Diabolik Lovers - União de Sangue

1 Capítulo 1: Baile de apresentações


Por incrível que pareça, tudo começou naquele baile. Aquele ridículo baile para ver quais das mais cobiçadas jovens vampiras seriam as futuras noivas dos irmãos Sakamaki, filhos do Rei Vampiro, Karlheinz. Mana e eu éramos duas delas. E, ao contrário de mim, ela ficou bem animada quando papai nos contou que rebemos convites para o baile.

Já naquela noite, a carruagem esperava do lado de fora da mansão. Antes mesmo de mamãe entrar em meu quarto para me chamar e reclamar de minha expressão nada animada, Mana o invadiu vestida em seu vestido longo e dourado.

— Ma-sa-mi! – cantarolou – Ah, bom! Pensei que nem estava arrumada.

— Tsc.

O vestido de Mana era justo como o meu, porém chamativo como ela própria era. Um decote em coração e longas mangas justas. Seu cabelo loiro claro estava metade preso e com cachos nas pontas. Sua vestimenta combinava perfeitamente com ela e seus olhos dourados.

— Por que não solta seu cabelo? – perguntou – Ele é tão bonito. E um dos Sakamaki pode gostar bastante.

— Não me importo se eles vão gostar.

Eu usava um vestido azul escuro e meu cabelo loiro estava preso em um coque com brilhos e duas mechas soltas em espirais na frente que chegavam até a altura de meus seios. Geralmente era costume meu usar esse penteado, porém com rabo de cavalo.

Naquele momento em que Mana franzia as sobrancelhas para mim – por um segundo quase me fazendo sorrir –, mamãe entrou em meu quarto. Uma linda mulher com longos cabelos tão claros como os de Mana, os olhos lilases como os meus e a própria expressão séria, que logo reparou em meu vestido.

— Masami! – exclamou em reprovação – Por que não pôs seu vestido novo?

— É muito chamativo. – disse, apática.

— Eu sei que você não é do tipo que expressa seus sentimentos, porém tente fazer isso pelo menos hoje. Isso pode ajudar a família em nosso status.

— Já temos um bom status na sociedade vampira. – a olhei indo até meu armário e vasculhando-o.

— Mas imagine como seria se você ou sua irmã se tornassem noivas e futuramente esposas de um dos Sakamaki.

Desviei o olhar, resmungando baixo.

— Tolice.

— Por que não pode ser como sua irmã? – disse ela, pegando meu novo vestido.

— Ela deve ser adotada.

— Ei! – exclamou Mana – Deixe-a, mãe. Ela é a mais velha, então deve ser regra ser chata assim.

— Não sou chata. – a olhei – Apenas acho desnecessário.

— Não me importa. Apenas vista isso, ou eu mesma o visto em você.

Franzi a testa, pegando-o e trocando de roupa após ambas saírem. Ao fazê-lo, desci as escadarias de nossa mansão e vi meus pais de pé na porta da entrada, que estava aberta. Papai olhou-me no vestido que me dera. Não possuía mangas, o decote era reto e sua cor rosada era delicada e elegante. Em conjunto, usava luvas longas sem os dedos da mesma cor que o vestido com anéis que as prendiam em meus dedos médios.

Papai sorriu levemente ao me ver. Mamãe dizia que eu era a cópia de sua personalidade e aparência. Nossos cabelos possuíam a mesma cor, porém os olhos dele eram da cor de mel.

— Está belíssima, Masami. – disse ele – Tenham um bom baile.

Sorri suavemente, tentando não desviar o olhar em desagrado.

— Creio que Mana irá aproveitar mais.

— Ela parece bem animada.

Olhamos para a carruagem, que já continha Mana. Papai conteve sua risada, ele não era o tipo de homem que ria, porém Mana fazia qualquer um rir. Ele voltou-se para mim mais uma vez e tocou gentilmente meu queixo, dizendo:

— Não importa se não a acharem atraente ou a jovem mais bela. Alguém digno a achará e se casará com você.

Sorri, ligeiramente contente.

— Obrigada.

E lá fomos nós para a mansão Sakamaki. Os grandes e altos portões estavam abertos e carruagens iam e vinham com jovens belas vampiras em seus longos vestidos de baile. Descemos de nossa carruagem a adentramos a mansão. Ao que parecia, todo o primeiro andar era usado para o baile. O salão da entrada, a grande sala de estar e a varanda para o jardim. Os cômodos estavam enfeitados e iluminados com os mais belos candelabros de parede e lustres dourados.

Não havia apenas os jovens Sakamaki como atrativos masculinos, mas outros nobres vampiros da alta sociedade. Porém, como todos sabiam, se algum estivesse conversando ou dançando com uma jovem que lhes atraísse a atenção, a jovem era cedida prontamente para o Sakamaki.

O pai dos irmãos não estava presente, o que não era uma surpresa. Ele era um importante político, porém eu desconfiava que estivesse observando o baile de algum lugar ou de alguma forma. As mães, por outro lado, já não eram vivam e as histórias de suas mortes assombravam a qualquer um que ouvisse. Ou pelo menos a mim.

— Você já os viu alguma vez? – perguntou Mana – É difícil identificá-los, há tantos rapazes bonitos.

— Nunca os vi. – respondi com minhas mãos frente ao meu corpo – Isso torna ainda mais dificultoso.

— O que?

— Fugir deles.

Mana deixou escapar uma risada de minha expressão séria ao falar.

— Não seja boba, apenas se divirta. – ela sorriu – Eu vou. – afastou-se.

— Mana. – a repreendi em baixo tom, vendo-a distanciar-se.

Franzi as sobrancelhas levemente, arranjando logo um local para ficar parada e quieta. Havia longas mesas repletas de pratos majestosos e apetitosos. Não necessariamente nos nutríamos com comida comum, mas o gosto de alguns pratos era irresistível e não me contive em pegar um dos pequenos doces em uma das mesas. Enquanto mastigava discretamente, vi Mana dançando com um jovem de cabelos pretos no centro do salão. Eles conversavam e sorriam, e logo cessaram a dança.

Elevei uma de minhas sobrancelhas, ela vinha em minha direção. Em uma postura educada e polida – diferente do que era em casa –, se aproximou da mesa e pegou um doce, pondo-se ao meu lado.

— Eu descobri. – cantarolou.

— O que?

— Quem são os irmãos.

— Já?

— Bem, não todos. Mas aquele rapaz sabe quem são quatro deles. Aquele com óculos e cabelo bem penteado é o segundo filho.

— O de cabelo preto arroxeado?

— Exatamente. Lindo, não é?

— Não sei dizer.

— É, você nunca sabe. – ela franziu a testa – Continuando. Vê aquele com chapéu, conversando com aquelas várias jovens rindo?

Olhei e o vi com uma roupa refinada e o chapéu que em nada combinava com a ocasião.

— Tem aquele de olhos verdes e aquele outro de cabelos brancos e olhos vermelhos. Acho que é o mais novo. Faltam dois, mas não sei ainda quem são.

— Realmente bonitos.

— Interessada? – ela sorriu – Não pelo de óculos, não é?

— O mordomo? Soube de algumas histórias sobre ele.

— Ele não é mordomo. – reclamou, nem me ouvindo – E sim.

— Bom proveito. – sorri levemente.

Ela sorriu, elevando um pouco os ombros pela animação. Não me importei em ver a investida de minha irmã, preferi ir direto para o jardim. Passei pelas pessoas em suas roupas elegantes e adentrei o jardim com sua delicada iluminação. Suspirei, fechando os olhos e respirando o ar puro da noite. Que tolice, o que eu estava fazendo ali?

Dei meu primeiro passo e comecei a caminhar pelo jardim florido. Suas belas flores me encantaram por alguns momentos, fazendo-me sentar num banco de cimento. Enquanto as observava, ajeitei minha franja. As belas flores brancas dançavam suavemente com o leve vento que ali passava. Tracejei um sorriso inconsciente enquanto as olhava.

— O que faz sozinha aqui enquanto o baile acontece na mansão? – uma voz masculina perguntou.

Um ar gélido, porém não incômodo, passou por meu corpo. Olhei para o lado e vi um jovem alto de olhos azuis e cabelos loiros ligeiramente enrolados nas pontas me olhando. Ele usava uma bela roupa de cor preta e amarela, e notei que um mp3 estava preso em seu pescoço, enrolado a um fio. Incomum, porém achei ligeiramente graça.

— O que faz sozinho com um mp3 enquanto o baile acontece na mansão?

Bonito, porém inexpressivo. Ele apenas se sentou ao meu lado.

— Qual seu nome?

— Takahashi Masami.

— Hum... – pensou – Família Takahashi.

— Sim. E você?

— Shu.

— Apenas Shu?

— É o que precisa saber.

Franzi a testa em dúvida. Um belo e elegante jovem, porém não muito polido em relação à educação.

— Tudo bem. – voltei-me para as flores.

— Ainda não me respondeu.

— Não aprecio esse tipo de baile.

— E qual é o tipo?

— Baile de apresentações. Onde jovens vampiras são apresentadas à rapazes dispostos a pedirem sua mão em matrimônio.

— Não quer ser desposada?

Abaixei o olhar.

— Na verdade... Não sei. Creio que não dessa forma. É tão... Desnecessário.

Ele elevou uma de suas sobrancelhas.

— Também acho desnecessário. – disse ele – Mas a que forma se refere?

Balancei a cabeça suavemente, sorrindo em ironia.

— Pressionada.

— Seu pai?

— Minha mãe. “Seja educada, seja refinada”. Por que não diz para ser perfeita de uma vez?

— Compreendo. Minha mãe se assemelha a sua nessa questão.

— Quero deixá-los orgulhosos e honrá-los, mas... E a minha vida? É correto deixar minha vida de lado para tentar me casar com alguém que nem ao menos conheço?

— Meus pais não se conheciam até pouco antes do casamento.

— Os meus apenas se conheceram no dia do casamento. – sorri, imaginando – Nem imagino o quão deve ter sido desconfortante.

— Desconfortante?

Desviei o olhar.

— Questões femininas.

— Hum... – ele olhou as flores – Imagino. Então não há amor?

— Não, há sim. De fato.

— Algo raro.

— Seus pais não...

— Creio que minha mãe respeitava meu pai. Meu pai, ele...

Shu se calou, parecia irritado. Abaixei o olhar, compreendendo a provável dificuldade de ele falar sobre o pai.

— Os pais sempre falam como é difícil nos compreender, mas... – pensei – Os filhos também não os compreendem muito bem.

Shu me olhou por um instante. Aparentemente éramos dois jovens pressionados por nossas famílias. Fora a maior coincidência que tive em minha vida. E por mais que eu não tenha notado, passaram-se horas enquanto conversávamos no jardim. Mesmo não parecendo educado na minha primeira impressão, Shu era um rapaz agradável de conversar.

Minha noite terminou quando vi Mana me procurando na entrada do jardim. Ela parecia feliz e ainda mais animada do que quando chegamos, porém não comentou nada Fomos para casa e pensei que nunca mais veria Shu. Ao me deitar, virei-me para o lado e abracei as cobertas. Shu me compreendeu como ninguém o fizera antes. E esse breve sentimento que senti naquele estante me inundou completamente. Pelo menos até dois dias depois.

Mana e eu havíamos acabado de chegar do colégio, vestidas em nossos uniformes cinzas. Por mais que fôssemos vampiras, nossos pais adotavam a regra social de adolescentes irem ao colégio. Ao chegarmos à sala de estar com os sofás dourados e seus estofamentos vermelhos, vi papai lendo em voz alta uma carta enquanto mamãe parecia feliz de uma forma explícita. Algo que aconteceu apenas uma vez em minha presença.

— O que aconteceu? – Mana perguntou.

Papai estava prestes a dizer, porém mamãe tomou prontamente a iniciativa com o mais doce gosto nos lábios.

— As duas. – sorria de forma leve, porém feliz – As duas foram escolhidas.

Arregalei os olhos. Como isso aconteceu?

Notas finais
Masami: https://pre00.deviantart.net/9c58/th/pre/i/2016/002/c/2/diabolik_lovers_oc__selena_dalaras__new_outfit__by_selenaumino666-d9fmgy3.png https://i.pinimg.com/564x/10/2b/af/102baf42d95e52b95e1f955325acc31b--diabolik-lovers.jpg Mana: https://img00.deviantart.net/fa2e/i/2016/058/4/4/diabolik_lovers_oc__akarui_nike_by_nikeakarui-d9cdlyh.jpg