Diabolik Lovers - União de Sangue

9 Capítulo 9: Pervertido de cabelos loiros


Masami caminhava pelo corredor, segurando em sua mão o diário de Mana. Ela desaparecera completamente e Masami estava preocupada. A irmã não era o tipo que lidava de forma equilibrada com um evento desses. Todos saberem o que ela pensava em relação à Reiji com certeza a deixaria insegura e isolada. E Mana não era assim, poderia ficar doente emocionalmente.

O primeiro lugar onde procurou fora em seu quarto. E ela estava correta. Mana estava lá, chorando em sua cama com a cabeça afundada no travesseiro. Masami fechou a porta e pôs o diário sobre a penteadeira. Ela possuía o conhecimento do tal diário, porém não achou que Mana o traria para a mansão. Algo que Masami nunca faria seria pôr seus pensamentos em um papel. Para ela era um tipo de suicídio, algo perigoso a se fazer. Então nesse ponto, concordava com Rin.

Algo que ela não pensou que faria fosse ameaçar Rin à pouco. Quase perdeu o controle, quase a matou. E se ela aprontasse novamente com sua irmã, tinha receio de que concretizasse o que prometera. Pelo menos durante aquele momento, decidiu esquecer seu receio e consolar a irmã.

Aproximou-se da cama e sentou-se.

— Mana.

Ela levantou a cabeça, vendo-a e abaixou o olhar.

— Desculpe.

— Pelo o que? Foi Rin quem a envergonhou.

— Por escrever. Você me disse quando ganhei o diário que não era boa ideia escrever o que pensava.

— Mas também disse para mantê-lo seguro. Geralmente diários tem chaves.

— Esse não tem.

— Eu vi.

— Como vou pegar de volta?

— Eu peguei. Está ali.

— Obrigada. – disse Mana, uma lágrima escorreu.

— Ora, não chore mais. – disse Masami, limpando a lágrima com o dedo – Está acabado.

— Isso não envergonhou apenas a mim, Masami. Mas à Reiji também. Eu o chamei de apático e frígido.

— Creio que a maioria pensa dessa forma. – pensou em voz alta – Mas também o chamou de bonito e atraente.

— E depois disse que ele encarava tudo como um contrato e que cumpriria com os termos.

— Mas em seguida disse que gostaria de ter uma grande família e criar seus filhos de forma diferente. Expressou à ele que quer ter muitos filhos e ser uma mãe atenciosa. E, sinceramente, não acredito que eles tenham tido isso.

Mana afundou a cabeça novamente, falando algo inaudível.

— Não estou ouvindo.

Ela levantou a cabeça e exclamou:

— Ele vai me odiar!

— Não vai não. – ajeitou seu cabelo.

— Antes ele apenas não se importava com o que eu fazia, mas agora vai me odiar por ter escrito aquilo. Por que escrevi aquilo afinal de contas?

— Provavelmente estava chateada com ele. Isso é normal. Ele pode ser do jeito que é, mas creio que vai compreender.

Mana deitou a cabeça no travesseiro, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Só não quero que ele me odeie.

Quando a limusine chegou para buscá-los para a escola, as duas não desceram. Yuka bateu na porta, perguntando se não iriam e quando Masami saiu, explicou que ficaria com a irmã. Masami permaneceu na cama de Mana, consolando-a por horas. Quando todos voltaram da aula, percebeu que ela dormia abraçada ao travesseiro. Masami semicerrou os olhos, afagando sua cabeça e cobrindo-a com a colcha.

Foi para seu quarto e pegou uma muda de roupas para tomar banho. Trancou a porta do banheiro e se despiu, entrando na banheira após prender o cabelo em coque. A água estava morna e agradável, porém ela continuava a pensar na irmã. Olhou para cima, apoiando a cabeça na banheira. Se perguntava como seria a vivência de Mana com Reiji agora. Se antes já não era lá essas coisas, então agora apenas seria pior se ele encarasse o acontecido como algo ruim.

Masami fechou os olhos e deixou o corpo escorregar para dentro da água. Dobrou as pernas e pôs a mão em seu peito, gostaria de poder melhorar a situação para Mana de alguma forma. Segundos se passaram até que ela sentiu um dedo lhe tocar a barriga e traçar um caminho para seus seios. Ela arregalou os olhos, vendo através da água Shuu observando-a.

Sentou-se bruscamente, cobrindo os seios com os braços e olhando-o. Shuu estava sentado no chão ao lado da banheira com os braços apoiados na porcelana e a cabeça apoiada nos braços. Ainda usava o uniforme escolar.

— O que está fazendo?! – exclamou.

— É minha casa. Posso ir onde eu quiser.

— Que desculpa estúpida! O que estava fazendo comigo?!

— Relaxe, barulhenta. – resmungou – Estava subindo o dedo, e não descendo. E além do mais, eles parecem maiores sem roupa. – umedeceu os lábios.

Masami franziu as sobrancelhas e bateu na água, jogando-a em seu rosto. Shuu fechou um dos olhos e em seguida a olhou com o rosto molhado e cabelo pingando. Ele semicerrou os olhos e disse:

— Isso por acaso é um convide para eu entrar?

— Não! – ela exclamou – Você é um depravado!

— E você tem um lado ao qual não conhecia. – disse ele sobre o evento de mais cedo.

— Não conhece nada sobre mim.

Ele sorriu maliciosamente.

— Veremos. – levantou e saiu do banheiro.

Masami franziu as sobrancelhas, encolhendo-se na banheira. Ele a tocara, acabara de tocar seu corpo. Não fora tão íntimo, porém ela sentiu uma sensação estranha em seu corpo. Balançou a cabeça, era estupidez!

Durante o dia seguinte, Masami ficou ao lado da irmã. Fez companhia a ela em seu quarto, conversou e até contou sobre a história nova que estava lendo. Mana pouco a pouco melhorava, porém apenas após três dias ela quase totalmente voltava a ser como era antes. Excluindo o fato de não conseguir olhar para Reiji ainda.

Aquele era o primeiro dia que Masami dormiria sem se preocupar com a irmã. Como Mana parara de chorar, ela conseguiria dormir. Porém ao se deitar, sentiu a cama balançar. Ela semicerrou os olhos de forma tediosa, já sabia bem quem era.

— Ei, acorda. – Shuu a balançou.

Masami se sentou de forma brusca e o olhou.

— O que você quer? – exclamou.

Ele estava deitado de lado em sua cama, apoiando a cabeça com a mão.

— Por que não foi à aula? – perguntou.

— O que? Eu fui à aula hoje. Está louco?

— Não, barulhenta. Há três dias.

— Eh...? – Masami abaixou o olhar – Mana precisava de mim. Então eu fiquei.

— Por quê?

— Porque ela não estava bem!

— Isso não é suficiente. – disse ele, sentando-se e levantando.

Masami franziu a testa, confusa.

— Não é suficiente para você, que não protege o irmão.

— Ele nunca correu risco de vida. – disse de costas.

— Não digo proteger dessa forma.

Shuu parou e se voltou para ela.

— De que forma?

Masami pensou e o olhou, dizendo:

— Tentei proteger o coração da minha irmã. Não entende como o coração de alguém é precioso?

— Claro que entendo. Morremos se arrancarem nosso coração.

Masami elevou as sobrancelhas, boquiaberta. Que pensamento literal! Ela levantou e foi até ele sem se importar em estar vestida em sua camisola.

— Diga que está brincando.

Shuu sorriu suavemente, dizendo:

— Não queria que ela se quebrasse. Não é?

Masami surpreendeu-se e reparou em seu olhar. Lascivo, pervertido. Ela semicerrou os olhos, irritada, e virou-se, indo para a cama.

— Saia do meu quarto.

— Não antes de uma coisa.

— Eh?

Shuu prendeu-a por trás, tampando seus olhos. Tirou seu cabelo da frente e aproximou os lábios de seu pescoço, lambendo sua pele. Masami lhe deu uma cotovelada e o empurrou.

— Eu disse...!

— Eu sei, eu sei. – disse ele, entediado – Eu não vou usá-la de forma alguma até nos tornarmos marido e mulher oficialmente.

— E então?

— Até parece. – riu ceticamente.

— Me deixe em paz. Vá embora.

Shuu sorriu, se aproximando. Segurou Masami pelos pulsos e a deitou na cama, pondo-se sobre ela. Não havia como ela se soltar. Mesmo sendo uma vampira e tendo uma força sobre-humana, ele também possuía tal força. E era ainda mais forte por sua classe de vampiro.

Ela tentava se soltar, porém apenas o sentia aproximar o rosto e lamber seu pescoço. Encolheu-se, sentindo aquela sensação novamente. Ao parar de lamber sua pele, passou a chupá-la. Não mordê-la, apenas chupava seu pescoço.

— O que está fazendo? – exclamou, ruborizando.

— Te relaxando...

— Ninguém relaxa assim! – gaguejou.

Shuu parou, pensando e a olhou, aproximando o rosto para beijá-la. Seus lábios ficaram tão próximos que apenas um segundo faltava para se tocarem. Masami percebeu o que ele pretendia fazer e virou o rosto, ruborizando. Shuu parou e a olhou, observando sua expressão delicada e bochechas coradas. Ela não queria que ele a beijasse, mas parecia estar disposta a dar seu sangue.

— É apenas um beijo.

— Não pretendia fazer outra coisa? – exclamou ela, fechando e apertando os olhos – Acabe logo com isso!

Shuu franziu a testa, confuso. Soltou seus pulsos e aproximou o rosto do pescoço dela, encostando seus lábios suavemente e abrindo ligeiramente sua boca, mordendo-a. Masami apertou seus olhos, segurando na roupa de Shuu enquanto o ouvia beber seu sangue. Escutava o som que ele fazia ao engolir e por um segundo sentiu prazer em tê-lo fazendo isso.

Ao cessar, ajoelhou na cama em êxtase. Masami se sentou, pondo a mão próxima aos dois pequenos furos em seu pescoço. Shuu limpou o sangue dos lábios e lambeu o dedo.

— Seu sangue é... Atraente.

— Hum. – disse ela – Vá embora.

— Ah...

Shuu sorriu, mostrando levemente os caninos e se aproximando de Masami, lambendo as gotas de sangue que escorriam da mordida. Ela encolheu-se e o empurrou.

— Pare com isso!

— Diga que não sentiu nada.

Masami o olhou, enrubescendo. Shuu sorriu e abaixou a cabeça, levantando de sua cama.

— Isso não quer dizer nada. – exclamou ela.

— Não a culpo. Há certo prazer em ser mordida.

— E você já foi por acaso?

— Não.

Ela franziu as sobrancelhas.

— Não se aproxime mais de mim.

— Não vou. – disse ele – Por enquanto. – sorriu maliciosamente.

Masami franziu as sobrancelhas, vendo-o sair de seu quarto. Voltou a deitar, pondo a mão sobre as marcas e pensando no toque de Shuu. Sentiu raiva, algo íntimo acabara de acontecer com alguém que banalizava completamente o ato. E ela sabia bem que com a primeira mordida, outras logo viriam. Mesmo já possuindo o conhecimento de que isso algum dia aconteceria, não achou que fosse acontecer tão cedo. Agora o que lhe restava era fechar os olhos e esperar acabar.

Na tarde do dia seguinte, Masami caminhava no jardim com Mana. Conversavam enquanto observavam as belas rosas, passando por elas e agora vendo rosas azuis. Mana estava melhor, sorria ao ver as flores. Então logo percebeu que havia algo de errado com a irmã.

— O inverno logo vai chegar.

— Na verdade não, nem entramos no outono ainda. – disse Masami, pondo a mão no pescoço – E como você está?

— Bem. – ela abaixou o olhar – Hum. Reiji não fala comigo. Apenas o necessário. Mas como isso já acontecia antes de Rin fazer aquilo... Não sei ao certo como está.

— Ele é estranho.

— Não... – pensou – Apenas reservado demais. Uma incógnita.

— Hum. – Masami concordou, pondo mais uma vez a mão em seu pescoço.

— O que você tem?

— Como assim? – olhou-a.

— Parece inquieta. Está toda hora pondo a mão no pescoço.

— Ah... – abaixou a mão – Não é nada.

Aproximaram-se de um banco e se sentaram.

— Não parece. – disse Mana – Aconteceu alguma coisa?

Masami desviou o olhar, hesitando em contar. Mesmo sua personalidade não sendo tão alegre quanto a de Mana, o que demonstrava como eram diferentes, ela também contava à irmã sobre os eventos que lhe aconteciam. Preparou-se e a olhou, dizendo:

— Shuu... Veio ao meu quarto ontem à noite.

Mana assentiu, prestando atenção.

— Ele, ahm... – Masami desviou o olhar – Ele bebeu meu sangue.

— Jura? – Mana exclamou, sorrindo – Espera. Ele te forçou?

— Não, ahm... Ele me segurou e me forçou a deixar, mas... Parecia querer fazer com que eu relaxasse. E estava disposto a me beijar pra isso.

— Disposto? – Mana riu – Você está se ouvindo? Creio que ele não precisa estar disposto pra te beijar. Você é bem bonita.

Masami abaixou o olhar.

— Não o deixei me beijar. Então ele me mordeu.

— Doeu?

— No começo, mas... Senti algo estranho. Não, diferente.

— Diferente bom?

— Acho que sim.

— Mas por que não o deixou te beijar?

— Porque ele pretendia me morder. E isso já é demais em termos de intimidade.

— Só você é assim. Isso é como um beijo. – disse ela em tom óbvio – O que Shuu fez depois?

— Disse que meu sangue é atraente. Quem diz algo assim?

— Quem gostou do seu sangue. – Mana sorriu.

Masami lhe dirigiu sua expressão tediosa enquanto Mana ria.

— Mas... Realmente não gostou?

Masami desviou o olhar, pensando. De fato estava com raiva, porém não queria dizer que não havia sido bom. Pela primeira vez havia sido mordida, alguém havia provado de seu sangue e o elogiado. Uma parte de si ficou contente em ser elogiada e um tanto envergonhada. Porém se fosse para ser dessa forma, gostaria que o relacionamento dos dois fosse mais íntimo em termos sentimentais.

A limusine os buscou naquele final de tarde. Masami esqueceu sobre a mordida durante as horas de aula, distraída com a matéria e o professor falando. Sentiu-se aliviada por Shuu não estar presente, porém não acreditava que ele realmente estivesse matando aula. Quando olhou para Reiji, ele parecia não se importar com a presença ou não do irmão.

Masami passou a pensar como os seis irmãos eram tão distantes. Por mais que ela e Mana fossem diferentes, seu relacionamento era amigável e até harmônico. Eram raras as vezes em que discutiam ou até brigavam. As brigas agora eram inexistentes, pois precisavam manter-se unidas e proteger uma a outra nessa nova vivência. Mas os seis pareciam ser impossíveis de se ver tendo um relacionamento ou mesmo uma conversa amigável. Perguntava-se o que ocorrera entre eles para serem assim. Tantos irmãos e nenhuma amizade? Algo estranho ou trágico aconteceu.

No horário livre, Masami caminhava pelos corredores até a sala de música. Ela tocava com excelência violino, violoncelo e piano. Porém desde sua chegada há um mês, não tocava. E até onde sabia, o único lugar onde existiam os três instrumentos era a sala de música do colégio.

Ao adentrar, deparou-se com uma sala vazia. Havia uma fileira com bancos e mesas longas de madeira, uma janela à esquerda, um piano à direta e o quadro negro em frente com partituras em branco. Do lado esquerdo do quadro, havia dois violinos e um violoncelo pendurados na parede. E do lado esquerdo um quadro de avisos. Perguntava-se por que em sua grade de matérias não havia essa aula.

Masami se aproximou do quadro, tocando as partituras em branco. Por mais que fosse excelente nos três instrumentos, ela afeiçoava-se mais ao violino. O som melódico que emitia lhe tocava o peito e deixava-a entorpecida em relação aos problemas que existiam em sua vida. Em casa, livrava-se mentalmente das restrições de sua mãe, ironicamente gostando de algo que a própria lhe obrigou a aprender. Agora, na casa Sakamaki, livrava-se do medo de se comprometer obrigatoriamente com alguém até sua vida acabar. Uma vez que os vampiros vivem por séculos.

Abaixando o olhar, pegou o giz branco e começou a pôr notas musicais na partitura. Possuía uma música própria – algo que sua mãe não aconselhava, mas que mesmo assim fazia. Ao terminar, pegou um dos violinos da parede e encaixou seu queixo na queixeira, pondo-se a tocar.

O som emitia, preenchendo seus ouvidos e sua mente com as notas melódicas e por vezes rápidas, pausando lentamente em um momento harmônico. O que a fez não notar a porta se abrir e Shuu entrar, vendo-a tocando com os olhos fechados. Ele se aproximou e observou-a, ela ainda não o notara ali. Ao tocar suas mãos, uma no braço do violino com os dedos nas cordas e a outra movendo o arco, Masami parou imediatamente e abriu os olhos, elevando o olhar para ele.

— O que está fazendo aqui? – perguntou Shuu, apático.

— Tocando. – disse seriamente em tom óbvio.

— A sala é minha.

— Como assim a sala é sua?

Shuu olhou para o quadro, vendo as notas.

— Não reconheço a música. – olhou-a – Você quem fez?

Ela desviou o olhar com suas sobrancelhas franzidas, assentindo. Shuu então sentou-se no banco do piano, dizendo:

— Toque pra mim.

— O que? – olhou-o, surpresa – Não!

— Quero saber se é mesmo boa.

— Eu sou. Toco violino, violoncelo e piano.

— Grande coisa. Eu toco violino e piano.

Masami semicerrou os olhos, enraivecida, porém voltou a tocar. Até certo momento mostrava-se incômoda pela presença dele e sua face inexpressiva, porém ao fechar os olhos para se concentrar, esqueceu-se que ele estava ali. Voltou para seu mundo particular de partituras e notas. Shuu, por sua vez, a observava sem desviar o olhar sequer uma vez. Ao terminar, Masami abaixou o violino e o olhou com sua expressão séria. Ele não dizia nada.

— O que está olhando? – perguntou.

— Quero que faça uma música e toque pra mim.

— O que?! – exclamou cética – Não vou fazer nada. – virou-se para pôr o violino no lugar – E onde você estava? Perdeu a segunda aula.

— Ah... – inclinou a cabeça para trás – Estava dormindo na escada.

“Sempre está dormindo.”, pensou Masami. Ao colocar o violino novamente na parede e se virar, pretendendo limpar o quadro negro, deparou-se com Shuu à sua frente. Ele a olhava de cima, deixando-a desconfortável. Aquele olhar só significava uma coisa.

— O que? – gaguejou.

Ele apenas a olhava.

— O que está olhando? – perguntava – Ei! O que está olhando?

Repentinamente Shuu a segurou pela cintura, fazendo-a arquejar, e a sentou em cima da mesa de madeira. Masami olhou-o, prestes a exclamar, porém ele arrancou a gravata borboleta de seu pescoço e a deixou cair no chão, abrindo alguns dos botões de sua camisa.

— E-Ei...!

— Cale a boca... Barulhenta.

Ruborizando, ela apenas assistiu a ele tirar a gola da frente de seu pescoço e aproximar os lábios, mordendo-o. Masami encolheu-se, arquejando e apertando a manga de seu cardigã. Shuu desabotoou seu colete e o resto de sua blusa, lambendo a mordida e beijando sua clavícula, correndo os beijos para a curva de seus seios. Masami ofegou, sentindo prazer por alguns momentos. Ele a mordeu em sua clavícula e a envolveu em seus braços, segurando-a. Ela o ouvia engolir, porém ele não emitia mais nenhum som. Exceto quando cessava, deixando escapar suavemente o ar e voltando a mordê-la, descendo cada vez mais. Pescoço, clavícula, a curva de seus seios e abdômen.

Ao cessar, ele endireitou-se e a olhou, ainda envolvendo-a em seus braços. A cabeça de Masami estava baixa e suas mãos no peito de Shuu. Fechando os punhos e apertando sua blusa, ela o empurrou bruscamente e fechou sua blusa, apertando-a. Shuu franziu as sobrancelhas.

— O que? – aproximou-se.

Ela apenas abotoava sua camisa em silêncio. Ele esticou o braço para fazê-la olhá-lo, porém Masami virou o rosto e apenas saiu de cima da mesa, pegando sua gravata do chão e saindo da sala. Shuu não compreendeu, ela não gritara ou reclamara. E ele sabia bem que havia passado dos limites. Porém pôs o ocorrido de lado e os fones no ouvido, deitando em um dos bancos.

Masami percorreu os corredores e foi em direção ao banheiro, entrando e trancando-se em uma das cabines. Sua respiração estava ofegante, o olhar semiaberto as bochechas coradas. Abriu sua camisa e viu as marcas em seus seios e barriga. Tocou-as, lembrando-se do toque recente de Shuu e do prazer daquele momento. Encolheu-se contra a porta, abraçando-se.

Agora sabia o que sentira na noite passada. Ela havia ficado excitada. Excitada com o que Shuu fez com ela e mais uma vez agora a pouco. E perguntava-se como seu corpo foi capaz de traí-la dessa forma. Como pôde sentir-se excitada com um rapaz que apenas a usava para saciar a sede?