Diabolik Lovers - União de Sangue
68 Capítulo OVA: Crianças Sakamaki
As duas famílias, Sakamaki e Mukami, preencheram suas mansões com crianças e agora corriam de um lado ao lado para tentar controlá-las. Ensinaram-nas a se comportar, a usarem o banheiro e respeitarem os irmãos e primos durante os anos que se seguiram. Ao completarem a idade para irem à escola, seus pais também os educavam em casa e diziam para os mais bagunceiros para não atrapalharem a aula. Porém ao buscá-los depois das aulas, alguns dos pais escutavam quase todos os dias os professores dizerem que seus filhos eram bagunceiros e atrapalhavam as aulas.
Porém, pouco a pouco, os anos se passaram e essa fase chegava próximo do fim. Naqueles dias, alguns estavam prestes a terminar a fase da infância e outros já haviam entrado na adolescência. Mas mesmo assim, alguns filhos continuavam os mesmos. Quem quase ateava fogo na casa – literalmente –, eram os filhos de Ayato e Sora. Três meninos que, ao começarem a falar e andar, não pararam nunca mais. Eles corriam pela mansão, aprontando e quase enlouquecendo Sora. E agora, com doze anos, mostravam como eram tão travessos quanto o pai, mesmo possuindo a parte estudiosa da mãe.
Depois dos trigêmeos, o mais arteiro da família era Kenji, filho mais velho de Laito. Ele tinha a mesma idade que os trigêmeos e unia-se a eles quando queria enfurecer a mãe, Rin. Ela o repreendia sempre que fazia alguma bagunça na escola, que era o que ele mais gostava de fazer, e dizia que iria bater nele. Porém nunca fazia. Sua irmã, Akane, de onze anos, raramente juntava-se a eles. Ela gostava de jogar dardos com o pai e treinar esgrima com a mãe. Porém muitas vezes era alvo das brincadeiras do irmão.
O último mais arteiro era Riichi, o filho caçula de Reiji, de dez anos. Ele era do mesmo nível que Kenji em relação às travessuras e às vezes até o ultrapassava. Era semelhante à Reiji quanto à aparência, porém era rebelde e o fazia principalmente para atormentar o pai, que sempre lhe dissera para manter a compostura. Riichi era o mais bagunceiro de sua classe, porém nunca atormentou os irmãos. Seu prazer era ver o pai ajeitando os óculos enquanto o repreendia e enquanto sua mãe sorria, achando graça da expressão dele.
Seus outros irmãos eram um pouco diferentes dele. Kaya, de treze anos, possuía uma personalidade doce e sorria quase sempre. Porém isso deixava de acontecer quando algum colega de classe comentava sobre como seus olhos eram diferentes. Ela sempre ouvia isso, porém Shirou, seu primo, sempre a defendia e xingava os outros colegas. Ela gostava de ler e se interessava por todo tipo de livros, pensando ser algo herdado do pai. Ninguém dentre seus primos sabia que ela era filha de outro homem e a família preferia deixar desta forma.
Ren, o segundo filho, de doze anos, era como Reiji em vários aspectos, não apenas na aparência. Ele passava bastante tempo com o pai no laboratório, às vezes dividindo-o com Kaya, que também ficava em sua companhia enquanto lia um livro ou apenas conversavam. Ren, por outro lado, desejava saber tudo sobre as poções, remédios e anotações que o pai fazia. Ele queria ser como Reiji, pois o admirava mais que tudo. E a cada ano que passava, ele ficava mais parecido com Reiji.
Haru, a terceira mais velha, tinha onze anos e passava bastante tempo com a mãe, Mana. Elas eram parecidas em relação aos seus cabelos loiros, porém assemelhavam-se em outras características. Haru era delicada e tímida, sendo um pouco mais extrovertida com a família. Kaya e ela eram melhores amigas, mesmo com as idades um pouco distantes. Ela gostava de desenhar flores e escrevia bastante, porém Mana sempre a aconselhou a guardar bem seu diário em algum local seguro. Ela bem sabia como era ter seus sentimentos revelados.
Quem completava o trio com Kaya e Haru, era Masumi, de doze anos. Ela era a filha mais nova de Shuu e Masami e bastante parecida com ambos. Ela possuía a personalidade calma do pai, porém às vezes a seriedade da mãe. Tirava as melhores notas na escola e era a melhor no violino, mesmo Shirou dizendo que era o melhor. Seu irmão mais velho, de treze anos, era parecido com Shuu na aparência e na preguiça. Ele não gostava de estudar e muito menos de ir à escola. O que mais desejava quando chegava era ir para casa. Porém ele possuía a bela habilidade no violino e no piano, como Shuu. E quando estava disposto a tocar, todos ficavam maravilhados. Ele era próximo dos trigêmeos, porém não se envolvia em suas travessuras por falta de motivação própria, preferindo ficar debaixo da sombra de uma árvore.
Outro primo de quem Shirou era próximo, era Matsu, de onze anos. Ele era o filho mais velho de Subaru e Yuka, e gostava de ficar com Shirou debaixo da sombra de uma árvore. Era o único momento que se sentia calmo. Ele odiava quando os garotos da escola falavam sobre seu cabelo. Ele brigava com todos e todas as vezes seus pais recebiam reclamações dos professores. Yuka se sentia envergonhada, porém Subaru o compreendia. Mas como conversar com ele se o filho sentia a mesma coisa que ele sentiu na escola?
Megumi, de dez anos, era a filha mais nova de Subaru e Yuka. Ela era calma e regrada quanto ao comportamento. Gostava de ler e desejava aprender a tocar guitarra por causa das músicas que ouvia. Mesmo também não gostando quando os outros falavam de sua aparência, ela não brigava com ninguém. Apenas ignorava a pessoa ou as pessoas, e se retirava. O que era pior para os que caçoavam dela, pois Megumi não era atingida por frases bobas de crianças que não possuíam mais nada para fazer. Yuka percebia como ela era madura para a idade.
O casal de gêmeos de Kanato e Reiko, Maori e Yuuhi, de onze anos, eram calmos e educados. Eles eram bastante próximos e faziam tudo juntos. Yuuhi não se comportava como o mais velho tanto quanto Maori como a mais nova. Eram iguais um para o outro e até para os pais, que muitas vezes se esqueciam de quem era o mais velho e quem era o mais novo. Maori era doce, tinha grandes olhos roxo-claros. Sempre sorria de uma forma delicada e suave. Quando não estava com Yuuhi, ficava com seu pai, que costumava jogar com os irmãos na sala de jogos quando não estava trabalhando em suas bonecas de cera. Yuuhi, por outro lado, gostava de cozinhar com Reiko. Eles eram semelhantes quanto à aparência, principalmente em relação à expressão e fala apática, mesmo que em seu interior Yuuhi fosse alegre. Ele simplesmente era calmo demais.
Naquela noite, os pais preparavam-se para a chegada dos filhos da escola para o fim de semana. Ao ficarem um pouco maiores, voltavam para casa de limusine. Esses dias eram cruciais para a mansão não pegar fogo e precisavam ficar atentos. Principalmente Ayato e Sora, que naquele momento estavam no quarto, aproveitando o pouco tempo a sós que lhes restavam.
Ayato se movia entre as pernas de Sora, que o abraçava enquanto gemia de forma ofegante. Ela sentia seu toque e ouvia sua respiração ofegante. Os dois bem sabiam que não dava para fazer nada quando os filhos estavam em casa. Precisavam tomar conta deles – mesmo não funcionando – e quando estavam ocupados estudando – isso não tinha do que reclamar, eram realmente estudiosos –, Ayato e Sora descansavam.
— Eles já vão chegar... – disse Sora, gemendo em seguida.
— Hum. – ele assentiu.
Ayato ajoelhou-se na cama, segurando as coxas de Sora e mantendo suas pernas abertas enquanto ele passou a movimentar-se mais rápido. Sora contorceu-se, mordendo o lábio inferior e apertando os lençóis. Abriu levemente a boca, respirando de maneira ofegante e inclinando a cabeça para trás, gemendo alto ao sentir o clímax chegar. Ayato sorriu, ofegando.
— Chegou?
— Aham... – ela sorriu, ainda sentindo-o.
Ayato apoiou as mãos no colchão, forçando e vendo-a sentir prazer mais uma vez. Observava o corpo de Sora balançar por sua causa e sentiu seu ápice chegar, apertando o lençol e fechando os olhos ao gemer. Sora semicerrou os olhos, sentindo prazer ao olhá-lo. Apoiou os cotovelos e beijou-o intensamente, sentindo-o mover-se dentro dela.
Ele deitou ao seu lado, achando graça.
— O que foi? – ela riu.
— Antigamente fazíamos por horas durante o dia. Mas agora parece que estamos na cadeia. – riu.
— Não. Temos apenas filhos. – sorriu.
— Acho que é a mesma coisa.
Os dois riram e ouviram batidas na porta de repente.
— Eles chegaram! – exclamou Yuka do lado de fora.
Ayato e Sora se entreolharam e levantaram para se arrumar. Após vestirem as roupas apressadamente e irem para a sala de estar do primeiro andar, preparavam-se para as reclamações dos professores.
Todas as crianças, vestidas em seus uniformes azuis, direcionaram-se para a sala. Os trigêmeos e Riichi vieram correndo enquanto o resto caminhava. Os pais já os aguardavam na sala, sentados nos sofás e poltronas.
— Pai, eu tirei a nota máxima! – disse Kaya, correndo até Reiji e mostrando sua prova.
Ele sorriu suavemente, pegando-a e fitando Kaya. Ela possuía cabelos brancos com pontas roxas que chegavam até seus ombros e uma franja que chegava até suas sobrancelhas. Seus olhos eram amarelos e assemelhavam-se à olhos de cobra. Seu pai sorria em sua direção.
— Parabéns, isso é ótimo.
Reiji agora possuía longos cabelos, amarrados em um rabo de cavalo baixo com um laço escuro. Suas roupas também estavam um pouco diferentes. Ele usava calças escuras, assim como seus sapatos, e um colete por cima de sua camisa formal e sua gravata vinho. Agora costumava usar um sobretudo escuro com gola alta e detalhes dourados, além de suas luvas brancas. Mana, pelo contrário, continuava com seu longo cabelo e usava um vestido floral e alegre.
— Eu também tirei a nota máxima. – disse Ren, dando sua prova à ele.
— Isso é ótimo. – ele sorria.
— Vocês são muito inteligentes. – disse Mana, docemente.
Ao fitar Haru, viu-a com o olhar baixo, escondendo sua prova com os braços para trás. Sua filha tinha curtos cabelos loiros com uma trança na lateral e olhos vermelhos como Reiji.
— O que foi, Haru? – perguntou, fazendo Reiji fitá-la.
— Eu não tirei a nota máxima...
Haru aproximou-se e entregou a prova ao pai. Mana inclinou-se para o lado, vendo o número oito em vermelho.
— Ainda está ótimo, Haru. – disse Reiji, pegando-a e sentando-a ao seu lado – Você se esforçou bastante estudando, eu vi. Matemática é um pouco difícil.
— Muito. – Mana sorriu, fazendo Reiji olhá-la, sorrindo – Riichi?
Riichi estava conversando com os trigêmeos sobre o intervalo e fitou a mãe, desviando o olhar e aproximando-se. Ele tinha os cabelos de Reiji, assim como seus olhos. Sendo ele e Ren tão semelhantes quanto à ao pai.
— Oi, mãe...
— E sua prova?
— Não entregaram.
— Mentira. – disse Megumi, que era da mesma turma.
— Fofoqueira. – ele resmungou.
Mana esticou o braço em sua direção e ele tirou a prova de dentro da mochila, entregando-a. Ao olhar a nota, Mana surpreendeu-se.
— Riichi, mas estudamos tanto... O que aconteceu?
— Eu esqueci. – deu de ombros.
— Vamos estudar juntos para as próximas. – disse Reiji.
Riichi simplesmente virou-se, voltando para o lado dos trigêmeos, que entregaram suas provas aos pais. Daichi era a imagem e semelhança de Ayato, Akashi possuía o cabelo castanho avermelho escuro e os olhos de Sora, e Keiichi possuía a cor do cabelo da mãe e os olhos verdes do pai. Todos possuíam cabelos com comprimento médio.
— Como eles tiram notas tão altas? – Ayato se perguntava, olhando as provas.
— Eles estudam. – Sora achou graça – Ao menos isso herdaram de mim.
— Do que está falando? Está dizendo que eu não estudava?
— Ayato, você não estudava. – ela deu um meio sorriso.
Os três riram, pondo a mão em suas bocas.
— Não riam de mim! – Ayato exclamou – Estudar era muito chato!
— Ayato! – disse Sora, arregalando os olhos – Não diga algo assim à eles!
— Mas é verdade. – disse ele, dando de ombros.
Sora estalou a língua, cruzando os braços e fazendo os filhos rirem. Mesmo com o exemplo de Ayato sobre não gostar de estudar, eles eram ensinados por Sora à ao menos se esforçarem para tirarem notas boas, se não iriam deixar de fazer muitas coisas que gostavam.
Shuu estava com o braço ao redor do pescoço de Masami enquanto ela analisava as provas. Shirou estava sentado no tapete ao lado da mesa de centro, apoiando o braço enquanto a mão apoiava seu rosto. Masumi estava educadamente sentada ao lado do pai, olhando a expressão da mãe. Ela tinha os cabelos loiros mais claros de seu pai e os olhos lilases da mãe, ao contrário de Shirou, que era semelhante ao pai.
Masami demonstrava seriedade, porém voltou-se para ela e tracejou um sorriso carinhoso.
— Muito bom, querida.
— Obrigada. – ela sorriu levemente, contente.
— E a minha mãe? – perguntou Shirou, querendo ir para o quarto.
— Você tirou a nota máxima também. – ela sorriu – Viu como se sai bem quando se dispõe a estudar?
— Não quer dizer que fique menos chato.
Ela achou graça.
— Você ainda vai estudar por muitos anos, Shirou. – disse Shuu – Acostume-se. – sorriu.
Ele suspirou alto, jogando-se para o lado e deitando no tapete.
As notas de Matsu e Megumi também não foram um problema. Matsu era tão parecido quanto Subaru, que agora tinha os cabelos ligeiramente mais compridos, mas nunca teve problemas quanto ao estudo. Ele possuía os mesmos cabelos que o pai e os olhos verdes da mãe. Megumi não tirava notas máximas com frequência, porém suas notas ainda eram altas. Ela possuía curtos cabelos brancos em tom lavanda e olhos vermelhos escarlate em tom rosado, como o pai.
— Parabéns, queridos. – disse Yuka docemente, agora com o cabelo na altura dos ombros.
Megumi sorriu enquanto Matsu desviou o olhar com os braços cruzados. Subaru o olhou, desconfiado.
— O que houve, Matsu?
Ele o olhou, desfazendo a expressão rígida e tirou um bilhete do bolso, entregando-o. Subaru o leu com Yuka, que se entristeceu por mais uma briga do filho. Já era a terceira vez naquela semana. Subaru, porém, segurou gentilmente sua mão, olhando-a e fazendo com que compreendesse. Ela acalmou o olhar, sorrindo levemente e fitando Matsu, que abaixou a cabeça e cobriu os olhos com a longa franja do médio cabelo.
— Filho, apenas tente não brigar mais, tudo bem?
— Hum. – ele assentiu, fitando-a.
— Eles ficaram cochichando sobre o cabelo dele. – disse Megumi.
— Também cochicham sobre o seu.
— Mas eu ignoro. Você não.
Ele franziu as sobrancelhas, virando o rosto.
No sofá ao lado, Kanato e Reiko olhavam para as provas de Maori e Yuuhi. Reiko deixou seu cabelo crescer até a cintura, porém pensava duas vezes em cortar um pouco já que Kanato gostava desse comprimento. Yuuhi tinha curtos cabelos marrons e olhos vermelhos, ao contrário de Maori, que tinha os curtos cabelos roxos e os olhos do pai.
— Vocês tiraram a mesma nota. – Reiko achou graça, vendo os dois números nove – Por acaso colaram?
— Não. – Maori sorriu.
Yuuhi sorriu suavemente.
— Foi coincidência. – disse ele.
Kanato achou graça, porém provavelmente fora mesmo uma coincidência. Na poltrona ao lado, Rin estava sentada enquanto Laito estava entre Kenji e Akane, sentado no chão. Kenji possuía curtos cabelos castanho-avermelhados e olhos verdes como o pai, que agora tinha o cabelo um pouco mais curto. Akane possuía a mesma cor de cabelo do irmão, na altura de seus ombros, e os mesmos olhos verdes. Seus colegas de escola muitas vezes pensavam que os dois eram gêmeos. Kenji esperava que sua nota fosse o suficiente para sua mãe não lhe tirar seu videogame portátil enquanto Akane esperava que não fosse, pois há dois dias ele jogara tinta em seu cabelo.
— Um nove! – disse Laito – Parabéns! – sorriu.
Akane cruzou os braços, emburrada, e Rin achou graça.
— Bem, Kenji, pelo visto não será esse fim de semana que ficará sem seu videogame. – disse sua mãe, sorrindo em seguida – Parabéns.
— Obrigada.
Rin franziu as sobrancelhas repentinamente, olhando-o de forma ameaçadora.
— Mas se jogar tinta em sua irmã de novo, você não vai ver o lado de fora nem tão cedo.
Kenji estremeceu, olhando-a de forma amedrontada. Laito conteve a risada, inclinando-se e aproximando-se da orelha do filho, cantarolando:
— Que medo.
Ele deixou escapar uma risada, porém a conteve ao olhar mais uma vez para a mãe. Sora levantou do sofá, fitando os trigêmeos e dizendo:
— Tudo bem, hora de dormir.
— Ah, mãe! – disse Akashi – Ainda está cedo.
— Claro, mas é hora de dormir.
— Não podemos nem jogar um pouco? – perguntou Daichi.
— É, mãe! – exclamou Keiichi – Por favor!
— Não. – ela cantarolou – Vamos.
Eles se entreolharam, ainda havia o banho. Enquanto os outros não davam trabalho na hora do banho, os trigêmeos de Ayato e Sora encharcavam o banheiro enquanto se lavavam. Ayato estava com eles, supervisionando, porém tirou a roupa e entrou na banheira, também fazendo bagunça. A melhor parte de ter três filhos era que ele poderia voltar a ser criança naqueles momentos.
Ayato estava com Keiichi dentro da banheira enquanto Daichi e Akashi estavam sentados em bancos, ensaboando-se e molhando todo o banheiro. A porta do banheiro se abriu de repente e Sora arregalou os olhos.
— Eu sabia!
Ayato sorriu de forma surpresa, fitando-a.
— Ayato!
— Desculpa, eles me convenceram!
— Eles são os filhos!
Os trigêmeos riram.
— E o que estão fazendo? – perguntou, fitando Daichi e Akashi – Esse banheiro não foi feito para esse tipo de banho. Onde arranjaram os bancos?
— Ah, mãe. Mas é legal. – disse Daichi.
— Verdade. – falou Akashi.
Sora pôs a mão sobre a testa, suspirando e desistindo. Não adiantava brigar nem com Ayato, pois naquele momento ele era mais um filho.
Após o banho, os quatro se vestiram e deitaram na cama de seu quarto. Os trigêmeos dormiam no mesmo quarto e na mesma cama, que era de casal. Eles gostavam de dormir juntos e acordarem juntos, mesmo normalmente chutando uns aos outros enquanto dormiam. Porém naquela noite, Sora disse para Ayato que era melhor eles dormirem em seu quarto. Ele não compreendeu, porém olhou seu sorriso.
Sora sentia falta de tê-los em sua cama. Quando bebês, os dois os colocavam entre eles na grande cama para dormirem e se acalmarem mais rápido, pois choravam com frequência. E algo que eles adoravam era dormir na cama dos pais. Ayato e Sora estavam próximos das beiradas enquanto Daichi estava deitado ao lado do pai, Akashi no meio e Keiichi ao lado da mãe.
— Keiichi, fica no seu lugar. – disse Akashi.
— Você que está me empurrando.
— Não estou não.
— Calem a boca! – exclamou Daichi.
— Não briguem. – disse Sora, gentilmente – A cama é grande e vocês sabem.
— Se não vão ficar dentro de casa o fim de semana todo. – falou Ayato – Agora durmam.
Os três rapidamente fecharam os olhos, fingindo estarem dormindo. Porém após três segundos, deixaram risadas escaparem e começaram a brigar de novo, dizendo que o irmão estava invadindo seu espaço ou que o outro estava com mais espaço que ele. Ayato ameaçou tirar o videogame deles e eles fecharam os olhos mais uma vez. Dessa vez, adormecendo.
Sora, que estava com os olhos fechados, os abriu e fitou Ayato, que fez o mesmo. Ele sorriu, deitado de lado, e pôs o braço sobre Daichi e Akashi. Sora sorriu de forma carinhosa, fazendo o mesmo e pondo o braço sobre Keiichi, segurando a mão de Ayato. Ele semicerrou os olhos, ainda sorrindo e os fechou. Sora encolheu-se de forma alegre e adormeceu em seguida.
As outras crianças tomaram banho e dormiram em seus quartos sem problemas, assim como seus pais. Porém, no quarto de Reiji e Mana, eles se preparavam para dormir e conversavam. Mana estava sentada na cadeira de sua penteadeira, escovando os cabelos enquanto Reiji estava sentado na beira da cama, fitando-a fazê-lo.
— Riichi me odeia.
Ela o olhou pelo espelho de forma surpresa e sorriu, voltando-se para ele.
— Ele não odeia você. É apenas... Rebelde.
Reiji suspirou, abaixando o olhar.
— Ele parece fazer de tudo para me irritar.
— E você está fazendo um bom trabalho em não se irritar.
Mana levantou e caminhou até a cama, sentando atrás dele e soltando seu longo cabelo, passando a escová-lo. Reiji semicerrou os olhos, apreciava quando ela o fazia e geralmente fazia para tranquilizá-lo em relação a algo que o incomodava.
— Ele apenas quer sua atenção. – disse Mana.
— E eu dou.
— Mas não tanto quanto dá à Kaya ou à Ren. Eles são os que mais ficam em sua companhia.
— Sim, mas... Eu pergunto a ele se quer ficar conosco no laboratório, mas ele sempre diz não.
— É porque Riichi não gosta das mesmas coisas que você e Ren. Nem mesmo Kaya, porém ela gosta de ler seus livros e de estar no laboratório com você.
— Hum. – Reiji compreendeu.
— Talvez Riichi queira que você vá até ele.
— Somos tão parecidos, porém tão diferentes. Como isso é possível?
— Simples. – ela sorriu, sentando ao seu lado e fazendo-o olhá-la – Ele é seu filho. Mas não é você.
Reiji sorriu, assentindo.
— E me perdoe. – disse ela.
— Por quê?
— Acredito que ele tenha puxado a mim sobre o comportamento. – Mana sorriu, desviando o olhar – Eu era um pouco assim quando criança.
Ele assentiu, aproximando-se e beijando-a. Mana fechou os olhos, deixando a escova cair e tocando o rosto de Reiji. Ele a deitou na cama, pondo-se sobre ela e tirando delicadamente sua camisola. Ao despi-la, Reiji a possuiu e a fez gemer até que chegasse ao ápice do prazer.
Ao deitarem-se e se cobrirem, Reiji a envolveu com os braços, deitando de lado e fazendo-a fazer o mesmo. Mana o abraçou, sorrindo suavemente. Mexia em uma mecha de seu cabelo escuro enquanto acariciava suas costas.
— Né, Reiji.
— Hum.
— Não se preocupe. Tudo bem?
— Sim. – ele beijou sua cabeça.
No dia seguinte, a casa deixou de ser silenciosa. Os trigêmeos foram os primeiros a acordar e consequentemente fizeram os outros acordarem. Eles propositalmente separavam-se e percorriam os corredores, batendo com as palmas das mãos nas portas dos quartos de seus primos. Kenji prontamente saiu de seu quarto ao levantar e abriu a porta, vendo a irmã abrindo a porta do quarto do outro lado do corredor.
— Dá pra pedir pra eles pararem de fazer isso?! – ela exclamou com os cabelos bagunçados.
— Pára de ser chata! – ele exclamou, correndo pelo corredor ainda de pijamas.
Após Rin fazer com que Kenji trocasse de roupa, todos foram postos para estudar antes que pudessem brincar. Fora algo inserido por Masami e Shuu aos seus filhos e que os outros notaram ser um ótimo incentivo para estudarem. Passavam no máximo duas horas estudando durante um dia do fim de semana. Algo que não consideravam muito, pois estudavam duas horas todos os dias durante a semana. E após terminarem, podiam fazer o que quisessem.
Shirou caminhou em direção à floresta e sentou debaixo da sombra de uma árvore em frente ao lago. Suspirou, fechando os olhos e quase adormecendo. Porém ouviu um ruído e virou o rosto na direção, vendo seu primo.
— Matsu.
— Oi. – disse ele, sentando próximo de Shirou.
Ambos ficaram em silêncio por poucos minutos, até que Shirou perguntou:
— Né, por que você briga tanto na escola? Não faz sentido. Os trigêmeos perturbam você tanto quanto aqueles garotos.
— Eles são nossos primos e minha mãe me proibiu de brigar com a família.
— Hum. – assentiu.
— Não gosto que falem do meu cabelo.
— É só ignorar.
— Você ignora os garotos que debocham de Kaya?
Shirou fitou-o, franzindo levemente as sobrancelhas.
— É diferente. Eles puxam o cabelo dela.
— E você bate neles.
— Não tanto quanto antes. Tente aprender a ignorá-los como Megu faz.
— O que ela não tem é paciência pra brigar. Por isso os ignora.
Shirou deixou escapar uma risada e os dois passaram a escutar o som de violinos. Ele fitou o céu e Matsu comentou:
— Masumi já começou a tocar.
— Hum. – concordou – Ela não deixa de treinar um dia.
No jardim, Masumi apoiava o violino no queixo e tocava suavemente as notas, emitindo uma bela melodia em frente ao banco em que os pais estavam sentados. Ela treinava há duas semanas a nova música que compôs e queria que seus pais dessem sua opinião. Shuu e Masami a assistiam, sorrindo. Ao terminar, ela os olhou.
— Você melhorou. – Masami sorriu – Mas tente ser um pouco mais suave.
— Hum. – assentiu, sorrindo.
— Você toca melhor que sua mãe. – disse Shuu, sorrindo de forma que irritasse a esposa.
— Eu toco muito bem. Obrigada. Você quem não costuma praticar.
— Não preciso. Shirou é como eu, temos a habilidade em nosso sangue.
— Convencido. – ela cruzou os braços e a filha deixou escapar uma risada.
Masami avistou Mana e Haru aproximando-se e sorriu.
— Masumi-chan está ficando ótima. – comentou sua tia.
— Está sim. – Haru sorriu.
Masumi sorriu, encolhendo os ombros alegremente e voltou-se para a mãe.
— Posso brincar?
— Claro. – ela sorriu – Eu guardo seu violino.
— Obrigada.
Ela virou-se e correu com Haru para o outro lado do jardim. Mana sorriu, vendo as duas brincarem e notou a irmã guardando o violino dentro do grande estojo.
— Né, lembro-me de quando tínhamos a idade delas. – Mana comentou – Você sempre ameaçava enterrar seu violino para mamãe não treiná-la.
— Jura? – Shuu a olhou, achando graça.
— Você tinha que lembrar? – ela sorriu, envergonhada.
— Sempre. – disse Mana, continuando a andar e ouvindo Shuu deixar escapar uma risada.
Ela retornou para dentro de casa e ao passar pela porta, quase se chocou com os trigêmeos, Kenji e seu filho mais novo. Eles seguravam pistolas lança-água e passaram por ela quando desviou repentinamente ao se assustar com a aproximação. Mana riu e viu Riichi correndo por último, rindo. Ela pegou a pistola de sua mão, sorrindo e fitando-o parar.
— Ah, mãe!
— Venha aqui um minuto. – disse ela, cruzando os braços.
— Vai demorar? Vamos pra floresta brincar de polícia e ladrão. – ele sorriu, animado.
Mana agachou a sua frente, vendo seu sorrido e ajeitou seu cabelo bagunçado. Ele a olhava com seus grandes olhos vermelhos. Ao contrário de Ren, Riichi gostava quando sua mãe mexia em seu cabelo.
— Né? Por que você gosta tanto de incomodar seu pai?
Riichi desfez suavemente o sorriso, desviando o olhar. Akashi apareceu ao lado da porta, segurando sua arma verde.
— Riichi, vamos!
— Já estou indo. Vão na frente! – disse ele ao virar-se.
Quando ele voltou-se para Mana, olhou-a e sorriu sem jeito.
— Não quero contar, mãe.
— Por que não? – ela achou graça.
— Porque... Eu gosto de irritar o papai.
— Gosta? – riu – Por quê?
— É divertido. – ele sorriu largamente.
Mana sorriu, contente.
— Então isso não é por não gostar dele?
— Não. – disse ele em dúvida – Como assim?
— Nada. – ela ajeitou seu cabelo mais uma vez, beijando sua testa e levantando – Pode ir.
— Hum. – Riichi assentiu, correndo para fora.
Mana virou-se e se direcionou para as escadas, pretendendo ir para o laboratório de Reiji.
Na cozinha, Reiko tirava um bolo de dentro do forno e o colocou sobre a mesa. Yuuhi estava ao seu lado e pegou a tigela de glacê para começar a decorar enquanto Reiko cortava o bolo e o recheava. Os dois decoravam o bolo juntos e ao chegarem ao fim, perceberam Kanato e Maori entrarem na cozinha.
— Mãe, olhe o que eu fiz! – disse ela, sorridente.
Reiko a fitou e viu uma boneca de cera em suas mãos enquanto abraçava Teddy. Seu pai quis dar para um dos filhos seu Teddy e quem mais apreciou o presente fora sua filha, que o carregava para todos os lugares. Kanato aproximou-se e beijou a testa de sua esposa. Ele usava calça escura, camisa social preta e suéter rosado de mangas compridas.
— Fez uma boneca de cera? – Reiko sorriu.
— Papai me ajudou. Mas não é tão boa quanto às que ele faz.
Kanato sorriu, sentando. Ele já não fazia mais suas bonecas com pessoas, agora eram puramente de cera e para exposição. Suas bonecas originais eram mantidas no mesmo local como sempre.
— Está igual às do papai, mas em miniatura. – disse Yuuhi – Não está ruim.
Maori sorriu, encolhendo os ombros de maneira contente e sentando ao seu lado. Reiko cortou quatro fatias de bolo e os colocou em pratos de sobremesa, oferecendo ao marido e aos filhos.
— Vocês vão para o lado de fora?
— Não. – disse Yuuhi.
— Eu vou me encontrar com Akane daqui a pouco. – disse Maori.
— Hum. – Reiko assentiu – Por que não sai, Yuuhi?
— Prefiro ficar dentro de casa cozinhando ou comendo.
— Você poderia brincar com seus primos.
— Yuuhi, você não tem amigos na escola. – disse Maori – Podia conversar com alguém.
— Eu converso com você e os outros.
Ela suspirou, sorrindo suavemente.
— Não seja tão antissocial.
— Eu não sou. Prefiro ficar sozinho às vezes.
— Tudo bem, chega de falarem sobre isso. – disse Kanato, comendo – Se seu irmão quer ficar sozinho, deixo-o sozinho. Ele conversa com todos quando quer.
— Obrigado. – disse Yuuhi.
Na lateral da mansão, Rin e Akane treinavam esgrima enquanto Laito as assistia. Rin continuava com seus longos cabelos vermelho-sangue, porém naquele momento amarrados em um rabo de cavalo. Akane prendera metade de seu cabelo, pois como era curto não conseguia prender todo o cabelo. As duas batiam as espadas uma contra a outra, fazendo com que sibilassem e defendendo os ataques uma da outra.
Há alguns anos, Rin começou a treiná-la com espadas de madeira como fora com ela e seu pai. Agora que Akane mostrava habilidades com a espada, ela a treinava mais ousadamente. Laito não se preocupava, gostava de vê-las treinando e algumas vezes também treinava com Rin, aperfeiçoando-se na esgrima. Atualmente ele sabia bem mais do que na época em que estavam noivos.
Laito sorria, sua filha estava dando passos largos tanto na esgrima quanto no crescimento. Ele lembrava-se de quando Akane começara a andar. Um dia ela simplesmente levantou enquanto ele brincava no tapete com Kenji e caminhou em sua direção, equilibrando-se. Agora ela tinha onze anos e lutava tão bem quanto a mãe.
— Tudo bem. – disse Rin, parando – Você está caminhando bem, Akane. – sorriu.
Ela sorriu, feliz. Rin caminhou até Laito e sentou-se ao seu lado no banco de cimento, pegando seu chapéu e pondo-o na cabeça. Ele sorriu e pôs o braço ao redor de sua cintura, beijando sua bochecha.
— Por que vocês se beijam toda hora? – Akane perguntou, docemente.
— Seu pai gosta.
— Eu gosto mais de outra coisa, mas não posso dizer. – disse Laito, sendo beliscado levemente por Rin – Et...!
— Eh?
Naquele momento Kenji surgiu ao virar a esquina da mansão e viu a irmã, correndo em sua direção e atirando água contra ela, que gritou e tentou se proteger. Os trigêmeos e Riichi se aproximaram, correndo e pararam ao ver Akane sendo molhada, gargalhando.
— Kenji! – Rin exclamou, levantando.
Ele parou, percebendo que a mãe estava ali e recuou lentamente.
— Oi, mãe...
— Eu disse, não disse?
— Mas não foi tinta dessa vez.
Ela o olhava, indignada. Não adiantava falar e até ameaçar tirar o que ele gostava, Kenji continuava a aprontar travessuras com a irmã. Porém dessa vez Akane enfureceu-se, fazendo com que ele percebesse sua expressão enraivecida.
— E-Ei... Akane... – ele sorriu, amedrontado e recuando mais.
— Eu vou matar você! – ela gritou, começando a correr atrás dele.
Kenji exclamou, correndo e sendo acompanhado pelos outros, que bem sabiam que Akane não iria se importar em distinguir em quem estava batendo. Rin arregalou os olhos e Laito apenas gargalhava, levantando e correndo para ver se ela conseguia pegá-los. Rin pôs a mão na testa, suspirando.
Rin caminhou calmamente e pôs-se ao lado do marido, cruzando os braços ao ver Akane em cima de Kenji, tentando bater nele enquanto ele se protegia com a arma de brinquedo e seus primos riam. Quando Akane pegou o lança-água e começou a bater nele com aquilo, Rin fitou Laito, que ainda gargalhava.
— Você realmente acha graça nisso? – perguntou.
— Claro. – ele a olhou, ainda rindo.
— Você o ensinou a ser assim e agora ele está aprontando com a própria irmã.
— Akane sabe revidar.
— É, batendo nele.
— Você não bate. – ele sorriu.
— Mas não deveria fazer isso. – disse Rin, pondo o chapéu em sua cabeça e dando um passo a frente – Akane! – chamou-a.
Ela a fitou e saiu de cima de Kenji, jogando o brinquedo em sua direção e aproximando-se da mãe.
— Né, vamos. Você precisa trocar de roupa.
— Tá. – ela assentiu, acompanhando-a.
Laito pôs o indicador dobrado sobre os lábios, sorrindo e se aproximou do filho, que levantava e tentava limpar a roupa um pouco suja. Seus primos se aproximaram, rindo.
— Ela te bateu mesmo dessa vez. – Daichi ria.
— Pelo menos não o trancou na Dama de Ferro do tio Ayato dessa vez. – disse Riichi.
— Verdade. – disse Keiichi.
— Mas a mamãe jogou fora a Dama de Ferro que tinha espinhos. – falou Akashi, cruzando os braços – Ele só ficou trancado.
— Ele ficou gritando do mesmo jeito na última vez. – Riichi riu.
— Cala a boca... – disse Kenji, desviando o olhar.
Laito achou graça.
— Tá, tá. – cantarolou – Kenji.
Ele o olhou, temendo que o pai o repreendesse. Porém, como sempre, Laito se aproximou com a expressão séria e sorriu de repente, levantando a mão. Kenji riu e bateu em sua mão.
— Essa foi boa dessa fez? – perguntou, animado.
— Você a deixou mesmo irritada. – Laito ria – Mas agora vamos parar com isso, se não sua mãe vai te tirar tudo o que gosta.
— Tudo bem... – ele sorriu sem jeito, pondo a mão na nuca – Valeu, pai.
O pequeno grupo voltou a correr, voltando a brincar na floresta. Laito sorriu de forma animada, ajeitando seu chapéu e indo em direção ao jardim.
No laboratório de Reiji, ele trabalhava em mais uma de suas poções. Ren estava ao seu lado, lendo suas anotações e lhe dando os ingredientes. Seu cabelo preto arroxeado era penteado para trás e seus olhos vermelhos eram tão penetrantes quantos os do pai. Ren era tão polido e educado quanto Reiji e geralmente usava ternos escuros quando estava em casa. Naquele momento, porém, apenas não usava o paletó.
Kaya estava sentada na poltrona de Reiji, lendo um grande e grosso livro enquanto o apoiava nas pernas. Ela usava um vestido escuro de tom roxo, meias-calças pretas e sapatos de mesma cor. Kaya era tão educada e polida quando Ren, porém interessava-se mais pela leitura ao invés de poções. Mesmo assim, costumava dar suas opiniões.
— Pai, está faltando algo. – disse Ren, lendo o caderno – Se misturarmos apenas raiz de asfódelo em pó ao restante da poção, não teremos o resultado esperado.
— Deixe-me ver. – disse ele, pegando o caderno – Hum, está correto.
Reiji direcionou-se até suas estantes repletas de livros e passou cautelosamente os dedos sobre os livros, pegando o escolhido e abrindo-o.
— Papai, o que é “insubordinação”? – perguntou Kaya.
— Desobediência.
— Ah. – ela sorriu, olhando-o – Losna.
Ele parou de folhear o livro e fitou-a em dúvida.
— O que disse?
— Losna. – disse ela simplesmente – Ou Artemisia. Artemisia absinthium da família Asteraceae.
— Eh? – Ren a fitou.
— É uma erva medicinal.
— Isso eu sei. – disse ele, franzindo as sobrancelhas de forma tediosa – Mas por que...? – pensou, fitando o pai de maneira surpresa – Pai.
Reiji o fitou, assentindo. Kaya sorriu, encolhendo os ombros.
— Pensei que ajudaria. Estão tentando fazer uma poção medicinal, né?
— Sim, filha. – Reiji aproximou-se – Onde leu isso?
— No seu livro sobre as famílias das plantas.
Reiji sorriu, admirado e fitou o filho.
— Ren, pegue a losna na estante.
— Sim. – disse ele, direcionando-se até a estante do outro lado do cômodo.
A porta do laboratório se abriu naquele momento e Mana entrou, fitando os dois filhos e o marido. Ela sorriu, vendo Reiji misturar algo em um frasco que Ren lhe dera em um pote. Ela fechou a porta, vendo-os distraídos e fitou Kaya na poltrona, que acenou enquanto sorria em sua direção.
— Pelo visto estão concentrados.
Reiji a fitou, surpreendendo-se e sorrindo suavemente, vendo-a com os braços cruzados e um sorriso gentil em seu rosto.
— Mana.
— Mãe, Kaya nos ajudou com a poção. – disse Ren, fitando-a.
— Sério? – ela sorriu, surpresa e fitou a filha.
— Eu só disse que se incluíssem losna a poção daria certo. – ela sorriu.
Mana achou graça, aproximando-se e sentando no braço da poltrona, ajeitando sua franja.
— Você é muito inteligente. O que está lendo?
— O código de leis do Japão.
Mana franziu a testa, achando graça. Kaya já não lia mais contos de fadas. Ren se aproximou da mãe com uma xícara de chá e a ofereceu. Mana segurou o pires, passando a mão por seu cabelo e fazendo com que o lado esquerdo caísse sobre o rosto de Ren.
— Ah, mãe! – reclamou, ajeitando o cabelo.
— Fica bonito assim.
— Não gosto... – passou a mão pelo cabelo.
Reiji estava voltado para sua mesa, misturando os ingredientes e coando-os. Ao ouvir o filho reclamar, sorriu. Mana sempre passava a mão pelo cabelo do filho, desarrumando-o por achá-lo arrumado demais.
— Deixe-o, Mana.
— Ah, mas é tão arrumado. – disse ela após beber o chá.
Ele a olhou, vendo-a se aproximar e pôr gentilmente a mão em seu ombro, observando o que fazia.
Enquanto todos se ocupavam com algo e as crianças brincavam, Maori e Megumi caminhavam pelos corredores. Enquanto Maori usava roupas claras, preferindo muitas das vezes o lilás e roxo, Megumi gostava de roupas escuras ou pretas. Maori usava um vestido lilás com um curto casaco roxo e Megumi usava saia escura com camisa branca e casaco preto, além de suas botas pretas.
— O que vamos fazer, Megu?
— Não sei. Quer ir lá pra fora?
— Hum. Tudo bem.
Megu fitou Teddy em seus braços.
— Por que você anda para todo lado com esse urso?
— Papai me deu quando eu era pequena, esqueceu?
— Mas você já tem onze anos. Eu tenho dez e não ando pra lá e pra cá com brinquedos.
— Megu, eu sei que você tem algumas bonecas. – cantarolou Maori.
Megumi revirou os olhos, fitando um armário de madeira e vendo uma das portas debaixo meio aberta. Ao se aproximarem, ela se voltou para o armário e abriu a porta de baixo, vendo um grosso e grande caderno.
— Mamãe disse que essa porta está com problema. – disse Maori – O que é isso?
— Parece um caderno. – Megu o pegou, abrindo-o e vendo fotografias – São fotos.
— É um álbum de fotografias. – ela sorriu – Olhe, é Shirou pequeno.
Megu virou a página e viu mais fotos. Seus pais e todos os seus tios estavam presentes, como também seus tios Mukami. Em algumas fotos estavam apenas seus tios Shuu e Masami, ou Reiji e Mana, além dos outros. E em outras estavam Seus tios Azusa e Momo, ou Kou e Mei.
— Olha, é tio Ruki e tia Arizu. – Maori sorriu.
— Hum.
Subindo as escadas, Masumi e Haru chegaram ao segundo andar e avistaram as primas paradas no corredor. Aproximaram-se, olhando o que Megumi segurava nos braços.
— O que estão fazendo? – Masumi perguntou.
— Achamos um álbum fotográfico. – Maori sorriu – Todos nós estamos nele.
As duas surpreenderam-se e Megumi lhes mostrou as fotografias. Agora estavam na página onde era o aniversário de quatro anos de Kaya. Seus tios Mukami estavam presentes, assim como seus amigos. As quatro olhavam as várias fotos enquanto Megumi passava cautelosamente cada página, vendo as próximas fotos. Ao chegarem ao fim do álbum, perceberam que os primos e as outras crianças ainda eram pequenos.
— Acabou? – Haru perguntou – Viram como Minato era? – riu.
— Hum. – Megumi assentiu – Todos nós estamos nele.
— Nossos pais são amigos dos tios há muito tempo, né? – Masumi comentou.
— Hum. – Maori concordou – Estou com saudade deles. Faz tempo que não nos vemos.
— Faz três semanas. – disse Haru, pegando o álbum – Eles também estavam em provas.
Haru pegou o álbum e começou a andar, sendo seguida pelas três e direcionando-se até o laboratório do pai. Ao baterem na porta e entrarem, viram os primos e os pais de Haru.
— Mãe, podemos ver os Mukami? – ela perguntou de repente.
— Eh? – Mana sorriu, achando graça – Ahm, bem... – pensou, aproximando o indicador dos lábios – Já acabaram as provas de vocês... E todos foram ótimos...
— Achamos esse álbum e todos nós estamos nele.
Ela atentou-se e Reiji se aproximou, vendo Mana pegá-lo e abri-lo para olhar as fotos, esboçando um sorriso em seguida.
— Esse é o álbum que Reiko fez.
— Mamãe? – disse Maori, surpresa.
— Sim. Ela o terminou e começou outro, que deve estar em algum lugar.
— Queremos ver o outro! – Maori sorriu, animada.
Kaya fechou o livro que lia, pondo-o ao lado e levantando.
— Também quero ver. – ela sorriu, aproximando-se da mãe e fitando as fotos – Podemos chamá-los, mamãe?
Mana sorriu ao fitá-la e voltou a observar as fotografias, sorrindo ao lembrar-se daquela época que agora parecia ser tão distante. Ao olhar para Reiji, ele já sabia o que ela queria.
— Vamos chamá-los para vir aqui, Reiji. – disse ela – Com certeza os outros vão concordar. Faz quase um mês que as crianças não os veem. Vai ser ótimo.
— Acredito que sim. – ele pensou – Falaremos com os outros mais tarde.
— Shuu com certeza vai gostar. – Mana sorriu – Eu vou amar rever Saki!
Ele achou graça.
— Está falando como se não os víssemos há anos.
— É o que parece para mim. – ela sorriu.
As crianças acharam graça e Reiji sorriu suavemente, vendo-a sair do laboratório, abraçada ao álbum de fotografias. Ele bem sabia que ela prontamente iria falar com Masami, que falaria com Shuu e assim todos logo concordariam sem sequer precisarem de uma reunião familiar. E enquanto tudo acontecia, as crianças se tornavam cada vez mais ansiosas com a futura vinda dos amigos.
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