Diabolik Lovers - União de Sangue
12 Capítulo 12: O segredo de Reiko
Aquele colar era tudo para Reiko. Quando recordava seu passado e as memórias voltavam à mente, ela o tocava e tudo desaparecia. Era doloroso lembrar-se, mas agora as vezes em que acontecia diminuía aos poucos. Nunca pensou que isso aconteceria, mas era graças à Kanato.
Kanato era problemático, perturbado, infantil, exigente, tinha mudanças de humor repentinas, ataques de raivas e chantageava emocionalmente os outros com lágrimas e birras. Reiko conseguia acalmá-lo com comida ou abraçando-o e beijando sua bochecha, dizendo que logo iria passar. Mas de alguma forma, ela mesma se acalmava enquanto tentava ajudá-lo. No início, era apenas para não se irritar. Porém agora gostava de acalmá-lo e de lhe dar comida. Gostava de como ele sorria enquanto comia os doces ou até como se surpreendia sempre quando ela o abraçava e beijava.
Naquela noite, após descerem da limusine, cada um foi para sua sala. A aula ocorrera de forma normal e ao seu término, Yuka parecia querer falar algo com ela. Enquanto fechava o caderno, Yuka virou-se para ela, hesitante.
— O que houve, Yuka? – perguntou, apática.
— Eh...! – ela enrubesceu timidamente – Ahm... Eu... Queria perguntar algo.
— O que?
— Hum...
Reiko a olhou, analisando sua expressão.
— Você nunca vai conseguir falar com Subaru se continuar assim.
— Eh? – disse docemente – Como assim?
— Você é tão insegura, Yuka. – disse Reiko sem emoção – Se você não mudar, ele nunca vai falar com você.
— Eh... Mas eu... Não...
— É exatamente isso que estou falando.
— Mas... Como vou fazer isso?
Reiko virou-se e pegou uma barra de chocolate em sua bolsa escolar.
— Tome. Vá até a mesa dele e pergunte se ele quer.
— Eh... Mas... – Yuka corava, gaguejando além do normal.
— Pode corar, mas nem tanto. E pare de gaguejar.
Yuka hesitou, porém levantou e foi até Subaru, que estava sentado no fundo da sala. Ao se aproximar, ele a olhou com sua séria expressão costumeira. Yuka lembrou-se do que Reiko dissera. Corar levemente, não gaguejar.
— Hum, Subaru-kun...
— O que? – disse ele, impaciente.
— Você quer chocolate? – perguntou docemente.
Subaru olhou para a barra e voltou-se para frente.
— Não gosto de doces.
— Ah. – Yuka abaixou o olhar – Tudo bem. Eu... Vou indo.
— Hum.
Yuka voltou para o seu lugar e pôs a barra sobre a mesa de Reiko, dizendo:
— Ele não quis.
— É, eu sabia que não iria querer. – disse ela, pegando a barra – Essa barra é para Kanato-kun.
— Então por que me deu para dar à Subaru-kun?
— Foi uma desculpa pra você falar com ele. – Reiko sorriu com sua expressão apática.
— Você é má! – exclamou, ruborizando.
— Mas conseguiu falar com ele, não foi?
— Ahm, sim.
— Até a próxima lição. – concluiu ela, levantando.
Reiko saiu da sala, encontrando-se com Kanato, que estava esperando-a do lado de fora, e lhe deu a barra de chocolate.
No dia seguinte, Reiko estava sentada em sua escrivaninha, fazendo o dever de casa quando alguém bateu em sua porta. Ela fechou o caderno e levantou, abrindo a porta e vendo Kanato na companhia de Teddy.
— Kanato-kun?
— Reiko-san, gostaria de te levar a um lugar que eu gosto.
— Uh?
— É um lugar que eu gosto muito.
— Ah, tudo bem.
— Vamos.
Kanato a levou até o jardim e em seu final viraram à esquerda, adentrando a mansão por outra porta. Caminharam por um corredor escuro, até que chegaram em frente à uma grande porta dupla de madeira. Ele as abriu e entraram em um grande cômodo iluminado por candelabros de parede. Mal sabiam eles que eram seguidos por Rin.
Reiko, ao adentrar, viu várias estátuas de cera com vestidos de noiva de diferentes modelos e penteados, porém todas belíssimas. Ela caminhou entre elas com Kanato e parou em frente a uma em especial, ao qual achou a mais bela. Tinha longos cabelos castanhos claros, um belo vestido de noiva de mangas compridas e uma tiara de flores.
— Gostou dessa? – ele perguntou.
— Sim. – disse ela, admirando-a – Ela é linda.
Kanato sorriu levemente.
— Gostaria de ser como ela.
Ele desfez o sorriso, confuso.
— Como assim?
— Ser bonita como ela. Não vê? Ela é quieta, calma e parece ser educada, além de ser tão bonita. Eu queria ser assim.
— Reiko-san, você já é assim.
Reiko abaixou o olhar, sorrindo suavemente.
— Não, não sou.
Kanato a olhava de forma inexpressiva, até que disse:
— Quando você morrer, posso torná-la uma de minhas estátuas? – sorriu levemente – Manteria você exibida com muito cuidado.
Reiko o olhou, voltando a sua expressão apática.
— Hum... Elas não são apenas estátuas, são?
— Não. Eram mulheres de verdade.
— Ah. – disse, ligeiramente surpresa, voltando a olhar a estátua – Tudo bem.
— Jura? – sorriu ele – Gostou da ideia? Sua pele transparente drenada de sangue ficará suave e branca como cerâmica. Você será mais adorável que a noiva mais bonita. Vou lhe dar bolas de vidro para os olhos. Qual cor você gostaria?
— Hum... Vermelhos. – disse ela – Eu gosto da cor dos meus olhos. Mas você vai esperar até eu morrer. E não vai me matar. Promete?
— Sim, prometo. – disse ele, olhando para a noiva – Você será a mais bonita.
Ela assentiu. Kanato olhou seu pulso, vendo seu colar enrolado.
— Por que usa isso o tempo todo? Estava usando-o no baile.
Reiko levantou a mão, vendo seu colar.
— Ele é muito importante pra mim.
— Por quê?
— Minha mãe o deu pra mim. Por isso é importante. Eu nunca o tiro. – disse ela – Pode fazer um penteado como aquele? – mudou de assunto.
Kanato olhou, vendo um penteado de coque cacheado.
— É bonito, mas gosto do seu cabelo solto.
Kanato esticou o braço para tocar seu cabelo marrom, porém ao virar o rosto para olhá-lo, Reiko lembrou-se daquele homem. Ele a esbofeteara, fazendo-a cair no chão. Reiko arregalou os olhos, aterrorizada e se afastou de Kanato, caindo sentada no chão. Kanato a olhou de forma surpresa.
— Reiko-san...?
Ela estava com as mãos na cabeça, tremendo e batendo os dentes. Kanato ajoelhou a sua frente, confuso.
— Por que está assim? Eu só ia tocar seu cabelo.
Reiko encolheu-se, fechando os olhos.
— Eu... Eu...
Ela apertou o colar, obrigando-se a se acalmar. Kanato olhou-a fazendo isso, estranhando e ficando curioso quanto ao seu comportamento. Reiko levantou.
— Vou para o meu quarto, preciso... Terminar o dever.
Ele levantou, vendo-a passar e ir embora. Não compreendeu, apenas havia esticado a mão para sentir seu cabelo. Abaixou o olhar, claro que não era por causa das bonecas. Apenas humanos teriam medo ao saber que elas já foram vivas. E quando descobriu, Reiko permitiu que ele a transformasse em uma de suas estátuas quando morresse. Então não era isso. Ou era? Ele interpretou errado?
Naquela noite após as aulas, Laito havia convocado uma reunião e dito que gostaria de trocar sua noiva. Kanato não se surpreendeu, já havia o visto entrar no quarto de Rin várias e várias vezes, e sair com aroma de sangue. Não era surpresa. Porém ao achar por um momento que poderia ser Reiko, ele não gostou e prontamente disse que esperava que não fosse ela. Sem querer a elogiou, porém ela o respondeu de forma normal, como sempre fazia. Não entendeu por que a elogiou, mas sabia com certeza que gostava de sua comida.
No dia seguinte, Kanato foi até o quarto de Reiko de novo. Queria saber por qual razão ela se comportou daquele jeito. Então quando bateu em sua porta e ela a abriu, logo perguntou:
— Você não gostou de ter ido ao meu lugar favorito?
— Kanato-kun...?
— Porque se for, eu e Teddy vamos ficar muitos tristes. – disse ele – E irritados. – franziu as sobrancelhas.
Reiko suspirou, desviando o olhar.
— Não foi isso. Eu gostei, pensei que fosse óbvio.
— Ah... – ele pensou – Então eu estava certo. – sorriu apaticamente – Então, quero perguntar por que você se assustou comigo.
— Não foi com você.
— Certo, mas ainda quero saber por quê.
Reiko abaixou o olhar.
— Eu não quero contar.
— Mas vamos ficar tristes. – disse ele, franzindo a testa.
— Não.
Kanato semicerrou os olhos, um pouco incômodo.
— O que posso fazer pra você me contar?
Reiko o olhou, surpresa. Percebeu que ele queria muito saber por que ela teve aquela reação, já que Kanato não se oferecia para fazer nada.
— Você quer muito saber, né? – perguntou ela.
— Sim.
Reiko pensou.
— Tudo bem.
Kanato sorriu.
— Mas você precisa me contar um segredo antes. – ela completou.
— Um segredo? – ele desfez o sorriso – Que tipo de segredo?
— Algum... Que você nunca contaria pra ninguém.
— Por quê?
— Porque... O que vou te contar... É um segredo. E não é bom.
Ele se interessou.
— Tudo bem. Venha comigo. – virou-se e começou a andar.
Kanato e Reiko percorreram os corredores e saíram da mansão, passando pelo jardim e pela pequena plantação de legumes e verduras, adentrando a floresta e continuando pela trilha. Reiko caminhava logo atrás dele, perguntando-se para onde ele precisaria ir para contar-lhe um segredo.
Ao chegarem, Reiko notou as sepulturas e túmulos. Estavam em um cemitério. Kanato continuou a andar, chegando ao final do pequeno lugar envolto de grades e parando em frente a uma grande e majestosa sepultura de pedra com uma espécie de desenho de sol em relevo. Ele a olhava com os olhos semicerrados, até que se virou para Reiko.
— Eu amo sepulturas. – disse ele – Elas são frias e calmas, e indiferentes ao terror. Eu as acho incríveis, não acha?
Reiko se aproximou, observando a sepultura.
— É bonita. Diferente das outras.
— Minha mãe repousa aqui.
Reiko o olhou. Nunca havia perguntado sobre sua mãe. Agora que descobrira que estava morta, ficou curiosa.
— Como era a mãe de vocês?
— Minha mãe não é a mesma mãe dos meus irmãos.
— Não? Eram mães diferentes?
— Sim. – disse ele – Shuu e Reiji são filhos de uma mãe. Ayato, eu e Laito somos filhos de outra mãe. E Subaru é filho de outra mãe.
— Então o pai de vocês tinha três esposas. E vocês três são filhos desta mãe.
— Sim.
— Hum. – assentiu.
— Eu a matei.
Ela o olhou sem esboçar emoção.
— Você acredita nisso? – ele perguntou – Embora isso pouco importe.
— Eu acredito.
— Eh? Por quê? – ele franziu as sobrancelhas – Não está com medo?
— Não.
— Hum, então agora é sua vez.
Reiko abaixou o olhar, olhando para o colar em seu pulso. Levantou o braço, mostrando-o para Kanato.
— Minha mãe quem me deu.
— Você já disse isso.
— Sim, mas não disse por quê. – ela voltou-se para a sepultura, tocando o colar – Eu me assustei... Porque me lembrei do meu pai.
— Seu pai? Pensei que o senhor da casa Maeda estivesse morto.
— E está. Eu o matei.
Kanato franziu a testa, levemente surpreso. Realmente não esperava que Reiko tivesse matado um semelhante, ainda mais seu pai. Porém seu interesse por ela aumentou.
— Quer saber por que sou a segunda filha da família Maeda, mas apenas eu estive presente no baile? – perguntou ela, continuando – Porque quando minha irmã mais velha nasceu e meu pai viu que não era um menino, ele a matou. Ela não recebeu nem um nome. Mamãe engravidou de novo depois, mas então eu nasci. E ela sabia que ele me mataria. Então implorou a ele para que me deixasse viver e prometeu que lhe daria um menino, não importasse quantas vezes tentassem.
— Você tem um irmão mais novo. – pensou ele – Então tem cinco irmãs.
— Isso.
— Foram várias tentativas.
Ela assentiu, continuando.
— Eu, Ruka, Rikae, Rina, Raina e Rana, as gêmeas, e Ryuu, o mais novo. Ele quem pôs nossos nomes. A primeira letra sendo R, como seu nome. Quando as gêmeas nasceram, meu pai ficou furioso. Começou a bater em mamãe por não lhe dar um menino... E em mim.
— Por que você?
— Eu sou a mais velha, mesmo oficialmente não sendo. Mas para ele não importava, eu não nasci menino e deveria ser castigada. Ele dizia coisas para mim, me humilhava. Foi quando mamãe me deu seu colar. Ela dizia que ele me daria forças. – ela sorriu levemente – Eles não tentaram por um tempo, mamãe discutia sempre, dizendo que não queria pôr outra criança no mundo apenas para ele bater nela. Mas então, naquela tarde... – ela franziu as sobrancelhas – Eu vi quando ele a obrigou a entrar no quarto. Ela gritava tanto... Mas ele finalmente conseguiu o que queria. Ryuu nasceu. Pensei que ele pararia de bater na gente. Mas ele não parou. E eu me cansei de ver minha mãe sendo surrada. E quando ele começou a bater em Ruka...
— Você o matou.
Reiko sorriu maliciosamente, seus olhos vermelhos ficaram ainda mais intensos.
— Ele não soube o que lhe atingiu, apenas sentiu a faca de prata em seu coração.
— Você se lembrou do seu pai te batendo naquela hora.
— Sim.
Kanato abaixou a cabeça, sua franja tampou seus olhos.
— Eu grito e me irrito. Mas nunca vou te bater.
Reiko o olhou, aproximando-se e beijando sua bochecha. Kanato a olhou ao fazê-lo, inclinando-se levemente e beijando-a, tocando suavemente seus lábios. Reiko enrubesceu levemente, fechando os olhos. Ao cessarem, ela o olhou e disse:
— Não conte a ninguém sobre o que contei.
— É o nosso segredo.
Ambos direcionaram-se para a saída do cemitério, caminhando calmamente. Kanato desacelerou o passo, deixando Reiko continuar. Ele pôs Teddy em cima do baixo muro da entrada do cemitério e Reiko virou-se ao notar que parou.
— O que houve? Teddy está bem?
— Sim, ele está.
Kanato aproximou-se, segurando em sua mão e correndo a mão por seu braço, tirando seu cabelo da frente de seu pescoço. Reiko manteve-se parada, quieta. Sabia que mais cedo ou mais tarde ele o faria. Kanato inclinou-se e abriu a boca para mordê-la, porém parou repentinamente e a olhou.
— Kanato-kun? O que foi?
— Eu esqueci.
— Eh?
— Vocês ficam com raiva se não receberem um beijo antes do prazer.
— Mas você já...
Kanato a beijou de repente, segurando seu cabelo e mordendo-a em seguida. Reiko semicerrou ainda mais os olhos, ouvindo-o beber seu sangue. Ele parou e lambeu a mordida, endireitando-se e acariciando seu pescoço até a clavícula.
— O que está fazendo?
— Fazendo com que sinta prazer. Estou fazendo errado?
— Não sei.
— Hum. – assentiu, continuando.
Kanato a mordeu mais uma vez, fazendo-a ofegar suavemente. Reiko voltou a ouvi-lo, porém levantou os braços e o abraçou, fechando os olhos. Por algum motivo, sabia que podia confiar nele.
Fale com o autor