Diabolik Lovers - União de Sangue
72 Capítulo 65: Dia dos namorados
Na tarde do dia anterior ao dia dos namorados, houve uma sessão de fotos. Como Daichi, Akashi e Keiichi eram trigêmeos e todos os seus fãs sabiam disso, o empresário dos três achou uma boa ideia tirarem fotos em conjunto. Assim como o empresário de Asuka achou uma boa ideia ela tirar fotos com eles, imaginando na capa da revista a frase “Os trigêmeos modelos e a cantora”.
Os quatro chegaram no horário e se vestiram em seus camarins. Havia uma grande tela em branco, assim como o chão, e grandes lâmpadas eram postas em suportes ao redor, assim como a câmera no tripé. Asuka saiu do camarim, vestida em uma saia com babados e uma blusa sem mangas e decote reto. Metade de seu cabelo estava preso, suas sandálias eram douradas assim como seu colar e brincos. Os trigêmeos usavam calças de diferentes tecidos e camisas de diferentes cores.
— Essas roupas ficaram muito bonitas em você, Daichi-kun. – disse a maquiadora.
— Obrigado. – ele sorriu.
— Eh... Você quer sair comigo algum dia?
Daichi a olhou pelo espelho e seus irmãos acharam graça. Asuka o fitou, sendo maquiada por outra jovem.
— Ah, desculpe. – disse ele – Tenho namorada.
— Ah. – disse ela, surpresa – Desculpe, não sabia. Não há nada nas revistas sobre ninguém.
— Na verdade dei uma entrevista há alguns meses, dizendo que minha namorada não quer os holofotes sobre ela.
— H-Hum. – ela assentiu – Tudo bem. Bem, acabamos.
A jovem saiu de perto deles e Akashi inclinou-se.
— Ela ficou magoada. – brincou.
— Até saiu de perto. – disse Keiichi.
— Ela se fez de idiota. – disse Daichi, achando graça em seguida.
Os dois riram e Asuka abaixou o olhar, sorrindo. Os quatro foram maquiados e tiraram várias fotos juntos e separados para uma famosa revista de Tokyo. Ao terminarem, o fotógrafo agradeceu e disse que as fotos ficaram ótimas.
— Nunca vi pessoas tão bonitas. – disse o homem – Obrigada por virem, a revista sairá amanhã para o dia dos namorados.
— Obrigada. – Asuka sorriu.
Os camarins eram cômodos não muito grandes onde havia um sofá, penteadeira e um chuveiro com cortina. Geralmente existam em produções de seriados ou filmes, porém como os quatros eram extremamente populares, o fotógrafo escolheu um lugar onde eles se sentiriam a vontade.
Enquanto seus irmãos tomavam banho para irem embora, Daichi espreitou pelo lugar e entrou no camarim de Asuka com sua mochila. Trancou a porta ao fechá-la e ouviu o chuveiro, pondo a mochila no sofá. Ele fitou a penteadeira e viu a roupa que Asuka usava para as fotos dobradas sobre a cadeira. Daichi tirou a camisa e o cinto, aproximando-se da cortina do chuveiro e passando por ela ao tirar toda a roupa. Asuka estava com o cabelo preso em um coque e ensaboava o corpo nu, passando sua mão por sua cintura e ombro.
— Quer ajuda? – ele sorriu, pondo as mãos em sua cintura.
— Daichi! – ela exclamou, assustando-se e cobrindo os seios.
Asuka enrubesceu por ele estar com ela no chuveiro, porém sorriu sem jeito, beijando-o. Ele a abraçou e soltou seu cabelo, fazendo-a recuar até os dois ficarem debaixo da água que caía. Molharam os cabelos e Asuka riu enquanto o beijava. Daichi a pegou no colo, segurando suas coxas e pondo-a contra a parede.
— Molhou meu cabelo. – Asuka sorriu ao reclamar.
— Não parece estar com tanta raiva.
Ele voltou a beijá-la e a fez ficar de pé, virando-a e tocando seus seios, sentindo como eram macios. Ela abriu levemente a boca, arquejando e sentindo-o tocar seu âmago.
— Daichi, você não era assim...
— Desculpe... – ele sorriu – Mas o seu corpo me deixa tão... – fechou os olhos, sentindo-a.
Asuka virou de repente e o abraçou, beijando-o. Daichi segurou-a pelas coxas contra a parede mais uma vez, adentrando-a e abrindo levemente a boca ao senti-la por completo. Asuka o sentia se mover dentro de si e deixava escapar os gemidos, sentindo prazer enquanto faziam amor.
Sempre que dormiam juntos, Asuka lembrava-se de como começaram a namorar. Eles estavam juntos há um pouco mais de um ano e ela se tornara famosa na mesma época. Asuka sempre gostou de cantar e queria mostrar para as pessoas o que podia fazer. Porém foi Daichi quem insistiu para ela baixar na internet o vídeo que fizera. Ela tinha medo de não dar certo e as pessoas zombarem dela, porém após fazê-lo com a ajuda de Daichi, o vídeo viralizou. Ela se surpreendeu e no dia seguinte contou à Daichi. Asuka estava animada e feliz, e ele ficou feliz por ela. Porém após contar, ele a olhou de uma maneira diferente. Nunca havia pensado em Asuka dessa maneira, porém ela começou a lhe chamar a atenção. Algumas semanas depois, ele confessou que gostava dela e Asuka ruborizou, por fim também se confessando.
O tempo passou rápido e o amor dos dois apenas cresceu. Ao completarem um ano, Asuka decidiu dormir com Daichi pela primeira vez. Nunca havia feito isso com ninguém e ficou com medo, porém ao contar de maneira envergonhada para ele, Daichi arrumou seu quarto para aquela noite. Ao levar Asuka para sua casa e para seu quarto, lhe surpreendeu com várias velas acessas e pétalas de rosa sobre a cama. Ele já não dormia com os irmãos, cada um possuía o próprio quarto, então não os incomodaria. Asuka se emocionou e o beijou, deixando-o surpreso. Aquela noite foi marcante para ambos, pois fizeram amor pela primeira vez.
No chuveiro, após terminarem, Daichi e Asuka tomavam banho. Ensaboavam um ao outro, rindo e beijando-se com simples selinhos. Secaram-se ao tirarem o sabão do corpo e se vestiram com suas roupas. Daichi foi o primeiro a se vestir e sentou no sofá, vendo Asuka secar o cabelo com o secador.
Ao terminar, ela se sentou ao seu lado e notou seu sorriso.
— O que foi? – achou graça.
— Nada.
Ele sorria de maneira marota e fitou sua mochila, abrindo-a e tirando uma caixa de bombons de dentro, dando à Asuka.
— Daichi. – disse ela, surpresa – Não acredito. – sorriu – Mas o dia dos namorados é apenas amanhã.
— Quis te dar hoje. – ele deu de ombros, sorrindo – Queria te levar pra jantar amanhã.
Asuka abria a caixa e olhava os bombons quando ele disse aquilo. Quando começaram a namorar, Asuka pediu para não deixarem o namoro às claras para os fãs. As duas famílias sabiam plenamente sobre o namoro, mas ainda não entendiam por que não diziam aos fãs que namoravam.
— Daichi. – ela sorriu suavemente.
— O que?
— Eh... Eu... Pedi a você para não contarmos que estávamos namorando porque eu ainda estava no começo de tudo e tinha medo de que dissessem que fiquei famosa por sua causa.
— Eu lembro. – ele achou graça – Por que está falando disso?
— Porque... Quero deixar claro para todos que estamos juntos.
Ele elevou as sobrancelhas, surpreso.
— Asuka...?
— Daichi, estou cansada dos garotos me chamarem pra sair e você ficar chateado. E eu sinto ciúmes quando as garotas o chamam pra sair.
— O que ciúme não faz. – ele sorriu, inclinando-se e beijando-a, cessando suavemente e a olhando nos olhos – Tudo bem. Então... Quer ir a um restaurante amanhã?
Asuka sorriu, mordendo o lábio inferior.
— Quero. – encolheu os ombros, feliz.
Alguém bateu na porta naquele momento.
— Daichi, vamos logo.— disse Keiichi do lado de fora.
— Ainda não terminaram?— Akashi perguntou.
— Estamos saindo. – disse o irmão.
Asuka e Daichi se entreolharam e riram.
Naquela noite, as meninas se reuniram na mansão Sakamaki para terem uma festa do pijama. Mesmo que de Kaya à Amaya todas tivessem idades diferentes, elas se reuniam para se divertir. E quando o faziam, suas mães também o faziam. Naquele dia era a vez de dormirem na mansão Sakamaki.
As mães estavam no quarto de Masami, sentadas no chão e vestidas em suas camisolas. Havia doces e salgados, assim como no quarto de Haru, onde as meninas estavam. Por mais que fossem algumas centenas de anos mais velhas, as mães sempre seriam meninas em seu interior.
— Asuka e Daichi-kun vão deixar claro para todos que estão juntos. – disse Mei, empolgada – Ela me contou que já não aguentava os ciúmes.
— Dele? – perguntou Reiko.
— Dela. – ela riu.
— Ele me contou que várias meninas o convidavam para sair. – Sora achou graça – Coitada de Asuka.
Rin as observava enquanto comia pipoca, fitando cada uma consecutivamente.
— E como está Shirou, Masami? – perguntou Saki – Já tem alguma namorada?
— Não. – ela sorriu – Ele quer namorar Kaya.
— Ele enlouqueceu. – disse Mana, rindo – Kaya já disse milhares de vezes que não quer. Afinal, eles são primos!
— Maori gosta de um menino, mas tem vergonha. – Reiko sorriu, ainda tendo longos cabelos marrons – E acho que Tomoe-chan gosta de Yuuhi.
— Concordo. – disse Mei – Ela fica vermelha quando está perto dele e não consegue falar. – riu.
— Aoi disse que Keiichi-kun deu um presente para ela antes do dia dos namorados. – disse Arizu.
— Que fofo!
— Amaya ficou de castigo por causa de Riichi. – Momo sorriu sem jeito – Ele sujou o professor com giz.
— Desculpe... – disse Mana, pondo a mão na nuca e sorrindo sem jeito.
— Arisa contou que Kenji a protegeu de alguns meninos. Foi bonito da parte dele. – disse Arizu – Kokoro disse o mesmo. Não é, Saki?
— Ah, sim! – ela sorriu – Yuka, Matsu protegeu Kokoro de alguns meninos.
— Ele é um ótimo menino. – disse ela, agora com o cabelo no meio das costas – Mesmo se irritando facilmente, ele toma atitudes maravilhosas.
Rin semicerrou os olhos de maneira entediada.
— Rin, Akane ganhou outro campeonato, não é? – perguntou Mana, sorridente.
Ela franziu a testa, olhando-as.
— É sério isso?
— Eh?
— Nos reunimos aqui pra falar dos filhos?
— Como assim? – Momo sorriu em dúvida – Falamos sempre deles.
— Exatamente! – ela a olhou, deixando uma risada escapar – Quando não tínhamos filhos, falávamos de que?
— Dos meninos. – disse Yuka em tom óbvio.
Rin encolheu os ombros, frustrada.
— Tá. Mais do que?
— Acho que apenas deles. – disse Reiko – Viemos para cá para casarmos e depois que nos casamos, tivemos filhos e agora...
— Tá, tá. – Rin balançou a mão – Vamos falar um pouco de nós mesmas. Só para variar. – ela sorriu, empolgada – Eu, por exemplo, saí hoje e passei a tarde no shopping vendo algumas roupas. Experimentei várias, mas só comprei uma.
Elas sorriam.
— Pintei um quadro lindo de um vaso de flores com um buquê colorido. – disse Momo.
— Arrumei a biblioteca de casa. – falou Arizu.
— Fiz uma nova música. – contou Mei – Reiko, você não comentou que queria cortar o cabelo?
— Ah, sim. – lembrou-se – Não sei se o corto bem curto ou na altura dos ombros. Kanato-kun gosta e eu gosto quando ele passa os dedos pelo meu cabelo.
— Shuu faz o mesmo. – Masami sorriu.
— Reiji também. – Mana encolheu os olhos, lembrando-se do toque do marido.
Rin franziu as sobrancelhas e voltou a comer. Elas realmente não entenderam o que ela quis dizer.
Enquanto as mães agora conversavam sobre os maridos, as jovens estavam no quarto de Haru, conversando sobre a novidade que Asuka contara. Havia inúmeros doces e muitos salgados. Todas usavam camisolas ou pijamas, sentadas na cama de Haru.
— Mas aquela música que você fez foi a primeira pista de que gostava de Daichi! – disse Akane, deitada de bruços – Foi tão óbvio! – riu.
— Mais ou menos. – Asuka sorriu – Eu ainda não gostava dele assim, mas se encaixou. Ele é tão gentil.
— Na cama? – perguntou Akae.
— N-Não pergunte algo assim! – ela enrubesceu, encolhendo-se.
— Mas você é a única que já fez isso.
Kaya e Haru tamparam a boca ao rirem.
— Eu não entendo bem como faz isso. – disse Amaya.
— Ah, o menino coloca... – Akane começou.
— Eu sei o processo. – ela ruborizou levemente – Mas como fica... Sabe.
Kokoro e Kaori enrubesceram, assim como Arisa.
— O garoto tem que gostar de você. – disse Megumi ao olhá-la com os olhos semicerrados, sua típica expressão.
— Gostar?
— É. De você, do seu corpo.
— Ah.
— Daichi deve gostar muito de Asuka. – continuou Akae – Eles vivem trancados no quarto dela e quando ela vem aqui, sempre volta com um sorriso.
— Pare de falar sobre isso! – exclamou Asuka – E você, Akae? Por acaso já beijou alguém?
— Sim.
— Jura? – perguntou Kaori – Deus, você é mais nova que eu! E eu nunca beijei ninguém! Quem foi?!
— Ah, um menino. – deu de ombros.
— Quem? – perguntou Kokoro.
— Não vou contar. Nem foi nada demais.
— Você nem nos contou. – disse Aoi – Eu contei pra você quando beijei Keiichi.
— Verdade. – Arisa concordou.
Masumi achou graça, comendo um doce.
— E você, Masumi? – perguntou Kaya, deitada de lado – Já beijou alguém? Eu nunca beijei.
— Nem eu. – disse Haru – Estou ansiosa, mas não quero que seja qualquer um.
— Eu também. – disse Maori, corando ao pensar no menino de quem gostava.
— A-Ah. – Masumi achou graça – Nunca beijei. Bem, uma vez apenas, mas não conta.
Elas arregalaram os olhos, surpresas e chegaram mais perto, assustando-a.
— Jura? – perguntou Tomoe, docemente.
— Quem foi? – Mai a olhava, curiosa.
Masumi desviou o olhar por um momento. Há anos não pensava nisso.
— Foi um acidente. Estávamos no primeiro ano, na sala de música. Ele estava sentado e eu tocava violino. Quando terminei, me aproximei enquanto ele levantava e tropecei. Então... Sabe.
— Beijo! – exclamou Haru, animada – Quem foi? Quem foi?
Ela sorriu, sem jeito.
— Quem foi? – perguntou Mai – Foi Tatsuya da outra turma? Ou aquele garoto da sua turma que já pediu pra sair com você?
— N-Não. – ela corou, desviando o olhar – Foi Ryuuji.
Aoi exclamou, quase gritando e pondo as mãos nas bochechas.
— Mentira! – sorriu.
— N-Não...
Ela gritou mais uma vez. Alguém bateu na porta do quarto naquele momento.
— Entra! – disse Amaya.
A porta se abriu e Ren surgiu, fitando-as na cama. Kaori estava sentada e abaixou o olhar, pondo o travesseiro na frente de seu corpo para ele não vê-la vestida em sua camisola preta.
— Falem baixo. Estão me atrapalhando. – pediu ele.
— “Estão me atrapalhando”. – Haru o imitou – Essa é a nossa noite, Ren. Você trabalha com papai todos os dias!
Ele semicerrou os olhos, impaciente, e Riichi abriu mais a porta, entrando de repente no quarto e correndo em direção a cama.
— Chocolate! – exclamou.
— Riichi, essa é a noite das meninas. – disse Amaya.
— Só um. – pediu.
Ela franziu a testa, sorrindo.
— Riichi, se ficar, vamos maquiar você de novo. – disse Kaya, sorrindo maliciosamente.
Ele a olhou, não duvidando. Na última vez que ele invadiu o quarto na noite das meninas, Kaya o agarrou sem aviso e todas o maquiaram. Não adiantou os gritos, ninguém o socorreu. O irmão e primos sabiam que ele estava aprontando. Com essa experiência, ele pegou uma barra de chocolate e saiu correndo, fazendo-as acharem graça.
— Vamos tentar falar baixo, Ren. – disse Kaya – Mas, por favor, seja compreensivo. É nossa noite. – sorriu suavemente.
Ele assentiu e partiu, fechando a porta. Kaori o fitava e mesmo após fechar a porta, ela ainda a olhava.
— Quando vai se declarar? – perguntou Mai – Para Ren.
— M-Mai! – ela exclamou – E-Eu não contei de quem você gosta.
— Mas é bem óbvio, Kaori. – Maori sorriu suavemente, abraçando Teddy – Você o olha de uma forma diferente.
Ela desviou o olhar, corando.
— Tenho vergonha. Ele é tão bonito.
— Eca. – disse Haru, torcendo a expressão.
Kaya beliscou seu braço levemente e ela riu, pondo a mão onde foi beliscada.
— Mas não pensa nem em contar? – perguntou Kaya ao fitá-la.
— J-Já, mas... Não sei se ele gosta de mim.
— É melhor falar e saber de uma vez. – disse Megumi – Se não você vai acabar sofrendo caso ele comece a namorar outra garota.
— Verdade. – Akane concordou.
Kaori abaixou o olhar, pensando. O que Megumi dissera fazia sentido. Ela sofreria mais se Ren começasse a namorar outra menina. Era realmente melhor ela se confessar de uma vez e saber o que ele sentia por ela. Então no dia seguinte, decidiu se declarar. Que dia melhor para fazer isso, senão o dia dos namorados?
No dia seguinte, Kaori e as meninas foram para o colégio com os Sakamaki. Ao descerem da limusine, ela desviou de seu caminho por um momento ao se separar dos outros. Saiu do colégio e foi até a loja mais próxima. Como era dia dos namorados, havia vários tipos de chocolates sendo vendidos, além de balões e outros presentes. Kaori comprou uma pequena caixa que vinha alguns bombons.
— Obrigada. – sorriu para a vendedora.
Ao fitar a caixa rosada, engoliu em seco. Seria naquele dia, ela enfim iria se declarar. Após tantos anos gostando de Ren, enfim ele iria saber sobre seus sentimentos. Kaori voltou para o colégio e fora para a primeira aula.
Enquanto cresciam, Kaori passou a gostar de Ren e a alimentar esse sentimento, dizendo a si mesma que um dia iria se declarar. Porém isso nunca aconteceu. Os anos se passaram e para ela, Ren ficava cada vez mais bonito. Era inteligente, polido, respeitoso e a tratava bem sempre que conversavam ou se viam. Agora, com a ameaça de uma possível garota, Kaori não poderia perder tempo.
No intervalo, chegara o momento em que as garotas apaixonadas desejavam presentear os garotos de quem elas gostavam. Kaori saiu da sala de aula com a pequena caixa nas mãos e procurou por Ren. Fora até o pátio e espiava para ver se o encontrava. Ele não estava lá e nem no primeiro andar. Ao ver Keiichi com Aoi, perguntou aos dois se o viram e Aoi sorriu, dizendo que ele fora para o andar de cima.
Kaori subiu os degraus e chegou no segundo andar, sorrindo. Ela dera o primeiro passo, porém parou de repente ao vê-lo acompanhado por uma garota. Ela tinha curtos cabelos marrons e conversava com ele, achando graça de algo que ele dissera. Ren sorria enquanto falava com ela e os olhos de Kaori marejaram. Ela não se lembrava se ele alguma vez sorrira para ela dessa forma.
Ao recuar, desceu os lances de escada e parou antes de chegar ao andar debaixo. Uma das lágrimas caiu e ela se sentou no degrau, abaixando a cabeça e chorando em silêncio. Ela chegara tarde, aquela com certeza era a garota que Kaori temia que chegasse antes dela. Realmente perdera tempo. E com isso, acabara de perder Ren.
Descendo as escadas, Ren avistou Kaori no final dos lances e franziu a testa em dúvida. Ao continuar descendo, viu-a levantar e limpar o rosto enquanto segurava algo.
— Kaori?
Ela virou-se de repente, surpresa, e ele viu seus olhos marejados. Kaori estava chorando e Ren franziu a testa mais uma vez.
— O que houve?
— N-Nada. – ela desviou o olhar – Não queria incomodar você. Estava conversando com aquela menina.
Ele pensou, lembrando-se.
— Ah, sim. – assentiu – Ela é de outra turma, queria que eu emprestasse meu trabalho para poder ter uma visão melhor sobre como deveria começar a fazer o próprio.
Kaori arregalou levemente os olhos. Então aquela garota não era nada além de uma colega de escola querendo ajuda de Ren. Ela abaixou o olhar por um momento e o olhou nos olhos de repente.
— Ren.
— Sim. – disse sem entender.
— Pode ir comigo até a sala?
— Quer ajuda com algo?
— M-Mais ou menos.
— Tudo bem.
Kaori o levou até a sala de aula e fechou a porta ao entrarem. Ren a olhava, perguntando-se o que ela queria, porém ela mantinha o olhar baixo, envergonhada. Por um segundo teve coragem e o levou até a sala para ficarem a sós. Porém agora não sabia como começar.
— R-Ren-kun... – olhou-o.
— “Ren-kun”? – ele sorriu – Você nunca me chamou assim.
Ela ruborizou, fitando seu sorriso.
— Eu gosto de você.
Ren arregalou levemente os olhos, surpreso. As bochechas de Kaori avermelharam-se mais, as palavras saíram de repente.
— Kaori...?
— D-Desculpe! – ela exclamou, virando e indo em direção à porta.
Ao tocar a porta para abri-la e fugir, Ren a fechou de repente antes que Kaori a abrisse por completo. Ela estremeceu, permanecendo imóvel. Ren estava logo atrás de si, ainda com a mão na porta e impedindo-a de sair.
— O que quis dizer? – ele perguntou.
Ela fechou os olhos e encolheu-se, envergonhada.
— Eu...
— Desde quando?
— A-Alguns anos. – confessou – Desculpe.
— Por quê?
— Não deveria ter contado.
Ren suspirou impaciente e virou-a para si, pondo-a contra a porta e segurando suavemente seus ombros.
— Não diga tolices. – franziu levemente as sobrancelhas.
— Então... V-Você gosta de mim?
— Não tanto quanto você provavelmente gosta de mim, mas... Sim. – confessou.
Kaori abaixou o olhar, suas bochechas estavam coradas e ela pôs o punho sobre o rosto, tentando escondê-lo. Ren semicerrou os olhos. Há alguns meses começara a olhar Kaori de outra forma. Ela crescera e se tornara uma linda garota, porém ele não sabia se ela sentia o mesmo. Agora que descobrira, não perderia tempo algum.
Ren abaixou sua mão, fazendo-a olhá-lo.
— Não quero perder tempo. Repita.
— E-Eu gosto de você. – disse ela timidamente.
Ele sorriu.
— Diga de novo.
— E-Eh... Eu gosto de você.
— Mais uma vez. – disse ele, envolvendo-a com os braços.
— Eu gosto de você... – ela enrubesceu mais uma vez – Eu gosto...
Ren semicerrou os olhos, aproximando o rosto e beijando-a suavemente. Kaori o abraçou, sentindo-se acolhida por ele. Ren era alto, porém ela ficara na ponta dos pés e sentia seus seios contra o tórax dele. Ao cessarem, Kaori desviou o olhar, envergonhada.
— O que foi? – ele perguntou – Não gostou?
Ela sorriu levemente.
— Não é isso...
— Então o que houve?
Kaori encolheu-se, fechando seu paletó do uniforme e apertando-o. Subitamente Ren compreendeu e enrubesceu. Os seios de Kaori eram grandes e ele realmente os sentiu enquanto a beijava. Porém agora que a olhava daquela forma, também ficara envergonhado. Ao fitar sua mão, viu a pequena caixa.
— Hum, essa caixa é pra mim?
Ela olhou sua mão, lembrando-se.
— S-Sim. São bombons. – deu a ele.
Ren sorriu, observando a caixa.
— Quer comer comigo?
Kaori o olhou sem jeito, assentindo com a cabeça. Ele sorriu mais uma vez, beijando-a novamente.
Além de Kaori, outra garota queria se declarar. Maori preparara alguns chocolates no dia anterior para enfim se declarar para o garoto que gostava. Ela pensara muito e decidira fazer naquele dia. Ao ir para o pátio, chocou-se com Azuma antes de chegar à porta. Ele franziu a testa, olhando-a. Maori usava um casaco roxo por baixo do paletó escolar e meia-calça da mesma cor, segurando uma sacola rosa maior que sua mão.
— Maori?
— Oi. – ela sorriu.
— Você vai...?
— Sim. – ela sorriu – Eu o vi indo para o pátio, espero que ele esteja sozinho.
— Hum. – ele assentiu – Boa sorte. – sorriu levemente.
Maori sorriu, encolhendo os ombros de maneira animada e apressando-se. Azuma continuou a andar, abaixando o olhar e perguntando-se se o garoto iria aceitar os chocolates de Maori. Ele semicerrou o olhar, queria provar os chocolates dela. Com certeza eram deliciosos.
Ela foi para o lado de fora e procurou pelo rapaz, achando-o e sorrindo. Ele estava de costas e ao se aproximar, Maori notou que uma garota dava chocolates à ele. Ela era fofa, tinha cabelos curtos e claros. Ao pegar a caixa com chocolates que ela ofereceu, ele a beijou. Maori franziu as sobrancelhas, abrindo levemente a boca. Não se sentiu exatamente triste, mas decepcionada.
Maori fora para o terraço, passando pelos corredores com a cabeça baixa e a sacola rosado na mão. Azuma conversava com Ryuuji e Matsu e a percebeu subir as escadas daquele jeito. Ele disse aos meninos que iria a outro lugar e subiu as escadas, chegando ao terraço em alguns segundos. Viu Maori sentada num dos bancos de madeira com a sacola sobre o colo.
Ao aproximar-se, parou ao lado do banco.
— Maori. – chamou-a – O que aconteceu?
Ela o olhou, sorrindo levemente.
— Ele beijou outra menina.
Azuma elevou as sobrancelhas, boquiaberto.
— Sério?
Ela assentiu, achando graça. Azuma não compreendeu sua reação e sentou ao seu lado, olhando-a.
— Você não... Está triste? – perguntou, confuso.
— Era pra eu estar, né? – ela riu – Essa é a reação esperada. – fitou a sacola em seu colo e deu-a à ele – Eu que fiz. – sorriu – Foram feitos pra ele, então desculpe. Mas estão realmente bons.
— Não entendi.
Ela assentiu, pensando.
— Ele beijou outra garota e eu fiquei apenas decepcionada. Não fiquei triste. – desviou o olhar por um momento – Acho que eu não gostava tanto dele.
Azuma engoliu em seco. Ele não deveria ficar feliz, mas estava.
— Obrigada. – abriu a sacola.
— Hum. – Maori sorriu, contente.
Ele comeu um dos chocolates e surpreendeu-se.
— Estão ótimos!
Maori achou graça. Azuma a fitou, vendo seu sorrindo e ruborizou. Esse era o momento perfeito, era agora. Porém ele hesitou contar que gostava dela e atacou a sacola de chocolates, nervoso.
— Azuma? – ela o olhou em dúvida.
— Estão muito bons. – disse, mastigando.
Maori sorriu em dúvida, porém ficou feliz por ele ter gostado tanto.
Amaya não sabia como era gostar de alguém de uma maneira amorosa. Ela gostava de seus pais, de seus irmãos e de seus amigos. Mas nunca gostou de um garoto como as outras meninas gostavam. Porém como naquele dia todos estavam comendo chocolates, ela também comprou chocolates.
Enquanto caminhava pelo corredor de seu colégio com seu pequeno saco cheio de chocolates, pretendendo comê-los na escada, Amaya ouviu alguns alunos gritando na direção oposta a que se dirigia. Ela virou-se e viu Riichi correndo em sua direção, fugindo de alguns garotos que corriam atrás dele. Eles estavam com as roupas encharcadas e gritavam furiosamente enquanto ele ria. Amaya não compreendeu, porém quando ele a viu, segurou-a pelo pulso e a levou com ele, puxando-a.
Amaya exclamou, porém acabou fugindo com ele. Perguntava-se por que ele sempre a metia em suas confusões. Desde que foram para o mesmo colégio, ele sempre a puxava quando fugia. Riichi já o fazia desde que eram crianças, quando um ia para a casa do outro. Mas agora ela ficava quase sempre de castigo por causa dele.
Riichi correu com Amaya pelos corredores, despistando os garotos e entrando no ginásio. Ele a levou para trás da grande cesta de ferro onde as bolas de basquete eram guardadas e sentou-se no chão com ela, rindo.
— O que você fez? – Amaya perguntou.
— Joguei balões de água neles de cima da árvore, mas eles me viram.
— Riichi, pare de aprontar com os outros. Você vai acabar se dando mal.
— Vou nada. Eles nunca me pegam. – sorriu, confiante.
Amaya semicerrou os olhos de maneira entediada.
— Bobão.
Ele deixou uma risada escapar, pondo a mão na nuca e fitando o saquinho roxo na mão dela.
— O que é isso? – perguntou, curioso.
— Ah, chocolates. – ela sorriu, levantando-o – Comprei.
— Vai dar à alguém?
— Não. – ela achou graça – Todos estavam comendo bombons, então comprei também.
Ele a olhou em dúvida e deixou uma risada escapar.
— Amaya, você deve dar isso para algum garoto que gosta.
Ela o olhou em dúvida, tombando levemente a cabeça e fitando o saquinho. Era para dar para um garoto que gostava. Então Amaya esticou o braço e ofereceu à Riichi, que arregalou os olhos.
— N-Não eu! – ele exclamou.
— Eh? Mas eu gosto de você. – Amaya encolheu os ombros, sorrindo de maneira inocente.
Riichi franziu a testa, corando e olhando-a de maneira perturbadora.
— Hoje é o dia dos namorados. Então você deve dar isso para alguém que você goste de verdade.
— Não entendi. – disse ela – Você acha que eu não gosto de você de verdade?
— N-Não é isso. – balançou as mãos – As garotas dão chocolates para os garotos de quem elas gostam e se eles aceitarem, eles se beijam.
— Na boca?
— É. – ele achou graça, enfim ela compreendeu.
— Então não quer?
— E-Eh, hum. – assentiu.
Riichi pegou o saquinho e o abriu, pegando um dos chocolates e comendo-o, oferecendo à Amaya. Ela sorriu, contente e se aproximou, sentando ao seu lado. Riichi estremeceu, corando ao senti-la bem ao seu lado. Ela pegou um chocolate e o comeu enquanto ele desviava o olhar. Amaya era sua amiga, porém Riichi sabia que ela era considerada uma garota muito bonita. Ele não poderia gostar dela assim. Ela era muito inocente e ele tinha medo até mesmo de tirar essa pureza que Amaya possuía. Porém ficou feliz por ela ter lhe dado os chocolates.
— Obrigado. – ele murmurou.
— Hum. – ela assentiu, sorrindo.
No refeitório do colégio dos mais velhos, Kaya estava sentada em uma das mesas com Yuuzo, Haru, Minato e Mai. Havia várias mesas retangulares com cadeiras em volta de cada uma, várias janelas na parede oposta à entrada e algumas máquinas de refrigerante, além do balcão onde uma senhora vendia lanches. Eles conversavam sobre aquele dia e como tudo estava acontecendo. Haru estava com três caixas de chocolates sobre a mesa e Minato com duas. Mai franziu as sobrancelhas, fitando as caixas.
— Vocês realmente ganharam isso tudo? – disse ela – Haru, as meninas que deveriam dar chocolates esse mês. A vez dos meninos é mês que vem.
— Fala isso pra eles. – Haru riu – Três garotos se declararam pra mim e me deram os chocolates.
Minato riu.
— Eu ganhei mais que você. – ela debochou, rindo.
— Nem é o seu dia.
— Por isso mesmo eu sou melhor. – ela sorriu, confiante – Quem deu? – perguntou, pegando uma delas.
— Ahm...
— Você não lembra? – Kaya perguntou, achando graça – Que tipo de garoto é você?
— Acho que só um garoto. – Mai achou graça.
— Cara, isso não é legal. – falou Yuuzo, apoiando o rosto na mão – Foram duas. Como esqueceu?
Haru riu, pondo a mão sobre a boca.
— Não sei. – Minato deu de ombros – Uma tinha cabelo preto, acho que curto. E a outra tinha cabelo vermelho, acho que ondulado.
— “Acho, acho”. – Haru repetiu – Você é horrível.
Ele riu.
— E você, Mai? Vai dar chocolates a alguém? Kaya eu sei que não vai, já que não gosta de ninguém. – revirou os olhos.
— Haru, você também não deu chocolates. – disse Kaya.
Ela deu língua para a irmã, que achou graça.
— Eu pensei em dar, mas desisti. – disse Mai.
— Por quê? – perguntou Kaya, surpresa – Você é linda, Mai. Qualquer menino iria querer ficar com você.
Yuuzo sorriu, olhando-a.
— Obrigada. – ela sorriu timidamente – Mas acho que ele gosta de outra garota.
— Sinto muito.
— Tudo bem.
Kaya sorriu, porém todos escutaram um alvoroço vindo do lado de fora. Várias garotas correram para dentro do refeitório e pararam logo na entrada, esperando por alguém. A atenção dos quatro foi voltada para a entrada e todos viram Shirou entrando no refeitório com uma grande caixa de chocolates em uma mão e uma rosa na outra. Por um momento eles se surpreenderam, pensando que Shirou iria se declarar para alguém. Porém quando ele caminhou em direção à mesa onde eles estavam sentados, Kaya temeu o que ele planejava.
Ao se aproximar, Shirou a olhou, sorrindo.
— Kaya.
Ela tampou a boca com a mão, fitando Yuuzo de maneira perturbada. Ele também não imaginava que Shirou fosse fazer algo assim.
— Esse dia é muito importante, então quero deixar especial pra você. – Shirou sorria – Kaya, por favor, saia comigo.
Mai abaixou o olhar, surpresa. Kaya o olhava e abaixou a mão, furiosa.
— Você é doido?! – exclamou.
— Eh? – ele não compreendeu – Estou pedindo que saia comigo, já que não acredita que...
— Ah! Calado, calado! – ela exclamou, tampando os ouvidos – Não acredito que fez isso, Shirou!
Kaya levantou bruscamente e saiu do refeitório, aborrecida. As meninas que assistiam acharam um absurdo ela falar com ele daquela maneira, porém logo todos voltaram ao que estavam fazendo. Shirou suspirou, frustrado. Não queria deixá-la irritada, apenas queria mostrar que ele estava disposto a insistir para apenas sair com ela. Porém após ele fazê-lo, Mai entristeceu-se e levantou, saindo do refeitório.
— Muito boa, idiota. – disse Yuuzo – Por que fez isso? Todos viram.
— Cala a boca. Kaya acha que não gosto dela, mas mostrei que gosto.
— Você se fez de idiota. – disse Minato.
— Shirou, desculpe, mas Kaya não acha que você não gosta dela. – disse Haru – Ela que não gosta de você. Então aceite. E acredite, você não está magoando apenas ela.
Ele a olhou e franziu a testa, confuso.
No dia seguinte ao dia dos namorados, Akashi foi à casa de Akae para ler o livro de astronomia. Como Keiichi iria para a mansão Mukami para passar o dia com Aoi, Akashi o acompanhou. Após tocarem a companhia, ouviram alguém correndo e viram Aoi abrir a porta, sorrindo. Keiichi a puxou de repente, abraçando-a e a beijando. Ela riu enquanto o beijava e ele a pegou no colo.
— Keiichi! – Aoi ria.
— Deus, vocês se viram ontem. – disse Akashi, franzindo a testa – Esse amor não tem fim, não?
— Não. – disse Keiichi.
— Ainda bem! – ela sorriu, contente – Né, vamos para o meu quarto. Comprei um vestido novo e quero que você veja.
— Hum. – ele cantarolou, sorrindo maliciosamente – Vai colocá-lo na minha frente?
— Eu ainda estou aqui. – disse Akashi, fazendo-os rir – Aoi, cadê Akae?
— No quarto dela, lendo como sempre. – disse ela, ainda nos braços de Keiichi – Vamos, Keiichi. – balançou as pernas, sorrindo.
Ele subiu as escadas, assim como Akashi e se separaram no corredor. Keiichi e Aoi foram para o quarto dela, que ficava numa das primeiras portas daquele corredor, e Akashi continuou até chegar ao quarto de Akae. Ao fazê-lo, viu a porta entreaberta e bateu duas vezes, abrindo-a suavemente.
— Akae?
Ele a viu sentada na cama com as costas escoradas na cabeceira e um livro aberto sobre as pernas.
— Ah, Akashi. – sorriu suavemente – Entra.
Ele o fez, fechando a porta.
— O livro está ali. – disse ela, apontando para sua estante repleta de livros.
Ele se aproximou e viu os inúmeros e diversos livros que havia. Observou algumas capas e achou o livro que desejava, pegando-o e o abrindo. Caminhou até a cama de Akae e a fez mover-se para o lado, sentando-se e escorando as costas na cabeceira. Começou a ler e Akae achou graça.
— Você é um afoito.
— Hum, palavra difícil. – ele cantarolou, sorrindo – Me sinto burro com seu palavreado rebuscado.
— Debochado.
Ele riu. Akae voltou a ler enquanto ele também lia. Alguns minutos após virarem algumas páginas, Akashi passou a reparar curiosamente em Akae. Ela era um pouco mais nova que ele, porém madura para a idade. E apesar de terem nascido em um intervalo de dois anos, isso não significava muito para um vampiro.
Akae se tornara uma jovem bonita e agora possuía um belo corpo, principalmente com o short jeans e camisa que usava. Ela era o tipo de garota que Akashi gostava, porém nunca a olhou dessa maneira por terem crescido juntos. Especialmente por ele não ser o tipo que namorava, receando-se caso ela quisesse namorar e ele dissesse não.
— Né, você leu todos esses livros? – ele perguntou.
— Sim.
— Então está lendo esse de novo?
— Não. – ela achou graça – Há vários debaixo da minha cama.
Akashi franziu a testa, duvidando e levantou, abaixando e levantando a colcha da cama, vendo mais livros que lotavam a parte debaixo de sua cama. Ele sentou mais uma vez, surpreso.
— Caramba!
Ela riu.
— Você gosta mesmo de ler.
— Claro. – ela sorriu – É divertido. Há livros sobre ciências, mas acredito que os melhores sejam sobre contos. Nos fazem viajar sem sair do lugar.
Ele elevou as sobrancelhas, surpreso e assentiu.
— Também acho. – sorriu suavemente.
— Você não lê! – ela riu.
— Apenas quando necessário. Já me viu tirar alguma nota baixa?
— Não...
Ele sorriu largamente. Akae riu, desencostando as costas da cabeceira e batendo levemente o livro na cabeça de Akashi, que riu. Ambos riam, sentados na cama de Akae. Ao cessarem, olharam-se, ainda com o sentimento de alegria das risadas.
— Você mudou desde que nos conhecemos. – disse ele.
Ela pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha, curiosa.
— Como?
— Acho que tudo. – ele sorriu – Exceto essa obsessão pelos livros.
Ela sorriu.
— Ganhou algum chocolate ontem?
— Algumas caixas. – ele achou graça – Como sou o único que não tem namorada entre Daichi e Keiichi, então acho que todas as caixas que elas dariam à eles, eu ganhei. – riu – E você? Deu chocolates a alguém?
— Não. – disse ela em tom óbvio.
— Jura? Pensei que gostasse de alguém.
Akae negou com a cabeça, achando graça. Ele sorriu, porém desviou o olhar por um momento.
— O que foi? – ela perguntou.
— Nada. Às vezes me lembro daquele dia.
— Não lembre. – disse, gentilmente.
— Não dá. – ele abaixou o olhar, achando graça – Nunca me assustei tanto, Akae.
Ela o olhou de maneira surpresa.
— Não sei... Pensei que você fosse morrer. – disse ele – E então penso que se não estivesse lá, você iria.
Akae semicerrou os olhos, olhando-o. Mesmo vampiros não morrendo tão facilmente, era fofo. Ela apoiou as mãos no colchão, assim como os joelhos. Quando Akashi a olhou, ela o beijou de repente. Ele arregalou os olhos, vendo suas bochechas rosadas. Ele sentia seus suaves lábios tocando os dele e semicerrou os olhos, fechando-os.
Ao cessar o beijo, Akae abriu os olhos, sentando-se.
— Desculpe... – pôs uma mecha atrás da orelha – Foi de re...
Akashi inclinou-se e a beijou novamente. Ela arregalou os olhos, vendo-o cessar e olhá-la. Beijá-la era a melhor coisa que já fizera e ele não queria parar. Pelo menos não naquele momento.
— Akashi...?
Ele a beijou mais uma vez, tocando sua cintura e apertando-a levemente. Akae apertou os olhos ao fechá-los, sentindo-o pôr a língua dentro de sua boca. Enrubesceu, sendo deitada em sua cama. Akashi correu a mão de sua cintura até seu quadril, apertando-o levemente. Ao perceber que desejava mais, parou e a olhou, vendo-a com as bochechas avermelhadas.
— Desculpe. Não devia ter te beijado de novo. – sentou-se, saindo de cima dela.
— Por quê? – Akae perguntou, sentando.
— Você cresceu comigo. Não é legal.
— Seus irmãos não pensam assim. – ela achou graça.
— Eles pensam diferente de mim.
Ela sorriu, inclinando-se e beijando-o mais uma vez, envolvendo seu pescoço com os braços. Ao cessar, semicerrou os olhos em sua direção e manteve as mãos em seus ombros.
— E se eu quiser beijá-lo? – perguntou.
Akashi franziu levemente as sobrancelhas, desviando o olhar por um momento e corando pela primeira vez. Nenhuma garota jamais o fizera corar e Akae sabia disso.
— Sakamaki Akashi está corando? – ela cantarolou, sorrindo.
— Cala a boca... – resmungou.
Akae deixou uma risada, sentando-se e abaixando os braços.
— Relaxe, Akashi. Eu sei que não sou sua namorada apenas por causa disso.
Ele semicerrou os olhos, olhando-a. Por um momento Akashi havia decidido esquecer sobre a regra da semana do dia dos namorados.
— Que bom que sabe.
Ela sorriu.
— Né, me beije de novo. – pediu.
Ele sorriu levemente, inclinando-se e hesitando por um momento. Akae semicerrou os olhos, sorrindo e os fechou. Akashi engoliu em seco, beijando-a.
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