Diabolik Lovers - União de Sangue
49 Capítulo 45: Tsukinami
— Mana... – Rin chamava, balançando-a – Mana, acorde! Acorde, idiota!
Mana despertou, abrindo vagarosamente os olhos. Sua visão turva se adequou em poucos segundos e passou a ver Rin nitidamente, vendo-a balançá-la. Ao olhá-la com a expressão nervosa, lembrou-se imediatamente do que havia acontecido e sentou-se.
— Rin!
— Finalmente! Pensei que nunca ia acordar.
— Você está bem? – ela perguntou, pondo as mãos em sua cabeça.
— Estou. – disse, fazendo Mana abaixar as mãos – Aquele bicho estúpido me atingiu em cheio, mas estou bem.
Mana olhou ao redor, perguntando-se onde estavam e vendo o que aparentava ser um quarto. Era grande e possuía uma cor rosada clara. Elas estavam numa grande cama com colcha dourada, assim como as fronhas dos vários travesseiros. Havia dois criados-mudos e uma bela penteadeira dourada logo após o criado-mudo da direita. Havia uma porta aberta na parede à frente da cama, dando a compreender que era o banheiro, e um armário grande ao lado com um par de poltronas e mesa à frente, sobre um tapete circular. Não havia janela alguma, porém era realmente um belo e majestoso quarto.
Mana olhava para o cômodo, confusa.
— Onde estamos? – perguntou.
— Não faço ideia. Quando acordei, já estávamos aqui.
Mana abaixou o olhar, recordando-se do momento em que perdeu a consciência. Um rapaz de cabelos brancos com metade do rosto coberto esticou a mão em sua direção.
— Nos sequestraram.
— Isso eu acredito que seja óbvio. – disse Rin – Quero saber por quê.
Naquele momento a porta do outro lado do quarto se abriu e elas a fitaram rapidamente. Mana encolheu-se ao passo que Rin se pôs à sua frente. Mesmo sendo mais fraca que Mana, preparou-se para lutar caso precisasse. Ao virem duas figuras peculiares adentrando o quarto, perceberam que eram dois jovens rapazes.
O rapaz que estava à frente possuía cabelos brancos com uma franja, passavam de seus ombros e as pontas tinham tons arroxeados. Seus olhos afiados eram dourados como ouro, assemelhando-se a olhos de cobra. A camisa preta estava completamente abotoada e usava uma espécie de gravata com babados, preso por uma joia. Suas luvas eram brancas e usava um casaco escuro e calças pretas, assim como as botas que chegavam até suas canelas. Ele cobria a parte inferior do rosto com um comprido lenço semelhante a um cachecol, que era enrolado em seus ombros e braços. Mana arregalou os olhos, reconhecendo-o do corredor da mansão.
O outro rapaz usava óculos, porém possuía um tapa-olho no olho esquerdo, tendo duas linhas finas e brancas entrecruzadas sobre o mesmo. Seus cabelos possuíam o tom de loiro enferrujado e seu olho era dourado como ouro. Usava uma camisa preta por baixo de sua camisa branca de mangas compridas, usando por cima um colete preto. Sua calça era escura e usava botas pretas. Em seu pescoço havia uma corrente de ouro com um pingente de caixão de cor avermelhada e em seus braços braçadeiras pretas, além das luvas de mesma cor que usava. Rin franziu as sobrancelhas, irritada.
O rapaz do tapa-olho sorriu de forma animada enquanto o outro dera um passo à frente, dizendo:
— Sejam bem-vindas. Eu me chamo Tsukinami Carla. Este é meu irmão, Shin.
Rin engoliu em seco, dizendo ferozmente:
— Quem são vocês e por que nos sequestraram?
— Já dissemos nossos nomes. – disse Shin, olhando-a fixamente e tracejando um sorriso.
— Acredito que elas desejem saber por qual motivo estão em um local desconhecido. – disse Carla.
— Hum. – ele deu de ombros.
Carla voltou-se para as duas, fitando especificamente Mana e se aproximando da cama. Rin colocou-se a sua frente, porém ele a pegou pelo braço e a fez sair de cima da cama com um puxão. Ela exclamou, sendo segurava por Shin e envolvida em seus braços. Ela o empurrou ao franzir as sobrancelhas e virou-se, porém ele a segurou por trás.
— Fique longe dela! – exclamou – O que vocês querem com a gente?!
— Nada de você. – disse Carla, fitando-a de forma ríspida – Infelizmente meu irmão a trouxe conosco, o que não era para fazer.
— Nii-san, pensei que poderíamos ter um pouco de diversão. – disse Shin, cheirando o cabelo de Rin.
Ela tentou se soltar, porém ele a segurava com força. Seu irmão voltou-se para Mana, dizendo:
— Nós somos os remanescentes dos Fundadores, os dois últimos com a linhagem inteiramente pura.
— Isso é mentira! – exclamou Rin – Todos morreram!
— Você está enganada. Nós estamos aqui.
Mana não compreendia, apenas encolheu as pernas ao olhar em seus olhos. Ele a fitava de forma perturbadora.
— A razão por estar aqui é por desejarmos tomar o poder que nos foi tirado e derrubar o rei. Nosso devido lugar foi tomado e fomos trancados por séculos. Mas felizmente conseguimos sair. E é exatamente por isso que está aqui.
— Eh, mas... – Mana não compreendia – Como eu...?
— Você, uma pura de segunda classe, é o mais próximo que encontramos de pureza sanguínea. E isso nos ajudará a ter descendentes fortes que nos ajudarão no futuro.
Mana arregalou os olhos. Rin franziu a testa, enojada.
— Quer dizer...?
— Você irá gerar nossos descendentes. – concluiu.
Mana o olhava, estática. Seus olhos marejaram enquanto imaginava o que lhe forçariam a fazer.
— Não se atrevam a tocar nela! – Rin exclamou.
— Você é bem nervosinha, né? – cantarolou Shin, aproximando-a ainda mais de seu corpo – Vou me divertir muito.
Rin estremeceu em seus braços, amedrontada.
— Entretanto, – disse Carla severamente – Não nos comportaremos como selvagens para chegarmos ao nosso objetivo. Não é, Shin? – olhou-o.
— Ah, é. – ele sorriu maliciosamente – Infelizmente não gostamos disso.
Mana o olhava, estremecendo em seguida quando ele voltou a olhá-la.
— Por favor, descansem.
Carla caminhou em direção à porta e Shin soltou Rin, acompanhando-o. Fecharam-na, trancando-a e deixando as duas dentro do quarto. Mana fitava a porta de madeira escura, as lágrimas escorreram por seu rosto. Rin franziu as sobrancelhas e voltou-se para ela, que abaixara o olhar enquanto chorava. Ela surpreendeu-se, aproximando-se e subindo na cama, pondo a mão no ombro de Mana ao dizer:
— Ei, não fique assim. Nós vamos sair daqui.
— Eles vão me usar... – olhou-a – Os dois vão me usar para terem filhos. Eles vão...? – calou-se, não conseguia dizer – Eu não quero que façam isso comigo, Rin!
— Eu sei. – disse ela, abraçando-a.
— Quero ir para casa...
— Eu também.
Mana e Rin permaneceram no quarto por algumas horas. Rin tentou abrir a porta à força, porém mesmo com sua força, não conseguia. Ela não compreendeu, porém Mana explicou que eles eram diferentes e que possuíam habilidades diferentes, o que significava que poderiam trancá-las no quarto dessa forma. Rin apoiou as mãos na porta, apertando os olhos ao fechá-los e tentando pensar em algo. Mana abaixou o olhar, entristecida. Rin então abriu os olhos e endireitou-se, mexendo no cabelo.
— O que está fazendo? – perguntou Mana ao olhá-la.
— Eu sempre tenho algum... – procurava pelo cabelo – Achei!
Ela viu um grampo em sua mão e Rin aproximou-se da porta, ajoelhando-se no chão e pondo-o dentro da fechadura, movimentando-o. Franziu a testa, apreensiva, porém ao ouvir um som, sorriu e levantou, abrindo a porta.
— Vamos.
Mana atentou-se, surpresa e levantou rapidamente. Rin segurou sua mão, saindo do quarto com ela e deparando-se com um comprido corredor. Possuía candelabros de parede, que o iluminava. O chão possuía carpete avermelhado e as paredes eram em um tom diferente de bege, quase douradas. Havia algumas mesas com vasos de flores em cima e alguns quadros pendurados nas paredes. As duas caminharam pelo corredor, procurando por uma saída. Após virarem em direção à um terceiro corredor, perceberam como a casa parecia um labirinto. Precisavam apenas de uma janela. Ao encontrarem uma escada, desceram-na até chegarem ao andar de baixo. Era ainda mais requintado que o andar onde estavam, porém apenas continuaram.
Ao verem uma porta dupla completamente aberta, notaram uma grande sala com estantes lotadas por livros, alguns sofás e poltronas acompanhadas por mesas e, enfim, uma janela. Era grande e as duas podiam ver o céu. Ao se aproximarem, viram o sol se pondo e a altura gigantesca do andar onde estavam. Perceberam que o lugar era uma grande mansão com vários andares e uma extensão gigantesca. Ao segurar na janela para abri-la, Rin foi puxada por trás, exclamando e sendo envolvida pelos braços de Shin.
— Ora, ora, o que temos aqui. – ele cantarolou.
— Rin!
— Me solte, seu pirata estúpido! – ela exclamou.
— Pirata...? – ele franziu as sobrancelhas – Sua abusada!
Mana arregalou os olhos, temendo que ele pretendesse fazer algo contra Rin, porém viu Carla adentrando o cômodo.
— O que está acontecendo? – perguntou.
— As duas queriam sair pela janela.
— Hum.
Carla aproximou-se de Mana, que estremeceu, e segurou em seu pulso.
— O que eu faço com ela? – perguntou Shin.
— Tranque-a na cela.
Shin sorriu de forma maliciosa, levando Rin consigo. Mana tentou impedir, porém ainda era segurava por Carla.
— Rin! – exclamou, vendo-a tentar se soltar.
Ela desapareceu ao virar à esquerda com Shin. Carla levou Mana de volta para o quarto, puxando-a pelo pulso durante todo o caminho e jogando-a para dentro ao adentrarem-no. Ela virou-se, receosa e o viu fechar a porta. Estremeceu, pensou que ele a usaria naquele momento em que estavam sozinhos, porém Carla olhou para o chão e pegou o grampo ao qual Rin usou para abrir a porta.
— Então foi assim que saíram. – pensou – Engenhoso.
Ele a olhou, pondo o grampo no bolso e aproximando-se de Mana, que recuou até próximo da cama. Carla segurou seu braço, puxando-a para si e enfiando a mão em seu cabelo. Ela encolheu-se, fechando os olhos e apertando-os, porém ele não fez nada além disso.
— Parece que não há grampos no seu cabelo. – abaixou a mão.
Mana abriu os olhos e o viu pôr as mãos dentro de sua blusa, aproximando-as de seus seios.
— Não...! – exclamou, corando e recuando.
Ele franziu as sobrancelhas, impaciente e forçou-a a deitar na cama. Mana encolheu-se, com medo, porém Carla apenas tirou seu sutiã e afastou-se. Ao se sentar e encolher-se, ela o viu arrancar de dentro de seu sutiã os dois aros e devolvê-lo para si, jogando-o sobre a cama. Mana o pegou rapidamente, nem sequer pensou que poderia usar isso.
— O grampo era dela? – ele perguntou.
Ela o olhou, porém não conseguindo falar. Carla franziu as sobrancelhas, impaciente mais uma vez.
— Fale!
Mana assustou-se, encolhendo-se.
— S-Sim.
Ele acalmou o olhar, observando-a. Seu objetivo anterior era trazer uma garota pura para que gerasse seu herdeiro, porém não imaginava que Mana poderia ser tão bonita. Mesmo em seu comportamento amedrontado ao qual o irritava, ele a olhava nos olhos. Olhos tão dourados quanto ouro. Tirou uma de suas luvas brancas, aproximando-se e tocando seu cabelo, sentindo a maciez das mechas loiras. Mana o olhava, apreensiva, não vendo nada além do que aqueles olhos e o lenço.
Ele correu a mão pelos cabelos de Mana e tocou seu ombro, sentindo sua pele e descendo a mão. Segurou na parte de trás de seu joelho e puxou-a para si, porém ela fechou os olhos, encolhendo-se e tremendo enquanto abraçava o sutiã contra o peito. Carla abaixou a mão, franzindo levemente as sobrancelhas.
— Seria mais fácil não resistir. – disse ele – Você não vai sair desta casa.
— N-Não pode fazer isso comigo. – olhou-o – Eu sou casada.
— Se me importasse com isso, não a teria trago.
Ele segurou seu queixo, olhando em seus olhos.
— Não pertence ao meu caráter forçá-la a tal ato. Apenas esperarei até desistir, não deve demorar.
Ela franziu as sobrancelhas.
— Eu nunca vou fazer isso com um homem que esconde o rosto!
Carla soltou seu queixo, segurando o lenço e o desenrolando uma vez, mostrando o rosto.
— Agora está bom?
Mana franziu a testa, desviando o olhar. Ele possuía uma expressão ríspida, porém ao mesmo tempo bela. Não esperava que ele fosse bonito e isso tornou tudo ainda mais desconfortável. Ela franziu as sobrancelhas, olhando-o de forma aborrecida.
— Não vou me deitar com você. – disse com a voz trêmula.
— Não esperava que o fizesse na primeira noite.
Ele afastou-se e caminhou em direção à porta.
— Onde está Rin? – exclamou.
Ele a ignorou, saindo do quarto e trancando a porta. Mana sentou-se na cama, perguntando-se para onde Shin levara Rin. Abaixou o olhar, por que isso estava acontecendo? Ocorreram tantas coisas até enfim ela se casar com Reiji. E agora fora tirada dele para fazer parte de um plano horrendo e ser usada por dois homens. Encolheu-se, abraçando as pernas. Ela queria mais que tudo voltar para casa.
Após Shin se retirar com Rin, levou-a para a cela como o irmão havia mandado. Enquanto a segurava por trás pelos braços, desceu os três andares que restavam para o primeiro andar e direcionou-se até outro corredor. Caminhou até uma porta e segurou Rin pelo braço, abrindo-a e descendo uma comprida escada com ela. Rin engoliu em seco, perguntando-se o que Carla estaria fazendo com Mana naquele momento.
Ao terminar o longo lance de escada, os dois passaram por uma entrada em arco de pedra e chegaram a um cômodo feito inteiramente de grandes pedras com várias portas de ferro. Rin percebeu que era um corredor de uma espécie de masmorra. Possuía vinte metros e no fim havia uma janela no topo com barras de ferro. Tentou se soltar, porém Shin era incomparavelmente mais forte que ela.
Rin foi levada até a primeira porta e ele a abriu, adentrando a cela com ela. Shin a levou até uma espécie de estrutura feira de madeira e correntes. Virou-a para si e a encostou na comprida tábua de madeira, prendendo-a pela cintura com um ferro em forma de meia lua. Fazia-o com um sorriso, olhando-a nos olhos. Rin não compreendia por qual motivo ele a estava prendendo daquela forma. Afinal, poderia trancá-la facilmente como antes.
Ao algemar seus tornozelos e pulsos, ele prendeu uma corrente nas algemas de suas mãos, que eram ligadas uma a outra. A corrente subia até um círculo de ferro e Shin segurou a outra ponta, puxando-a e fazendo com que Rin levantasse os braços até ficarem levemente esticados, prendendo a ponta ao lado da estrutura.
— Agora não vai sair daqui. – sorriu.
Ela o olhava, irritada.
— Você é um miserável.
— E você é muito bonita. – disse ele, aproximando-se.
Rin arregalou os olhos, vendo-o sorrir daquela forma. Ele a beijou repentinamente, tocando seu rosto. Ela fechou os olhos, apertando-os ao sentir a língua dele dentro de sua boca. Shin passou a segurar seu maxilar de modo que não a deixasse fechar a boca para morder sua língua. Ao cessar, olhou suas bochechas rosadas e sorriu.
— Né... Viu como gostou?
Ela virou o rosto, fazendo-o soltá-lo. Na verdade, Rin se sentia humilhada.
— O que mais você tem pra mim? – ele cantarolou.
Ao se aproximar mais uma vez e tocar o decote da blusa de mangas compridas de Rin, ela arregalou os olhos. Antes que ele pudesse abaixar uma parte de sua roupa, ela deu-lhe uma forte cabeçada, fazendo-o exclamar de forma desconcertada e afastar-se.
— Você me bateu! – pôs a mão na cabeça – Sua insolente!
— Não vai me tocar!
Ele franziu as sobrancelhas, rangendo os dentes e aproximando-se.
— Vou tocar você o quanto eu quiser! – segurou em seu pescoço.
Rin o olhava, pensando que ele a sufocaria, porém viu-o pôr a mão em sua nuca e aproximar o rosto de seu pescoço, mordendo-a brutamente. Ela exclamou, sentindo suas presas penetrando sua pele. Seus olhos marejaram, o único que havia bebido seu sangue fora Laito.
— Ah...! Isso dói! – exclamou, trêmula.
Ele cessou, olhando-a de forma aborrecida.
— É porque estou mordendo com força. – segurou seu queixo, fazendo-a olhá-lo – Se não quiser que eu faça de novo, melhor ser boazinha. – beijou-a.
Rin semicerrou os olhos, sentindo a língua dele mais uma vez dentro de sua boca e virou o rosto de forma humilhada quando ele cessou. Shin a olhava, aborrecido. Não queria que ela resistisse tanto para ceder, porém sabia bem que não deveria sequer tê-la trago com eles. Ele virou o rosto, bufando e saiu da cela, trancando a porta. Rin fitou a porta de ferro, começando a chorar e fechando os olhos ao apoiar a cabeça em seu braço esticado.
— Laito...
Rin e Mana permaneceram trancadas por dias, porém ao menos Rin sabia quando era dia e quando era noite por causa da janela no alto da parede em sua cela. Mana, por outro lado, não fazia ideia de quantas horas dormia ou por quanto tempo estava dentro daquele quarto. As únicas coisas que fazia era ficar sentada na cama, dormir, tomar banho e comer. Uma bandeja sempre surgira enquanto dormia e sempre desaparecia após dormir, mesmo ela não precisando de comida. Porém era perturbador e pensava que um dia iria enlouquecer se continuasse ali.
— Reiji... – disse a si mesma, abraçando os joelhos em cima da cama.
As lágrimas escorreram, porém ela as limpou imediatamente. Não podia ficar parada, precisava fazer algo. Rin o fez logo na primeira noite, então ela o faria também. Tentou pensar em algo que pudesse destrancar a porta, porém não havia nada no quarto parecido com um grampo. Ela pôs uma mecha do cabelo atrás da orelha e sentiu seu brinco de argola balançar. Arregalou os olhos, tirando-o rapidamente e moldando-o. Aproximou-se da porta, fazendo o mesmo que Rin. Após longos minutos, conseguiu destrancá-la e saiu.
Adentrou o corredor com cautela, caminhando para o lado oposto ao qual direcionaram-se antes. Andou por alguns metros, até que viu uma porta entreaberta. Mais uma sala, porém gigantesca e repleta de pinturas. Ela maravilhou-se por todas. Belas artes emolduradas nas paredes, porém atentou-se à uma janela na parede oposta. Correu até lá e a abriu, subindo no peitoril. Era noite. Observou a grande altura e não hesitou, pulou.
Mana aterrissou no chão, apoiando as mãos e começando a correr. Olhou ao redor, dizendo a si mesma que fugiria e voltaria com os meninos para buscar Rin. Não adiantaria procurá-la pela mansão e ser trancada mais uma vez. Ao aproximar-se de um muro, também o pulou e adentrou na floresta. Corria, respirando de forma ofegante e arregalou os olhos ao ouviu uivos. Apressou-se ainda mais, não poderia levada de volta.
Mana ouviu passos rápidos na floresta e um rosnar alto. Olhou para trás e viu alguns lobos correndo atrás dela. Lembrou-se que não conseguiu correr deles em casa, então pulou para as árvores e passou a saltar pelos galhos. Os lobos rosnaram mais, continuando a correr. Mana distanciou-se, porém aterrissou próximo a um rio. Era longe até chegar à margem do outro lado e a correnteza estava um pouco forte, porém ao ouvi-los se aproximando, pulou da água.
Os lobos pararam na beira do rio, vendo-a tentar nadar para o outro lado. Com a correnteza, Mana emergiu obrigada algumas vezes. Porém mesmo com dificuldade, conseguiu atravessar e saiu da água. Levantou-se e apoiou-se numa árvore, recuperando o fôlego. Olhou para trás, não vendo mais os lobos. Ao caminhar, porém, foi segurava pelo braço e virada, vendo Carla e arregalando os olhos.
— Achou realmente que seria tão fácil? – perguntou.
— Hum... – Shin cantarolou, surgindo – Se molhou à toa, loirinha.
— Meu nome é Mana! – ela exclamou, enfurecida.
Ele sorriu de forma maliciosa, aproximando-se e amarrando um lenço em sua cabeça, vendando-a. Levaram-na de volta para a mansão, caminhando calmamente. Ela não sabia em que direção iam ou que corredores viravam, porém ouvia portas se abrindo e o som de uma porta de ferro pesada abrindo-se. Sentiu-os algemando-a numa parede e a venda foi retirada, possibilitando-a de ver uma cela de masmorra. As paredes eram feitas por grandes pedras e a porta, como pensou, era de ferro.
— Eh...? Uma masmorra?
— Hum. – Shin assentiu, sorrindo.
Carla a olhava com os braços cruzados.
— Shin, deixe-nos a sós.
— Mas...!
— Agora.
— Tá bom. – disse ele, incômodo, e saiu.
Carla aproximou-se dela, que estava em pé e acorrentada à parede.
— Não conseguirá se sentar, porém ao menos ficará de joelhos. – disse ele, tocando suas roupas molhadas – Se desejar, posso trocá-la.
Ela desviou o olhar, enfurecida.
— Quero que me deixe sair daqui. – olhou-o – Nos deixe ir embora!
— Não adianta alterar a voz. – disse ele, calmo – Porém se o fizer de novo, terei de castigá-la novamente.
— Novamente...?
— Por que acha que está aqui? Você fugiu. Então ficará aqui por algum tempo.
Ela o olhava, apreensiva. Carla aproximou-se mais, tocando seu rosto e tirando seu cabelo loiro da frente de seu pescoço. Mana estremeceu, ele se aproximou e mordeu-a, bebendo seu sangue. Ela apertou os olhos ao fechá-los, ouvindo o som que ele emitia enquanto o fazia. Carla ofegava, às vezes gemendo. Estava sentindo prazer com aquilo enquanto ela apenas queria que ele se afastasse. Ao cessar, olhou-a e a viu com a expressão envergonhada.
— Eu vou embora... – disse, entristecida – Eu vou conseguir ir embora e trazer os outros.
— Outros? Aqueles em sua casa ou seu marido, que não veio até agora procurá-la?
Carla se aproximou e tocou seu rosto mais uma vez, observando seu olhar.
— Você é tão feroz quanto um lobo. – disse ele, vendo-a franzir o cenho – Não notou ainda que seu marido não está procurando por você?
Mana o olhou de forma surpresa.
— Ele está sim! Apenas se passaram alguns dias, ele está me procurando!
— Alguns dias. – ele deixou escapar um sorriso – Faz duas semanas que está aqui.
Ela arregalou os olhos, estática.
— Eh... – seus olhos marejaram – Ele está me procurando sim... Ele me ama e vai me encontrar!
— Hum. Você verá em breve.
Mana o olhou, hesitante. Carla virou-se e caminhou até a porta, saindo e fechando-a. Ela o ouviu trancá-la e seus passos se distanciando. Abaixou o olhar, as lágrimas escorreram. Reiji com certeza viria buscá-la. Com certeza. Ele a salvaria e a levaria para casa. Era apenas questão de tempo até chegar.
— Mana.
Ela levantou o olhar, ouvindo a voz de Rin.
— Mana.
— Rin? – surpreendeu-se – Onde você está?
— Na cela ao lado. Estou aqui desde aquele dia.
Ela abaixou o olhar.
— Duas semanas...
Rin atentou-se, dizendo:
— Ei, não acredite nele. Reiji está vindo, assim como Laito. Eles vão nos achar. Apenas não chegaram ainda porque não sabem onde estamos. É só isso.
— Jura?
— Não duvide deles. Eles vão vir, devemos apenas esperar.
Mana levantou o olhar, tendo esperanças.
— Eles vão vir... – disse, sorrindo levemente – Eles vão vir.
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