Diabolik Lovers - União de Sangue
30 Capítulo 28: Intenções - parte II
Azusa não era o tipo que conquistava garotas. Na verdade ele as assustava com sua expressão, seu modo de falar e suas ataduras. Mas surpreendeu-se um pouco com Reiko. Ela não se mostrou surpresa, nem amedrontada e nem enojada. Mesmo não tendo demostrado praticamente nada, ela ao menos não fugiu dele. E Azusa gostou de sua curta conversa com ela, querendo encontrar-se com Reiko mais uma vez para perguntar se ela não gostaria de ver sua coleção de facas.
Enquanto caminhava pelo corredor com o olhar baixo e a mão em seu braço, avistou Reiko saindo de uma das salas. Atentou-se, lembrando-se do que Kou disse há poucos dias. “Azusa, você tem que ser confiante, se não você não vai conseguir”. Ele perguntava-se como seria confiante. Semicerrou ainda mais seus olhos e parou à frente dela, que fez o mesmo ao notá-lo.
— Azusa-san. – cumprimentou-o.
— Reiko-san... Você gostaria... De ir na minha casa?
— Por quê?
— Queria te mostrar... Minha coleção de facas. – sorriu levemente.
Reiko pensou, porém respondeu:
— Não posso sair sem Kanato-kun.
— Ah... – abaixou o olhar – Né? Então podemos ir... Até o terraço?
— Hum. Tudo bem.
Os dois se direcionaram até o terraço, sentando-se num dos bancos de madeira e observando o horizonte escuro. Azusa sorriu levemente, tirando de dentro de seu blazer uma adaga de cabo azul e mostrando-a para ela.
— Sempre trago uma... Ela é... Uma das minhas favoritas.
Reiko olhou-a.
— É sim. É mesmo bonita.
— Reiko-san... Posso... Te cortar?
— O que? – disse ela sem entender – Por que quer me cortar?
— Pra fazê-la... Se sentir bem.
— Azusa-san, eu não me sinto bem assim. Na verdade dói.
— Ah... – abaixou as mãos – Então você... Pode me cortar?
Reiko franziu levemente a testa. Lembrou-se por um momento de seu pai. Prometera a si mesma que não machucaria ninguém de novo, mas matou Richter naquele dia. Quebrara sua própria promessa. Ela não queria machucar ninguém.
— Azusa-san... Não quero machucar você.
— Não vai... – ele sorriu levemente – Vou ficar... Feliz. Vou ser... Útil.
— Eh?
— Hum...
Ele abaixou o olhar em direção à sua mão, aproximando a faca e fazendo um corte nas costas da mão. A ferida sangrou, fazendo-o sorrir. Reiko semicerrou ainda mais os olhos, observando-o lamber e limpar o sangue calmamente.
— Azusa-san, não precisa se sentir útil para os outros.
Ele a olhou em dúvida, desfazendo lentamente o sorriso.
— Se você me cortar... Você vai sorrir. – disse ele – Se ser cortado... A faz feliz... Eu sinto prazer.
Reiko franziu levemente as sobrancelhas.
— É bom ficar feliz e sentir prazer quando faz algo que gosta. Mas fazer por causa dos outros não é bom. Por que não tenta ser útil para si mesmo?
— Eh... Como assim?
— Fazer coisas que goste. Se gosta de fazer trabalhos de casa, faça-os. Se gosta de se divertir, se divirta. Se gosta de se cortar e sentir prazer, se corte. Mas faça-o por você, e não pelos outros. Não quero que se machuque por minha causa.
— Você... Me ama?
Ela surpreendeu-se, desviando o olhar.
— Eu amo alguém... Mas não é você.
— Ah... – ele abaixou o olhar – Que pena... Eu queria... Que você me amasse.
Reiko o olhou.
— Um dia uma garota vai gostar de você. – sorriu levemente – Talvez até das suas facas.
— Mas posso... Continuar tentando?
— O que?
— Fazê-la se apaixonar... Por mim.
— Kanato-kun é meu noivo. Isso não é certo.
— Mas... Eu vou. Você vai... Me amar.
— Não pode fazer alguém se apaixonar por você quando essa pessoa já tem alguém em seu coração.
Azusa pensou, olhando-a.
— Você... Ama Kanato-san?
Reiko desviou o olhar, enrubescendo levemente.
— Pode se dizer que sim. Ele é especial pra mim. – sorriu levemente.
— Ah... Eu quero... Isso também.
— Você vai ter um dia. – Reiko levantou-se, sorrindo levemente – Preciso ir. Até mais.
Azusa assentiu vagarosamente, vendo-a ir embora. Voltou-se para frente, guardando a faca e observando o céu. Kou surgiu ao seu lado, cantarolando:
— Como foi?
— Ela... Não gosta de mim.
— Ora, Azusa. – Kou sorriu – Isso leva um pouco de tempo. Mas acho que foi bem.
— Hum... Kou...
— Sim.
— Reiko-san disse... Que não se pode... Fazer alguém se apaixonar... Quando tem outra pessoa... Em seu coração.
— Mas isso pode ser mudado. – ele sorriu de forma maliciosa – Faça, então, Kanato sair do coração dela. Ela vai correr para quem lhe der atenção.
— Tem... Certeza?
— As garotas sempre são assim. Se um cara as deixa tristes, outro que lhe der atenção vai ser o novo escolhido.
— Hum... Entendi.
Kou sorriu, levantando e indo embora.
Yuma subia as escadas, distraído e um pouco impaciente. Não gostava muito da escola, porém era algo diferente que fazia todos os dias. Ao contrário de sua infância difícil. Ou ao menos o que se lembrava. Ele preparava-se para subir o outro lance de escadas quando avistou Shuu, sentado em um dos degraus com os olhos fechados e braços cruzados.
Ele estalou a língua, subindo e parando próximo à ele, inclinando-se ao dizer:
— Está no meu caminho, panaca.
Shuu não lhe deu atenção.
— Ei! Saia da frente!
Ele abriu os olhos, olhando-o.
— Eu posso sentar onde eu quiser.
— Eh... – Yuma o olhava.
Shuu atentou-se à sua aparência, elevando ligeiramente as sobrancelhas e fechando os olhos, esquecendo por um momento o que pensara.
— Se quiser passar, então passe. – disse ele.
Yuma estalou a língua, pulando o degrau ao qual Shuu esticava as pernas. Após passar, Shuu abriu os olhos e olhou na direção para onde ele foi. Franziu levemente as sobrancelhas, não poderia ser possível ele estar vivo. Porém estava, ou ele achava que estivesse. Era muito semelhante, todo seu rosto e até seu cabelo. Ele fechou os olhos, continuando parado onde estava.
Após caminhar por dois corredores, Yuma avistou Masami em frente ao quadro de turmas, observando os nomes. Elevou levemente as sobrancelhas, franzindo-as em seguida e aproximando-se dela, parando ao seu lado de frente para o quadro.
— Pelo visto suas notas são excelentes. – ele comentou.
Ela fechou os olhos.
— Hum. – concordou – Não seria filha da minha mãe se não fosse como sou. Hum...
— Yuma. – disse ele seriamente.
— Você não me disse seu nome de família.
— Me chame apenas de “Yuma”.
— Insisto que me diga seu nome.
— Argh! Cale a boca! – olhou-a – Você sempre fala difícil assim?
— É a maneira correta de se falar. – ela o olhou, cruzando os braços – Caso não saiba.
— Não estou nem aí.
— Ora. – virou a cabeça – O que pode-se esperar de um troglodita como você?
Ele franziu as sobrancelhas, percebendo como ela era bonita, porém sua língua afiada como navalha. Virou-se para ela, segurando-a repentinamente pela nuca.
— Eh...?!
— Então deixa eu te mostrar o outro lado. – sorriu de forma maliciosa.
Desabotoou um dos botões de cima de sua camisa, tirando a gola da frente e se aproximando. Masami empurrou-o brutamente, afastando-o de si e exclamando:
— O que pensa que está fazendo?! Como se atreve a tentar me morder?
— Eu o faria senão tivesse me impedido. – ele desviou o olhar por um momento, segurando em seu pulso de repente – Venha aqui! – sorriu.
Masami exclamou, surpresa. Yuma a pôs contra a parede, tentando tirar a gola da blusa da frente de seu pescoço ao passo que ela tentava impedi-lo.
— Pare com isso! – exclamava – Você ultrapassa os limites de rudeza!
— “Rudeza”? – ele riu – Ela palavra existe?
— Claro que existe! Seu homem das cavernas! – empurrou-o, tirando-o de cima de si.
Ele sorriu desafiadoramente ao afastar-se.
— E por acaso é comprometida para não querer que eu a morda?
— Sim, eu sou! – exclamou – Porém há vários motivos para não desejar tal ato. Primeiramente, você é um ignorante em relação às mulheres! Por acaso pensa que todas estão aos seus pés?
— Cale a boca. Você fala demais. – disse ele, aproximando-se.
Masami recuou até encostar as costas na parede, vendo Shuu aproximando no corredor. Ela o olhou, esperançosa e deu o primeiro passo para ir em sua direção, porém Yuma segurou-a pelo pulso.
— Ei...!
— Parada!
Olhou para Shuu, que os avistou, parando próximo aos dois.
— O que está acontecendo? – perguntou.
— Ele quer me morder! – ela exclamou – Pode, por favor, dizer à ele para me soltar?
Shuu manteve-se calado, fazendo com que Masami ficasse confusa, franzindo a testa.
— Pelo visto seu namorado não liga se outro cara te morder. – Yuma sorriu maliciosamente.
— S-Shuu! – ela gaguejou, apreensiva – Mande-o me soltar!
— Fique quieta, barulhenta. – disse ele, pondo o fone no ouvindo e partindo.
Masami arregalou os olhos, paralisando. Yuma sorriu maldosamente, tirando a gola de sua camisa da frente e mordendo-a, fazendo com que torcesse a expressão. Ela rangeu os dentes, vendo Shuu se distanciar cada vez mais. Seus olhos marejaram. Por que ele fizera isso?
Yuma bebera seu sangue, sentindo o sabor doce de uma pura. Fechou os olhos, apreciando o ato tanto pelo gosto como pôr ser ela. Ao cessar, afastou-se com as mãos ainda em seus ombros, olhando-a e ficando em dúvida. Os olhos de Masami estavam marejados e ela paralisada, olhando para frente.
— Ei. – disse ele, abaixando as mãos.
Ela abaixou a cabeça, franzindo as sobrancelhas e cerrando os punhos. Passou por Yuma, indo embora. Ele franziu a testa, vendo-a desaparecer.
Em casa, após o colégio, Masami quis tirar satisfações quanto ao comportamento de Shuu. Ele deixara um rapaz qualquer beber seu sangue e não fizera nada! Isso ela não podia admitir. Ao aproximar-se da porta de seu quarto, não bateu. O invadiu, vendo-o deitado no sofá. Caminhou até a sua frente, olhando-o ouvir música.
— Shuu! – exclamou, chamando-o.
Ele abriu os olhos vagarosamente, olhando-a e tirando os fones do ouvido.
— O que você quer?
— Você ficou louco! – exclamava – Como pôde me deixar lá enquanto ele tentava me morder! O que estava pensando?! – ela tirou o cabelo da frente do pescoço, mostrando-o à ele – Olhe o que ele fez!
Ele apenas fechou os olhos, ignorando-a. Masami o olhou de forma surpresa.
— Diga algo! – exclamou.
— O que eu faço não diz respeito a você. – disse ele, calmamente – E não me importo com o que faz.
— Claro que diz respeito a mim. Isso envolve justamente a mim! O que houve com aquela noite em que me disse que me proteger era o trabalho de um marido? Esqueceu por acaso? Você não me protegeu hoje!
— Cale a boca. – disse ele, abrindo os olhos em sua direção – Eu não sou seu marido.
Masami olhou-o mais uma vez de forma surpresa, arregalando os olhos. Ele apenas a olhava, franzindo as sobrancelhas. Ela se retirou de seu quarto, batendo a porta ao sair. Porém ao chegar ao lado de fora, não conseguiu conter-se. Pôs a mão sobre a boca, apertando os olhos enquanto chorava. Então ele a daria a qualquer um que quisesse mordê-la? Que tipo de comportamento era esse?
Dois dias, Masami encontrava-se no terraço do colégio. Yuma passava pela porta e a notou, sentada no chão, escorando as costas na parede. Abraçava os joelhos e sua cabeça estava baixa. Realmente não era a visão costumeira que Yuma possuía dela. Ela era altiva, indomável – pelo menos para ele – e sempre tinha uma resposta na ponta da língua.
Ao se aproximar, pôs-se a sua frente com as mãos dentro dos bolsos e olhou-a.
— Ei.
Ela o ignorou, porém disse:
— Vá embora.
Yuma franziu a testa. Ao perceber que ele não ia embora, ela levantou e passou por ele, porém foi segurada pelo pulso.
— Venha aqui.
Ele sentou-se no chão, fazendo-a sentar-se à força, puxando-a. Masami caiu sobre ele, que quase deitou no chão e riu. Ela apoiou as mãos no chão, ainda próxima dele e o olhou, enraivecida. Segurou seu rosto, deixando os olhos vermelhos.
— Pare com isso ou eu te mato. – rosnou.
Yuma a olhou de forma inexpressiva ao desfazer o riso.
— Você sabe ser assustadora quando quer. – falou.
Ela sentou-se no chão, batendo suas mãos uma contra a outra para limpá-las e fez os olhos voltarem ao normal ao passo que Yuma sentou-se, analisando-a.
— Me diz... – disse ele – Ele não parece gostar de você. Sério.
Ela pôs as mãos no colo, abaixando o olhar de forma entristecida.
— Não sei o que houve. – pensava – Ele parecia me desejar.
— De repente o desejo acabou.
Yuma olhou-a, pensando que prontamente ela o olharia com raiva. Porém isso não aconteceu. Masami olhava para baixo, entristecida e provavelmente pensando por que motivo o desejo acabara tão de repente.
— Ei. – disse ele – Estou brincando. Se bem que não sei como é a relação de vocês.
— Não sabe mesmo. – franziu ligeiramente as sobrancelhas.
Yuma suspirou e aproximou-se dela, tirando a gola da frente de seu pescoço. Ela lhe deu um tapa a mão, olhando-o.
— Pare com isso, vou mordê-la de todo jeito.
Masami ajoelhou-se a sua frente, pondo as mãos em seus ombros e fazendo-o encostar-se na parede. Ele a olhava com a cabeça para cima, vendo sua expressão levemente rígida. Ela estreitou os olhos por um momento. Se Shuu não se importava com o que ela fazia, então ela não se importava mais com ele.
Masami aproximou-se de seu rosto, segurando suavemente seu queixo e dizendo:
— Você nunca mais vai me morder.
Yuma a olhou de forma surpresa, vendo aqueles olhos lilases tão próximos. Porém franziu as sobrancelhas ao vê-la aproximar-se de seu pescoço.
— Ei...!
— Cale a boca. – disse ela, palmando a parede e afundando-a ao fazer força.
Yuma paralisou por um momento, não acreditando que uma garota iria mordê-lo. Masami tirou a gola larga da frente de seu pescoço, aproximando os lábios e beijando-o. Ele enrubesceu, desconcertado. Ela abriu levemente a boca, perfurando sua pele com os caninos. Ele torceu a expressão, segurando em sua cintura com as mãos. Porém ao tentar tirá-la de perto de si, Masami envolveu seu pescoço com um dos braços, encostando seu corpo no dele.
Ele apertou sua cintura, fechando e apertando os olhos ao senti-la tão de perto e ouvir o som que fazia enquanto bebia seu sangue. Olhou-a, vendo como era bonita e sedutora quando queria. Envolveu-a lentamente com os braços, deixando-a beber seu sangue e fechando os olhos de forma incômoda.
Ao cessar, Masami sentou-se, limpando os lábios e levantando, caminhando em direção à porta de saída do terraço.
— Ei! – ele exclamou, chamando-a – Vai me deixar aqui assim?
Ela virou-se para ele de forma inexpressiva, dizendo:
— Já fiz o que queria.
Yuma mostrou-se surpreso, vendo-a ir embora. Abaixou o olhar, tracejando um leve sorriso surpreso.
— Não acredito... Fui usado.
Recostou as costas na parede, levantando a cabeça ao suspirar e passar a mão por seu cabelo. Ao abaixá-la, tocou as marcas da mordida de Masami e torceu a expressão, dizendo:
— Que garota... – sorriu levemente.
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