Diário do apocalipse
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando recobrei a consciência não acordei de imediato primeiro vi alguns vultos e alguns sons graves, algo parecido com um grande ventilador. Quando consegui focar minha visão num homem a minha frente, vi um detento com a numeração no peito 01929, trajava moletons tão surrados quanto o meu, cabelos castanhos e olhos do mesmo tom dessa cor, aparentava uns trinta anos e parecia tão confuso quanto eu, e a propósito estávamos num helicóptero, um ao estilo do exército. Havia mais uns três detentos todos algemados ao teto, e cada um era de um pavilhão diferente, sei disso pela diferença na numeração. Fora os presos havia dois homens armados lá trás e dois homens na cabine de comando. Então o detento ao meu lado quebrou o silêncio.
–“Hey, hey você. Pra onde agente está indo. O quê está acontecendo aqui?”.
O soldado mais próximo de nós largou o fuzil deixando ele pendurado apenas pela bandoleira e gritou:
–“Quieto detento! só porque foram poupados, não quer dizer que não posso te jogar desse avião”.
–“UH-60 Black Hawk”
Disse o detento a minha frente, chamando a atenção do soldado que já estava irritado. O soldado se virou encarando o homem, e perguntou?
–“O quê foi que disse detento?”.
–“UH-60 Black Hawk, não é um avião é um helicóptero.”
Disse o homem a minha frente.
O soldado saiu do controle e com extrema violência acertou o rosto do homem de cabelos castanhos. E quando ele se preparava para um segundo golpe o outro soldado interferiu.
– “chega, não podemos matá-los.”
Os dois retornaram para a traseira do helicóptero, enquanto o homem com a boca toda ensaguentada, limpava o rosto na própria roupa
“hey cara você ta bem?”. Perguntei a ele, enquanto o resto tentava não olhar ou simplesmente não ligava.
– “sim, ele não é tão forte.” Me respondeu ele, sorrindo.
Nossa conversa foi interrompida por uma pequena turbulência, que nos fez chacoalhar um pouco. Então veio o aviso do piloto. “segurem-se vamos aterrissar”
Pousamos em um campo aberto, onde havia apenas um jipe de cor verde, de carroceria aberta e um motorista. Forcei a vista para vê-lo, porque meus olhos não estavam acostumados á luz. Descemos e um a um, fomos levados ao veículo.
–“ninguém dá um pio!”. – gritou o soldado irritado. Depois subiu no carro e deu um tapa no veículo, então o motorista deu partida.
Após meia-hora de viagem, chegamos a um grande portão de aço todo cercado com muros altos, tanto quanto o da prisão. Uma cerca elétrica no alto afastava qualquer tentativa de invasão, ou fuga. Tanto quanto o muro me assustou, pensar no que tinha lá dentro me aterrorizou, pelo menos nos minutos que esperamos o portão ser aberto. A visão lá de dentro gerou mais confusão do que alívio em mim.
Na entrada havia homens armados próximos ao portão, e uns cinco metros seguindo numa estreita estradinha havia uma pequena praçinha, onde algumas crianças brincavam em alguns brinquedos. Acho que foi um sentimento mútuo de estranheza com aquela cena, pois todos nós olhávamos confusos, inclusive os soldados.
Chegamos ao fim da estradinha de terra, ao longo dela havia instalações, não militares porque elas tinham espaços amplos de lazer e cores vivas. O que ficaria estranho num alojamento para soldados. Descemos do jipe e fomos encaminhados até uma sala num prédio que parecia ser o principal, não havia nenhum letreiro e era constituído por corredores e salas, as quais o conteúdo desconhecíamos. Passava das cinco da tarde e a sala onde estávamos havia apenas uma mesa no centro dela, com algumas cadeiras em volta. Os soldados nos deixaram sozinhos e retiraram nossas algemas, com apenas um aviso:
– “ O general virá vê-los”.
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