Diário do apocalipse
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Esperamos mais ou menos trinta minutos, e quando ouvimos o barulho na maçaneta do lado de fora todos olhamos em direção a ela apreensivos. O curioso foi que passaram tinta minutos que estávamos ali sem dizer nada. E naqueles, seis segundos que a porta se abria parecia que, só naquele momento, a ficha caiu. Nós olhamos, uns pros outros como se estranhássemos cada pessoa naquela sala.
Um soldado entrou abrindo totalmente a porta e parou na lateral, formando um tipo de corredor, ele carregava uma pasta. Atrás dele vinha outro homem também fardado, só que a abreviação seu nome indicava a patente de general, general Silveira. Ele era um homem de estatura alta, era forte e de um branco pálido, seu cabelo de cor acinzentada era Mais puxado pro preto do que o branco e seus olhos castanhos lhe davam um ar mais jovem do que obviamente era a sua idade real. Ele parou olhou para todos e enquanto se sentava um dos presos se levantou gritando:
– “Eu exijo saber o que está acontecendo aqui!”
Todos nós olhamos para ele, que era um detento do sexto pavilhão. Enquanto o general se sentava ele começou a falar:
– “Por favor, vocês são o décimo grupo de pessoas que chega aqui. Quietos e me deixem explicar a situação”.
Sua voz era roca e áspera, e pelo tom não admitia questionamento. Nós sentamos nas cadeiras, o soldado fechou a porta e parou em pé ao lado do general e entregou a ele a pasta que segurava. O general Silveira, o homem dos cabelos acinzentados a abriu e retirava algumas fotos e mapas, passou para os outros sentados á mesa e começou a falar:
– “Em primeiro lugar vocês agora só escutam, responderei as perguntas depois.”.
Todos assentiram com a cabeça. Apesar de eu achar que ninguém concordava.
– “Então já que estamos entendidos. Vou explicar o quê aconteceu, o quê está acontecendo e o quê vai acontecer daqui pra frente.”- fez uma pausa, e continuou- “Ás dezenove horas da última terça-feira, um conselho militar junto aos ministros de defesa do nosso país em frente aos últimos acontecimentos, tomaram a iniciativa de preservação a vida.”
– “Como assim, o quê aconteceu?” – Não resistiu um dos detentos, e perguntou.
– “Eu disse que vocês só deveriam escutar, agora quietos. Não posso dar essa informação a vocês. A única coisa que posso dizer aos senhores é que estão seguros agora.”
Não resisti em perguntar: “Mas eu tenho família, onde ela está, ela ta bem?”
Ele não respondeu apenas me olhou como se me analisasse. O silêncio do general aumentou minha tensão. E então me perguntou:
Assenti com a cabeça, esperando uma resposta.
– “Jornalista, preso numa manifestação em Niterói. Morava na zona oeste?”
Eu só conseguia confirmar com a cabeça, esperava a droga da notícia que ele tinha para me dar.
–“Sim, Fernanda e Davi. Esposa e filho? Eles estão bem.”
Senti um alívio que vinha de dentro pra fora, toda minha tensão havia desaparecido, eu estava mais calmo, Só de ouvir o nome da minha família já me tranquilizou.
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