Diabolik Lovers - União de Sangue

15 Capítulo 14: Infeliz surpresa


— Ei, para onde está me levanto, Ayato? – resmungou Sora, sendo puxada por ele pelo corredor.

— Você vai ver. – ele sorriu.

Sora desconfiou. Há uma semana Ayato mostrava à ela seu lado brincalhão com a mistura de sua capacidade para fazer o mal. Suas brincadeiras eram sádicas e muitas vezes envolviam tortura. E pelo visto, ela notara que era sua nova boneca.

— Eu não gosto disso. – comentou.

Ayato chegou até uma porta e a abriu, entrando com Sora. Ela deparou-se com uma espécie de quarto. Havia uma lareira com um quadro logo acima, dois sofás, um apoio para os pés, um grande tapete, abajur de pé e cômoda. A porta para a varanda era diferente, de correr. E havia duas janelas. Porém o que reparou é que não havia cama, mas duas Damas de Ferro. A máquina de tortura mais famosa que já existiu. Era uma grande estrutura de metal com rosto de mulher semelhante a um sarcófago, onde a parte da frente se abria e dentro geralmente havia espinhos para torturar a pessoa que entrasse.

— O que acha? – ele perguntou, sorrindo.

Sora franziu a testa, sorrindo de forma confusa.

— Você coleciona Damas de Ferro?

— Então você sabe o que são? – ele alegrou-se – Não é tão burra.

— É claro que eu sei! – ela exclamou, irritada.

— Uma delas é minha cama. – explicou ele – Eu retirei os espinhos.

— Sim, mas... Pra que isso?

— Vamos jogar um jogo.

Sora franziu as sobrancelhas de forma entediante.

— Outro?

— Sim! – disse ele, puxando-a para si – Quero que adivinhe qual delas é minha cama. Se errar, você vai entrar.

— Nos espinhos?! – exclamou ela – Não é tão louco!

— Se quiser podemos cancelar a brincadeira se você me disser por que o cara que você gosta é melhor do que eu.

Sora desviou o olhar, cruzando os braços. Há dias Ayato começara com isso, querendo saber por que ela gostava tanto de um humano e não dele, o senhor da casa, como se chamava. Por mais que tivesse sido engraçado antes, agora estava irritando-a.

— Eu já disse.

— Não disse não. Só falou que ele é “especial de uma forma diferente”. – ele debochou – Por que ele é melhor que eu? Eu sou o melhor de todos!

— Você pensa que é. – ela o olhou.

Ayato franziu as sobrancelhas, irritado.

— Tudo bem, cancele o cancelamento. Qual é minha cama?

Sora olhou para as Damas de Ferro. Não queria jogar esse jogo, mas desconfiava que ele não a enfiaria dentro daquilo. Ela olhou para as duas consecutivamente e apontou para a da direita.

— Essa.

— Tem certeza? – ele sorriu maliciosamente.

— Acho que sim.

— Então vamos ver. – disse ele, levando-a até a estrutura.

— Ei! – exclamou, estremecendo – Não vai me enfiar ali dentro, vai?!

Ele abriu as portas e a colocou dentro da estrutura. Sora gritou quando ele fechou as portas, porém percebeu que não havia espinho algum ali dentro. Ela olhou ao redor e sorriu, exclamando:

— Eu acertei!

— Eu sei. – ele sorriu – Que tal ficar aí por um tempinho?

— O que?!

— Só algumas horas, talvez até amanhã.

— Ayato!

Ele gargalhava enquanto ela gritava e batia na porta de ferro para sair.

— Eu a deixo sair se me chamar de “Ayato-sama”.

Sora franziu as sobrancelhas.

— Nunca!

— Então vai ficar aí.

— AYATO!

Sora ouviu a porta do quarto bater e se desesperou, batendo mais na porta de ferro para tentar sair. Olhou para o lado e viu as dobradiças da estrutura. Procurou por um grampo em seu cabelo, porém quando não achou tentou em sua calça, pegando-o e sorrindo. Enfiou-o na dobradiça, fazendo com que o ferro que a prendia saísse e a porta se soltasse. Quando conseguiu, chutou-a e se viu livre. Saiu da Dama de Ferro e viu Ayato sentado no sofá.

— Você quebrou minha cama! – exclamou ele.

— Você me prendeu nela! E o que está fazendo aqui? Não havia ido embora?

— Te enganei, queria ouvir seus gritos.

— Argh! – exclamou, cerrando os punhos e indo em direção à porta – Você é horrível!

— Então eu sou o melhor dos horríveis! – exclamou ele, vendo-a sair e bater a porta.

Ayato recostou-se novamente no sofá, olhando para sua cama e deixando uma risada escapar. Sora caminhava pelo corredor, pensando como Ayato era louco. Tirou seu celular do bolso e o abriu, vendo que não havia mensagem alguma. Semicerrou o olhar, fazia quase duas semanas que Takato não falava com ela por mensagens ou ligações. Ela suspirou e guardou o celular. Será que ele ainda planejava a fuga dos dois? Precisava ser algo tão elaborado?

Dois dias depois, Sora prestava atenção na aula enquanto Ayato prestava atenção nela, planejando qual seria sua próxima brincadeira. Porém ele a viu pegar o celular por debaixo da mesa e abri-lo. Ele franziu a testa em dúvida, sua expressão não parecia muito boa. Ela semicerrou os olhos de forma entristecida e guardou o celular, voltando a escrever em seu caderno.

Ayato estreitou o olhar, sua brincadeira não seria tão engraçada se ela estivesse triste. E, afinal, ele também não gostava de vê-la triste. Durante todo o mês desde sua chegada, ele apenas a via com a expressão entristecida. Quando ela tornou-se sua, ele enfim pôde fazê-la sorrir. Não da forma que ela esperava, mas de uma forma ou de outra ele sabia que ela se divertia com as brincadeiras.

No intervalo após a aula, Sora caminhava no corredor em direção ao refeitório. Ayato se aproximou por trás dela e pôs seu braço em volta de seu pescoço, sorrindo maliciosamente.

— Quer sair pra comer? – perguntou.

— O que? – ela achou graça – Estamos indo para o refeitório.

— Isso é ridículo. Os alunos são vampiros, eles não precisam comer. E a comida daqui podia ser melhor.

— Ayato, a refeição de hoje é peixe frito com batatas.

Ele pensou, porém segurou sua mão.

— Vamos logo.

— A-Ayato!

Ele a levou até a saída do colégio, saindo da área escolar e passando a caminhar com ela pela calçada. Sora ficou receosa quanto a sair assim de repente, mas Ayato não demonstrava nenhuma preocupação. Andaram por dez minutos até chegarem ao centro da cidade. Ele a levou até uma lanchonete, onde se sentaram numa das mesas do canto e receberam cardápios. Enquanto ele olhava, interessado em algumas coisas, Sora abaixou o cardápio e o olhou, dizendo:

— Tem certeza que podemos sair do colégio?

— Quem liga? – disse ele, ainda olhando o cardápio.

— Mas Reiji com certeza vai...

— Quem liga para o Reiji? – olhou-a, sorrindo – Se divirta um pouco, a maior parte do tempo ficamos trancados na mansão.

Sora pensou enquanto o olhava, pegando o cardápio e lendo-o. Quando a garçonete se aproximou, perguntou se já desejavam pedir.

— Eu quero Takoyaki.

— Leu tanto pra acabar pedindo Takoyaki? – disse Sora, achando graça.

— Não se meta. – disse ele, franzindo as sobrancelhas de forma tediosa – Dá pra fazer uns sessenta?

Sora o olhou, abismada.

— S-Sim, senhor. – disse a garçonete, também abismada – E o que a senhorita vai querer?

— Apenas Udon.

— Udon?! – exclamou Ayato – Isso você pode comer em casa. Peça outra coisa e em grande quantidade, nós não engordamos mesmo.

A garçonete os olhou, confusa. Sora abaixou o olhar por um momento e assentiu, dizendo:

— Quero vinte Onigiris, dez Daifuku e trinta Mitarashi dango.

— É assim que se fala! – Ayato sorriu – E dois refrigerantes. – completou.

— S-Sim. – disse a garçonete, virando-se e saindo.

O pedido foi entregue na cozinha e após alguns minutos, chegou à mesa de Ayato e Sora. Sessenta Takoyaki, um bolinho recheado e frito com molho por cima. Vinte Onigiris, bolinho de arroz em forma de triângulo envolto por uma folha de nori. Dez Daifuku, um doce em formato de pequenas bolas de mochi recheado com algo doce. E trinta Mitarashi dango, um tipo de dango – bolinho feito de mochiko – espetado em palitos em grupos de cinco e cobertos com molho de soja doce.

Quando o pedido foi posto sobre a mesa, Ayato olhou para seu prato com olhos tão brilhantes quanto a lua, assim como Sora para os seus. Os dois comeram tudo, saboreando cada mordida e mastigar, até que recostaram as costas nas cadeiras, suspirando de forma satisfeita em frente aos pratos vazios. Ayato olhou-a de forma curiosa.

— Ei, você gosta mesmo de Mitarashi dango.

— Hum. – ela assentiu, sorridente – Minha mãe fazia para nós quando éramos crianças. É algo que se passa de mãe pra filha para fazer para os filhos.

Ayato a olhava de forma calma, atento a cada palavra dita. Por um momento pensou em sua mãe e como ela nunca o tratou dessa forma. Começou a pensar em coisas que nunca havia passado por sua mente. Se Sora seria boa com os filhos que teriam, se faria Mitarashi dango para eles e se os trataria bem. Franziu as sobrancelhas, incômodo. Por que pensava nisso? Por que agora?

— Gostariam de pedir a conta? – perguntou a garçonete ao aproximar-se.

— Sim. – Ayato sorriu para ela de forma maliciosa – A que horas você sai do trabalho?

— E-Eh... – ela enrubesceu, olhando para Sora – Senhor, você está acompanhado.

— Ah, ela gosta de outro cara, não sei por que. – sorriu ele.

Sora franziu as sobrancelhas em sua direção.

— Gostaria de sair comigo depois?

Sora suspirou e disse:

— A conta, por favor.

— Sim! – exclamou a garçonete, retirando-se.

Ayato suspirou, irritado, e a olhou.

— Estraga prazeres.

— Isso não foi para me irritar. – disse ela – Você pretendia beber o sangue dela.

— E se fosse isso?

Sora desviou o olhar, incômoda. Após outra pessoa vir com a conta, eles pagaram e foram embora. Ainda assim, não voltaram para o colégio. Ayato continuou a caminhar com ela, que não compreendia por qual razão ainda não voltavam. Porém enquanto o olhava, uma pergunta lhe veio à mente.

— Ayato. – chamou-o.

— Hum. – ele a olhou com as mãos nos bolsos.

— Onde estão seus pais?

— Nosso pai não vive conosco.

— E a mãe de vocês?

Ele voltou-se para frente, franzindo ligeiramente as sobrancelhas.

— Não temos a mesma mãe.

— Não?

— Nosso pai teve três esposas. Minha mãe era a primeira, e também é a mãe de Kanato e Laito.

— Ah. – ela compreendeu.

— Ela também não mora com vocês?

— Sim, mora. – disse ele – No cemitério.

Sora arregalou os olhos, parando de forma surpresa enquanto o olhava. Ayato parou ao notá-la e voltou-se para ela, que tentava compreender suas palavras.

— Você... Não parece ter gostado dela, né?

Ele acalmou o olhar enquanto a olhava.

— Ela era promíscua e manipuladora. – disse ele – Fez coisas que outras mães não parecem fazer.

Sora o olhava, surpresa.

— Por isso vocês são assim?

— Como assim?

— Não sei sobre Kanato-kun, mas... Laito e você são... Diferentes. Ela fez algo a vocês?

Ayato desviou o olhar, dizendo:

— Você não precisa saber disso.

Ela abaixou o olhar, ele era tão difícil de expressar seus sentimentos. Ao desviar o olhar e ver o parque ao lado, paralisou. Ayato percebeu e olhou para o parque. Era como todos os outros da cidade. Havia um caminho de pedras na entrada que percorria todo o lugar e inúmeras árvores.

— O que foi?

Ela abaixou o olhar.

— É que...

Ayato a observou, sua expressão passou a ficar entristecida e confusa. Ele olhou para o parque, que para ele não tinha nada demais. Porém parecia ser um lugar importante para Sora.

— Você e aquele cara se encontravam aqui?

— Na verdade nos conhecemos aqui. Ele esbarrou em mim e derrubou refrigerante no meu vestido. – ela sorriu, recordando.

Ayato a olhava, percebendo pelo olhar de Sora que ela recordava várias lembranças envolvendo o rapaz. Desviou o olhar, enciumado. Como alguém poderia ser sua, mas não ser ao mesmo tempo? Ele a queria inteiramente para si, porém sabia que ela nunca o amaria ou sequer gostaria dele de uma forma mais romântica. Isso o atormentava, era irritante.

Ele se virou para o caminho de onde vieram, dizendo:

— Vamos.

Sora o olhou, despertando e se apressou, seguindo-o. Voltaram para o colégio e para as aulas restantes. Ayato passou a maior parte da aula dormindo com a cabeça sobre a mesa. Sora o olhava de forma calma, perguntando-se sobre sua mãe e o que ela havia feito. Que coisas ela teria feito para os trigêmeos serem como são? Não conhecia Kanato tão bem, porém Laito era um pervertido sem limites e Ayato era extremamente competitivo e não sabia expressar seus sentimentos.

Ao término da aula, Sora levantou-se para sair da sala, porém Laito pôs-se a sua frente com aquele sorriso malicioso que tanto a atormentou.

— Ah, Sora-chan. – cantarolou – Você e Ayato desapareceram no intervalo. Para onde foram? Saíram do colégio para fazer coisas mais... Ousadas?

Sora franziu as sobrancelhas e Rin, que estava sentada em sua carteira, não gostou do comentário do noivo. Por que estava falando com ela se não era mais sua noiva? Repentinamente, Ayato o empurrou para o lado, exclamando:

— Ei, saia de perto dela! Ela não é mais sua!

— Ah... – ele cantarolou, sorrindo – Não precisa ficar assim, Ay-a-to.

Ele franziu as sobrancelhas, puxando Sora pela mão e saindo da sala com ela. Rin lançou um olhar para Laito, que sorriu para ela e mandou-lhe um beijo, aproximando-se em seguida e mordiscando sua orelha. Ela encolheu-se e sorriu para ele.

Enquanto era puxada por Ayato, Sora não compreendia sua reação. Afinal, Laito era seu irmão e, mesmo sendo inapropriado, o que ele disse era apenas brincadeira.

— Ayato, para onde estamos indo?

Ele não respondeu, apenas continuou puxando-a. Os dois chegaram à piscina e ele fechou a porta, largando a mão de Sora. Ela observou o lugar. Apenas ia até lá para a natação, nunca havia visto aquele lugar tão vazio e escuro, apenas a luz da piscina iluminava-o.

— Por que estamos...?

Ayato a pegou no colo de repente, fazendo-a exclamar e corar suavemente.

— Ayato!

Ele caminhou até a beira da piscina, olhando para a água. Sora encolheu-se em seus braços, exclamando:

— Ayato, o que está...?

— Diga que é minha! – disse ele, olhando-a de forma irritada.

— Eh?

— Diga que é minha! Só minha!

— Não posso dizer isso. – disse ela, entristecida – Sinto muito! Mas você sabe que eu...

— Eu não quero saber! – ele exclamou – Você deveria ser apenas minha!

Os olhos de Sora marejaram. Ela os fechou e os apertou, apertando o blazer dele e exclamando:

— Acha que eu não gostaria de dizer?! – olhou-o – Se eu soubesse que seria escolhida nunca teria sequer o deixado conversar comigo! Mas... Aconteceu.

Ayato a olhava, ainda expressando irritação. Voltou a olhar a piscina e a jogou na água, fazendo-a gritar. Sora afundou, emergindo em seguida. Tossiu algumas vezes, olhando-o e pondo a mão na frente de seu rosto ao vê-lo pular na piscina. Ao emergir, Ayato a pôs contra a parede da piscina e segurou seus pulsos, olhando fixamente em seus olhos quase brancos que apenas demonstravam dúvida.

— Não quero que o veja mais. – disse ele – Termine tudo, é uma ordem.

Sora arregalou os olhos, que marejaram.

— Não... Por favor...

— Estou dando uma chance. Ou faça o que eu digo, ou vá embora.

As lágrimas escorreram, ela temia o castigo que receberia se descobrissem.

— Por favor, Ayato... Não posso decepcionar minha família.

— Então acabe com tudo. Você deveria tê-lo feito ao descobrir que vinha para cá.

Ele a soltou, saindo piscina. Sora saiu da água com dificuldade, sentando-se na borda com o olhar baixo. Ayato jogou uma toalha em sua cabeça, fazendo-a olhá-lo em dúvida e apenas vendo seu olhar de reprovação. Vendo-o ir embora, ela agora se perguntava o que iria fazer.

Durante todo o dia seguinte, Sora tentava ligar para Takato. Deveria ser agora ou nunca. Ou eles fugiriam juntos ou ela deveria desistir de tudo. Porém Takato não atendeu. Ela deixou inúmeras mensagens onde perguntava por onde ele andava e dizia estar com medo de descobrirem sobre os dois. Mas ele não retornou a nenhuma das ligações e nem respondeu às suas mensagens. Sora começou a ficar preocupada. Completara duas semanas e meia que ele não entrava em contato. Ela começou a pensar que ele talvez tivesse desistido dela, visto que não precisava ter tanto trabalho com alguém tão diferente. Ao pensar isso, o coração de Sora doeu.

Mais tarde em sua cama, Sora estava coberta, porém seus olhos estavam abertos. Não conseguia dormir, apenas pensava em Takato. Sentiu sua cama balançar e sentou, vendo Ayato deitado ao seu lado.

— Ayato?

— Não olhe para mim. – disse ele.

— Mas...

— Quieta! – falou, fazendo-a deitar e mantendo seu braço sobre ela.

Sora não compreendeu, apenas ficou parada. Ayato então disse como um sussurro:

— Não me desobedeça.

Ela acalmou o olhar, percebendo minutos depois que ele havia adormecido. Virou-se cautelosamente para ele, vendo-o ainda de uniforme escolar. Sora observou os detalhes de seu rosto e tirou uma mecha de seu cabelo da frente, vendo-o de olhos fechados. Ela abaixou o olhar, lembrando-se do que Ayato dissera no dia anterior. Ele queria tanto assim que ela fosse apenas sua? Por um momento pensou ser melhor dessa forma. Eles se casariam e teriam filhos. Por que então ela deveria manter uma paixão que pelo visto não se importava mais com ela? Enquanto pensava, Sora fechou os olhos e adormeceu.

Dois dias depois, Sora voltava para o quarto após seu banho. Pôs sua roupa usada sobre a cadeira da penteadeira, percebendo um bilhete sobre a penteadeira. Ao pegá-lo, leu: “Pacote para você na sala de jogos”. Ela estranhou, notando que a letra não era a de Reiji, como no bilhete do jantar a poucas semanas. Direcionou-se para a sala de jogos. Um lugar com paredes de madeira escura, mesa de sinuca e de jogo de azar, tendo cadeiras e sofás com estofamento verdes, alguns vasos de plantas, cabeças de animais penduradas nas paredes, armaduras e uma mesa no canto, onde estava o pacote.

Sora passou pela mesa de sinuca, chegando até o pacote e olhando-o. Era um pouco grande e de papelão. Havia um pequeno papel dobrado em cima, ao qual ela pegou e leu: “A próxima será você, caso não se comporte”. A princípio ela não compreendeu. Porém abriu a caixa, arregalando os olhos perturbadoramente. Deixou o papel cair no chão e recuou, pondo as mãos sobre a boca. Seus olhos marejaram e as lágrimas escorreram. Sora então gritou estridentemente.

Ela recuou desesperadamente e caiu sentada, continuando a fazê-lo até que suas costas batessem contra a perna da mesa de sinuca. Após o grito, os primeiros a chegarem foram sua irmã e Subaru. Yuka chegou na sala de jogos e viu Sora sentada no chão, gritando. Correu até ela, ajoelhando a sua frente enquanto Subaru sentia o cheiro de sangue, franzindo a testa.

— Sora! – ela a chamava – O que houve?

Um a um, os Sakamaki e as noivas chegaram à sala de jogos para ver o que estava acontecendo e quem havia gritado. Ninguém compreendia, porém todos sentiam o cheiro.

Quando Reiji chegou, viu Sora sentada com as mãos na cabeça e continuando a gritar, dizendo “não” repetidas vezes enquanto Yuka tentava acalmá-la sem entender o que estava acontecendo.

— Que comoção é essa? – perguntou ele severamente.

— Todos ouviram. – disse Kanato.

— Foi Sora. – disse Reiko – Acho que tem algo naquela caixa.

Masami e Mana olhavam para Sora. Mana aproximou-se para tentar acalmá-la, ajoelhando ao seu lado. Masami, ao ouvir Reiko falar da caixa, aproximou-se com cautela ao passo que Reiji fez o mesmo. Shuu franziu as sobrancelhas, desconfiado do que havia dentro. Ao se aproximarem, viram o interior e o que continha. Reiji franziu as sobrancelhas, surpreso e enojado. Masami arregalou vagarosamente os olhos, desviando o olhar do conteúdo. Dentro da caixa havia uma cabeça decepada aparentemente de um jovem de cabelos marrons.

— O que é isso? – perguntou Reiji, tentando compreender.

Masami olhou para o chão, vendo um papel dobrado sob seus pés. Pegou-o e leu, dando-o à Reiji em seguida. Ele arregalou levemente os olhos, lendo-o:

— A próxima será você, caso não se comporte.

Masami e ele se entreolharam, olhando em seguida para Sora, que continuava a gritar em desespero.