Diabolik Lovers - União de Sangue
18 Capítulo 17: Festa
Completara dois meses desde a chegada das jovens à casa Sakamaki. Julho chegara, assim como as férias de verão de todos eles. Para Mana, significava que o inverno estava mais perto que antes. Para Rin, significava que a pior estação chegara. O verão era quente e propício para ir à praia. Porém, ela não gostava de ir à praia e detestava mais ainda a época das chuvas que vinha em seguida.
Quando agosto chegou, as chuvas chegaram. Acabara de completar um mês e meio desde o recebimento do pacote, porém Sora não voltara a ser como era. Ainda estava triste e deprimida. Não importava quanto tempo Yuka ficava com ela conversando em seu quarto, ela não sorria como antes. E mesmo voltando às aulas na época e estudando normalmente, Ayato a observava em sala de aula. Quando o professor terminava de falar, ela abaixava o olhar e observava o nada.
No fim de semana, Ayato caminhou até o quarto de Sora. Ao chegar ao corredor, avistou Yuka vindo em sua direção.
— Yuka.
— Ayato-san. – disse ela, despertando.
— Está vindo do quarto dela? Como ela está?
— A mesma coisa. – Yuka abaixou o olhar – Ela não quer conversar, apenas me ouve falar.
— Entendo.
— Sinto falta de Sora... Ayato-san, por favor, ajude-a. Antes da caixa, ela parecia mais feliz. Foi quando trocaram. Por favor, deixe-a feliz de novo. Por favor.
Ele abaixou o olhar. Na verdade Ayato já tentava ajudá-la, conversando e tentando fazê-la rir, porém Sora mal o olhava.
— Eu... Vou tentar. – disse ele.
Yuka sorriu levemente, partindo. Ayato continuou, chegando ao quarto dela e entrando. Sora não estava no quarto, porém ele viu suas cortinas da varanda balançarem e o som da chuva. Ao fitar a varanda, viu Sora na chuva. Aproximando-se dela, viu-a ensopada em sua camisola e robe.
— Sora, o que está fazendo? – ele perguntou, deixando a chuva molhar sua roupa e cabelo.
Ela o olhou pelo canto do olho, seus olhos estavam semicerrados. Ayato arregalou os olhos ligeiramente, Sora não era mais a mesma.
— Por favor, vamos entrar. Está encharcada.
— Não me importo. – disse ela de forma suave.
— Pare com isso.
Ayato segurou em seus ombros, fazendo-a entrar no quarto. Ao fechar a porta da varanda, virou-se para ela. Sora tirava seu robe molhado, ficando apenas com usa camisola. Ayato arregalou os olhos, vendo que sua camisola molhada se tornara transparente e podia ver nitidamente seus seios.
— Né, Ayato. – disse ela, aproximando-se.
— Sora, ei...
Ela pôs as mãos em seu peito, fazendo-o ficar contra a porta da varanda.
— Você mesmo disse que era o melhor. Por que a surpresa? – perguntou ela, sorrindo com o olhar semicerrado – Não me quer mais? Você dizia que eu era sua.
Ayato franziu as sobrancelhas, segurando-a pelos ombros e afastando-a.
— O que mais me irrita são garotas como Rin. E você está ficando como ela.
Sora o olhava, inexpressiva.
— Eu não sou mais sua?
— Você está quebrada! – ele exclamou, empurrando-a para longe – Volte a ser como era!
— Como? – seus olhos marejaram – Vocês o mataram. Ele se foi pra sempre.
— Não fizemos nada. – ele franziu as sobrancelhas.
—Seu pai, vocês... Que diferença faz?
Sora virou-se, indo até a cama. Ayato se aproximou e virou-a bruscamente, fazendo-a olhá-lo. Ele estava com raiva, furioso.
— Eu a quero de volta.
Sora desviou o olhar, incômoda. Ayato a largou, enfurecido, e saiu do quarto, batendo a porta. Por mais que quisesse ajudá-la, não sabia mais como. Sua incapacidade de se expressar o impedida de dizer à ela o quanto se importava com seu bem estar e sanidade. Ayato já vira alguém se quebrar desta forma. Vira de perto a mãe de Subaru deixar de ser ela e se afastar do próprio filho. Como faria para Sora não terminar da mesma forma?
No quarto de Subaru, algo diferente acontecia. Ele acabara de entrar e sentira um aroma diferente, algo que o atraía. Respirou fundo, reconhecendo-o e se aproximando de seu caixão. Ao abri-lo, deparou-se com Yuka dormindo. Estava encolhida e agarrada ao seu travesseiro. Subaru franziu a testa, por um momento achando graça.
— Yuka. – chamou-a, balançando-a – Yuka, acorde.
Ao poucos ela despertara e o vira, sentando-se rapidamente.
— Subaru-kun! – exclamou, envergonhada – Desculpe. Pensei que viria depois.
— Pedindo desculpas por ter sido pega?
— Eh... Acho que sim. – ela sorriu, corando levemente – Desculpe.
Subaru sentou-se ao lado do caixão, olhando-a. Por mais que ela estivesse sorrindo, ele sabia bem que não era tão real.
— Por que veio pra cá?
— Queria... Ficar um pouco sozinha.
— Por causa da sua irmã?
Yuka abaixou o olhar.
— Queria esquecer um pouco sobre Sora. – olhou-o – Eu sou ruim? Por querer isso.
— Acho que não quer enlouquecer.
Yuka o olhou de forma surpresa.
— Isso é um pouco reconfortante. – sorriu – Mas ainda não sei o que fazer.
— Sobre ela? Pare de querer consertar as coisas.
— Apenas quero ajudar. Mas ela não conversa comigo.
— Tente não conversar, então.
Yuka franziu as sobrancelhas, pensando.
— Tem alguma ideia?
— Não. – disse ele, simplesmente – Mas ela não gosta de alguma coisa? Garotas costumam gostar de alguma coisa.
— Subaru-kun, apenas você não gostava de nada.
Ele franziu as sobrancelhas em sua direção.
— Mas me deu uma ideia. – disse ela, sorrindo alegremente – Sora sempre gostou de festas, não importasse qual fosse. E, mesmo sendo para possivelmente vir para cá, ela gostou muito de ter ido ao baile.
— Quer fazer um baile aqui?
— Apenas uma reunião festiva.
Subaru franziu a testa, perguntando-se se daria certo.
— Obrigada! – exclamou ela, abraçando-o e beijando sua bochecha.
Subaru desconcertou-se com o ato, vendo Yuka sair de seu caixão e ir até a porta.
— Yuka! – chamou-a.
— Sim? – disse ela, virando-se antes de abrir a porta.
— Venha aqui.
Ela não compreendeu, porém se aproximou. Subaru a segurou pela mão e a fez sentar-se no chão a frente dele, entre suas pernas e próxima de si.
— Ahm... O que foi?
— Nada. – disse ele, pondo todo seu cabelo sobre um dos ombros.
Yuka enrubesceu, compreendo o que ele desejava naquele momento. Subaru aproximou o rosto de seu cabelo, cheirando-o e sentindo o doce aroma de Yuka. Desceu até seu pescoço e o cheirou, fazendo Yuka encolher-se. Ela corava, seus olhos semicerraram-se enquanto sentia o toque suave de Subaru.
Por mais que seu jeito natural fosse grosseiro, Subaru possuía um lado doce e gentil ao qual deixava fluir de forma inconsciente quando a tocava para beber seu sangue. Yuka perguntava-se se era sobre isso que falavam quando se tratava de amor. Se era essa a sensação suave e elétrica que percorria o corpo dos apaixonados. Mas havia algo mais. Ela preocupava-se com Subaru e com o que ele havia dito antes. Já havia perguntado sobre isso, mas ele apenas permaneceu calado. Por que ele enxergava-se como impotente, hediondo e sujo?
Na sala de estar, Masami lia um livro enquanto Mana jogava em seu celular e Rin observava a chuva, sentada no sofá ao lado da janela. Ela estava irritada, nos últimos dias chovera o tempo todo e não podia ficar no telhado.
— Que tédio... – reclamou, olhando pela janela.
— Tente ler um livro. – disse Mana – Garanto que vai se distrair. Masami lê por horas se deixarem.
— Mas você nunca deixa. – disse ela, olhando as páginas.
— Não gosto de ler. – Rin deitou no sofá, entediada.
Masami a olhou, realmente nunca a vira desta forma.
— Por que não vai até Laito? – perguntou Mana – Geralmente ele a diverte.
— Ele está jogando sinuca. E esse jogo é tão chato!
Mana achou graça. Naquele momento Yuka e Reiko adentraram o cômodo. Yuka parecia animada e Reiko demostrava a mesma expressão de sempre.
— Meninas, nós não somos tão próximas, mas preciso da ajuda de vocês. – disse Yuka.
— O que houve? – perguntou Mana.
Masami e Rin a fitaram.
— Gostaria de fazer uma reunião, mas como uma festa.
— Eh?
— É o que? – Rin voltou-se para ela, ainda deitada.
Reiko suspirou, dizendo:
— Yuka quer animar Sora, que gosta de festas. Então está perguntando se vocês querem participar, pois não faria sentido uma festa com três apenas.
— E os garotos? – perguntou Rin – Laito com certeza viria.
— Jura? – Mana disse em tom óbvio – Eu sei que Reiji não viria.
— Shuu ficaria dormindo. – disse Masami, voltando ao seu livro.
— Subaru-kun... – Yuka pensou, porém concluiu o mesmo raciocínio que Mana.
— Kanato-kun só comeria os doces.
— Então seremos apenas nós! – exclamou Mana, animando-se e levantando.
— Enfim, o tédio vai acabar! – exclamou Rin – Quando vai ser a festa?
Reiko e Yuka se entreolharam, olhando-a em seguida.
— Hoje. – Yuka sorriu.
— Hoje?! – Rin levantou, surpresa – Não podiam ter dito antes?!
— Decidimos hoje. – disse Reiko – Venha ou permaneça no tédio.
Rin franziu as sobrancelhas, pensando. Melhor uma festa em cima da hora do que o tédio que parecia nunca ter fim.
— Tudo bem.
— Yuka e eu vamos cozinhar tudo e nos encontramos às oito horas na sala de estar do segundo andar.
— Então tudo que temos que fazer é nos arrumar. – disse Rin.
— Sim.
— Por que não disse antes?
Rin se retirou em seguida, ao passo que Mana foi em direção à Yuka, abraçando-a e exclamando:
— Tenho certeza que agora ela vai melhorar!
Yuka assentiu, sorridente. Após o convite, Reiko e Yuka passaram as horas seguintes na cozinha, preparando doces e salgados de todos os tipos para a festa. E como nada era feito ou organizado sem a permissão e Reiji, Mana candidatou-se a ir até seu laboratório para falar com ele. Com sua permissão logo após ela explicar a situação, Mana disse que ele poderia ir se desejasse, mesmo sabendo que não aconteceria.
No horário combinado, Mana se arrumara com seu melhor vestido. Era rosa claro e chegara até os joelhos, sendo de mangas compridas e deixando sua clavícula à mostra. Ao calçar os sapatos de salto baixo de mesma cor que seu vestido, direcionou-se para o quarto de Masami.
Como Mana conhecia bem a irmã, ela lutaria para não ir à festa. E quando entrou, viu-a de camisola e sentada na mesa de sua escrivaninha.
— Masami! O que... O que está fazendo?!
— Me preparando para dormir.
— Às oito?
— Vou dormir cedo hoje.
— Não seja ridícula, você disse que iria.
— Na verdade, você disse que iria. Eu não abri minha boca para nada.
— Disse que Shuu dormiria se o chamasse. Não quer dizer nada?
— Não. Eu disse claramente que iria?
Mana pôs a mão na cabeça, pensando que não deixaria de forma alguma sua mente lhe dizer que sua irmã era um caso perdido.
— Tudo bem. – disse ela, indo até o armário.
— O que está fazendo?
— Dando uma de mamãe! – exclamou Mana, pegando um dos vestidos – Este está ótimo. Sei que toma banho todas as tardes, então o vista e se maquie enquanto faço seu penteado.
— Não vai me obrigar.
— Se fosse eu naquele estado você não iria querer me animar?
Masami olhou-a, Mana acabara de acertar em seu ponto fraco. Após suspirar de forma irritada, levantou e trocou de roupa. Usava agora um belo vestido azul-escuro de gola alta, justo da cintura até o quadril e saia rodada. Enquanto se maquiava com cores claras, Mana penteava seu cabelo e escolhia o penteado que a irmã usaria – como sempre havia sonhado.
— Gostaria que eu fizesse seu penteado para o casamento?
— Não. – disse Masami, irritada.
— Tudo bem, está pronto. – Mana sorriu.
Ao olhar-se no espelho da penteadeira, Masami se viu com uma longa trança levemente solta sobre o ombro esquerdo que acompanhava a mesma direção de sua franja, agora penteada. Arregalou os olhos por um momento, sendo pega por Mana.
— Então gostou. – ela sorriu.
— Detesto penteados. – disse Masami, virando o rosto.
Mana achou graça. Ambas foram para a sala de estar do segundo andar, um cômodo mais reservado para os residentes da casa. Possuía paredes de madeira, sofás e poltronas de cor vermelha e uma mesa de centro, além das cômodas, armários com portas de vidro e um piano ao lado da entrada. Ao chegarem, todas já estavam presentes.
Ao olharem para a sala, viram que havia pratos com comida na mesa de centro e em cima de duas cômodas. Reiko usava um vestido preto de mangas compridas, Yuka um vestido lilás de alças grossas, Sora um vestido magenta e Rin um vestido vermelho sem mangas. Nenhum longo, principalmente o vestido de Rin, que era completamente justo e acima dos joelhos. Porém mesmo arrumada, Sora não expressava emoção.
Um rádio foi posto sobre uma das cômodas e ligado, começando as músicas da noite. Todas conversavam amigavelmente, até mesmo Rin, que não debochava ou implicava com ninguém. O que surpreendeu muitas delas, mas acreditando que seu tédio era tanto que ela concentrava-se em apenas se divertir. Ao começarem a dançar, as únicas que ficaram sentadas foram Masami e Sora, que as olhavam.
Mana aproximou-se de Masami, oferecendo a mão.
— Não, obrigada. – disse ela – Você sabe que eu não danço isso.
— Não vai nem tentar?
Masami sorriu suavemente ao passo que Rin se aproximara com uma taça de vinho da mão.
— Masami é uma dama, ela não dançaria esse tipo de música. – ela riu.
— Você tem razão.
— Vamos, Masami. – disse Mana – Apenas hoje.
Rin levantou a taça.
— Eu tive uma ideia que vai fazê-la dançar!
— Qual? – perguntou Mana.
— Vamos mudar um pouco as coisas. – ela sorriu maliciosamente.
Rin foi até Reiko, que dançava com Yuka. Ao pararem e prestarem atenção no que ela dizia, Reiko caminhou até o piano e Yuka desligou o rádio. O som do piano começou de forma súbita, onde Reiko tocava as teclas em sintonia melódica e produzia um som sedutor. Rin fitou Masami, sorrindo de forma maliciosa. Mana virou-se para ela, sorrindo.
— Que tal a nossa dança?
— O que? – Masami achou graça – Não dançamos assim desde os 15 anos.
— Vamos logo! – exclamou ela, pegando-a pela mão.
Masami foi levada para perto do piano. Ela não queria dançar, não estava nem um pouco disposta a isto. Mas o fez por Mana, sempre o fazia por ela para que sorrisse da forma mais alegre possível. E foi o que houve. Mana pôs sua mão nas costas da irmã, que fez o mesmo enquanto segurava sua outra mão. A princípio dançaram cautelosamente, como num baile. Porém logo depois, afastaram-se ligeiramente uma da outra e começaram a fazer movimentos harmônicos e sensuais. As meninas as observavam, admiradas pela dança.
Com o curioso som do piano, pouco a pouco os irmãos direcionaram-se para o cômodo, querendo saber o que se passava. Kanato sentou-se ao lado de Reiko depois de pegar um dos doces, assistindo-a tocar as teclas uma após a outra. Laito surgiu ao lado de Rin, segurando em sua cintura e sorrindo de forma maliciosa. Ayato apareceu atrás do sofá onde estava Sora, vendo-a de costas com o olhar semicerrado. Reiji entrou na sala, parando ao ver Mana dançando. Surpreendeu-se por um momento com sua dança, observando-a atentamente. Subaru viu Yuka assistindo à dança das irmãs Takahashi. Ao chegar, Shuu retirou os fones de ouvido e passou a observar Masami dançando, deitado num dos sofás. Sua roupa, seus movimentos, sua expressão. Semicerrou seus olhos azuis, olhando-a fixamente.
Masami sentia-se como quando tocava violino. Concentrada, livre de problemas e dentro de seu próprio mundo. Enquanto assistia a dança, Ayato franziu as sobrancelhas e se aproximou de Sora, oferecendo sua mão. Ela o olhou, sentada. Ele parecia estar envergonhado ou hesitante, mas ainda assim continuava ali, com a mão em sua direção. Ela abaixou o olhar, sorrindo levemente e segurando sua mão. Enquanto ele a segurava e a outra mão estava em suas costas, ela não conseguia olhá-lo.
— Você parece ter boas amigas. – disse ele.
— Acho que Yuka deu a ideia. – sorriu levemente – Sobre aquela hora no quarto...
— Esqueça.
— Não. – Sora o olhou, vendo seus olhos verdes semiabertos – Você tinha razão.
Ayato atentou-se.
— Não era eu... – disse ela – Eu... Estou quebrada. Então... Se ainda me quiser de volta... Me ajude, por favor.
Ele surpreendeu-se, olhando em seus olhos claros.
— Eu a quero de volta.
Sora sorriu, deitando a cabeça em seu peito. Ayato abaixou o olhar, continuando a dançar calmamente com ela. Subaru aproximou-se de Yuka, segurando a mão dela e fazendo-a se aproximar.
— Subaru-kun?
— Conseguiu.
Ela sorriu.
— Quer dançar comigo? – perguntou, animada.
— Eu não danço. – disse ele de forma severa.
Yuka abaixou o olhar, assentindo. Ele suspirou, vendo sua expressão e segurou sua mão, levando-a para dançar. Yuka sorriu, olhando-o alegremente enquanto ele colocava a mão em suas costas.
— É uma exceção. – disse ele, desviando o olhar.
— Obrigada. – Yuka o abraçou.
Laito fez com que Rin o olhasse e sorriu de forma que ela compreendesse o que ele desejava. Após sorrir, se retirou com Laito da sala de estar. Ao acabar a música, Reiko se virou para as meninas, que cessaram a dança.
— Que música agora? – perguntou.
— Que tal...? – Mana ia dizer.
Shuu levantou e foi até Masami, que não compreendeu. Viram-no pegá-la no colo e ir até a janela, abrindo-a e saindo com ela.
— Ei...! – exclamou Masami, sendo levada por ele.
Mana pôs a mão na boca, rindo. Ao virar-se, deparou-se com Reiji atrás dela.
— Pelo visto a festa está dando vários resultados. – disse ela.
— É anormalmente estranho.
Ela achou graça. Kanato deu a ideia de outra música e Reiko voltou a tocar.
No jardim, Shuu caminhava com Masami ainda em seus braços. Ela franzia as sobrancelhas, perguntando-se por qual razão ele pulara da janela com ela. Ao chegarem ao chafariz no centro do jardim, ele a colocou no chão. Masami empurrou-o, irritada.
— O que pensa que está fazendo?
— O que quer dizer?
Ela virou-se, vendo o grande chafariz e sua água sendo derramada na base. Shuu segurou-a pela mão, aproximando-a de seu corpo e pondo a mão em suas costas.
— O que você...?!
— Cale a boca, barulhenta. – disse ele, pondo um de seus fones no ouvido dela.
Ao ligar seu mp3, ambos começaram a ouvir violinos. Masami surpreendeu-se, sendo conduzida por Shuu. Ela semicerrou os olhos, encantada pela música. Enquanto davam passos lentos, Shuu a observava.
— Por que apenas não me ofereceu a mão lá dentro? – perguntou ela.
— Não aprecio plateia.
— E o que vai fazer em nosso casamento?
— Levá-la até o chafariz mais próximo.
Masami desviou o olhar, achando graça. Shuu tracejou um suave sorriso.
— Isso tudo foi por Sora?
— Sim. – disse ela – Yuka quis ajudá-la. Acho que conseguiu.
— Então é literalmente isso que quis dizer sobre proteger o coração.
Ela o olhou, ligeiramente surpresa.
— Sim. É isso.
Masami abaixou o olhar, voltando a escutar os violinos. Shuu aproximou-a mais de si, fazendo-a enrubescer e olhá-lo. Ela não compreendia o que ele queria. Beber seu sangue? Importuná-la? Estava aliviada por ter saído da festa, mas agora estava tão próxima de Shuu que seus seios estavam contra o peito dele.
Ao olhá-lo, ele aproximou o rosto. Masami arregalou os olhos, Shuu estava prestes a beijá-la. Ela recuou de repente, porém Shuu continuou a segurá-la. Masami escorregou e como ele a impedia de se afastar, os dois caíram dentro do chafariz. Masami sentou-se, encharcada e Shuu a olhava, achando graça, também encharcado.
— Qual o seu problema? – ela perguntou.
— Não tenho problema. Você que não me deixa beijá-la.
— E por que quer me beijar? – exclamou, levantando.
Shuu levantou, vendo-a sair do chafariz e fazendo o mesmo.
— Preciso ter um motivo?
— Sim!
Ele achou graça, pela primeira vez a via expressar puramente sua fúria. Segurou sua mão, fazendo-a olhá-lo.
— Por que não quer que eu a beije? – perguntou calmamente.
Masami hesitou.
— Apenas não quero.
Shuu franziu as sobrancelhas, desconfiado. Masami se retirou e entrou, indo para seu quarto. Após tomar banho e voltar, vestiu sua camisola e sentou-se na cama, penteando os cabelos molhados. Ao terminar, abaixou a escova e pensou no que havia acontecido há pouco. Por mais que se sentisse atraída por Shuu e excitada quando ele a tocava e bebia seu sangue, não o deixava lhe dar um beijo. Era algo tão íntimo para ela que não conseguia deixar um pervertido lhe dar seu primeiro beijo.
Masami enrubesceu, imaginando como seria um beijo com Shuu. Provavelmente seria quente e excitante. E por mais que não o quisesse, começou a ficar nervosa quanto a isso. Naquele momento começou a sentir algo diferente, algo que lhe mexia o estômago. Deitou-se, pondo a mão em seu peito. Será, realmente, que Masami estava se apaixonando por Shuu?
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