Diabolik Lovers - União de Sangue
17 Capítulo 16: Chá com bolo
Três dias após a infeliz surpresa de Sora, Masami estava em sua varanda já vestida em seu uniforme. Ela pensava sobre o que Shuu lhe contara e no plano de seu pai em relação a eles. Sua vida mais uma vez estava sendo traçada por outro. Agora, seus futuros filhos provavelmente serviriam para uma nova raça. Porém que raça era essa? Para que o rei queria fazer isso? E por que tal obsessão por humanos a ponto de ficar com o corpo do rapaz da cabeça decepada?
Ela ouviu sua porta se abrir e olhou para trás, vendo Mana entrar. Ela foi até a varanda, pondo-se ao seu lado.
— E Sora? – perguntou Masami.
— Acabei de vir do quarto dela. Yuka está com ela, tentando fazê-la sair.
— Creio que ela não sairá por semanas.
— Hum. – assentiu – Ayato foi vê-la de novo.
— Surpreendente.
— Ele parece gostar dela. Ou pelo menos se importar.
— Provavelmente. Será que era verdade o que Laito disse? Sobre ele tê-la notado no baile.
— Não sei, mas o jeito como Ayato ficou quando ele disse... Pareceu real. E você?
— Sobre?
— Shuu. – Mana sorriu.
Masami voltou-se para frente.
— Fui até o quarto dele naquele dia.
— Jura? – Mana sorriu – O que fizeram?
— Eh... – Masami lhe lançou um olhar – Queria perguntar à ele sobre o que houve.
— E conseguiu?
— Sim.
“Infelizmente com uma condição”, pensou ela.
— Ele me disse que a morte e o envio da cabeça do rapaz foi o castigo de Sora. Shuu disse que o Rei Vampiro tem um plano e que se trata de criar uma nova raça.
— Nova raça?
Masami assentiu, continuando.
— O rei teve três esposas, os seis não são filhos da mesma mãe. A primeira esposa é mãe de Ayato, Kanato e Laito. A segunda de Shuu e Reiji. E a terceira de Subaru.
— Então Shuu e Reiji são filhos de outra mãe.
— Esse plano envolve a todos, até as próprias esposas dele, que estão mortas. A primeira era pura de primeira classe e a terceira era prima do rei.
— Então Subaru-kun é filho de um incesto.
— É o que parece. – disse ela – Os próprios filhos dele fazem parte desse plano e até nós. Você, eu e Reiko somos puras de segunda classe e Rin também, mas com base impura. E as Yamada são mestiças.
— Ele quer misturar o sangue? – Mana surpreendeu-se – Por que quer fazer isso? Por que tudo isso?
— Shuu disse que são sabem.
Mana abaixou o olhar.
— Será que Reiji lhe contaria mais detalhes? – perguntou Masami.
— Shuu não contou tudo que sabia?
— Sim, mas não sei se posso confiar nele. É um pervertido.
— Pervertido? – Mana achou graça – Se for isso deveria desconfiar de outra forma.
— Ora, você entendeu!
— Mas diga-me... – Mana cruzou os braços – O que fazem?
Masami achou graça, desviando o olhar.
— Ele apenas bebe meu sangue. Diferente de Laito e Rin, que quando fazem todos podem ouvir.
— É de fato desagradável. – Mana riu – Mas você gosta quando ele bebe seu sangue?
— Creio que sim. Não... Sim, eu gosto.
— Você é mesmo sincera consigo mesma. – Mana sorriu.
— Mas e você? Por acaso conseguiu fazer com que o mordomo se aproximasse?
— Ele bebeu meu sangue.
Masami a olhou, surpresa.
— Quando?
— Faz um tempo, foi depois da história do diário.
— Então o que você disse o afetou.
— Na verdade ele ficou com raiva, eu acho. E naquele dia descobri que ele é arrogante e um pouco desagradável em alguns aspectos.
— Ora, apenas descobriu defeitos dele.
— Hum.
Mana optou por não contar sobre ele tê-la drogado com o chá em seu quarto. Isso faria com que Masami fosse até Reiji para tirar satisfações e não seria algo bom. Poderia resultar em brigas ou algo pior. Mana nunca tinha certeza se Masami se controlaria após deixar seus olhos vermelhos. Ela até ficava com raiva, porém deixar os olhos vermelhos significava que faltava apenas mais um degrau para ela querer matar alguém.
Após o retorno das aulas daquela noite, Mana foi até a cozinha. Desejava comer algo, qualquer coisa que lhe fizesse se sentir melhor sobre essa semana e sobre Reiji. Ao entrar, deparou-se com Kanato e Reiko sentados à mesa com duas fatias de bolo e um bolo decorado a sua frente.
— Reiko-chan. Kanato-kun. – cumprimentou-os – O que fazem aqui?
Kanato a olhou com o garfo dentro da boca, tirando-o e dizendo:
— Reiko-chan não estava bem por causa de Yuka, então viemos comer bolo.
— Verdade. – disse Mana, abaixando o olhar – Ela não vai à escola há três dias para ficar com Sora.
— Sora nem quer bolo. – disse Reiko, comendo.
— Ela vai melhorar alguma hora e tudo vai voltar a ser como antes. – disse Kanato.
Reiko assentiu, fitando Mana.
— O que faz aqui, Mana-san? Você quase nunca vem à cozinha.
— Ah, sim... – ela corou levemente – Queria comer algo para esquecer algumas coisas.
— Entendo.
Reiko levantou e pegou um prato para Mana, cortando uma fatia do bolo. Mana sentou-se com eles, comendo.
— Também pensa no que houve?
— Sim, mas... Há outra coisa.
Reiko a olhava em dúvida enquanto Kanato comia, olhando em seguida para Mana.
— É sobre Reiji? – perguntou ele.
— Eh... Como...?
— Não a vi mais indo fazer mais de suas investidas.
Mana desviou o olhar, envergonhada.
— É... Creio que ele me decepcionou um pouco.
— Como assim? – perguntou Reiko.
— Após a história do diário, descobri alguns defeitos dele e... Não gostei.
Reiko e Kanato se entreolharam, voltando-se para ela em seguida.
— Kanato-kun às vezes surta. – disse ela.
Mana a olhou em dúvida.
— Reiko-chan às vezes não gosta das mesmas coisas que eu. – disse ele.
— Eh... O que...?
— Estamos dizendo, Mana-san, que todo mundo tem defeitos. Mas percebemos que temos que conviver com eles. Tanto pelo casamento como por gostarmos das qualidades. Kanato-kun é gentil e me elogia.
— E Reiko-chan gostou das minhas estátuas de cera e deixou que eu a transformasse em uma quando morresse.
Mana sorriu de forma desconcertada, ele era bastante estranho, mas compreendeu o que queriam dizer.
— Reiji muitas vezes é chato e irritante, mas você vai ser esposa dele um dia. – disse ele – Então é melhor se acostumar.
Mana abaixou o olhar, sorrindo levemente ao olhar para sua fatia.
— Escutei falar que esse bolo faz milagres. – olhou-a.
— Com Yuka pareceu dar certo. Experimente. – Reiko sorriu levemente.
Mana cortou outro pedaço de bolo e saiu da cozinha com dois pratos na mão. Fora em direção ao laboratório de Reiji na intenção de melhorar um pouco seu relacionamento. Desde o evento do chá ele voltara a dizer apenas o necessário à ela. E Mana não queria isso, gostaria de um relacionamento considerado normal.
Ao chegar, notou que a porta estava entreaberta e ouviu gemidos vindos do laboratório. Aproximou-se e abriu lentamente a porta, vendo Reiji sentado em uma poltrona, dormindo com um livro aberto sobre as pernas dobradas. Ele parecia estar tendo um pesadelo.
Mana observou-o, semicerrando o olhar. Ele estava sem os óculos, que estava sobre o apoio para pés a sua frente. Ela se aproximou e pôs os pratos de sobremesa ao lado dos óculos, indo até ele e tocando seu ombro.
— Reiji. – chamou-o gentilmente.
Ele despertara, porém já havendo o feito antes ao sentir o aroma e presença de Mana.
— Hum... É você.
Mana endireitou-se, olhando-o.
— Estava tendo um pesadelo?
— Sim. – disse ele, levantando e pondo os óculos.
Ela o olhou ir até a mesa de tubos e frascos. Ele não usava blazer e estava sem gravata, além de sua camisa preta estar ligeiramente desabotoada. Por mais que conhecesse agora alguns de seus defeitos, Mana não deixava de notar como ele parecia estar mais atraente daquela forma.
Reiji pôs o livro sobre a mesa e virou-se para ela, que acabara de pegar os pratos.
— O que veio fazer aqui? – perguntou ele.
— Kanato e Reiko estavam na cozinha comendo bolo. – ela aproximou-se – Pensei que poderíamos fazer o mesmo.
— Acredita que pode criar uma cena em que comemos “alegremente”?
Mana pôs os pratos sobre a mesa, em silêncio. Olhou nos olhos de Reiji de forma incômoda.
— Realmente não pensa antes de falar, não é? – disse ela – Quero apenas comer com você. Creio que isso se chama gentileza.
— Reconheço como necessidade de atenção.
— Tente ser gentil, Reiji-kun. – debochou.
Ele franziu as sobrancelhas, ajeitando os óculos.
— Sou mais velho que você. Utilizando-se dos títulos honoríficos, pode me chamar por “-san” ou até mesmo “senpai”.
Mana olhou-o de forma curiosa, aproximando o prato de bolo até ele.
— Não estamos no colégio para chamá-lo de senpai e prefiro “-kun”, já que vamos em breve ser bastante próximos.
— Por acaso sabe o que são títulos honoríficos?
— É um conjunto usado para dirigir-se a pessoas ou referir as mesmas com respeito. – disse ela, deixando-o em silêncio – Não me julgue como ingênua ou burra, Reiji-kun. – debochou mais uma vez – Posso ser ingênua para certas experiências, mas não sou burra.
— Insisto que...
— Você não havia dito que me daria aulas de etiqueta? – perguntou ela – Se ainda o fizer, posso chamá-lo de “sensei”.
Reiji pigarreou, ajeitando os óculos mais uma vez.
— O bolo seria bem servido na companhia de chá, não? – Mana sorriu.
Ele fitou o prato à sua frente. A fatia de bolo era de baunilha com glacê branco e morangos em cima.
— Correto.
— Mas dessa vez eu que farei o chá. – ela sorriu, virando-se.
Reiji mais uma vez franziu a testa, lembrando-se da vez em seu quarto. Observou Mana ir até seu armário de portas de vidro para pegar a caixa de chá. Ela não usava blazer, porém o uniforme estava sendo usado de forma impecável. A camisa para dentro da saia, as mangas compridas devidamente abotoadas sem sinal algum de terem sido dobradas, o colete abotoado e seu cabelo loiro claro estava preso em um coque arranjado com uma trança na lateral de sua cabeça.
Quando Mana pegou a pequena caixa de chá da prateleira de cima e abaixou o braço, notou Reiji segurar a caixa, pondo sua mão sobre a dela. Ele estava logo atrás de si. Ela arregalou os olhos, surpresa, e enrubesceu suavemente.
— Algo errado? – perguntou ela sem virar-se.
— Não.
Reiji pegou a caixa de sua mão e a pôs sobre a mesa, voltando a olhar para Mana. Ela não compreendeu, a princípio pensou que ele preferia preparar o chá. Se fosse dessa maneira, estaria todo o tempo ao seu lado para garantir que nada extra fosse misturado ao chá. Porém Reiji a pôs contra o armário, segurando em seu ombro. Abaixou até sua altura com o olhar semicerrado, fixo ao dela.
— Se preferir fazer o chá... – ela sorriu, olhando-o.
— Eu o farei. E não se preocupe, não a drogarei novamente. Você até o momento não fizera nada para ser castigada.
— Está falando de novo como se eu fosse seu animal de estimação. Não gosto disso.
Desviou o olhar dela, aproximando os lábios de seu pescoço e mordendo-a. Mana fechou os olhos por um momento, abrindo-os quando passou a ouvi-lo. Acalmou a face, podia-se dizer ser agradável o ato. Ao cessar, Reiji olhou em seus olhos por um momento, vendo-a extasiada. Após endireitar-se, virou-se para a mesa.
— Não me incomodo quanto a você assistir ao preparo. Provavelmente quer se certificar de que não adicionarei nada extra.
Mana olhou-o com a mão em seu pescoço, despertando.
— Correto. – sorriu, aproximando-se.
Reiji preparou o chá com ela ao seu lado. Após servi-lo, comiam o bolo com as xícaras a sua frente. Ao provar o bolo, Reiji surpreendeu-se.
— Quem o preparou? – perguntou.
Mana sorriu, bebericando o chá.
— Reiko. Ela possui fama em ser uma ótima cozinheira. É delicioso, não?
— De fato.
— Ela estava chateada quanto à Yuka estar triste em relação à Sora.
— Sora fez uma escolha. Continuou o relacionamento e sofreu as consequências.
Mana o olhou, abaixando o olhar para a xícara metade cheia.
— Ela está sofrendo, perdera alguém precioso. Eu também me sentiria dessa maneira caso perdesse Masami ou meus pais. Ou até mesmo você.
Reiji a olhou, observando a expressão entristecida que ela demonstrava. Bebericou seu chá, dizendo em seguida:
— Não somos próximos para que se importe com minha morte.
Mana deixou uma risada escapar, fazendo-o olhá-la em dúvida. Ela sorriu em sua direção, dizendo:
— Você é tão irritante que se torna engraçado.
Ele franziu as sobrancelhas, incômodo.
— Não tive a intenção de fazer piada.
— Mas é engraçado. – disse ela, olhando-o ao parar de rir – Não importa o quão gentil eu seja com você. Você sempre terá uma resposta na ponta da língua para tentar me atingir.
Reiji franziu a testa. Era algo tão natural para si, que por um momento ficou em dúvida quando a ouviu dizer o óbvio.
— Deve ser solitário aqui. – ela comentou – Obviamente o pai de vocês não vive nessa casa. Mas e sua mãe?
— Morreu há alguns anos.
— Deve sentir falta dela.
— Na verdade não.
Mana não se surpreendeu em vista a sua personalidade.
— Vocês são tão diferentes, até na aparência. – pensou ela – Se me permite perguntar...
— Não somos filhos da mesma mãe. – ele a interrompeu – Shu e eu somos filhos da segunda esposa, os trigêmeos da primeira e Subaru da terceira.
Mana surpreendeu-se. Ele realmente lhe contara isso?
— Peculiar.
— Suponho que planejado, na verdade. – disse ele, bebendo o chá.
Mana desviou o olhar, sorrindo suavemente por Reiji e ela enfim estarem tendo uma conversa. Ela fitou seu livro aberto, comentando:
— Mesmo tendo me drogado, acho extraordinária sua habilidade em preparar tais substâncias. Desde quando faz isso?
— Interessei-me creio que quando criança.
— É ótimo saber fazer algo. Eu apenas sei tocar violoncelo e piano. Na verdade não fui obrigada a isso, ao contrário de Masami. Pude escolher a quantidade e quais instrumentos desejava aprender a tocar.
— As duas parecem próximas de uma forma bastante anormal.
— Obrigada... Eu acho. – sorriu ela – Masami é minha melhor amiga. Ela não me odiou nem por um momento por ter mais liberdade. Pode não demonstrar nada à quem não conhece bem, mas ela é incrível. Eu a admiro muito.
Reiji a observou, lembrando-se de sua própria relação com Shu e como o odiava por ter sido deixado de lado por sua mãe por causa dele.
— Se pretende ter uma grande família, suponho que dará a atenção necessária para todos os filhos.
— Eh? – Mana o olhou em dúvida pela suposição repentina – Claro.
Ele voltou a beber o chá.
— O que eu disse no diário... É verdade.
— Certamente que é. – disse ele – Era algo pessoal e que ninguém deveria ler. Logo, claramente você escreveria seus mais sinceros pensamentos naquelas páginas.
Mana semicerrou os olhos, pensando.
— Por acaso sua mãe não lhe deu atenção?
Ele a olhou, irritado.
— Por acaso deu mais atenção à Shu-san? Como Masami e eu?
— O assunto não lhe diz respeito.
Ela o olhava, atenta.
— Claro. Mas desejo deixar algo explícito.
Reiji assentiu, permitindo-a falar.
— Não recebi a atenção que gostaria quando criança, porém mesmo assim desejo deixar minha mãe orgulhosa. Para mim significa que seu erro em focar-se em apenas uma das filhas não me afetou, que posso pensar em um futuro agradável e, se me arrisco ser vaidosa, até em ser feliz. O importante é o que fazemos com o que nos fizeram. Vamos nos casar e para mim seria quase que perfeito ter várias crianças com você para encherem a casa e tirar ao menos um sorriso de seu rosto rígido.
Ele olhava em seus olhos tanto quanto para sua expressão severa. Pela primeira vez presenciava esse lado de Mana.
— Então o que tornaria perfeito?
Mana surpreendeu-se por sua curiosidade, sendo acometida pelo sentimento que a maravilhava.
— Você me amar.
Reiji permaneceu a olhando por alguns segundos, até que desviou o olhar. Ela abaixou seu olhar, notando que já haviam acabado de comer e beber o chá. Recolheu os pratos, agradecendo sua companhia e retirando-se de seu laboratório.
Mana caminhava, observando os pratos com os resquícios de bolo, até que ouviu a porta do laboratório se abrir e Reiji aproximar-se, tocando em seu ombro. Ela se virou, confusa.
— Reiji-kun...?
Ele pareceu hesitar em dizer o que desejava.
— Espero que não pense que não apreciei o bolo. Você tinha razão, é melhor servido na companhia de chá.
Mana sorriu suavemente.
— Certamente.
— Espero que tenhamos mais noites assim. – disse ele, rigidamente – Foi agradável.
Mana achou graça, sorrindo.
— Claro.
Reiji virou-se, voltando para o laboratório. Mana continuou a caminhar, agora observando os pratos de forma contente. Pelo visto, mesmo em vistas as circunstâncias e conversa, o bolo de Reiko realmente fazia milagres.
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