Diabolik Lovers - União de Sangue

34 Capítulo 32: Tensões - parte IV


Antes de Yuma mordê-la, Masami por um momento pensou que poderia ter um relacionamento com Shuu. Eles ouviam música juntos em sua cama, conversavam às vezes e no dia do ataque, ele se preocupou com ela e se sentiu culpado por não estar ao seu lado. Mas depois de seu comportamento no corredor do colégio, Masami não sabia mais se seu casamento seria uma relação de verdade ou simplesmente um casamento arranjado. Shuu a surpreendeu naquela hora e ainda mais quando ela fora tirar satisfações com ele.

Passados trinta dias, ela comportava-se com ele como quando chegara à casa Sakamaki. Ele a ignorava, então ela o ignorava. Se Shuu não se importava com o que ela fazia ou com quem fazia, ela não se importava mais com ele. Isso ficou claro para Masami, ele não a defendeu de Yuma, apenas o deixou mordê-la. Então ela se aproximaria justamente dele por conta de sua raiva.

Masami agora passava metade de seu tempo com Yuma. Não necessariamente conversando e rindo com ele. Mas indo até ele para beber seu sangue. Porém por mais que seu desejo fosse suprido pela metade com o sangue de Yuma, Masami sentia falta de Shuu. Ele agora parecia fingir que ela não existia e, por mais que isso a surpreendesse, fazia seu peito doer.

Em seu quarto, ela estava deitada na cama ao passo que Mana, que também estava deitada.

— Masami... – chamou-a, fitando o teto da cama – O que houve com você e Shuu?

— Em relação à que?

— Vocês estão tão estranhos. E isso não é de hoje.

— Hum.

“Trinta dias”, pensou ela, sabendo bem há quanto tempo estavam estranhos um com o outro.

— Aconteceu algo? – Mana perguntou, olhando-a.

— Shuu apenas não é... Quem eu pensei que fosse.

— Ah.

— Não precisa se preocupar.

— Eu sempre me preocupo. – disse Mana, sentando-se e olhando-a – Mesmo não sorrindo sempre, eu sei quando está triste.

— Não estou triste. – ela sorriu suavemente.

— Tudo bem. Quando quiser falar comigo, pode falar.

Masami desviou o olhar por um momento. Não gostava de esconder coisas de Mana, porém ela não queria ouvi-la dizer que deveria conversar com ele e parar de beber o sangue de outro rapaz. Ela queria apenas manter os pensamentos dentro de sua cabeça.

Poucos dias depois, Masami estava no colégio. Acabara de sair da piscina, vestida em seu maiô escolar. Ficou até depois da aula, nadando sozinha. Tirou a touca e deixou os cabelos penderem sobre suas costas. Penteou-os ali mesmo e pôs a escova sobre o sofá, pegando uma toalha. Ao fazê-lo, notou Shuu ao seu lado. Ela levantou o olhar, vendo-o inexpressivo. Ele a observava em seu maiô justo, percebendo como seu corpo era belo e esbelto.

— O que foi? – ela perguntou.

— Nada. – disse ele, segurando seu braço.

Shuu a fez deitar-se no sofá, apoiando os braços e olhando sua expressão. Ela o olhava, levemente surpresa. Há semanas ele não se aproximava dessa forma. Assistiu-o tocar seu rosto e correr sua mão para baixo, tocando seu pescoço e chegando ao seu ombro, abaixando a alça grossa do maiô. Masami enrubesceu, olhando-o aproximar-se e mordê-la em sua clavícula. Ela arquejou, fechando os olhos e sentindo suas presas. Enrubesceu, lembrando-se como era a sensação de tê-lo sobre si. Segurou em seu cardigã, apertando-o.

— Shuu...

Ele cessou, respirando de forma ofegante e levantando. Masami se sentou, levantando a alça do maiô e olhando-o se afastar.

— Aonde você vai?

— Isso não importa à você.

Ela franziu a testa, surpresa. Ao vê-lo ir embora, franziu as sobrancelhas e desviou o olhar. A raiva súbita lhe possuiu, ele acabara de usá-la. Abaixando o olhar, ela abraçou os joelhos, confusa entre a tristeza e a raiva.

No vestiário feminino, Masami estava debaixo do chuveiro. A água caía sobre sua cabeça, ela não se importava se estava quente ou fria. Apenas olhava para baixo com a mão na parede, perguntando-se o que havia feito para que Shuu mudasse tão radicalmente. Um dia ele estava bem e no outro, se tornara frio. O que houve?

Ao se secar e vestir-se, saiu do vestiário com o olhar baixo. Porém ao ver a porta aberta do vestiário masculino e sons do lado de dentro, sentiu o cheiro de Yuma, parando. Franziu a testa, pensando. Porém adentrou o lugar. Estava vazio, mas há alguns metros, viu Yuma atrás de uma fileira baixa de armários. Caminhou, adentrando o corredor de armários e vendo-o. Ele usava apenas as calças e sapatos do uniforme, estava sem camisa. Secava o cabelo solto com a toalha e o amarrou em seu bolo costumeiro, largando a toalha sobre o banho que havia.

Masami aproximou-se, o que o fez notá-la e se mostrar surpreso. Ela estava com os cabelos soltos e húmidos, olhando-o de forma inexpressiva.

— Masami? Aqui é o vestiário masculino.

— Não sou burra. – ela franziu as sobrancelhas.

Ele a viu se aproximar, tocando seu peitoral nu e correndo a mão suavemente para baixo, aproximando os lábios e mordendo-o próximo ao mamilo. Ele torceu a expressão, segurando em seus ombros.

— Ei...! Espera...!

Yuma a fez cessar.

— O que aconteceu?

— Você já deveria saber depois de todo esse tempo. – dizia ela, olhando-o – Quando quero beber seu sangue, eu bebo.

Ele franziu as sobrancelhas.

— Vá embora, estou me vestindo.

Ela o olhou, aborrecida. Segurou seu braço de repente, puxando sua perna com o pé e fazendo-o cair para trás. Yuma exclamou, caindo deitado no chão e vendo Masami se pôr sobre ele antes mesmo de assimilar o que ocorrera. Ela apoiava as mãos e joelhos no chão, ficando sobre seu corpo e fazendo-o franzir a testa de forma desconcertada.

— Você é maluca?!

— Calado.

Masami aproximou o rosto de seu pescoço, beijando-o e correndo os beijos até seu peitoral. Yuma desviou o olhar, corando levemente. Acreditava que ele deveria estar fazendo isso com ela e não o contrário. Ao sentir as presas dela perfurando seu abdômen, exclamou:

— Pare com isso!

Ela levantou a cabeça, olhando-o de forma inexpressiva.

— Hum, não está gostando?

— Não vem com essa! – ele exclamou – Está me mordendo há um mês. Por que não posso te morder?

— Ah, esqueci. Homens não gostam de ser mordidos. Que novidade.

Yuma franziu as sobrancelhas, enraivecido. Segurou os braços de Masami e virou-a, deitando-a no chão e ficando sobre ela.

— Que tal essa agora, porca? – ele sorriu desafiadoramente.

Masami franziu levemente as sobrancelhas pela maneira como ele a chamou, porém tocou seu peito. Yuma vacilou, corando.

— Ah... – cantarolou ela, calmamente – Você sente vergonha?

— Cale a boca! – ele exclamou, olhando-a – Não enche o saco. – desviou o olhar.

Masami sorriu com os olhos semicerrados, achando graça. Apoiou-se com os cotovelos, mordendo seu pescoço. Yuma torceu a expressão, pondo o braço em volta de sua cintura e levantando. Pôs-se de pé, colocando-a contra o armário. Apertou sua cintura, ofegando e franziu levemente as sobrancelhas, segurando sua coxa e levantando-a sobre sua perna. Estreitou os olhos, enraivecido. Ela quem deveria estar se apaixonando, e não ele.

Yuma apertou sua coxa, fechando os olhos. Ao cessar, Masami o olhou, esperando.

— Pode me largar?

Ele despertou, arregalando os olhos em sua direção. Soltou-a, vendo que sorria.

— Está rindo por quê? – perguntou, aborrecido.

— Nada. – achou graça, virando-se para ir.

— Ei! – ele exclamou.

Yuma segurou seu braço, fazendo-a voltar e segurando-a por trás. Masami franziu as sobrancelhas, tentando se soltar e percebendo como ele era forte para um impuro.

— Me solte. – ordenou.

— Não.

Ela elevou as sobrancelhas, surpresa.

— Você veio aqui e me mordeu, além de fazer outras coisas. Acha que não vou fazer nada?

— Ah... – ela cantarolou, virando levemente a cabeça para olhá-lo – Por acaso ficou excitado?

Ele rangeu os dentes, pondo-a contra o armário. Olhou-a de forma aborrecida, vendo sua expressão indiferente. Ele ficou com raiva, imprensou Masami contra o armário com o próprio corpo e segurou sua coxa, levantando-a. Ela ainda não demonstrava nada, o que o deixou com mais raiva. Ele então acariciou sua coxa, apertando-a e percebendo que ela franzia as sobrancelhas.

— Então você não é frígida, porca. – ele sorriu maliciosamente.

— Já disse para não me chamar de porca.

— Cala a boca.

Yuma segurou seu rosto, aproximando os lábios. Masami arregalou os olhos, virando o rosto e fazendo com que ele o soltasse. Yuma franziu a testa em dúvida, vendo-a incomodada.

— É só um beijo.

— Não é só um beijo! – ela exclamou, olhando-o.

Ele a olhou de forma surpresa, vendo seus olhos marejados.

— Ei...

— Faça o que quer e acabe logo com isso!

Ele ainda franzia a testa, porém mostrou-se irritado e a mordeu em seu pescoço, fazendo-a arquejar. Apertou sua cintura, fazendo o mesmo com sua coxa e sentindo-a ofegar, aproximando mais seu corpo do dela. Masami enrubescia, ofegando e sentindo-o cada vez mais próximo de seu âmago.

Após cessar, Yuma largou-a e a olhou por alguns momentos, vendo-a com o olhar baixo.

— Por que não me deixou beijá-la, mas me deixou mordê-la?

— Isso não interessa a você.

— Nunca beijou ninguém?

Ela o olhou.

— Quer que todas as suas experiências sejam com ele? – Yuma perguntou – Ele não se importa com você.

— Ele se importava.

— Isso é passado.

— Não faça isso.

— O que? Dizer a verdade?

— Não. – disse ela, olhando-o de forma tenra – Não se apaixone por mim.

Yuma por um momento paralisou, porém riu em seguida.

— Não fale idiotices.

— Eu sei que está. Não totalmente, mas... Está. Sabe como sei?

Aproximou-se dele, tocando gentilmente seu peito. Yuma a olhou de forma surpresa, enrubescendo levemente.

— Porque você me olha dessa forma. – disse ela.

— Não diga idiotices. – ele desviou o olhar – Você que está se apaixonando por mim.

— Hum, pode ser. – ela abaixou a mão, desviando o olhar.

Yuma surpreendeu-se.

— Pare de brincar comigo!

— Eh? – olhou-o – Você que disse isso.

Ele estalou a língua, virando o rosto. Masami sorriu, pondo-se na ponta dos pés e beijando sua bochecha. Yuma arregalou os olhos, olhando-a. Ela se virou e foi embora do vestiário.

No terraço, horas depois, Yuma estava sentado no banco de madeira com a perna para cima. Ruki estava em pé ao lado de Azusa e Kou.

— Está difícil. – Kou reclamou – Subaru me bateu por tentar beijar Yuka-neko-chan. E o irmão dele me ameaçou.

— Acha que ele pode ser um problema? – perguntou Ruki.

— Não sei. Mas ele é estranho.

— Kanato-san... Me empurrou quanto tentei... Beijar Reiko-san. Mesmo ela não... Tendo deixado. – disse Azusa.

— Essas garotas são tão difíceis! – exclamou Kou de forma infantil.

— E você, Yuma? – perguntou Ruki.

Yuma olhava para cima, pensando sobre o que Masami dissera. Por que ela se importava tanto com um beijo? E realmente era visível e possível que ele estivesse se apaixonando por ela? Ela era tão diferente, não astuta e inteligente.

— Yuma. – Ruki o chamou.

— Eh. – olhou-o, despertando – O que foi?

— Como está o processo? Há algum progresso?

— Hum, talvez.

— Jura? – Kou exclamou.

— Hum. – concordou – Quando disse que ela estava se apaixonando, ela disse “pode ser”.

— Pensei que você teria mais trabalho em vista à personalidade dela. – disse Ruki – Impressionante.

— Ela é mesmo do jeito que eu falei, mas... Parece diferente agora. Como se estivesse decepcionada. O cara com quem ela está parece não se importar. Não fez nada quando a mordi.

— Ah... – Kou reclamou – Queria que Subaru não se importasse!

— Pelo menos alguém está progredindo. – disse Ruki.

Yuma abaixou o olhar.

— É, talvez.

Na casa Sakamaki, os corredores estavam silenciosos. Cada casal ocupava-se entre si ou simplesmente cada residente ocupava-se com ele próprio. O que era o caso de Masami. A sala de estar do segundo andar, onde ocorrera a festa poucos meses atrás, era apenas dela naquele momento. Pedira permissão ao diretor para levar consigo um dos violinos da sala de música para casa por alguns dias e trabalhou em uma nova música, naquele momento praticando.

Como sempre, seus problemas desapareceram enquanto tocava. Ela encontrava-se de olhos fechados, e não percebeu Shuu adentrar o cômodo. Ele a olhara de forma inexpressiva, porém acalmou o olhar. Sentou-se em um dos sofás, assistindo-a. Seus movimentos eram suaves tanto quanto sua expressão. Por um momento ele abaixou o olhar, pensando. Masami cessou a melodia, abaixando o violino e percebendo Shuu próximo de si, sentado no sofá. Acalmou o olhar, perguntando:

— O que está fazendo aqui?

Ele a olhou.

— Ouvi a melodia. Está boa.

— Obrigada.

Ela caminhou até a caixa do violino, que estava sobre a mesa de centro e o guardou. Ao endireitar-se, assustou-se por ter seu pulso segurado. Shuu a virou para ele e pôs seu braço ao redor de sua cintura. Ela o olhava de forma surpresa, vendo seus olhos azuis naquela expressão calma.

— Shuu...?

— Hum.

Ela não conseguiu dizer nada, apenas o olhava com a boca semiaberta. Ele franziu levemente as sobrancelhas e aproximou sua mão, abaixando uma das mangas de seu vestido. Masami enrubesceu, desviando o olhar. Ele via a marca das presas de Yuma.

— Então... Realmente está deixando-o mordê-la.

— Às vezes não tenho como impedir. – disse ela, olhando-o seriamente – Mas pensei que não se importasse com o que faço.

Ele a soltou, olhando-a.

— Tem razão. Não me importo.

— Afinal, nosso casamento é arranjado. – disse ela, temendo que ele confirmasse.

— Hum. – virou-se – Tem razão.

Masami arregalou os olhos, exclamando:

— Shuu!

Ele parou, voltando-se para ela.

— O que?

— Você... – hesitou – Eh... Você...!

— Não sabe falar? Ou talvez sua voz tenha sido gasta nos gemidos que dera à ele?

Ela franziu a testa, estática por um momento.

— O que aconteceu com você?

Ele franziu levemente as sobrancelhas.

— Beije-o, durma com ele. Não me importo.

Ela franziu as sobrancelhas, contendo o choro que logo vinha.

— Você está... Destruindo a afeição que tenho sobre você.

— Olhe para mim. Acha que me importo? Não sou seu marido e nosso casamento é arranjado, como você falou. Não me importo com o faz, quando vai compreender?

— Quando disser de uma vez. – ela cerrou os punhos.

— O que? – ele achou graça, zombando – Que não amo você? Por acaso amei um dia?

Ela arregalou lentamente os olhos, vendo-o virar-se e ir embora da sala de estar. Masami se sentou no sofá, pondo a mão sobre o abdômen. As lágrimas vieram sem hesitar, escorrendo por seu rosto. Agora que ouvira, ela sabia. Masami o amava. E isso doía.

Shuu caminhou pelo corredor, passando por uma porta entreaberta. Ao lado da porta, Reiji ajeitou os óculos após ouvir a conversa.

No dia seguinte, Masami caminhava pelo corredor do colégio no intervalo e avistou Yuma em frente ao quadro de avisos. Se aproximou, segurando sua mão e o levando consigo de repente, deixando-o confuso. Subiu as escadas com ele. No lance debaixo, Shuu os viu juntos enquanto subia os degraus. Masami adentrou o terraço com Yuma, fazendo com que se deitasse em um dos bancos e pondo-se sobre ele, afastando a gole de seu pescoço e beijando-o.

— Ei, Masami...?

— Apenas fique quieto. – pediu.

Yuma não compreendeu, porém pôs as mãos em sua cintura, sentindo-a mordê-lo. Ela parecia tremer enquanto bebia seu sangue. Ele franziu as sobrancelhas e se sentou, o que a fez sentar-se em seu colo. Abraçou-a enquanto continuava. Ao cessar, ela abaixou o olhar e limpou os lábios, não o deixando ver seu rosto. Ele tirou sua mecha em espiral da frente e beijou seu pescoço, acariciando sua coxa. Mordeu-a, fazendo com que ofegasse e apertasse sua roupa. Ele sentiu o sabor de seu sangue, fechando os olhos.

Atrás da porta do terraço, Shuu os ouvia. Seu olhar estava baixo, ligeiramente entristecido. Espiou-os, vendo Masami sentada no colo de Yuma enquanto ele bebia seu sangue. Franziu as sobrancelhas, enraivecido, porém se retirou dali. Ao descer o primeiro lance de escadas, viu Reiji de pé no segundo lance e voltado para ele. Shuu o ignorou, passando por ele. Reiji ajeitou os óculos, virando-se.

— Eu tenho observado vocês. – comentou.

Shuu parou.

— Estão distantes e discutem quase todos os dias. Porém agora sei o motivo. Aquele impuro.

— E o que isso importa à você, Reiji?

— Nada. Porém creio que deve tê-lo reconhecido, não? Não imaginava que estivesse vivo. Me pergunto como sobreviveu e quem o transformou.

— Cale a boca.

— Ah, claro. – disse ele – Esta é sua resposta para tudo. Ignore e deixe para outro. É o que está fazendo com ela? Por acaso se sente culpado? Não vejo razão, eu quem ateei fogo naquele lugar.

Shuu voltou-se para ele, franzindo as sobrancelhas.

— Não venha com essa conversa de novo.

— Claro que não. – cantarolou Reiji, sorrindo maliciosamente – Sinceramente, me pergunto por qual motivo você é preguiçoso. Acreditava que era por ter sido mimado, uma raiz podre que fora cultivada. Porém não é apenas isso, agora vejo. Tenho em mente que seja culpa. E um bom exemplo é Masami.

— Cale a boca.

— Ah, mais uma vez? – debochou – Você sente culpa por ele ter perdido a vida que tinha e deu de bom grado sua noiva à ele quando ele quis.

Shuu desviou o olhar, irritado. Reiji suspirou.

— Afinal, o que há com você?

Ele o olhou, surpreso.

— Eu o odeio. – disse Reiji – Odeio de todas as formas possíveis. Porém você está sendo desprezível. Recebemos como noivas estas garotas. Mana era irritante de todas as formas possíveis, porém... Agora não é mais. Então... Se por acaso não deseja perder sua noiva, impeça aquele impuro de conquistá-la.

Reiji desceu as escadas, passando por Shuu. Ele abaixou o olhar, enraivecido, e olhou para o andar de cima, cerrando os punhos.

No dia seguinte, Masami e Yuma estavam mais uma vez no terraço. O céu estava escuro, porém as estrelas cintilavam e o terraço era iluminado pela lua. Yuma beijava o pescoço de Masami, que fora colocada contra a parede. Ela respirava de forma ofegante, sentindo-o chupar seu pescoço. Sentia prazer, apertava sua roupa.

Yuma cessou, olhando-a e aproximando os lábios dos seus. Porém Masami percebeu e virou o rosto. Ele acalmou o olhar.

— Me deixe beijá-la. – pediu.

— Não.

— Por quê?

— Apenas não.

Ele franziu a testa em dúvida, dizendo:

— Provavelmente vou fazer uma pergunta idiota. Mas você quer que seu primeiro beijo seja com ele. Não é?

Masami o olhou, abaixando o olhar por um momento.

— Entendi. – disse ele, sorrindo e segurando seu queixo, fazendo-a olhá-lo – Se me deixar beijá-la. Faço com que se esqueça dele.

Ela atentou-se, interessada. Após semanas sendo ignorada e usada, Masami estava saturada. Não aguentava mais o comportamento de Shuu e aquela tristeza e dor que a assombravam. Queria esquecê-lo, acabar de uma vez por todas com aquele sentimento que apenas a fazia sofrer.

Yuma semicerrou os olhos, aproximando o rosto. Masami o olhava chegar cada vez mais perto. Porém quando seus lábios estavam prestes a se tocarem, ela pôs a mão sobre seu peito, parando-o. Yuma despertou, afastando-se e vendo seus olhos marejados. Masami sorriu para ele, surpreendendo-o ao mesmo tempo em que ficava confuso.

— Me desculpe. – disse ela – Mas não consigo. Dói muito, mas é o que sinto por ele.

Ele acalmou o olhar, sorrindo levemente ao assimilar e assentir. Yuma compreendeu que mesmo tocando-a ou bebendo seu sangue, Masami não era dele. Ele não conseguiu fazê-la se apaixonar, afinal.

— Entendi.

Ela abaixou a mão, olhando-o e de repente se viu sendo puxada pelo braço. Parou ao lado de Shuu, que colocara o braço ao seu redor. Ela arregalou lentamente os olhos, surpresa. Ele olhava desafiadoramente para Yuma, dizendo:

— Vou pegá-la de volta.

Yuma o olhou, franzindo levemente as sobrancelhas.

— Tudo bem. Ela sempre foi sua.

Shuu virou-se com Masami, retirando-se do terraço com ela. Yuma acalmou o olhar, vendo-os partir. Fitou o céu, suspirando. Como seus irmãos, ele falhara. Porém não sabia por que estava se sentindo tão bem. Tracejou um sorriso, contente.

Shuu segurava o pulso de Masami, fazendo-a descer as escadas com ele. Porém no segundo lance, ela se soltou e parou. Ele a olhou, inexpressivo.

— Por que fez isso? – perguntou, gaguejando.

— Eu a quero de volta.

— Eh? – ela arregalou os olhos, que marejaram – Acha que é assim? Uma hora não sou nada para você e em seguida você me quer de volta? Eu não sou um brinquedo que passa de mão em mão!

Shuu atentou-se, vendo as lágrimas escorrerem por seu rosto. Aproximou-se, dizendo:

— Eu sei que não é.

Ela fechou os olhos, apertando-os. Não acreditava que estava chorando em sua frente. Ao perceber que ele se aproximava, recuou.

— Não chegue perto de mim. O que você fez comigo foi desprezível.

— Eu sei.

— Você é desprezível! – exclamou, chorando.

— Eu sou. – ele franziu a testa – A pior coisa que fiz foi abrir mão de você.

Ela o olhava, sentindo o rosto molhado pelas lágrimas.

— Por que fez isso? – perguntou com a voz embargada.

— Vou lhe contar tudo. – aproximou-se mais.

— Já disse para não chegar perto de mim.

Masami recuou, porém ele a segurou pelos braços, a puxando e abraçando-a. Ela não compreendeu, porém o ato apenas a fez chorar mais. As palavras doíam para sair, porém ela disse:

— Eu amo você... Shuu.

Ele arregalou ligeiramente o olhar, surpreso. Cessou o abraço, olhando-a e acalmou a expressão, aproximando-se e encostando a testa na dela.

— Eu menti. – disse ele – Sobre tê-la amado um dia.

— Não ama mais?

— Não.

Ela abaixou o olhar, porém Shuu segurou gentilmente em seu rosto, fazendo-a olhá-lo.

— Eu a amo ainda mais.

Masami acalmou o olhar, dando um passo e pondo os braços ao redor de seu pescoço, beijando-o. Shuu fechou os olhos, sentindo seus lábios e a abraçou fortemente. O sentimento lhes invadia na escada, enfim haviam dito as palavras.

Enquanto Shuu e Masami beijavam-se, Mana os espiava do andar de baixo. Reiji subiu as escadas, vendo-a e pondo-se ao seu lado para saber o que assistia com tanta atenção. Ao ver o irmão e Masami juntos, olhou-a. Mana sorriu gentilmente para ele.

— Obrigada.

Ele assentiu, pondo educadamente a mão no peito por um momento. Mana segurou em sua mão, entrelaçando os dedos nos seus e beijando-o. Ao cessar, sorriu mais uma vez e desceram as escadas. Reiji havia cedido ao seu pedido e sua irmã estava feliz novamente.

Uma semana depois, Yuma caminhava pelo corredor. Há dias via Masami andando com Shuu de mãos dadas e até que se sentia bem com isso. O sentimento por ela acabou desaparecendo aos poucos, talvez ele não estivesse tão apaixonado assim. Porém agora não sabia o que fazer quanto à missão. Ele falhara, o que faria? Ao suspirar e olhar para cima, esbarrou em uma garota e a derrubou no chão. Ao olhá-la, viu vários papéis espalhados e ela tentando recolhê-los.

— Desculpe. – disse ele, abaixando e ajudando-a.

— Tudo bem. Eu estava correndo, não vi você. – ela o olhou, sorrindo.

Ele a olhou de forma surpresa. Seus longos cabelos eram pretos, assim como seus olhos. Ela era bonita e parecia ser gentil. Ao ver que voltava a recolher os papéis, despertou e fez o mesmo. Quando terminou, levantou ao mesmo tempo que ela e os entregou.

— Me desculpe.

— Não, tudo bem. – ela sorriu – Estou um pouco acostumada. As pessoas daqui vivem me derrubando e não se importam nem um pouco. Eles levam mesmo a sério as classes de puros e impuros. Se bem que se prestarmos atenção ao cheiro, pode-se distinguir facilmente. Mas ainda acho tolice para algumas coisas.

— Você... É impura?

— Sou. – disse ela – Bem, fui transformada esse ano, mas sim. Me chamo Saki. – esticou a mão em sua direção.

Ele olhou sua mão, segurando-a ao passo que voltou a olhá-la, dizendo:

— Yuma.

— É um prazer. – ela sorriu.

Ele engoliu em seco, sorrindo levemente ao assentir.