Diabolik Lovers - União de Sangue
7 Capítulo 7: Doce acordo
Notas iniciais
Reiko era a filha mais velha da família Maeda e irmã mais velha de sete irmãos. Com ela, eram seis meninas e um menino. Era óbvio o que iria acontecer com ela, então Reiko não reclamou quando recebeu o convite para o baile. Na verdade, mesmo com sua personalidade apática e sua falta de emoção, ela se dispôs a escolher o melhor vestido e se comportar da melhor maneira para ter uma chance de se tornar a noiva de um dos irmãos Sakamaki e fazer sua mãe, a viúva e senhora da casa Maeda, se orgulhar.
Chiasa, mãe de Reiko, se tornara viúva de seu marido, Maeda Ryouya, há três anos. Logo, estava agora sobre responsabilidade dela a criação dos filhos e educação das filhas para arranjarem bons noivos. E seria extremamente honroso para a família Maeda se a primeira filha se casasse com um dos herdeiros do Rei Vampiro.
Todavia, Reiko possuía uma personalidade nada admirável para homens. Ela era indiferente, desanimada e sem emoção, além de seu olhar transmitir todas essas características. Na noite do baile, Reiko usava um longo e belo vestido preto com brilhos em seu corpete sem mangas e decote reto. Seu cabelo marrom estava preso em um alto coque arranjado e suas luvas curtas eram pretas, onde sempre no pulso direito estava enrolado um colar preto de pedras arredondadas vermelhas e um rubi de mesma cor como pingente.
Reiko caminhou por todos os cômodos onde os irmãos estavam, porém não conseguiu se aproximar de nenhum. O loiro havia se retirado para o jardim e parecia ouvir música nos fones de ouvido, então claro que não iria lhe dar atenção. O de óculos conversava com uma alta garota loira de longo vestido dourado. O ruivo desapareça, o de chapéu estava cercado por meninas e o de cabelo branco não parecia interessado em conversar. Ele se afastou de forma irritada quando ela se aproximou.
Pensou que não iria conseguir, porém ao decidir caminhar pelos corredores e curiosamente ir para o segundo andar, avistou uma varanda com a porta aberta. Dali vinha uma bela voz que cantava melodicamente uma canção. Reiko se aproximou calmamente e viu um garoto de cabelos roxos e estatura baixa, ou pelo menos em relação aos demais garotos da festa. Ele vestia um belo terno preto com detalhes roxos e gravata borboleta de mesma cor. Sua voz era melódica e agradável, o que fez Reiko ligeiramente arregalar os olhos em admiração.
Enquanto ele cantava, sentado na mureta da varanda, Reiko aproximou-se para ouvi-lo mais. Ele parou cautelosamente e virou a cabeça em sua direção. Seus olhos eram roxos e ela notou um urso de pelúcia em seus braços.
— O segundo andar é limitado aos convidados. – disse ele, apático.
Reiko pensou, olhando-o.
— Então não é um convidado. – conjecturou – Sakamaki o que?
Ele franziu as sobrancelhas, incomodado.
— Kanato. – voltou-se para frente.
Reiko adentrou a varanda, se aproximando dele.
— Por que o urso?
— Por que o colar no pulso se já usa um no pescoço?
Reiko sorriu levemente.
— Então nossos assuntos são apenas nossos.
Ele voltou-se para frente mais uma vez, ignorando-a. Reiko na verdade achou graça. Não havia conversado com os outros irmãos e o que a ignorou antes foi extremamente grosseiro, mas chamou sua atenção. Não parecia ser esnobe como os outros e nem grosseiro como aquele. Na verdade parecia ser infantil e seu comportamento divertido, além de ter uma bela voz.
Ela sorriu suavemente com seu olhar semicerrado costumeiro e se aproximou da mureta.
— Que música era aquela? – perguntou.
— É um cântico.
— Hum. – assentiu, porém ele não respondeu – E o nome?
— Feira de Scarborough.
— Hum.
Reiko observou o jardim por um momento, vendo ao longe um casal sentado no banco e conversando. Olhou para cima, vendo a lua em sua fase minguante.
— Como está bonita. – falou.
Kanato olhou para cima.
— Hah. – concordou – A noite está bonita.
Mantiveram-se em silêncio até que Kanato olhou-a e disse:
— Você é diferente.
— Uh? – olhou-o, despertando – Como?
— As outras com quem conversei eram irritantemente alegres.
— Faz sentido. – ela pensou – Os outros dizem que sou... Etto... Indiferente... Áspera... Insensível... Sem coração... Tudo o que não deveria ser sendo uma garota.
— Quantos sinônimos.
— Ah... Verdade. São sinônimos. – pensou – Para que dizer a mesma coisa com tantas palavras?
— Provavelmente pra ver se você muda.
— Hum... Né? O que você faz aqui no dia a dia? Parece entediante.
— Eu tenho alguns passatempos. Mas meu pai arranjou esse baile inútil.
— Ah... Então vocês não queriam uma noiva?
— Não me importo com isso. Nem sou eu quem vai escolher. E se escolhe, não escolheria ninguém.
Reiko compreendeu então que independente de interessar ou não um dos irmãos, a escolha era feita pelo Rei Vampiro. Achava agora que não possuía chances, porém mesmo que a noite fosse um desperdício de tempo, teria outras chances de encontrar um parceiro adequado algum outro dia ou em outro baile.
— Kanato-kun, onde está a mãe de vocês? – perguntou agora de maneira informal.
Repentinamente ele virou-se para ela e gritou:
— Quem você pensa que é pra vir até aqui e fazer perguntas que não a interessam?! Você apenas faz parte de um desfile de garotas ridículas e egoístas que querem apenas ter a chance de se casar com algum filho do rei e possuir nosso nome!
Reiko prestou atenção em cada palavra dita, olhando-o com seu olhar e expressão desanimada.
— Tem razão. – disse calmamente – Estamos apenas aqui para ter a chance de passar nossa eternidade ao lado de homens que não conhecemos simplesmente por seu nome.
Ao concluir, virou-se e foi em direção à porta da varanda. Porém parou antes de entrar e o olhou, dizendo por fim:
— Eu nem queria me casar com você mesmo.
Kanato franziu as sobrancelhas em sua direção. Ela entrou e desapareceu pelo corredor.
Reiko o detestou. Ele possuía um comportamento calmo, porém repentinamente mudava de humor. Que garoto problemático. Pensou por um breve momento que nunca mais o veria e se sentiu aliviada, mesmo com a extrema vontade de se vingar da maneira como ele havia falado com ela. Três dias após o baile, a carta de convite chegou à casa Maeda. E ela apreciou, porém não sabendo se seria com Kanato com quem se comprometeria. Arriscou. Sendo ele ou não, ela honraria o nome de sua família. E ao chegar e descobrir quem seria seu noivo, apreciou intensamente.
Naquela mesma noite de sua chegada, conheceu seu quarto e saiu imediatamente. Caminhou pelos corredores à procura de Kanato e ao passar por uma das portas, escutou sons. Era o quarto de Sora, ela ouviu sua voz.
— Pare, por favor...— disse Sora.
— Quero apenas lhe dar boas-vindas.— disse Laito.
Ela ignorou e continuou. Foi até a varanda onde o conheceu, observou o jardim, voltou para o hall de entrada e percorreu os outros corredores. Decidiu então procurá-lo em seu quarto. Com a lembrança de seu cheiro da noite do baile, se pôs na frente de uma porta e bateu nela.
Ao ser aberta, Kanato semicerrou os olhos de forma impaciente.
— Ah, é você.
— Sim. – disse ela, sorrindo.
— Eu disse naquela noite que não seria eu quem a escolheria.
— Eu sei.
— Quer o que? Boas-vindas?
Ela se aproximou inapropriadamente de Kanato, levantando a cabeça para olhá-lo em seus olhos. Com apenas cinco centímetros de diferença em suas alturas, ele franziu as sobrancelhas por Reiko estar tão próxima com aquele sorriso que o irritava.
— Apenas quero que saiba que vou irritá-lo bastante durante nosso noivado e casamento.
Ela se afastou, dando o espaço formal entre duas pessoas e sorriu, dizendo docemente:
— Boa noite.
Virou-se e se foi. Kanato franziu as sobrancelhas e bateu a porta.
Na semana seguinte, em seu primeiro dia de aula, Reiko se arrumara com o uniforme. Durante todo o caminho para o colégio, ela observava o colar enrolado em seu pulso. Mexeu em uma das bolinas, sentindo as pedras em contato com sua pele. Um flash de memória lhe ocorreu naquele momento. Aquele homem... Aquele homem lhe batendo até que se encolhesse no chão. Reiko apertou o colar, desviando o olhar para a janela.
Ao chegar ao colégio, se irritou quando Reiji disse que Yuka e ela deveriam seguir Subaru. Seu desejo era ficar na mesma classe que Kanato, porém no intervalo ela o procurou e o achou no terraço, olhando para o céu noturno. Ele observava o lado de fora com o urso de pelúcia em seus braços. O ombro direito de seu blazer estava caído e ela observou sua figura baixa e magra. Pelo menos em relação aos seus irmãos. Reiko já havia notado esse seu comportamento infantil e surpreendeu-se por ele não ser o mais novo.
Ela esboçou um leve sorriso e caminhou, sentando de frente para ele na mureta baixa.
— Olá, Kanato-kun.
Kanato viu sua expressão e desviou o olhar.
— O que você quer?
— Te convidar para comer.
— Não quero.
— Me fale o que você quer. Eu trago aqui.
— Não quero comer com você.
— Mas eu quero. – ela balançou as pernas – Fala, fala, fala, fala, fala.
— Pare com isso! – Kanato gritou.
Reiko sorriu em sua direção.
— Bobão.
Kanato a olhou de forma desconcertada, em seguida franzindo as sobrancelhas e ignorando-a.
— Teddy e eu queremos muito te matar... Pena que não podemos.
— Ah! – cantarolou, levantando e se aproximando – Então ele tem nome!
Ao aproximar a mão para tocar em Teddy, Kanato segurou-a com força.
— Eh. – Reiko o olhou – Não gosta de...
— Não toque ou fale com ele como se o conhecesse. – disse ele seriamente.
Reiko franziu a testa, ele realmente era problemático. Quando soltou sua mão, ela pôs as mãos para trás e encheu os peitos de ar, dizendo:
— Gosta de que?
Antes mesmo de falar algo e gritar com ela mais uma vez, Reiko pôs as mãos para frente e tirou um palito de chocolate de dentro da caixa que segurava, pondo-o na boca de Kanato repentinamente. Ele arregalou os olhos, porém sentiu o gosto doce em sua boca e o mordeu, segurando o palito em seguida.
— O chocolate tem recheio de morango. – disse ela, mordendo um palito – É um novo sabor.
— Como sabia?
— O que?
— Que eu gostava de doces.
— Não era você que não gostava de doces? – ela pensou, confusa – Erro meu. – sentou-se mais uma vez.
Kanato terminou seu palito e sentou ao lado dela, pegando outro de dentro da caixa em sua mão.
— Não era pra acontecer isso...
— Onde comprou?
Reiko o olhou, ele prestava mais atenção no doce.
— Trouxe um estoque pra cá. Esse é um dos meus favoritos.
— Me dê.
— Eh?
— Me dê eles. Seu estoque.
— Não.
— Me dê! – exclamou infantilmente.
Ela franziu a testa, vendo mais uma mudança de humor.
— Você é infantil. – disse, apática.
Ele resmungou, virando o rosto.
— Né. – disse ela, fazendo-o olhá-la – Vamos parar? – pediu.
— Desistiu?
— Fiz besteira na primeira tentativa. – abaixou o olhar – É frustrante. Quero fazer um acordo, acho que seria melhor.
— Qual? – Kanato pegou outro palito.
— Eu paro de tentar me vingar e você me faz companhia quando eu quiser. Vou tentar não me importar com as suas mudanças de humor.
Ele pensou por uns momentos.
— Vai me dar os doces?
Reiko sorriu ligeiramente.
— Quando quiser companhia, sempre vou levar algo.
— Aceito.
Ela assentiu, pegando um palitinho e dando a caixa para Kanato. Agora tinham um acordo.
Durante aquela semana, Reiko ia até o quarto de Kanato ou qualquer lugar onde ele estivesse quando queria ficar ao lado de alguém. Como não possuía amizade com nenhuma das meninas, e nem com ninguém, pensou que poderia fazer de Kanato alguém próximo. Já que iriam se casar, isso seria algo lógico a se fazer. E quando batia em sua porta e ele a abria, lá estava ela com o braço esticado e um pacote de alguma coisa ou algum doce que ela mesma preparara.
No dia em que Rin leu o diário de Mana em voz alta, Reiko e ele foram para lá ao escutar os gritos. Porém ela queria sair dali, não era algo que lhe interessasse. Então quando acabou tudo, até mesmo a ameaça de Masami – o que a surpreendeu em vista ao seu comportamento quieto –, ela segurou na mão de Kanato e o levou embora.
Percorrendo um dos corredores, ainda de mãos dadas com ela, Kanato comentou:
— Pensei que iria querer ver.
— Não é assunto meu. – disse ela à frente, sem olhá-lo – Prefiro fazer outras coisas.
— Hum... Como o que?
Reiko o levou até a cozinha, fechando a porta ao entrarem. Um cômodo claro com armários brancos e geladeira da melhor qualidade, assim como o fogão. Ela foi até a geladeira, pegou ingredientes e tigelas no armário.
— O que vai fazer? – perguntou Kanato.
— Um bolo.
— Hah... Eu quero também.
— Bobão. Vou fazer pra gente.
— Não me chama de bobão.
Ela o olhou, percebendo que ele logo mudaria seu humor. Suspirando, disse:
— Baunilha com recheio de morango e glacê.
Ele pensou.
— Eu gosto.
— Hum. – ela assentiu.
Reiko pôs a farinha na tigela de vidro e quebrou os ovos. Ela gostava de cozinhar. Não o fazia com frequência, porém gostava de como os ingredientes se misturavam e se tornavam algo novo e gostoso. Após misturar todos os ingredientes, ela pôs a massa na forma e a colocou no forno. Enquanto a massa crescia cada vez mais, Reiko preparava o glacê.
Kanato a observava cozinhar. Ela estava com a expressão séria, parecia irritada.
— Não gosta de cozinhar?
— Não, eu gosto. Estou concentrada.
Ele abaixou o olhar, pensando em seus passatempos. Quando o bolo ficou pronto, Reiko o tirou do forno e o desenformou em uma base de madeira, cortando-o ao meio e pondo o recheio de morango que fizera. Após colocar a metade cortada em cima, cobriu o bolo com glacê e o decorou, pondo por fim morangos em cima.
Ela cortou dois pedaços e deu um deles para Kanato, que se surpreendeu.
— Oh... – exclamou e pegou um pedaço, provando – Está muito bom.
— Obrigada. – disse ela, olhando para o bolo.
Kanato pegou mais um pedaço com o garfo e o levantou, olhando para o urso.
— Está gostoso, não está, Teddy?
Reiko o olhou, vendo-o comer o bolo.
— Minha mãe quem me ensinou a cozinhar.
Viu-o franzir as sobrancelhas.
— Sua mãe lhe ensinou alguma coisa? – perguntou.
— Cala a boca. Você fala demais.
— Não acho. Fiz uma pergunta consideravelmente normal.
— Cale a boca, barulhenta! – exclamou ele.
Reiko fechou os olhos, franzindo as sobrancelhas de forma impaciente. Ele mudava de humor como mudava de roupa, uma hora estava bem e de repente não estava. Então se lembrou de como acalmava seu irmão mais novo de três anos. Suas birras eram parecidas e ele era tão infantil quanto seu irmão.
Enquanto Kanato exclamava, mandando-a calar a boca, ela levantou. Se pôs atrás de Kanato e o abraçou, beijando sua bochecha suavemente.
— Calma, já vai passar. – disse de forma gentil.
Kanato relaxou a expressão e apertou Teddy, olhando-a sem entender, porém acalmando-se e semicerrando o olhar.
— O que foi isso? – perguntou.
— Eu acalmo Ryuu assim. – disse ela, ainda com os braços envolta de seu pescoço.
— Ryuu?
— Meu irmão mais novo.
— Hah... – pensou Kanato – Quantos irmãos você tem?
— Seis.
— Muitos.
— Aham. – concordou, sorrindo levemente – Está melhor?
— Sim. – disse ele, voltando a comer.
Reiko se sentou para voltar a comer, porém o olhou. Concluiu que seu relacionamento com Kanato seria como era com suas irmãs e irmão mais novo. Era agradável e divertido, porém quando se ele irritava precisava ser acalmado com carinho e atenção.
Ela deixou escapar um sorriso, achando graça.
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