosta bastante dela, né, Subaru-kun?

Subaru o ignorou, aproximando-se de Yuka e puxando-a pelo braço, pondo seu braço envolta dela ao ficar ao seu lado. Ela exclamou, porém enrubesceu com o ato seguinte. Olhou-o de forma curiosa. Kou sorriu, dizendo:

— Bem, até depois, Yuka-neko-chan!

— S-Sim.

Subaru virou-se com ela, indo embora das escadas. Yuka continuava envolvida por seu braço, corada.

— Subaru-kun... Você ficou com ciúmes? – perguntou docemente.

Ele estalou a língua, virando o rosto.

— Que perda de tempo.

Ela abaixou o olhar, entristecida. Por mais que soubesse como era sua personalidade, desejava que ele dissesse que estava com ciúmes. Não se importava se Subaru pedisse que ela não visse mais Kou, ela apenas queria ouvir de sua boca que ele se importava com quem ela estava.

Em casa, no dia seguinte, Yuka fora surpreendida em sua cama. Ela dormia, debaixo das cobertas, porém sentiu a cama balançar levemente e alguém se pôr debaixo das cobertas com ela, abraçando-a. Arregalou os olhos, imóvel, porém ligeiramente sentiu o cheiro de Subaru, semicerrando o olhar e corando.

Yuka sabia que se perguntasse ou dissesse qualquer coisa em relação ao motivo de ele estar ali, Subaru iria embora sem dizer nada. E ela não queria isso. Ele nunca fizera algo assim, e ela estava gostando. Fechou os olhos, fingindo dormir e calmamente virou-se para ele, que abriu levemente os olhos. Como a via dormir, fechou os olhos. Porém Yuka aproximou-se mais de seu corpo, esticando-se levemente e cheirando seu pescoço. Subaru abriu imediatamente os olhos, franzindo as sobrancelhas, desconfiado.

— Yuka... Você está acordada, não é?

Ela parou, contendo a respiração. Subaru suspirou, sentando-se e olhando-a.

— Pare de fingir, sua ridícula! – exclamou – Idiota!

Yuka suspirou, abrindo os olhos e dizendo:

— Você ia sair se eu dissesse algo.

— Você é idiota! – ele preparou-se para levantar.

Ela agarrou seu braço, porém apenas foi suspensa quando ele o levantou para ela largá-lo. Subaru a fez largar seu braço, fazendo-a cair deitada na cama.

— Não vá embora, por favor. – pediu ela.

Ele franziu as sobrancelhas, porém de relance viu sua camisola e seu mamilo saliente no tecido. Ela estava corada, olhando-o e Subaru notava uma parte íntima de seu corpo. Desviou o olhar, fechando os olhos e franzindo as sobrancelhas de forma desconcertada. Levantou da cama, direcionando-se para a porta e saindo. Yuka sentou-se, olhando a porta ser fechada. Abaixou o olhar, perguntando-se o que havia feito.

À noite, na escola, ela encontrou-se acidentalmente com Kou ao sair da sala de aula e conversavam no corredor.

— Espero não ter feito vocês brigarem. – disse Kou.

— Hum, não. Mas Subaru é um pouco distante às vezes. – abaixou o olhar.

— Ele não te dá atenção suficiente?

— Não é isso.

— É que não costuma ser bom ficar com alguém que não te dê atenção suficiente.

Ela abaixou o olhar.

— Gostaria que ele se abrisse para mim. Eu não sei quase nada dele. Ele não tem hobbies e apenas agora gosta de uma comida, eu acho.

— Qual?

— O bolo que faço. Na verdade faço de vários sabores, ele sempre come todos. Eu gosto de vê-lo comer.

— Ah... Entendo. Então que tal fazer um bolo pra ele?

— Eh?

— Vocês podem conversar enquanto comem.

— Já tentei isso.

— Mas se parar, nunca vai conseguir. – ele sorriu.

Yuka voltou-se para frente, pensando.

— Hum. – sorriu – Vamos.

Kou sorriu, seguindo-a. Foram para a cozinha do colégio e Yuka fizera o bolo enquanto ele a observava cozinhar. Ao terminar de decorar, ele por um momento pensava mais em comer aquele bolo do que em seu plano. Ela cortou duas fatias e pôs num prato, cortando outra para ele.

— Pra mim? – sorriu – Obrigada, Yuka-neko-chan. – cantarolou.

— Seria egoísmo não dividir. Eu costumo comer com Reiko e Kanato, mas como eles não estão aqui, podemos dividir.

Kou provou o bolo, surpreendendo-se.

— Está ótimo! – olhou-a – Se importa se eu comer tudo?

Yuka riu, achando graça.

— Pode comer.

Kou voltou-se para o bolo, comendo-o.

— Né, por que me chama de Yuka-neko-chan?

— Hum... – olhou-a com o garfo em sua boca, tirando-o – Gatos são fofos, eu gosto deles. E você é fofa. Eu gosto de garotas fofas.

— Eh? – ela se mostrou surpresa, enrubescendo levemente – Hum. – assentiu, pegando o prato – Vou levar isso até Subaru-kun. Até mais. – sorriu.

Kou a olhou ir, continuando a comer. Porém aproximou o garfo de seus lábios, lambendo-o ao sorriu de forma maliciosa.

Ruki encontrava-se na biblioteca. Adentrara para devolver um livro que pegara no dia anterior. Terminara a leitura em poucas horas, então os dias extras não seriam mais necessários. Caminhou até a mesa de devolução, avistando uma jovem de cabelos arroxeados, presos em um rabo de cavalo com um laço preto e duas mechas soltas na frente que chegavam até seu pescoço. As pontas de seu cabelo enrolavam suavemente, ela usava o uniforme do colégio e fazia anotações nas fichas de livros logo atrás do balcão. Seu olhar estava baixo, estava distraída.

— Boa noite. – disse ele.

Ela despertou suavemente, levantando o olhar em sua direção. Ruki olhou seus olhos cor de mel e franziu levemente a testa. Eles não pareciam demonstrar muito, além de uma estranha tristeza.

— Gostaria de devolver algum livro? – perguntou ela, calma e suavemente.

— Sim, este.

Ele o pôs sobre o balcão. A jovem o pegou, abrindo-o e anotando a data de entrega num livro ao seu lado, percebendo que ele fora pedido no dia anterior. Ao terminar, o pôs sobre uma pilha ao seu lado, dizendo à ele:

— Está tudo certo. Deseja algo mais?

Ruki pensou. Seus irmãos, e ele próprio, estavam em meio a um plano para conquistar as noivas dos Sakamaki, porém percebeu que conquistar Sora com Ayato sempre ao seu lado seria um pouco difícil. Talvez precisasse de mais informações, estratégias talvez.

— Aqui tem algum livro sobre comportamento? – perguntou.

— Algo específico?

Ele desviou o olhar, pensando. Uma garota iria rir caso ele dissesse que era para conquistar alguém, porém precisava ler para aprender mais. Olhou-a de forma séria, dizendo:

— Quero conquistar uma garota. Tem algo aqui sobre isso?

Ela permaneceu o olhando, inexpressiva. Levantou de sua cadeira e deu a volta no balcão, pedindo à ele para que a seguisse. Ruki se mostrou levemente surpreso. A jovem caminhou entre as estantes, silenciosamente até que parou na frente de uma das prateleiras e pegou um dos livros, pegando em seguida outro.

— “Para que o amor dê certo” e “Laços e nós”. – leu as capas – Estes talvez possam ajudar. Não possuímos muito conteúdo sobre o que deseja.

— Tudo bem.

Ela os segurou, voltando para o balcão com ele. Anotou as datas e os títulos dos livros no livro ao lado e os entregou à Ruki.

— A entrega é em uma semana.

— Sim. – disse ele – Creio que em dois dias voltarei aqui.

Ela mostrou-se ligeiramente surpresa, olhando-o.

— Boa leitura.

— Obrigada.

Ruki virou-se e saiu da biblioteca. A jovem abaixou o olhar, voltando a fazer o que fazia anteriormente, porém semicerrando os olhos ao pensar nas opções de livros daquele rapaz. Como Ruki havia dito, ele realmente leu os livros em dois dias e voltou à biblioteca para devolvê-los. A mesma jovem os pegou de volta, levemente surpresa pela palavra dele ter sido realmente cumprida.

Agora, tendo uma visão ligeiramente melhor sobre o que faria, Ruki pensava sobre como faria Sora apaixonar-se por ele. Claramente ela parecia gostar de Ayato, porém ele não parecia ser o tipo que cedia à algo. Talvez se Ruki desse a atenção necessária à Sora, a elogiasse e mostrasse que era melhor que Ayato, ela se interessasse à princípio.

No dia seguinte, Ruki acidentalmente – e verdadeiramente – encontrou-se com Sora no corredor. Ela caminhava no corredor com alguns papéis em mãos, folheando-os e deixando cair uma folha. Ruki saía de uma sala, notando a folha e pegando-a.

— Sora-san.

— Eh? – virou-se, despertando.

— Deixou cair. – disse ele, aproximando-se e devolvendo-a.

— Ah! Obrigada. – sorriu – Provas me deixam louca. Não paro de estudar.

— Acredito que seja inteligente em vista à sua clara dedicação.

— Obrigada. – sorriu, feliz – Mas é um pouco difícil estudar.

— Por quê?

— Enquanto eu estudo, Ayato sempre aparece e pede para eu fazer colas para ele. – riu – Então como não faço de forma alguma, tento ajudá-lo a estudar. Mas ele não é o tipo que gosta de estudar.

— Então ele a atrapalha?

— Ahm, não... Bem, um pouco às vezes, mas...

— Não estou falando para pô-la contra seu noivo, porém suas prioridades são outras, Sora-san. – disse ele – Se seu noivo não enxerga isso, seria melhor explicar à ele.

— Na verdade eu gosto de ajudá-lo. – ela sorriu suavemente – É um fato ele me atrasar um pouco com as reclamações sobre não gostar de estudar, mas enquanto eu o ajudo, acabo revisando tudo que estudei. Acredito que ele esteja me ajudando ao invés de me atrapalhar. – sorriu.

— Entendo. Talvez eu possa ajudá-la também.

— Jura? – sorriu, aproximando-se e lhe mostrando uma das folhas – Estou em dúvida nessa questão.

— Hum. – assentiu – Vamos para a biblioteca, é melhor.

Sora assentiu. Ao chegarem, Ruki sentou com ela em uma das mesas, começando a estudar e realmente a ajudá-la. A jovem do balcão viu os dois, descobrindo agora quem era a jovem que ele queria conquistar. Fitou Sora, analisando-a e achando-a bonita, pensando que não era à toa ele desejar conquistá-la. Porém avistou um jovem adentrar a biblioteca de forma irritada. Nunca o vira na biblioteca antes. Ele aproximou-se da mesa onde os dois estavam, dizendo:

— Sora, vamos.

— Ayato? – olhou-o – Ruki-san está me ajudando.

— Não interessa. Vamos.

Ela o olhou, surpresa. Ayato aproximou-se, puxando-a pela mão e fazendo-a levantar.

— Ayato-san, não precisa ter este tipo de atitude. – disse Ruki – Eu estava apenas ajudando-a.

— Com certeza quer dar muitas ajudas à ela.

— Ayato!

— Por favor, trate-a bem. Não precisa controlá-la.

Ayato franziu as sobrancelhas, enraivecido.

— Não precisa se meter com a noiva dos outros.

Ele foi embora, levando Sora. Ao vê-los sair, Ruki franziu as sobrancelhas, aborrecido. Ayato nunca a deixava sozinha, assim seria difícil ele conquistá-la. Ao notar uma presença a sua frente, ele elevou o olhar e viu a jovem que o atendeu antes.

— Ela é muita bonita.

Ele a olhava inexpressiva, porém ela franziu a testa ao perguntar:

— Mas por que quer conquistar uma garota que está comprometida?

— Acredito que isso não importe à você. – disse ele, educadamente.

— Não. – concordou – Mas acredito que saiba que é errado.

Ele desviou o olhar, fechando-os e levantando-se. Ela o viu sair em silêncio, porém parando ao lado da porta ao ser chamado a atenção.

— Pode me dizer seu nome? – perguntou ela.

Virou-se.

— Por quê?

— Apenas desejo saber.

Ele acalmou o olhar.

— Mukami Ruki.

Ela fechou os olhos, curvando-se educadamente para ele, o que o deixou surpreso. Ao se endireitar, apresentou-se:

— Kohaku Arizu.

Ruki permaneceu olhando-a por um momento, analisando sua expressão calma. Curvou levemente a cabeça para cumprimentá-la, saindo em seguida e pensando o que faria para afastar Ayato de Sora por pelo menos um dia.