Diário de viagem
5 Inevitável
Notas iniciais
Dois dias depois, sem ter o que fazer, o trio estava na casa de Antônio. Gil deitou no tapete felpudo pousando os pés em cima da mesinha no centro da sala e lia alguma revista de fofocas; Francis escrevia e fazia uma tabela de programação que fosse mais interessante para seu programa, sim ele tem um.
O espanhol apareceu na porta cozinha vestindo um avental rosa cheio de tomatinhos pintados, segurava uma bandeja cheia de churros quentinhos e cheirosos. Gil correu até o moreno babando e com os olhos desejando os doces.
–Calma aí, Senhor dos pintos, estão quentes e se você comê-los assim vai passar o dia no banheiro, e o Francis que cuide de você.
–Eu uma vírgula, não ajudo ninguém antes de eu terminar minha fabulosa tabela. Tenho que fechar isso até o fim do dia. – apontou a caneta.
–Eu nunca ouvi seu programa Francis, apesar de todos falarem tanto. Como é? – o espanhol deixou os churros esfriando na mesinha, dando umas tapas na mão do prussiano sempre que ele tentava pegar um.
–Bom, sei que meu programa de rádio é bem famoso. Impressiona-me você não saber disso, afinal, eu dou conselhos amorosos aos meus queridos ouvintes. – mandou beijinhos – Enfim, eu estava pensando em deixar a rádio e seguir essa carreira nas telinhas. Alfred me convidou para apresentar um programa nos sábados a noite, mas não sei se aceito.
–Seria interessante, acho que deverias aceitar. Adoro seus programas. – Gilbert sorriu.
–Obrigado Gil, digo o mesmo de seu blog Awesome.
–E não tem como não seguir né Gil? Haha, a cabeça dele só tem a Elizabeta é claro que ele procuraria dicas amorosas.
E lá se foi metade da história só tentando tirar as mãos do prussiano do pescoço do quase alegremente desfalecido Antônio.
–Entendo. Ah, estarei esperando sua carta Antônio. –loiro olhou de soslaio e com um sorriso malicioso, assim que o espanhol despertou.
–Minha? Mas por quê?
–AH Tonton, até parece que não percebemos o óbvio. Você todo tristonho pelos cantos e suspirando pelo Lovino.
–Cala a boca Gil.
O espanhol corou e sorriu envergonhado. Francis riu para Gilbert, sorriram cúmplices para o moreno que ainda fitava o nada com a cabeça cheia de brilhinhos e corações. Iriam dar uma de cupido e usariam o programa do francês para isso. O loiro sacou o celular e ligou para o americano.
–Bonjour!
–Hello, I’m a hero!! Hahaha~
–Da licença né Al? É assunto sério para você dar esses ataques heroicos agora.
–Hunf! Diz logo o que quer ôh bêbado dos vinhos.
–Ah?! – ele pode ouvir um “É assim que se fala, ‘gordo’” e o outro rebate se afastando do fone“Mas você está com esse ‘gordo’ né?” e um “Hunf, idiot.” – Bom… não ligue para esse punk, só me diga se a oferta do meu programa ainda está válida, hein?
–Oh yes, mas é claro. EU sabia que você aceitaria mais cedo ou mais tarde. – riu escandalosamente.
–Oui, mas tratemos sobre isso outra hora, estou um tanto ocupado. – fez joinha para o albino que vibrou em seu lugar.
–Yes.
A ligação foi encerrada e o loiro tratou de puxar o prussiano até a cozinha e lhe explicar o tal plano, que beneficiaria tanto Antônio quanto eles mesmos.
.x.
Estavam para dar quinze para as dezenove horas e lá estava Francis, tremendo de nervosismo e ansiedade com seu primeiro programa televisivo. Ajeitava a gravata de rosinhas pela quinquagésima sétima vez, por fim deixou-a toda aberta e folgada no pescoço mesmo. A camisa com metade de seus botões abertos e de mangas arregaçadas.
Lia o papel de programação, seria um longo dia.
–Nervoso Fran? – Gilbert apareceu do nada despertando o outro.
–Hm? Ah, oui. Eu estava mais acostumado com meu programa na rádio, ficar olhando para as câmeras me deixa meio nervoso.
–Entendo. Mas por que tanta questão em que eu fique como ajudante?
–Para me ajudar oras.
Um sinal sonoro foi dado, Francis se acomodou em seu lugar esperando o convidado, Antônio, chegar.
Enquanto isso, na casa de Ludwig, o próprio e Feliciano estavam sentados no sofá. Lovino também estava ali, pois odiaria ter o irmão lhe enchendo o saco já que ele não costumava passar muito tempo com Feli. O alemão trazia caixas de pizzas que o italiano havia pedido, implorado; afastou a pilha de DVD’s para deixa-las na mesa.
–Olha! O Francis e o Antônio estão na TV. – Feliciano havia se apoderado do controle.
Foi o suficiente para que os dois curiosos pares de olhos voltassem para a “pequena” tela de plasma de 80 polegadas.
–Veh~ irmão Francis está fazendo programa de que? Achei que era apenas conselheiro amoroso na rádio.
–O que o Gilbert faz ali? – Lovino entortou a cara ao ver o prussiano sair da frente e avistar Antônio.
–Que? O Bruder?
Gilbert estava com um pano florido na cabeça, avental e um espanador; rodava por cada canto do estúdio e agindo como se o programa ainda nem estivesse no ar. Apesar da linguagem em libras que Francis fazia atrás do balcão nada surtia efeito; Gil parecia compenetrado em seu trabalho, de tal forma que Ludwig quase sentiu orgulho… quase, apenas pela parte da limpeza. Agora inventará de limpar a lente da câmera e cantava “Augen auf!”, como se não bastasse ainda rebolava.
–Wieder lieg ich auf der Lauer,
denn wir spielen unser Spiel
Wieder wart ich an der Mauer
Wieder stehich kurz vorm Ziel
–Mein Gott, alguém desliga essa TV ou eu acabo tendo um treco aqui mesmo. – Ludwig levantou enquanto escondia a cara nas mãos tamanha era a vergonha do irmão.
Francis estava quase morrendo ali, olhou para os lados e viu uma vassoura jogada por baixo de sua mesa. Discretamente a arremessou de encontro com a cabeça do amigo albino. Feliciano gritou de susto ao ver a cara de Gil amassada contra a lente da câmera, este escorregou e caiu em cima de outra câmera. Gilbird pousará na bunda do seu dono e piava alegre. Aí começou uma desgraça em dominó. O homem que estava por trás da câmera tropeçou em um embolado de fios e bateu a cabeça, desmaiando em seguida; um curto circuito se deu nos fios e logo a luz findou no ambiente. Lovino suspirou e mordeu seu tomate tirado seja lá de onde, talvez esteja contente com aquilo, que sabe o espanhol voltasse inteiro…
Na cabeça de Francis aquele plano realmente não daria certo… o jeito seria o plano B, que ainda nem fora pensado, óbvio.
.x.
Na enfermaria do estúdio Antônio sorria enquanto a enfermeira dava uns pontos na testa de Gilbert, havia aberto sua sobrancelha; lágrimas escorriam, mas orgulhoso como só ele, claro, negava dizendo que era “suor de um homem incrível” e que só não riria porque estava cansado, que queria beber cerveja e saborear salsichas. Cansada da ladainha dele, a enfermeira de nome Bella, de acordo com o seu crachá, pressionou o algodão contra o ferimento. Um grito de dor fora ouvido por metade do estúdio. O francês acabou derramando seu café em sua calça caríssima.
.x.
–Eu vou processar essa merda! O Alfred que não se cuide para ver.
–Ok, nós já sabemos. – resmungou o loiro, estava irritado com aquele mantra que o outro gritava dentro do carro desde que saíram do programa, foi um fiasco antes mesmo de começar, sabia que aquilo nunca daria certo. Mas desta vez não fora estragado pelo americano.
–Lovino me mandou uma sms. Ele perguntou… “O que porras vocês três andam fazendo em uma merda de programa de tv? Ninguém é obrigado a ver a idiotice de vocês principalmente em canal aberto! Chigi~ Quando você chegar a casa eu me resolvo com você, seu bastardo” Ele não é um fofo? – e mais uma vez os brilhinhos voltaram para rodear sua cabeça, uma cena realmente muito gay.
–Em pensar que eu estava tentando ajudar a te aproximar dele, esse ingrato manda isso, aquele idiota dos tomates júnior… — engoliu o resto ao perceber o perigo iminente – Deixemos isso para lá, também nem penso mais em tocar meus pés em território do Jones.
Chegaram à casa são e salvos, pelo menos não estavam bêbados o suficiente para Ludwig dar mais um sermão.
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