Diabolik Lovers - União de Sangue
27 Capítulo 25: Irmãos Mukami
Duas semanas se passaram após o baile e enfim as coisas voltaram ao normal. Sem mais brigas, sem mais visitas inesperadas e Masami finalmente esquecera o que o rei havia lhe dito. Suas palavras lhe assombraram durante aqueles dias e agora, caminhando pelo corredor, ela apenas pensava nos trabalhos que deveria entregar naquela semana. Caminhava calmamente, distraída com as ideias e planos para aquele dia. Quando chegasse em casa, iria direto para o quarto e terminar o trabalho de história. O teria feito naquele dia na aula vaga, porém esquecera suas anotações em cima de sua escrivaninha.
Enquanto reclamava mentalmente por seu esquecimento, não notou uma grande sombra surgir a sua frente. Chocou-se de repente em alguém, afastando-se ao abrir os olhos.
— Hum, me desculpe. – olhou-o, surpreendendo-se.
O rapaz a sua frente era vinte centímetros mais alto que ela, gigantesco. Possuía olhos castanhos claros e cabelos de mesma cor, que estavam amarrados em um bolo no alto da cabeça com alguns fios soltos em suas costas. Sua expressão era rígida e áspera, porém ao olhá-la seu semblante mudara para algo mais gentil. Sua gravata estava frouxa, a camisa desabotoada e usava o suéter do colégio, assim como o blazer que pendia na altura dos cotovelos.
— Hum, então você é a noiva dele. – disse ele.
— Eh?
— Noi-va. – disse ele, pausadamente – Você é lerda, porca.
Masami elevou as sobrancelhas, desviando dele e continuando a andar.
— Ei!
Ignorou-o, continuando a andar. Porém ele a alcançou, segurando em seu pulso e fazendo-a virar-se para ele.
— Eh...! – Masami o olhou – Isso é rude para alguém que nem sabe meu nome!
— Então me diga seu nome, porca.
— “Porca, porca”. Pare de me chamar disso! Como se atreve?
Ele tracejou um sorriso maldoso.
— Por-ca.
Masami franziu lentamente as sobrancelhas, fazendo-o soltá-la à força. Ao massagear o pulso, olhou-o em seguida.
— É muito atrevimento de sua parte me tocar.
— Você se acha bem importante.
— E você também para um impuro. Logo vi ao sentir seu cheiro.
Ele franziu as sobrancelhas.
— Eu vou te quebrar!
Masami semicerrou os olhos.
— Acredita que esta é a melhor abordagem com uma garota? Poupe-me. – disse ela, virando-se e saindo de perto dele.
Ele a viu distanciar-se um pouco, dizendo repentinamente:
— Yuma.
Masami parou, virando-se e olhando-o. Ele franzia a testa, aborrecido.
— Meu nome, por... – interrompeu-se.
Masami permaneceu olhando-o por um momento, dizendo em seguida:
— Takahashi Masami.
Virou-se e se foi. Yuma tracejou um leve sorrindo, virando-se e continuando seu caminho para o lado oposto.
Enquanto direcionavam-se para a sala de aula, Sora e Ayato conversavam e adentraram a sala, sentando-se em suas carteiras. Esperavam o professor chegar para o início da segunda aula, porém Sora lembrou-se que havia esquecido algo. Levantou, olhando para Ayato ao dizer:
— Esqueci meu batom no banheiro.
— E daí? Compre outro.
— Não! Eu gosto dele!
— É só um batom.
— Então você quer ir comigo à cidade depois para fazermos compras?
— Vai logo. – disse ele.
Sora achou graça e apressou-se. Voltou ao banheiro e sorriu ao ver seu batom onde o deixara. Ao sair apressadamente do banheiro, esbarrou em um jovem que passava pelo corredor.
— Et...! Ah, me desculpe! – disse, surpresa.
Sora viu um rapaz alto com curtos cabelos pretos e esbranquiçados nas pontas. Seus olhos eram azuis em tom cinzento e tinha três piercings de cor preta na orelha direita. Ele a olhou de forma surpresa, sorrindo gentilmente em seguida.
— Não, a culpa é minha. – disse ele, pegando sua mão e beijando-a – Me perdoe-me, por favor,...
— Ahm, Yamada Sora.
— É um prazer. – endireitou-se – Me chamo Mukami Ruki.
— Muito prazer. – disse ela sem jeito – Hum, preciso ir.
— Deixe-me acompanhá-la. É o mínimo que posso fazer.
Ruki a acompanhou pelo corredor, continuando a conversa. Ele se mostrava interessado e sorria gentilmente em sua direção algumas vezes, atento ao que dizia.
— Você é nova aqui, Sora-san?
— Mais ou menos. Me transferi há alguns meses ao ficar noiva.
— Noiva? – fingiu surpresa.
— Sim. – ela sorriu – É um casamento arranjando, mas nos damos muito bem. Acredito que vamos nos casar quando nos formarmos.
— É uma surpresa uma garota tão jovem se compreender desta forma.
— Não sou tão jovem. – sorriu – Mas realmente não esperava ficar noiva. Foi uma surpresa.
— Entendo.
Ela sorriu em sua direção, olhando-o em seguida. Ruki admirou por um momento a cor clara de seus olhos. Sora voltou-se para frente, vendo Ayato do lado de fora da sala, ao lado da porta.
— Ayato. – ela sorriu, aproximando-se.
— Ei, você demorou. – disse ele, olhando em seguida para o garoto ao seu lado e franzindo as sobrancelhas.
— Desculpe, esbarrei em Ruki-san e ele me acompanhou. Este é Mukami Ruki.
— É um prazer conhecê-lo... – Ruki esticou a mão.
— Ah, sei. – disse Ayato, puxando Sora para si ao segurar seus ombros.
Ela enrubesceu, envergonhada.
— Ayato...
— Não precisa se sentir ressentido, Ayato-san. – disse Ruki, sorrindo levemente – Apenas acompanhei Sora-san como pedido de desculpas por ter esbarrado nela. Acredito que fora minha culpa.
— Hum, tá bom.
Ayato virou-se, segurando Sora pelos ombros e fazendo-a entrar na sala de aula com ele. Ruki desfez o sorriso, virando-se e partindo. Segundos antes de entrar, Ayato o fitou pelo canto do olho, franzindo as sobrancelhas de forma irritada.
Ao se sentarem lado a lado, Ayato recostou suas costas na cadeira e pôs o braço sobre o encosto, ainda com a face irritada.
— Qual o seu problema? – Sora perguntou.
— Nada. – disse ele sem olhá-la.
— Ele apenas me acompanhou até a sala, não tem nada demais.
— Sobre o que conversaram?
— Não seja ciumento, Ayato. – ela sorriu, achando graça – Eu vou casar com você, não vou? E acho que é você quem me visita à noite para beber meu sangue.
— Diga de uma vez.
Ela suspirou.
— Conversamos, apenas. Ele perguntou se eu era nova e contei que me transferi há alguns meses por ficar noiva. Ele ficou surpreso. Só isso. Foi quando te vi.
— Hum.
— Foi muito rude de sua parte deixá-lo com a mão esticada.
— Estou nem aí.
— Ayato! – ela exclamou, surpresa – O que está havendo com você?
Ele estalou a língua, virando o rosto. Não apreciou em nada ter um garoto estranho conversando com Sora, principalmente ao ver o olhar de Ruki. Ayato desconfiou sobre aquele olhar. Era gentil demais para alguém que apenas esbarrara em uma garota desconhecida. E ele não gostou nada disso.
No intervalo, Yuka preparava um bolo. Ela sabia bem que Subaru estava no ginásio, provavelmente dormindo, e queria ir até ele. Porém precisava ter uma boa desculpa. E como ele sempre gostava – ou aparentava gostar – quando ela levava bolo, misturava todos os ingredientes de forma animada. Ao tirá-lo do forno e decorá-lo, cortou duas fatias. Uma delas não era necessariamente para ela, pois Yuka descobrira que ele gostava de repetir.
Ao sair da cozinha segurando o prato com as duas mãos, caminhou sorrindo pelo corredor. Era exatamente como primeiro bolo que preparou para ele. Porém na metade do caminho, Yuka tropeçou em seus próprios pés e caiu. Fechou os olhos ao pensar que derrubaria o prato, como mais um de seus atos desastrados. Porém ao cair ajoelhada com as mãos no chão, não ouviu o prato atingi-lo.
Ao abrir seus olhos, viu o prato sobre a palma de uma mão. E ao olhar o dono da mão, viu um rapaz de cabelos loiros e olhos azuis. As mangas de seu blazer eram enroladas até seus cotovelos, assim como sua camisa branca que era ligeiramente desabotoada, mostrando a camisa debaixo. Curiosamente, havia dois cintos vermelhos cruzados em seu quadril. Suas calças eram apenas até seus joelhos e usava longas meias pretas, calçado com botas brancas com detalhes pretos. Ele também usava pulseiras nos dois pulsos e um colar com pingente de diamante.
— Acho que deixou isso cair. – disse ele, sorrindo.
— Eh...! – Yuka levantou, pegando o prato – Obrigada. – sorriu em sua direção.
Ele pareceu surpreso com seu fácil sorriu, porém tracejou um gentil sorriso, dizendo:
— Me chamo Mukami Kou. É um prazer.
— Ahm, hum. – ela sorriu mais uma vez – Yamada Yuka.
— Esse bolo parecia importante para você.
— Sim. Ele é para meu... – interrompeu-se, pensando que substantivo daria à Subaru – Hum... Noivo. – enrubesceu.
— Ah... – ele ficou surpresa – Uma menina como você já tem noivo? – achou graça – Bem, então parece gostar muito dele.
— Hum... – gaguejou – Sim...
— Eu bem que gostaria de ter alguém pra me dar um bolo. – sorriu, pondo a mão na cabeça.
— Ah! Tem mais na cozinha, eu fiz um bolo inteiro.
— Eh? Jura? – ele a olhou, surpreso – Você cozinha?
— Sim! – sorriu, animadamente – Eu aprendi pra fazer coisas gostosas pra ele!
— Ah... Entendi. – cantarolou, sorrindo e passando por ela – Bem, já vou indo. Boa sorte com o bolo.
— Hum. – ela sorriu, continuando a caminhar.
Enquanto virava na esquina do corredor, descendo as escadas, Kou tracejou um sorriso malicioso nos lábios.
No terraço no colégio, Reiko e Kanato conversavam. Ele dissera que comprara uma barra de chocolate para os dois, porém que havia esquecido em seu armário e o pegaria. Reiko assentiu, sorrindo levemente ao passo que Kanato desaparecera.
Atrás da porta do terraço, um rapaz ouvia a conversa deles. Era magro e o braço esquerdo de seu blazer estava enrolado até o cotovelo, mostrando seu braço enfaixado. O colete estava aberto, usava uma camisa branca abotoada e um laço de fita azul sobre a gravata preta. Usava as calças do uniforme e botas pretas, que chegavam até suas canelas. Além de sua boina roxa na cabeça.
Ele espiou o terraço, vendo Reiko, sentada no banco de costas para ele. Semicerrou os olhos, adentrando o terraço e aproximando-se. Pôs-se à frente de Reiko, que elevou o olhar ao notá-lo e reparou primeiramente nas cicatrizes em seu rosto. Uma na ponte de seu nariz e as outras duas na parte inferior de suas bochechas, esquerda e direta. Além de reparar o pescoço enfaixado.
— Boa noite. – disse ela, apática.
— Você... Tem olhos vermelhos... Bonitos. – disse ele, vagarosa e timidamente.
Reiko elevou as sobrancelhas, ainda com os olhos semicerrados. Por que ele a elogiava?
— Obrigada. Por que você tem essas cicatrizes? E o pescoço e braço enfaixados?
— Hum... – ele os olhou – São minhas feridas.
Sua maneira de falar era calma, muita lenta e tímida. Reiko o observava, querendo saber por qual razão surgira repentinamente.
— Você... Gosta de... Facas? – perguntou ele.
Ela franziu levemente as sobrancelhas, incômoda pelo assunto.
— Eu tenho uma. – abaixou o olhar – Mas não gosto.
— Ah, que pena... Eu tenho... Uma coleção. Você quer... Ver um dia?
Antes que Reiko pudesse responder, Kanato surgiu ao seu lado com Teddy nos braços e uma barra de chocolate na mão. Olhou para ele, franzindo as sobrancelhas de forma aborrecida.
— Quem é você? – perguntou.
— Azusa...
— Estávamos conversando, Kanato-kun. – disse Reiko – Ele tem uma coleção de facas.
— Hum.
Kanato aproximou-se de Reiko, dando-lhe Teddy e a barra e chocolate. Reiko não compreendeu, porém ele a segurou por trás como segurava Teddy e caminhou até a saída do terraço, indo embora com ela. Azusa olhou-os ir.
Ao chegarem no andar debaixo, Reiko foi posta no chão.
— Por que me carregou? – perguntou.
— Não quero você perto dele.
— Eu nem sabia o nome dele até você perguntar.
— Não importa. – olhou-a – Você não me ama?
Reiko semicerrou ainda mais os olhos, aproximando-se e beijando suavemente seus lábios.
— Sim. – disse ela, ainda próxima de seu rosto – Mas não me chantageie dessa forma.
— Hum. – assentiu.
Uma hora depois, os Mukami se reuniram no terraço. Yuma escorava as costas na grade, Ruki encontrava-se sentado no banco ao lado de Kou e Azusa em pé com a mão em seu braço e o olhar baixo.
— Como foram? – perguntou Ruki.
— Yuka-chan é fofa e cozinha. O bolo dela estava ótimo.
— Kanato-san... A tirou de perto de mim. – disse Azusa.
— Ayato fez o mesmo. – disse Ruki – E você, Yuma?
— Eh? Hum... – pensou – Não foi tão bom, mas acho que posso conseguir.
— Talvez se houvéssemos vindo antes, conseguiríamos. Elas parecem gostar deles.
— Sim... – disse Azusa.
— Admito que será difícil. – disse Ruki – Mas conseguiremos.
Os três assentiram.
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