Diabolik Lovers - União de Sangue
2 Capítulo 2: Carta de convite
Notas iniciais
Como isso aconteceu? Como? Como? Como?
Papai lera a carta para Mana e eu. O próprio Rei Vampiro escrevera a carta, havia seu símbolo carimbado no envelope. Dizia que Takahashi Masami, a filha mais velha da família Takahashi, e Takahashi Mana, a filha mais nova da família Takahashi, foram escolhidas para serem as noivas de dois dos irmãos Sakamaki. Se aceitassem, uma carta deveria ser enviada para confirmar a futura união. Se não, deveria ser feito o mesmo para negar.
Mamãe estava mais feliz que nunca e papai surpreso. Mana estava entre a dúvida e a felicidade. E eu? Fui para meu quarto, perplexa.
— Masami? – chamou minha mãe em dúvida, vendo-me subir as escadas.
Fechei a porta, largando a mochila no chão. Meus primeiros pensamentos foram confusos, eu havia conversado com um rapaz apenas. Como poderia ser um dos irmãos? Porém logo que pensei na possibilidade, vi que era realmente possível. Eu não sabia quem eram os outros dois irmãos que Mana não descobriu a identidade e Shu disse apenas seu nome. Que miserável!
Deitei em minha cama, bufando como nunca fiz na vida. Mamãe invadiu meu quarto sem bater e me sentei. Ela franzia as sobrancelhas, apertando a saia de seu longo vestido, porém repentinamente suspirou e relaxou a postura.
— O que quer fazer? – perguntou.
— O que?
— Não imaginei que atrairia a atenção de um deles. Isso foi surpreendente.
— Eu não sabia que era ele. – pus a mão em meu peito – Não fazia ideia! Eu apenas fui para o jardim e ele apareceu. Apenas conversamos.
— E pelo visto sua conversa o agradou. – ela sorriu.
— Mãe... – pus a mão na cabeça – Eu...
— Tudo bem. – ela se sentou na minha cama – Mana quer ir. Porém apenas o fará se você for.
Olhei-a, suspeitando por estar me dando opção.
— Se apenas ela fosse escolhida, ela iria.
— Mas isso não ocorreu, ocorreu?
— E... O que acontecerá se aceitarmos?
— Bem... – ela abaixou o olhar, tirando uma folha dobrada de dentro da manga – A carta de convite veio com um anexo, explicando seus deveres e proibições caso aceitar.
— Que são? – elevei minhas sobrancelhas.
— As noivas irão morar com os irmãos Sakamaki.
— O que...?!
— Também não concordo. – ela tocou seu peito – Pelo visto o Rei Vampiro acredita que é para melhor convívio, vocês terão seu próprio quarto.
— Não acho isso. – cantarolei, ironizando – Vocês se conheceram no dia do casamento e os pais de Shu apenas um pouco antes.
— Shu? – ela tombou a cabeça, sorrindo levemente.
— Ele apenas se apresentou por esse nome. – gaguejei.
— Então foi com ele. – sorriu suavemente – Bem... Terão que ir para o mesmo colégio que eles, sairão para além dos muros apenas na companhia de seus noivos, um evento inadequado com quem não for o noivo não será tolerado.
— Evento inadequado?
— Provavelmente explica que se você trair seu noivo isso dará permissão para a sentenciar a um castigo ou a morte.
Engoli em seco.
— Não sou apaixonada por ninguém. – declarei.
— Certo. E não o faça lá. – ela continuou – Não poderão fazer trocas de noivos sem o consentimento de seu noivo e do noivo que a deseja. A oficialidade deve ser feita com a permissão do Rei Vampiro.
— O-O que? – gaguejei – Com quem vou me casar?
— De acordo com o anexo, saberá apenas quando chegar na mansão.
— Que ótimo... Então se eles quiserem, podem nos trocar como trocam de roupa.
— Sinto muito. – ela abaixou o olhar – Também não concordo com algumas dessas regras.
— É um jogo doentio! – exclamei em absurdo – Mana sabe disso?
— Sabe. E por incrível que pareça ela quer arriscar.
— Ela gostou bastante de um. – revirei os olhos – O mordomo.
— O que?
— Ele se veste como um mordomo.
— Deve ser culto.
— E doente.
— Ora, Masami.
— Escutei histórias! Não sabia nomes e nem conhecia seus rostos, mas diziam “o segundo filho” ou o “terceiro filho”, então...
— São apenas histórias.
Franzi a testa.
— E então? – ela perguntou – Vai aceitar ou não?
Olhei-a, pensando. Se houvesse um prazo, ela teria me dito. Então era um sim ou não imediato. Eu não fazia ideia de com quem iria me casar e ainda havia a possibilidade de ser trocada de uma mão para outra como uma boneca se meu noivo não me quisesse e outro irmão sim. Que cativante.
Porém, como havia dito à Shu naquela noite, eu queria deixar meus pais orgulhosos e honrá-los. E isso falou mais alto em minha mente. O dever, a honra, e até o status. Na sociedade vampira, por mais que sejamos nobres, o nome diz tudo. Casar-me com um puro me faria gerar filhos puros. E eles receberiam a melhor educação, seriam bem tratados e ninguém os subjugaria. Eles seriam os netos do grande Rei Vampiro, a quem apelidei recentemente e mentalmente como sádico louco. Isso parecia um jogo para ele e nós seus bonecos de mesa. Mas... No fundo... Eu também queria importância. Seja para meu futuro marido ou mesmo para a sociedade.
Desviei o olhar por um momento, fazendo minha escolha.
— Também será bom para Mana... – pensei – Tudo bem... Eu aceito.
Mamãe sorriu, feliz.
— Quando iremos? – perguntei.
— Bem... – ela leu no anexo – Em três dias.
Assenti, e antes do começo da noite nossa carta de confirmação fora enviada.
Dois dias depois já estávamos arrumando nossas malas. Mana estava feliz e animada, parecia ser o começo de uma aventura para ela. Mas eu suspeitava de algo, havia algo errado em tudo isso. Eu apenas não sabia o que era.
Tirei todas as minhas roupas de dentro do meu armário e as coloquei sobre minha cama. Os sapatos estavam no chão, em ordem. A metade de minhas coisas já estava em minha mala, e eu dobrava uma blusa quando papai adentrou meu quarto após bater na porta.
— Masami.
— Sim? – olhei para trás após pôr a blusa na mala.
Papai era um homem bonito. Seus cabelos loiros e olhos dourados foram com certeza um dos atrativos para mamãe pensar em ter algum tipo de relacionamento com ele além do casamento arranjado. Ele não expressava seus sentimentos todo o tempo – o que nos assemelhávamos –, mas era um homem esplêndido, respeitado e um ótimo pai. E sabia sorrir quando queria algo ou apenas nos animar.
— Queria saber como estava.
— Fisicamente? Bem.
Ele elevou uma de suas sobrancelhas.
— E mentalmente?
— Estou tentando aceitar.
— Ora... – ele pensou calmamente – Já não havia aceitado?
— Sim. Mas agora estou aceitando o fato de não saber com quem me casarei. Além dos outros quesitos do anexo.
— Compreendo.
Papai aproximou-se sem pressa, vestido em seu terno costumeiro, e sentou em minha cama ao lado da mala. Olhou vagarosamente minhas roupas e em seguida a mim, que voltava a guardá-las.
— Quero que saiba...
O olhei, parando.
— Que tenho orgulho de você. De vocês duas.
Surpreendi-me.
— Já conversei com sua irmã sobre isso, agora...
Joguei-me repentinamente em seus braços e agarrei seu pescoço, abraçando-o forte e surpreendendo-o.
— Masami?
— Obrigada. – disse docemente – Obrigada.
Ele acalmou o olhar, semicerrando os olhos e levantando os braços para me abraçar. Acredito que não precisávamos dizer mais nada. Tudo foi dito com aquele simples abraço apertado. Foi o suficiente pra mim.
Na madrugada, despertei suavemente ao ouvir a porta do meu quarto se abrir. Vi Mana entrar e fechar a porta, se aproximando de minha cama vestida em sua camisola verde de babados e com os cabelos soltos.
— Masami... – balançou-me levemente.
— Estou acordada.
— Hum.
Ela deitou-se ao meu lado, cobrindo-se.
— Papai conversou comigo. – falou.
— Comigo também.
— Disse que se orgulhava de mim e falou várias coisas de quando era criança. Como eu era bonita e alegre, e como ele me amava, mas não demonstrava. Foi difícil não chorar.
Sorri.
— Nos abraçamos.
— Apenas um abraço?
— Sim.
— Hum, acho que é tudo o que precisam. – ela achou graça – Vocês são iguaizinhos.
Achei graça.
— Por que veio pra cá? Não consegue dormir?
— Estou nervosa. – murmurou – Acho que com medo.
— Por não saber com quem vai se comprometer?
— Quero muito que seja Reiji-san.
— Reiji?
— O segundo, de óculos. Ele é educado, sofisticado... Conversamos um pouco e ele parece ser adorável.
— Espero que seja pra você.
Mana sorriu, pegando minha mão e pondo-a para fora das cobertas, entrelaçando nossos dedos para uni-las.
— Espero que o seu também seja. – falou.
Mana tinha uma alma gentil que desejava ser amada e cuidada. Ela era assim, sempre desejou um amor. E eu esperava com todo meu coração que ela o conseguisse isso com quem quer que se case.
— Prometa-me uma coisa. – disse ao olhá-la, ainda segurando sua mão.
— O que?
— Não deixaremos de ser quem somos. Tudo bem?
Ela assentiu.
— Eu cuido de você e você cuida de mim. – falei – Somos as irmãs Takahashi e não importa com quem casemos, nunca abandonaremos uma a outra.
Mana firmou sua mão na minha, prestando atenção com seus grandes olhos dourados em minha direção.
— Somos as Takahashi. – ela sorriu – Vamos juntas.
— Juntas. – sorri suavemente.
Mana e eu dormimos em minha cama em nossa última noite em casa. O café da manhã do dia seguinte parecia ser como todos os outros passados. Porém à tarde, os empregados levaram nossas malas para carro que nos esperava em frente de casa. Mamãe nos abraçou forte, suas duas e únicas filhas partiriam de casa. Ela sorriu enquanto nos olhava, um olhar de orgulho. Papai beijou nossas cabeças, nos desejando a felicidade que merecíamos.
A porta do carro preto foi fechada ao meu lado e vi uma última vez meus pais pelo vidro da janela. Não sabíamos quando os veríamos de novo. Talvez em uma festa ou apenas em nossos casamentos. Mas desejava que fosse logo. Apenas os olhava quando o carro foi ligado e partimos. Mamãe em seu longo vestido vermelho-escuro e papai em seu terno. Ambos sorrindo para nós.
Quarenta minutos depois, vi nossa nova casa enquanto olhava pela janela do carro. Desencostei do banco e a olhei. Estava diferente daquela noite, o lugar parecia totalmente vazio. O longo portão de grades verticais se abriu para o carro, que adentrou o terreno ao passar pelos muros de pedra. O automóvel percorreu a estrada de pedra e contornou o chafariz, parando em frente à casa.
O motorista abriu a porta para nós e saímos do carro, olhando para a grande mansão. Mana vestia um short escuro, sandálias de pedras, uma blusa de mangas que deixava seus ombros à mostra e um colete jeans. Seu cabelo loiro-claro estava amarrado em duas longas tranças, seu penteado costumeiro. Eu por outro lado usava um vestido azul-claro de comprimento até os joelhos, uma jaqueta jeans e sapatos brancos de salto baixo. Além de usar meu penteado de sempre: rabo de cavalo e duas mechas soltas em espirais que chegavam até a altura de meus seios.
O motorista tirou as malas do carro e as colocou ao nosso lado, pondo a mão em seu peito e se curvando levemente em sinal de respeito. Após o carro ir embora, pegamos nas alças de nossas malas de rodas e nos dirigimos para a porta da entrada. Ao abrirmos, percebemos mais uma vez como a mansão estava diferente da noite do baile. Menos iluminado e parecia não haver ninguém. Apenas o lustre iluminava a escadaria principal, além das velas no começo do corrimão. Vi mais uma vez o segundo andar de onde estávamos e as altas colunas, além do longo tapete vermelho em que pisávamos.
É... Estávamos em nosso novo “lar”.
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