Diabolik Lovers - União de Sangue
71 Capítulo 64: Jovens herdeiros
Notas iniciais
Quando os seis irmãos Sakamaki receberam suas noivas, aparentavam ter entre dezesseis e dezenove anos. Porém agora, era a vez de seus filhos.
Muitas coisas haviam mudado durante os últimos anos e as crianças haviam crescido, amadurecido e pouco a pouco apaixonavam-se. Como suas famílias haviam decidido, os Mukami e os Sakamaki passaram a estudar no mesmo colégio no ano letivo seguinte àquele. Atualmente a maioria estava no mesmo colégio e naquela noite logo se encontrariam.
Num dos corredores da mansão Sakamaki, Kaya caminhava já vestida em seu uniforme escolar e com um livro na mão. Seu longo cabelo branco com pontas roxas chegava até sua cintura e seus olhos amarelos peculiares ainda eram assustados para algumas pessoas. Porém Kaya era doce e gentil, e ironicamente isso às vezes era perceptível através de seus olhos.
— Kaya. – Shirou a chamou.
Ela parou e se virou, vendo o primo se aproximar e Kuro VI correr em sua direção, parando à sua frente e balançando a cauda.
— Kuro. – cantarolou, sorrindo.
Shirou se tornara um rapaz alto, bonito e sedutor. Muitas garotas gostavam dele, porém ele tinha olhos apenas para Kaya, que era sua prima e ele não se importava. Kuro VI era a sexta geração do primeiro pastor alemão que Shirou ganhara. Como os anos passaram as gerações de seus cães também passavam. E agora o atual Kuro possuía a pelagem branca e olhos azuis.
— Né. – disse Shirou, pondo o braço ao redor de seu pescoço – Quer sair comigo?
Kaya franziu a testa, sorrindo de maneira sem graça. Desde que fizera quinze anos, Shirou começou a tentar conquistá-la. Porém ela bem sabia que era errado, pois faziam parte da mesma família.
— Já disse que não. – voltou a andar.
— Ah... – ele reclamou, seguindo-a – Apenas uma vez, Kaya. Quando você perceber que sou perfeito pra você...
— Shirou. – recriminou-o – Há tantas meninas que gostam de você. Por que quer sair justamente comigo? Não faz sentido, sou sua prima.
— Prima. Se fosse minha irmã, então seria mesmo estranho.
Ela deixou escapar uma risada.
— Você dançou com tantas meninas no seu aniversário. Por que não sai com uma delas?
— Porque elas não chegam aos seus pés.
Kaya franziu as sobrancelhas, incomodada. Ele era realmente insistente, porém ela nunca havia tentado algo.
— Tudo bem. – aceitou.
— Eh?
Kaya parou, fazendo-o parar, e virou-se para ele. Shirou a olhou em dúvida, elevando as sobrancelhas e vendo-a se aproximar, sorrindo de maneira maliciosa. Kuro os observava, fitando os dois consecutivamente.
— Né, Shirou. – cantarolou, aproximando-se – Vai me levar aonde?
— E-Eh... – ele gaguejou, recuando até ficar contra a parede – P-Pensei em te levar ao cinema e depois jantar.
— Jura?
Ele assentiu com a cabeça, nervoso. Kaya semicerrou os olhos, aproximando-se mais. Ela não usava o paletó do uniforme naquele momento e ele conseguia ver como seus seios haviam crescido nos últimos anos.
— Né, Shirou. – cantarolou.
— H-Hum. – ele sorriu, engolindo em seco.
Kaya o olhava nos olhos e aproximou calmamente o livro, batendo-o suavemente em sua cabeça.
— Bobão.
Shirou franziu a testa em dúvida e a viu se afastar, continuando a caminhar.
— K-Kaya!
— Até mais. – ela cantarolou sem se virar.
— Ei, isso não foi legal!
— Tudo bem! – ela riu.
Shirou suspirou, porém achou graça. Virou-se, fitando o cão.
— Vamos, Kuro VI.
Ele abanou a cauda e o seguiu.
No laboratório de Reiji, Ren terminava de misturar uma poção. Havia um livro aberto sobre a mesa junto ao seu caderno de anotação e alguns frascos. Ele se tornara um rapaz tão alto quanto o pai, penteando o cabelo preto para trás e deixando o lado esquerdo caído. Após alguns anos, Ren percebeu que sua mãe nunca iria deixar de desarrumar seu cabelo. Então decidiu penteá-lo já dessa maneira.
Reiji o acompanhava no trabalho que estava fazendo, observando suas novas anotações e surpreendendo-se por seu novo projeto. Naquele momento, Kaya adentrou o laboratório.
— Pai, já terminei de ler o livro. – disse ela, caminhando até a estante e pondo-o no lugar.
— Tudo bem.
— Ren, vamos.
— Estou terminando. – disse ele – Quero confirmar algo.
— Vamos nos atrasar.
Ren a ignorou e Kaya franziu as sobrancelhas, cruzando os braços. Reiji achou graça e Haru adentrou o cômodo de repente, vendo a postura de Kaya.
— Ele está querendo terminar a poção de novo, né? – perguntou, pondo a mão na cintura.
Sua irmã assentiu e Haru não se conteve já que Ren sempre fazia isso. Ela se aproximou dele e tirou o frasco de sua mão, dando-o para seu pai e puxando o irmão pela manga do uniforme.
— Haru. – repreendeu-a.
— Calado! Vamos logo.
Kaya sorriu de maneira animada e segurou sua outra manga, levando-o junto com Haru. Como seus pais faziam antigamente, seus filhos direcionavam-se para a escola de limusine. Os quinze sentavam-se nos bancos e durante o caminho cada um se mostrava diferente de quando eram crianças.
Shirou agora possuía 18 anos, era tão alto quando Shuu e tão parecido com ele quando tinha sua idade. Masumi, com 17 anos, deixara seu cabelo crescer como suas primas e agora possuía o comprimento até a cintura, tendo se tornado uma bela jovem que chamava atenção de vários rapazes. Muitas vezes ela e o irmão eram confundidos pelos colegas, que pensavam que os dois eram gêmeos. Seu cabelo e o cabelo de Shirou eram semelhantes aos cabelos loiros de Shuu, porém ela possuía os olhos lilases da mãe, ao contrário de Shirou, que tinha olhos azuis.
Kaya se tornara uma bela jovem e agora percebia que sua mãe tinha razão em lhe dizer quando criança que vários rapazes iriam gostar dela quando crescesse. Algumas meninas caçoavam dela, porém vários rapazes a achavam bonita e a convidavam para sair. Porém ela ainda não gostava de ninguém e não estava com pressa em se apaixonar. Kaya desejava que quando acontecesse fosse algo que lhe tirasse o fôlego. E tinha esperança de que isso logo acontecesse, pois em dois meses faria 18 anos.
Seu irmão, Ren, de dezessete anos, se tornara um rapaz tão polido quanto seu pai, porém não tão orgulhoso quanto ele quando era mais jovem. Seu exemplo de mulher era sua mãe, pois ela era gentil, carinhosa e amava todos os seus filhos, dando-lhes o máximo de sua atenção desde quando eram crianças. Ele desejava alguém assim, mas até o momento apenas conhecera meninas infantis e nada gentis. Porém sabia bem que sua expressão, muitas vezes rígida, não ajudava quanto a isso.
Haru se tornara uma bela jovem, tinha dezesseis anos e possuía a mesma altura de Mana, sendo que Kaya era dois centímetros mais alta que as duas. Haru deixara seu cabelo crescer e agora possuía longos cabelos loiros. Ela era doce, gentil e estava ansiosa pelo aniversário de Kaya.
Riichi, agora com 15 anos, era diferente de seu pai e irmão. Um exemplo disso era seu médio cabelo. Ambos penteavam perfeitamente o cabelo, porém Riichi o deixava caído e muitas vezes se esquecia de penteá-lo. Seus primos haviam amadurecido, porém mesmo tendo crescido, ele continuava a fazer travessuras. O alvo atual eram seus colegas de classe. Riichi muitas vezes deixava escapar seu lado bom com Amaya, porém ele detestava quando isso parecia ser seu ponto fraco.
Os trigêmeos de Ayato e Sora, com dezessete anos, se tornaram belos rapazes e amadureceram drasticamente de uma maneira natural. Os três trabalhavam como modelos e gostavam do que faziam, tendo inúmeras fãs e ganhando o próprio dinheiro. Dentre Daichi, Akashi e Keiichi, apenas Akashi não possuía namorada, mesmo tendo várias garotas a sua disposição e que gostavam de seu cabelo castanho-avermelhado escuro, assim como seus olhos claros e quase brancos.
Os gêmeos de Kanato e Reiko, com dezesseis anos, eram quase os mesmos. Yuuhi possuía a mesma altura que o pai e Maori era apenas um pouco mais baixa que ele, porém ainda sendo mais alta que a mãe. O médio cabelo marrom de Yuuhi cobria um de seus olhos vermelhos e ele era tão apático quanto à mãe quando conheceu Kanato, porém era gentil apenas com quem ele gostava. Maori, por outro lado, continuava sendo a menina gentil e alegre de sempre, porém um tanto peculiar para os rapazes de sua escola. Seu longo cabelo arroxeado ficava preso em duas marias-chiquinhas baixas e mesmo de uniforme, ela muitas vezes usava longas meias-calças roxas ou listradas.
Kenji, de 17 anos, amadurecera e nunca mais trouxera problemas para seus pais, deixando Rin bastante feliz e aliviada. Porém isso apenas aconteceu quando ele tinha 14 anos e tocou os seios de Arisa por trás dela. Na época eles estavam brincando na mansão Mukami e festejavam o aniversário de uma das crianças. Arisa gritou quando ele o fez e foi a última gota para Rin. Não adiantava gritar ou brigar, ele sempre fazia coisas como essas. Porém naquele dia Kenji percebeu como sua mãe ficara decepcionada com ele. E com o que houve, Laito o chamou para conversarem na sala de estar e lhe explicou que ele não poderia fazer isso com meninas. Os seios de Arisa começaram a surgir e isso era algo íntimo para uma menina. E o que Kenji fizera a deixou envergonhada e possivelmente humilhada. Seu pai lhe ensinou a tratar as meninas com respeito e Kenji pediu desculpa à Arisa e a sua mãe. Após esse dia, ele mudou e amadureceu aos poucos.
Akane, com dezesseis anos, era a melhor arqueira da escola e competia a nível nacional. Ela se tornara uma jovem muito bonita e deixara seu cabelo castanho-avermelhado crescer até passar de sua cintura. E como se tornara uma garota que chamava atenção tanto por sua beleza como por sua habilidade com arco e flecha, vários rapazes a olhavam, porém apenas um a chamava constantemente para sair. Minoru, um dos trigêmeos de Kou e Mei, deixava claro sobre o quanto gostava dela. Não fazia rodeios e nem fingia, ele era direto e Akane sempre o recusava por ele ser mais novo que ela.
Matsu, agora com 16 anos, se tornara um bonito rapaz e era tão parecido quanto Subaru com essa idade, principalmente seu temperamento. Seus olhos verdes eram penetrantes, porém seus colegas de classe ainda implicavam com ele por causa de seu cabelo branco em tom lavanda. As brigas por isso não eram mais tão frequentes, porém ele ainda assim se irritava com os comentários e com os olhares que pareciam lhe cercar. Megumi, com 15 anos, ignorava a todos. Ela era a imagem e semelhança de Subaru, porém era calma e os únicos amigos que possuía eram os Mukami. Para ela era perda de tempo ter amigos que caçoavam dela, então preferia não tê-los. Era inteligente, bonita e tinha os longos cabelos que passavam de sua cintura.
Após chegarem ao colégio, cada um fora para sua sala classe e tiveram as primeiras aulas. Shirou, Kaya e Yuuzo eram da mesma classe, estando no último ano. Masumi, Ren, os trigêmeos, Kenji, Ryuuji, Minato, Kaori e Mai estavam na mesma classe do segundo ano. Haru, Yuuhi e Maori, Akane, Matsu, Arisa e Aoi, Asuka, Kokoro e Azuma estavam na mesma classe do primeiro ano.
No intervalo, alguns foram para o refeitório e outros para as escadas, porém Kaya observava o quadro de notas e percebia que suas notas continuavam excelentes como sempre, fazendo-a traçar um sorriso. Yuuzo desceu as escadas e logo a viu, aproximando-se.
— Por que ainda olha isso? Você sempre tira as notas máximas.
Ela o olhou e sorriu. Yuuzo, com dezoito anos, mostrava como era parecido com Yuma nessa idade. Seu cabelo chegava aos seus ombros, porém ele continuava a prendê-los em um coque alto, deixando alguns fios soltos e pendidos sobre o pescoço. Ele era vinte centímetros mais alto que Kaya e dez centímetros mais alto que Shirou, seu melhor amigo.
— Eu gosto de ver. – sorriu.
— Presunçosa. – ele riu – Acha que é melhor que eu?
— Suas notas também são boas.
— Boas? Só consigo tirar 80%.
— Se quiser posso te ajudar. – ela sorriu, prestativa.
Yuuzo enrubesceu suavemente. Fazia três anos que ele gostava de Kaya, porém nunca se confessou. Shirou gostava dela e mesmo os dois sendo primos, Yuuzo o respeitava. Afinal, como dizer para o melhor amigo que está apaixonado pela garota que ele gosta?
— E-Eh... Os convites para o seu aniversário chegaram.
— Já? – olhou-o em dúvida.
— Sua mãe quem fez, não é? – ele achou graça – É todo enfeitado e com brilho.
— Brilho? – ela franziu a testa – Deus, como vai ser essa festa?
— Relaxa, ela não vai exagerar.
— Espero. – sorriu – Mas ela já disse que vou ficar linda com um vestido dourado. E eu detesto dourado!
Yuuzo achou graça.
— Gosto de preto. – ela continuou – Mas ela proibiu completamente por ser uma festa. E não um velório.
— Escolha outra cor que goste.
Kaya assentiu.
— E você? – perguntou – Está ansioso pelo dia dos namorados? É na próxima semana.
— B-Bem... – ele desviou o olhar – Não sei...
— Aposto que vai ganhar muitos chocolates. – ela sorriu.
— Tomara.
Na verdade Yuuzo queria ganhar chocolates apenas de Kaya, porém sabia que ela nunca dava chocolates a ninguém.
— E esse ano? Vai dar chocolates?
— Não. – ela achou graça – Mas alguns meninos sempre pedem pra mim. – riu – Preciso ir, prometi à Haru que iria para o refeitório.
— Hum.
Yuuzo a viu passar por ele e partir. Ele a seguiu com o olhar, vendo como Kaya se tornara uma linda garota. Virou-se em direção à parede, apoiando a cabeça e gemendo. Por que precisava manter sua paixão em segredo? Por que era tão covarde? Seus pais lhe contaram várias vezes de como se conheceram e começaram a namorar. E pelo o que sua mãe disse seu pai não era nada covarde. Por que nisso ele era tão diferente?
Kaori subia as escadas e viu o irmão com a cabeça escorada na parede, parecendo sentir dor. Ao se aproximar, viu Kaya no final do corredor e achou graça, voltando-se para ele.
— Por que não se confessa de uma vez?
Ele se assustou e a olhou, franzindo levemente as sobrancelhas.
— Fica na sua, abelhuda.
Ela riu.
— Acho que apenas Kaya e Shirou não enxergam que você gosta dela.
— Você fala de mim, mas não se confessa para Ren.
— E-Eh...! Isso não vem ao caso. – Kaori desviou o olhar – E fale baixo.
Yuuzo abaixou a cabeça, rindo.
— Por que não aproveita o dia dos namorados e conta pra ele?
— P-Por que ele é um rapaz polido e não se importa com futilidades.
— Não é isso não. Você está com medo. – ele riu – Você fala tanto de mim, mas também é covarde.
Ela cruzou os braços, desviando o olhar.
— Cala a boca.
— Tá. – ele pensou – Quando você se confessar, eu também vou me confessar.
Ela o olhou, franzindo as sobrancelhas.
— Isso não vale! – exclamou.
— Por quê? Nunca vai se confessar? – riu.
Ela franziu as sobrancelhas. Shirou descia as escadas e repentinamente pôs o braço ao redor do pescoço de Yuuzo, fazendo-o se curvar um pouco até sua altura.
— Vamos comer logo. – disse, fitando Kaori – Ah. Oi, Kaori – sorriu – Ren está no refeitório.
Seu rosto ficou vermelho de repente e ela se enfureceu, virando-se e indo embora. Shirou a olhou em dúvida.
— O que foi que eu fiz?
Yuuzo riu.
— Nada. Vamos.
No refeitório, Asuka e Masumi rabiscavam algumas coisas em um caderno. Asuka agora era uma famosa cantora e fazia parte de uma banda composta por Masumi, que tocava violino, Hyuuga, que tocava bateria, e Megumi, que tocava guitarra. Porém Hyuuga e Megumi, assim como Riichi, Minoru, Tomoe e Amaya, estudavam em outro colégio. Todos estariam juntos na mesma escola no próximo ano letivo.
Mai adentrou o refeitório e as avistou, aproximando-se e se sentando com elas.
— Acertando a letra? – perguntou – Eu vi o último ensaio, parecia bom.
— Está tudo perfeito. – Asuka sorriu – Estamos apenas dando mais uma olhada.
— E eu quero acertar algumas notas no violino. – disse Masumi.
— Vai ficar ótimo como sempre. – Mai sorriu – Posso ver?
— Claro. – disse Asuka.
Asuka agora possuía um longo cabelo loiro ondulado, sendo tão angelical com seus olhos azuis quanto sua irmã, Tomoe, que tinha os lisos cabelos na altura dos ombros. Mai, por sua vez, deixara o cabelo verde-escuro crescer até a cintura e tornou-se uma bela jovem. Ela gostava de Shirou, porém assim como Yuuzo, não tinha coragem de se confessar.
Hyuuga, que estudava em outro colégio como os outros, agora possuía cabelos bem curtos e mostrava-se sério na maior parte das vezes. Ele era da mesma turma que Megumi, Riichi, Minoru, Tomoe e Amaya, porém era sempre ignorado por Megumi. Ele não fazia ideia sobre o porquê ela não gostava dele, isso começou a acontecer há dois anos e ela não contava o motivo. Antes disso, Megumi conversava normalmente com ele e até sorria, porém agora apenas franzia as sobrancelhas em sua direção.
Aoi avistou as meninas, sentadas em outra mesa e levantou, sentando-se com elas e vendo o que faziam. Ela agora possuía o cabelo arroxeado no meio das costas e sorria enquanto conversava. Keiichi tirou uma lata de suco da máquina há alguns metros dali e avistou Aoi, encaminhando-se até a mesa e se sentando ao seu lado, beijando sua bochecha. Os dois eram namorados. Ela sorriu, fitando seus olhos verdes e ajeitando seus médios cabelos castanho-avermelhados escuros.
— Você está bonita. – disse ele.
— Obrigada. – Aoi sorriu, encolhendo os ombros.
Keiichi pôs o braço ao redor de sua cintura e beijou seus lábios. Ela ruborizou e sorriu mais uma vez. Asuka e Masumi se entreolharam, rindo.
— Parem de rir! – disse Aoi.
— Parem de se beijar na nossa frente. – Asuka riu.
— Só porque você...!
— Shh! – exclamou Masumi, rindo e fazendo Aoi lembrar-se de que era segredo.
Keiichi sorriu, olhando-a.
No corredor, direcionando-se para a sala de aula, Ryuuji e Minato caminhavam, conversando. A semana das provas havia acabado de terminar e eles se sentiam aliviados por isso. Ou ao menos Minato, pois Ryuuji sempre fora ótimo na escola. Minato agora tinha o cabelo um pouco mais curto, porém não tão curto quanto Hyuuga. Ryuuji por sua vez, possuía o mesmo comprimento do cabelo do pai nessa idade.
— Estava um pouco difícil mesmo.
— Ah, Ryuuji. – Minato reclamou – Cala a boca, você tirou a nota máxima!
Ele achou graça, sorrindo.
— Eu o chamei pra estudar comigo. Mas você estava ocupado conversando com Haru ao telefone. O que vocês tanto conversaram?
— Sobre o aniversário de Kaya. Haru está animada com a festa.
— Ainda faltam dois meses. O meu aniversário vai chegar mais rápido que o dela.
— Você sabe como Haru é ansiosa. – Minato achou graça.
— Vocês dois!— exclamou Haru.
Eles se viraram e a viram correndo em direção aos dois.
— Falando nela. – disse Ryuuji.
Minato sorriu e ela se aproximou, entrelaçando seus braços aos deles e continuando a caminhar com os dois.
— Oi! – cantarolou – O que estão fazendo?
— Falando sobre a prova. – disse Ryuuji.
— Nossa, foram horríveis!
— Concordo. – disse Minato.
— Né, Ryuuji, o que vai fazer no seu aniversário?
— Nada.
— Nada? – ela o olhou em dúvida – Como não vai fazer nada?
— Acho que apenas vou ficar em casa.
— Não acredito.
— A festa da Kaya vai compensar isso. – disse Minato.
— Verdade!
Haru sorriu em sua direção, fazendo-o rir.
— Vai ser muito legal! – ela exclamou, animada.
Na escada do segundo andar, Yuuhi e Maori estavam sentados em um dos degraus. Maori abraçava Teddy e por baixo de seu paletó do uniforme, ela usava um casaco com capuz e mangas compridas que quase cobriam suas mãos, além de sua meia-calça listrada em preto e branco que chegavam até suas coxas. Yuuhi ouvia música com um dos fones em seu ouvido, escorando as costas na parede. Sua camisa escola estava para fora da calça e sua gravata estava sempre frouxa.
— Yuuhi. – ela cantarolou, chamando-o – Vai fazer o que quando chegar em casa?
— Não sei. Por quê?
— Faça biscoitos pra mim. – pediu.
— Por que não quer aprender?
— Eu gosto quando você ou mamãe fazem. É mais gostoso.
Yuuhi franziu a testa, fitando-a e vendo seu doce sorriso.
— Mentirosa. – disse ele, desconfiado – Não dê uma de boazinha pra eu fazer biscoitos.
Maori desfez o sorriso, porém achou graça.
— Me pegou. Mas faça pra mim, por favor.
Ele suspirou, desistindo.
— Tudo bem.
— Obrigada. – ela sorriu.
Maori desfez o sorriso, encolhendo-se e apertando Teddy nos braços quando viu um menino em especial passando pelo corredor em meio aos amigos. Ele era do terceiro ano e Maori gostava dele há alguns meses, porém sentia vergonha sempre quando ele passava por ela. Após passar pelo corredor, sem nem ao menos notá-la, o menino desapareceu e Maori voltou ao normal.
Yuuhi nem a olhou, porém sabia que ela havia se encolhido por vergonha.
— Você não era assim quando namorava Azuma.
— A gente tinha onze anos e aquilo não era um namoro de verdade. – ela o encarou – Azuma é meu amigo.
— Então quer que aquele garoto seja seu namorado.
— Pare com isso, Yuuhi.
— Então não entendi. Não é isso o que quer?
— E-Eh... É, mas...
— Pare de me confundir. – Yuuhi reclamou.
Ela riu. Azuma surgiu, passando pelo corredor e parou ao vê-los. Seus cabelos verde-escuros como de Mai e Azusa possuíam um comprimento médio e ele usava uma touca preta e um casaco cinza por baixo do paletó do uniforme.
— Oi, Maori. Yuuhi.
— Oi. – disse Yuuhi, trocando de música.
— A-zu-ma-kun. – Maori sorriu.
Ele se sentou ao seu lado e observou Teddy.
— Vai levá-lo para a festa de Kaya? Já recebemos os convites.
— Não. – ela riu – Quer saber de um segredo?
— Maori. – Yuuhi a olhou, recriminando-a – Eu sei que Azuma é confiável, mas isso tem que ser um segredo.
— Eu sei, mas ele não vai contar.
— Tudo bem, não preciso saber. – Azuma sorriu – Estão planejando algo?
— Sim. – ela sorriu – Todos vão se surpreender.
— Tenho certeza que vão.
Azuma sorriu, porém o menino de quem Maori gostava passou pelo corredor mais uma vez, fazendo-a encolher-se de novo. Maori cobriu a parte inferior do rosto com Teddy e o abaixou após o menino se afastar.
— O que foi isso? – perguntou Azuma.
— Maori gosta daquele garoto. – disse Yuuhi, olhando-o.
— Ah.
Azuma abaixou o olhar ligeiramente, voltando a olhar Maori. Foi discreto, porém Yuuhi notou. Até ano passado, Azuma enxergava Maori como uma amiga, mesmo sempre a vendo como uma menina bonita. Porém ao irem para o primeiro ano, ela se tornara alguém diferente para ele. Tornou-se sua paixão platônica. E naquele momento entristeceu-se por ela gostar de outro.
— Será que ele não gosta de mim? – ela perguntou.
— Como assim? – disse Azuma.
— Algumas meninas da outra turma disseram que sou estranha. Que uma menina não deveria se vestir como me visto.
— Elas não têm o que fazer. – disse Yuuhi.
— Você é diferente. – Azuma sorriu – Mas não é estranha.
Maori o olhou com seus grandes olhos roxos e sorriu, deitando a cabeça em seu ombro.
— Obrigada, Azuma.
Ele voltou-se para frente, sentindo-a encostada em si e enrubescendo levemente. Yuuhi o fitou mais uma vez e voltou-se para seu aparelho de música.
Na biblioteca da escola, Akae possuía o mesmo trabalho que sua mãe quando tinha sua idade. Ela cuidava dos livros e se certificava de preencher o livro de registos para manter a circulação sob controle. Mesmo com 15 anos, ela não estudava no mesmo colégio que Hyuuga e os outros. Ela era inteligente e com isso, era um ano adiantada.
Akae deixara seu cabelo escuro crescer e agora passava de sua cintura. Ela era uma menina bonita e chamava a atenção de qualquer menino que fosse à biblioteca por causa de seus cabelos pretos com pontas esbranquiçadas e olhos azuis acinzentados, como seu pai. Porém ela pouco se importava com isso. Para ela o que importava era ler todos os livros que podia. E mesmo tendo apenas quinze anos, ela era tão madura quanto seu irmão.
Atrás do balcão, ela anotava no livro de registros os livros que retornaram naquela manhã. Akashi adentrou a biblioteca e se direcionou até uma das estantes, olhando para as capas dos livros e fitando Akae pelo canto do olho. Ele se voltou para ela com a mão na nuca e os olhos semicerrados.
— Akae, onde está aquele livro de astronomia que peguei na semana retrasada?
Ela o olhou, pensando.
— Ah, outra menino pegou essa semana.
— E os outros dois?
Ela apontou discretamente para dois alunos em mesas diferentes e Akashi suspirou, aproximando-se do balcão e cruzando os braços aos apoiá-los.
— Não tem nenhum outro?
— Sim. Mas em minha opinião, não é tão bom quanto aquele. Você mesmo disse.
— É. – lembrou-se – Tudo bem. Eu espero.
— Eu tenho um, se quiser posso emprestar.
— Do jeito que você é com seus livros, vou ter que ir na sua casa, não é?
— Claro. – ela sorriu.
Ele achou graça.
— Quando?
— Na próxima semana. Ou você tem um encontro com alguma garota? – sorriu suavemente.
Ele riu, desviando o olhar por um momento e fitando-a novamente.
— Não, não tenho. E você sabe. Eu não...
— “Eu não saio com ninguém na semana do dia dos namorados”. Sei, sei.
Akashi semicerrou os olhos em sua direção, sorrindo.
— Você faz isso desde sempre. – ela disse – Mas por quê?
— Porque há alguns anos a primeira vez que fiz, a garota pensou que estávamos namorando e espalhou pra todo mundo do colégio.
— É aquela história do outro colégio? – ela franziu a testa em dúvida – Que uma garota foi até sua casa conhecer seus pais?
— Ela era louca! – ele exclamou, franzindo as sobrancelhas de maneira perturbada.
— Shh! – Akae pôs o dedo sobre os lábios, rindo e tampando a boca para abafar o som.
Alguns alunos os fitaram, encarando-os e voltando aos estudos. Akashi pôs a mão na nuca por um momento, porém voltou a apoiar os braços no balcão.
— Por isso não saio com ninguém nessa semana.
— Pra você essa semana é como o “Dia dos namorados macabro”. – Akae brincou.
Akashi riu, abaixando a cabeça.
— Pode ser.
Daichi adentrou o lugar naquele momento e se aproximou do irmão, pondo o braço ao redor de seu pescoço.
— Cara, preciso do seu trabalho de inglês.
— Pensei que tinha feito.
— Acabei ficando ocupado com você sabe quem. – ele sorriu de maneira maliciosa – Então, vai me emprestar ou não?
— Tá. Está na sala. – disse Akashi, voltando-se para Akae em seguida – Então semana que vem?
— Sim. – ela sorriu suavemente.
— Vão sair? – Daichi sorriu, animado – Você nunca sai com ninguém essa semana. Deve ser sério.
Ela franziu as sobrancelhas e seu irmão o olhou de maneira entediada.
— Akae vai me emprestar um livro.
— Ah, tá. As velhas regras do “Apenas empresto se for na minha casa”. – ele riu – Faz mais sentido.
Akashi suspirou e foi embora com o irmão, deixando Akae fazer seu trabalho.
Akane caminhava no pátio. Como estudavam à noite, a maioria dos alunos permanecia do lado de dentro do colégio, porém ela gostava de caminhar. Ao virar a esquina do prédio, viu um garoto aterrissar no chão logo à sua frente. Ela o olhou de maneira surpresa, porém logo semicerrou os olhos ao ver quem era.
— Minoru.
— Oi. – ele cantarolou – Como está minha ruiva favorita?
Ela suspirou.
Minoru se tornara um rapaz bonito e era gentil com todas as meninas que gostavam dele. Seu cabelo agora era um pouco curto, como o de Minato, e penteado para o lado direito. Como os trigêmeos Sakamaki, Minoru era modelo e igualmente famoso, tendo a atenção de várias meninas, porém querendo a atenção de apenas uma.
— Pare com isso. – ela franziu suavemente as sobrancelhas.
— Não fiz nada. – ele riu – Seus olhos parecem mais verdes. Como esmeraldas.
— Minoru. – repreendeu-o – Você sabe que não vou aceitar sair com você.
— Eu ainda não tinha chegado nessa parte. – ele achou graça – Mas...
— Não.
— Eu nem perguntei!
— Mas a resposta é não. E o que você está fazendo aqui? Você nem estuda nessa escola!
— Eu estava no intervalo e queria te ver.
Ela revirou os olhos e ele sorriu, aproximando-se. Mesmo Akane sendo mais velha, Minoru era quatro centímetros mais alto que ela.
— Né, fale a verdade de uma vez. – disse ele – Você gosta de mim, mas não quer admitir.
Akane suspirou, virando-se.
— Tchau, Minoru.
Ele achou graça, mordendo o lábio inferior enquanto ela se distanciava.
Arisa tinha a mesma idade que sua irmã gêmea, Aoi. Ambas tinham dezesseis anos, porém mesmo sendo gêmeas, eram diferentes. Aoi era extrovertida desde criança e Arisa extremamente tímida. Aoi possuía compridos cabelos arroxeados e olhos azuis acinzentados. Arisa possuía curtos cabelos arroxeados e olhos cor de mel. Muitos meninos a achavam fofa, porém ela não conseguia falar com nenhum que não fosse da família Sakamaki ou de sua própria família. Porém alguns, que eram puros, gostavam de importuná-la.
Arisa era fruto de um casal impuro, o que a fazia ser impura também. E isso fazia com que ela fosse importunada às vezes, porém raramente já que ela andava na companhia dos Sakamaki. Porém naquele momento ela estava encolhida contra a parede da escada e seu olhar estava baixo enquanto era cercada por quatro rapazes de sua turma.
— Arisa-san, como você pode ser tão bonita pra uma impura?
Ela desviou o olhar, enrubescendo. Sua vergonha era tamanha, que ela ruborizava mesmo quando eles a insultavam.
— P-Por favor...
— “P-P-P-Por favor”? – o garoto gargalhou.
Ela encolheu-se mais, seus olhos marejaram.
Kenji passava pelo corredor. Após amadurecer, ele mudou seu estilo. Cortou a parte de trás do cabelo, deixando-o um pouco mais curto, porém mantendo uma comprida franja, prendendo a parte do meio com uma presilha preta e deixando duas compridas mechas soltas que passavam ligeiramente de seu queixo.
Enquanto passava, ouviu garotos rindo e sua atenção fora direcionada para onde eles estavam, vendo Arisa encolhida contra a parede. Kenji franziu as sobrancelhas e aproximou-se, empurrando um dos garotos e chegando mais perto dela.
— Arisa.
Ela o olhou, corada. Ele franziu a testa e em seguida as sobrancelhas ao fitar o garoto.
— Kenji. – disse um dos rapazes – Você conhece essa impura?
— Ela é minha amiga. – disse ele, aborrecido – Se chegarem perto dela de novo, vou acabar com vocês.
— E-Eh, tudo bem. Nos desculpe! – disse outro rapaz – Não sabíamos que era sua amiga.
Eles desceram as escadas, desaparecendo. Kenji suspirou, semicerrando os olhos e notou Arisa agachar-se no chão, escondendo o rosto ao deitá-lo sobre os joelhos.
— Arisa? – ele agachou, olhando-a – Tudo bem?
Ela assentiu com a cabeça.
— Senti tanta vergonha...
— Vergonha?
Ela assentiu mais uma vez e ele achou graça.
— Eles estavam te insultando e você sente vergonha? – riu – Você é mesmo engraçada.
Arisa levantou a cabeça, fitando-o com os olhos semicerrados e as bochechas rosadas. Quando o olhava, ela sempre se sentia envergonhada por causa da vez em que ele tocou seus seios quando eram mais novos. Porém agora ele a havia salvado e ela estava feliz. Arisa o abraçou de repente, dizendo:
— Obrigada, Kenji-kun.
Ele paralisou por um momento, porém pôs as mãos em suas costas, abraçando-a e sorrindo levemente.
— Então me perdoa mesmo por ter apertado seus seios naquela vez?
— Não lembre disso! – ela exclamou, apertando-o.
Kenji arregalou os olhos ao sentir seus seios contra seu peito e engoliu em seco, ruborizando.
— T-Tá, tá. Não vou lembrar. – sorriu sem jeito, continuando a abraçá-la.
Direcionando-se para a sala de aula, Kokoro estava na companhia de Amaya e as duas caminhavam pelo corredor. Como Minoru, Amaya quis visitar a prima. Como seu uniforme era diferente dos demais, elas tentavam manter distância de outros alunos.
Por alguns anos, Amaya falava tão lentamente quanto o pai, porém pouco a pouco sua fala se tornava normal. Ela crescera e se tornara uma doce e bonita menina com olhos roxos e longos cabelos brancos. E por mais que sua mãe tivesse seios grandes, nem ela e nem Mai possuíam. Elas tinham seios de tamanho considerável, porém não tão grandes quanto os de sua mãe, sua tia Saki e suas primas, Kaori e Kokoro.
Kokoro se tornara uma menina bonita, porém ainda era tímida. Não tanto quanto Arisa, mas era. Seus cabelos castanho-claros agora chegaram até o meio de suas costas e ela costumava usar uma fita azul amarrada na cabeça como tiara. Ambas tinham a estatura um pouco mais baixa por causa da idade, porém Kokoro tinha seios grandes que chamavam atenção de alguns garotos. Porém o único de quem ela desejava atenção, era Matsu.
— Você vai usar que roupa na festa de Kaya? – perguntou Amaya.
— Acho que aquele vestido rosado. – disse Kokoro – Mas depois vamos perguntar à ela que cor ela vai usar, se não vai ficar parecido.
— Hum. – concordou – Vai ser muito divertido. Vamos dançar.
— Como será que vai ser? As festas dos Sakamaki sempre se parecem com bailes.
— Riichi disse que é por causa do avô deles. Mas ele nunca está presente.
— Então por que ele pede para ser assim?
Amaya deu de ombros, não fazia ideia.
Riichi surgiu no corredor, correndo em direção as duas e segurando a mão de Amaya, levando-a com ele e deixando Kokoro em dúvida.
— Riichi?! – exclamou Amaya – O que faz aqui?!
— Derrubei o apagador sem querer no professor. Ele vai me matar!
— Claro! Não estudamos aqui!
— Foi sem querer! Era pra outro garoto!
— Isso vai sobrar pra mim, Riichi! E eu nem estudo aqui ainda!
— Não vai! – ele ria, correndo – Mas precisamos ir embora agora!
— Argh!
Riichi parou ao lado de uma janela aberta e pegou Amaya no colo, pulando a janela com ela e fazendo-a exclamar. Kokoro ainda estava parada no corredor, tentando entender. Um professor com os cabelos sujos de poeira de giz passou por ela, que compreendeu o que Riichi havia feito. Ele com certeza não conseguia não fazer algo assim por mais de uma semana.
Kokoro achou graça e continuou a andar, porém um pequeno grupo de rapazes mais velhos aproximou-se, caminhando pelo corredor e notando-a. Um deles a olhou de maneira maliciosa e parou ao seu lado.
— Ei, qual o seu nome?
— Eh? – ela parou, olhando-o em dúvida.
— Você é aquela garota que anda com os Sakamaki, né? Conhece Matsu?
— S-Sim.
Matsu caminhava na direção de onde eles vieram e se aproximava, notando os três perto de Kokoro. O garoto mais velho abaixou o olhar em direção aos seus seios e sorriu mais uma vez.
— Né, quer sair comigo? Posso te levar num motel legal.
— E-Eh?! – ela enrubesceu, encolhendo-se – E-Eu não...
Kokoro tentou se afastar, porém ele pôs as mãos na parede e a prendeu entre seus braços. Ela o fitou, vendo-se encurralada.
— Ei. – disse Matsu ao se aproximar.
— Ah, cabeça de vela. – o garoto sorriu maldosamente – Sua namorada?
— Não. Deixe-a em paz, babaca.
— Até parece. – voltou-se para ela, segurando sua gravata, porém observando seus seios pela roupa.
Matsu franziu as sobrancelhas. Ele era quase quinze centímetros mais alto que Kokoro, porém era tão alto quanto os garotos que a incomodavam. E além de mal-humorado na maioria das vezes, Matsu odiava quem tratava garotas com essa maneira lasciva. E Kokoro era inocente, o que o fazia franzir ainda mais o cenho em direção ao rapaz.
— Ei. – disse ele em tom baixo.
O rapaz o olhou e Matsu lhe deu um soco no peito, afastando-o dela e fazendo-o cambalear para trás. Ela arregalou os olhos. Ele era forte e todos sabiam, porém o soco foi fraco. Matsu o encarava e disse:
— Foi um aviso. – virou-se para Kokoro e segurou seu pulso – Vamos.
— H-Hum. – ela assentiu, indo com ele.
Os dois se afastaram do pequeno grupo e Kokoro observava Matsu, que parecia irritado por aqueles garotos estarem falando com ela.
— M-Matsu.
— Hum.
— Por que fez aquilo?
Ele parou de repente, ainda segurando seu pulso. Ao virar-se para ela, soltou-o e a olhou em seus olhos.
— Me chame se eles a incomodarem de novo.
— Eh?
— Eles não são legais. Não chegue perto deles.
Kokoro enrubesceu levemente, olhando em direção aos seus olhos verdes.
— M-Matsu...
Ele a olhou em dúvida.
— O que?
— V-Você... Eh...
Ele esperava ela terminar a frase, porém não o fez. Ela desviou o olhar e sorriu levemente.
— Obrigada.
Matsu assentiu e virou-se.
— Vamos. Vou te levar até sua sala.
— Hum. – ela assentiu, sorrindo.
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