Dia a Dia, com os Potter

9 Capítulo 9- Perdoar é preciso...


Notas iniciais
Desculpa o sumisso, mas deu problema na minha faculdade e fiquei tá deprimida que nem consegui escrever.

Obrigada a Anat1506 pela 17 indicação e a todos vcs que comentam e indicam, estou atrasada na resposta dos comentários, mas devagarzinho eu respondo todos.
Beijinhos...

Pov. Harry

Passar o Domingo em casa foi com certeza, uma volta à infância que eu nunca tive, há muito tempo não curtia tanto, as gargalhadas de Alvo, o euforismo de Tiago, a alegria de Lilian, o entusiasmo de Ted e o encantamento de Vic encheram a minha casa com os mais puros sentimentos existentes.

Era a perfeição concreta, uma família feliz que desfrutava de cada segundo, que lhe era oferecido. Claro, que os contratempos existiam afinal, meus pequenos eram só crianças e as rusguinhas eram constantes, mas nada muito grave. Eu sempre dava o meu jeitinho e tudo se acertava.

Ainda tinha o problema familiar, que sinceramente, estava me deixando um pouquinho cansado. Não é fácil olhar pra sua “razão de viver”, todos os dias e vê-la tentando disfarçar que a saudade e a ausência não incomodam. Eu via a hora em que ela teria uma crise nervosa e começaria a chorar incontrolavelmente.

— Volta pra mim, Harry...

Dei um pulo do sofá onde estava deitado só curtindo o meu descanso dos justos.

— Que susto Gina, estava tão concentrado que nem te vi chegar.

— Eu percebi, faz no mínimo 5 minutos que estou te chamando e você nem responde, achei até que tinha saído sem me avisar.

— Perdão amor, estou meio voado hoje.

— Tudo bem.

Ela saiu de onde estava, já se preparando para subir.

— Preciso de um banho.

Só então notei que ela tinha farinha até no cabelo.

— Gostei da nova maquiagem...

— Palhaço...

Ela me jogou uma almofada. Eu não podia deixar passar...

— Fique de olho nas crianças, eu volto logo.

Acompanhei-a com os olhos até que desaparecesse corredor acima. Era um colírio. Aquele andar seguro, o jogar de cabelos despretensioso, era um desfile constante na passarela da minha vida.

Ainda estava extasiado com a exuberância dela quando barulhos de aparatação e batidas na porta, me trouxeram de volta a realidade.

- Abra pra mim, amor.

Gina gritou lá de cima. Dirigi-me a porta e qual foi a minha surpresa ao abri-la e dar de cara com meus sogros e cunhados do lado de fora. Fiquei sem reação, não sabia se os mandava entrar, ou se fechava a porta e fingia que não tinha ninguém ali. Apesar de que tenho a impressão de que se fizesse isso Gina ficaria possessa.

Então sendo assim...

— Entrem.

Meu sogro, minha sogra, Rony, Hermione, Gui, Jorge, Angelina e para minha total surpresa, Carlinhos. Graças a Deus, nada de Percy, senti falta de Fleur que com certeza, tinha ficado com as crianças.

— Sentem-se, Gina está no banho, mas já deve estar acabando. Fiquem a vontade, vou apressá-la.

Já dava as costas a eles quando Carlinhos me segurou.

— Espere Harry.

Fui seguro pelo braço fazendo-me parar. Se fosse qualquer um dos outros eu teria reagido mal, mas Carlinhos era diferente. Eu gostava demais dele para me zangar assim tão fácil e além do mais, o coitado nem estava presente no dia fatídico, tenho minhas suspeitas de que a presença dele ali não era uma mera coincidência.

— Nós estamos aqui pra falar com você, cunhado.

— Desculpe Carlinhos, eu não quero ser rude e nem mal educado com ninguém. Mas sinceramente? Eu não tenho nada há falar com eles e se você presa um pouquinho a nossa amizade, eu lhe pelo peço que não se meta nisso.

Apontei com o dedo os acusados.

— Querido...

Duas coisas interromperam Molly, a chegada de Gina à sala e a presença assustada das crianças.

Lilian pulou no meu colo enquanto Alvo e Tiago se esconderam atrás de mim. Victória correu para os braços de Gui e Ted veio para o meu lado.

Eu não via nada, só o medo e a apreensão na face perfeita de meus filhos.

Molly levantou-se e estendeu a mão para tocar Lilian, minha caçula trancou as pernas em minha cintura, deu as costas a avó e se escondeu em meu pescoço.

Gina notando a tensão abaixou-se a altura de Ted, segurou-lhe os ombros e sussurrou.

— Ted, você pode fazer um favor pra madrinha?

Ele consentiu com a cabeça.

— Cuide das crianças pra mim?

Ele olhou para ela ainda relutando e então suspirou e se deu por vencido.

— Tá bom madrinha, nós vamos lá pro quarto do Tiago. Qualquer coisa a senhora grita...

Ele falou a última parte baixinho.

— Vic? Vai com ele querida.

— Lilian?

— Não mamãe!

Lili se apertou mais em mim e começou a chorar e tremer.

— Filha?...

Gina tentou de novo.

— Não mamãe! Se eu “soltá” o papai vocês vão “bligar” e aí ele vai “embola” de novo e eu num “quelo” que ele “vai”.

— Lili, olhe pra mim amor.

Beijei sua testa e lhe olhei nos olhos dando-lhe credibilidade em minhas palavras.

— Faz o que a mamãe falou amor. O papai te promete que não vai ter briga e que eu não irei a lugar nenhum. Não sem vocês. Você confia no papai?

Ela me estudou...

— Tá bom paizinho. Eu te amo, tá?

— Também te amo, princesa.

Entreguei-a a Ted, que rapidamente sumiu escada acima com Vic.

— Alvo, Tiago, vocês também.

Meus garotos ainda encararam mais uma vez sua platéia, logo depois se despediram de mim e da mãe com um beijinho e foram para junto dos outros.

— Abafiato...

Murmurei... O que eu pudesse fazer para que meus filhos não sofressem, eu faria.

— Gina querida...

Artur chamou-a. ela não se mexeu. Do meu lado estava do meu lado ficou. Mesmo sabendo que esse gesto não era certo e que estava a matando por dentro, não pude evitar me sentir aliviado.

Ela tinha aprendido a lição.

— Por Merlin, Harry! Baixe a guarda, nós viemos em paz.

— Você diz isso porque não presenciou o que aconteceu Carlinhos. Mas hoje é diferente, eu estou na minha casa e aqui quem manda, sou eu.

Respirei fundo. Gina colocou a mão em meu ombro. Eu tinha que canalizar a minha raiva para as pessoas certas, pois se tinha um inocente ali era o Carlinhos, ele não merecia a minha ira.

— Por favor, querido nos perdoe. As coisas as coisas aconteceram muito rápido, defender a nossa família foi nossa primeira reação, assim como foi a sua.

— Você está querendo dizer que meus filhos não são da sua família Molly? Se eu me recordo bem, eles estavam atrás de mim naquele dia.

— Não! É claro que vocês são da nossa família, não foi isso que eu quis dizer...

Ela baixou os olhos. Meu coração se apertou, droga de órgão defeituoso.

— Pelo amo de Deus, Harry! Pondere. Nós estamos aqui assumindo nosso erro. O que aconteceu com você? Nem de longe se parece com o meu amigo de sempre.

— O mesmo serve pra você Hermione...

- Nem nas piores situações você ficou contra mim e olha que teve vezes que me surpreendeu.

Eu sabia que tinha tocado na ferida dela seu olhar melancólico e choroso me disse isso.

— Não me coloque nessa situação Harry. Você é como um irmão pra mim, por mais que eu tenha me excedido, eu nunca te atacaria, se eu levantei a minha varinha foi única e exclusivamente para nos defender até que você se acalmasse.

— Calma Mione...

— Calma nada, Rony! Esse idiota não percebe que estamos sofrendo e que queremos de uma vez por todas, resolver isso.

Minha amiga chorava e Rony tentava inutilmente consolá-la.

— Você está certo Harry, nos merecemos seu desprezo, Percy nos colocou nisso e não há nada que possa mudar isso. Mas filho, pense em como essa situação está ruim.

Disse meu sogro com um ar de cansaço e entrega.

— Molly chora todas as noites, eu estou morrendo de saudades. Ponha-se no lugar de Gina. Pra ela deve estar sendo ainda mais difícil.

Desviei os olhos de Artur e encarei minha esposa. Mais uma vez me vi completamente apaixonado por ela.

— O que você decidir, estará decidido, amor. Eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes.

— Gina querida, nos ajude. Interceda por nós? Essa distância está refletindo nas crianças também, elas estão sofrendo com a separação. Por favor, minha irmã?

— Não Gui! Não me peça para escolher, eu sofri muito com tudo isso. Preciso de meus filhos e do meu marido comigo. Harry sabe o que faz. Ele decide o que é melhor para nós.

As lágrimas escorriam da face dela, o sofrimento era evidente, mas mesmo assim tinha ficado do meu lado.

— Pelos bons tempos Harry, nos devolva vocês em nossas vidas.

Jorge estava sério como eu nunca vi. Minha cabeça fervia ao mesmo tempo em que eu queria ceder, perdoá-los e consolar Molly, eu queria também manter minha atitude de arrogante e impassível mostrando-os que quem mandava ali era eu.

— Esqueça o idiota do Percy, Harry. Nós estamos aqui por nós mesmos. Todos te conhecemos e sabemos o quanto você se dá para a sua família, ao contrário dele, é claro.

Erramos, todo mundo aqui assume isso, mas você também errou, seu otário. Onde já se viu, levantar uma varinha quando tantas crianças estavam presentes, nem eu seria tão imprudente. Acorda Harry! Deixe de ser cabeça dura, pare de ficar se fazendo de vítima.

Esse era Rony, sempre dava um jeito e me trazia de volta, mesmo com seu humor negro me fazia enxergar as entrelinhas. Gina merecia ter sua família de volta.

Suspirei rendido...

Busquei mais uma vez o conforto dos olhos de minha esposa, a palavra final seria dela.

— O que você quer que eu faça Gi...?

Supliquei pra ela.

— Você decide Harry. Não quero opinar sobre isso.

Respondi-lhe incrédulo.

— Não foi isso que te perguntei. Eu quero saber o que você quer?

Ela me envolveu com os braços e me olhou nos olhos.

— Se eu te dissesse que estou completamente feliz, estaria mentindo. Você me conhece, Harry. Eu amo a minha família e sinto uma falta doentia deles.

Eu já sabia disso...

— No entanto, amor, você e nossos filhos são o “ar que eu respiro”, ou seja, necessito de vocês para seguir em frente. Se tiver uma maneira de eu ter os dois, eu me sentiria completa, mas se não... Eu escolho você.

Pov. Gina

Eu tinha feito a minha parte, é bem verdade que amava meus pais, mas eu não faria isso comigo de novo. Aquele homem era meu alimento, meu vício. Viver sem ele estava fora de cogitação.

Apertei-me mais a ele e enterrei meu rosto em seu pescoço, eu precisava que seu cheiro me impregnasse dando-me coragem e força para agüentar o que ele decidisse. Tudo estava feito, Harry tinha ouvido o que queria de mim e por mais que essa escolha fosse me custar, eu não poderia ter feito outra, dessa vez eu pensaria em mim, nos meus filhos e no meu marido. Era o certo a se fazer.

Ele afundou a mão em meus cabelos. Coitadinho! Sua briga interna era palpável...

— Se eu fosse pensar só em mim agora eu juro que não perdoaria nenhum.

A voz dele era contida, mas soava fria e amargurada.

— Mas infelizmente, eu não posso. Como disse seu filho Percy, Artur, eu não tive família e é justamente por isso que não tenho o direito de fazer o mesmo. Eu sei a falta que meus pais me fizeram.

— Querido?

— Não Molly! Deixe-me terminar...

Minha mãe queria consolá-lo e é evidente que ele não aceitaria seu consolo.

— Eu vou, de novo, passar por cima do meu orgulho e fingir que naquele dia infeliz só existia Percy e eu naquela casa.

Eu sentia as lágrimas escorrendo de minha face e molhando a camisa dele.

Merlin! Eu não merecia tanto... Ele estava se rendendo.

Minha mãe, Hermione e Angelina já esboçavam um sorriso. Gui, Carlinhos, papai, Jorge e Rony pareciam aliviados.

— No entanto, eu tenho duas exigências a fazer.

— O que você quiser filho.

Meu pai tentaria de tudo para que aquela situação se resolvesse.

— Eu vou precisa que vocês tenham paciência comigo, afinal, eu não sou de aço e ainda estou muito magoado com tudo isso.

— Isso é compreensível, querido.

— Obrigada Molly! Eu também quero, ou melhor, eu exijo que Percy fique bem longe de minha família e minha casa...

— Harry?

— Espere Gui, eu ainda não terminei.

Eu já esperava por isso, “toda ação, cabe uma reação.”

— Não confio nele! Saibam que onde ele estiver nós não estaremos e isso inclui Domingos e comemorações e ainda tem mais...

Isso Harry! Eu comemorava internamente. Ele estava deixando tudo às claras.

— Nada disso é negociável, ou é desse jeito ou é nada.

Ninguém falava nada. Talvez por ainda estarem em choque depois dessas declarações ou talvez só por medo de contrariá-lo e ele voltar atrás.

— E ainda tem as crianças, a minha segunda exigência diz a respeito delas. Elas estão temerosas depois de tudo que presenciaram por isso, eu peço que tenham paciência com elas, aos poucos elas se esqueceram e as coisas voltaram ao normal.

Por mais incrível que pareça ele estava calmo, centrado em cada palavra, seus gestos eram seguros, mas ao mesmo tempo carinhosos e reconfortantes.

Meia hora depois, quando os resmungos de Rony pararam, o choro de mamãe controlou-se e a sessão de desculpas e abraços calorosos de meu marido e Hermione acabaram, o que sinceramente me deixou enciumada. Não entendo pra que tanta bajulação de um com o outro? Se bem que ela era minha cunhada, mas mesmo assim... Eu falaria com ele sobre isso depois..

Mas enfim, depois dessa melosidade toda, trouxemos as crianças pra junto deles. A princípio Ted, Tiago e Alvo relutaram um pouco, mas logo cederam e acabaram por dar aos avós e tios o gosto de os terem em seus braços.

Já Lilian... Meu Deus! Minha garotinha era um caso perdido. Lili fez uma birra cinematográfica incluindo, choro, bater de pés e para fechar o espetáculo, se grudou no pescoço do pai e não teve promessa, nem ameaça que a tirassem dali. É claro, Harry não deixou que ninguém a forçasse. Não foi fácil ver o sofrimento de minha mãe perante a indiferença de minha filha a seu colo, ela tinha feito o mesmo comigo, uma maldição “Cruciatus”, não doeria tanto, alem de atingir física ela machucava emocionalmente também.

Mas ninguém podia culpar minha pequena, Lilian presenciou um ataque ao pai, a ela e aos irmãos, não seria de uma hora para outra que varreria isso pros confins de seu inconsciente e se jogaria nos braços deles como se nada tivesse acontecido. Como disse meu amado marido: “só o tempo e paciência para as coisas voltarem ao rumo de sempre”.

Pov. Desconhecido

Já passava das duas da manhã quando cheguei ao meu lugar de destino.

Era perfeito. Um casebre abandonado, na encosta de um morro banhado pelo oceano Atlântico, na região mais afastada e inabitada de Sligo, no sul da Irlanda.

Ainda não era longe o bastante, mas eu tinha o empecilho do rastreador que os pestinhas tinham, ou seja, não poderia aparatar sem ser descoberto pelos idiotas paus mandados do ministério.

Por isso que eu já tinha maquinetado meu plano umas quinhentas vezes. Pegaria um dos pirralhos e aparataria com ele para algum lugar, enquanto o papai idiota corria para o ministério a procura da localização que o rastreador lhe indicaria, eu já estaria a Km de distância, voando para as nossas luxuosas acomodações.

Perfeito...

E depois era só colocar a segunda parte do plano em ação. Torturar e amedrontar bastante o Potterzinho e fazer com seu papaizinho fique sabendo.

E aí sim, a minha vingança estaria começando a se concretizar.

Notas finais
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