Diário de viagem

6 Onde foi que eu errei?


Notas iniciais
Adiantando os capítulos aqui porque quero postar o cap 8 no Spirit e poder igualar ambas e me poupar trabalho mais para frente. :3

Ludwig lia seu jornal naquela manhã de sábado. O silêncio era-lhe aconchegante, até algo se quebrar na parte superior da casa; sinal que o irmão idiota deveria estar acordado. Surpreso por ele estar de pé tão cedo ele checou o seu relógio de pulso, oito e trinta e oito.

–Bom dia West! – lá vinha ele, todo espalhafatoso e cheio de fome. O loiro olhou para seu relógio novamente antes de fitar a cara do irmão.

–Você está bem?

–Ótimo, por que eu não estaria? – entupia a boca de salsichas e procurava uma garrafa de cerveja dentro da geladeira.

–Será porque você não é de levantar as oito, e sim as dez? – arqueou a sobrancelha direita, havia algo errado ali.

–Só lembrei que eu tinha de ir à casa de Antônio. – ele sentará no chão para amarrar os cadarços do tênis – Ele queria falar comigo sobre algo. E claro que meu grande EU não poderia deixar um amigo na mão.

–Ja. – mais calmo, voltou ao seu jornal; uma coluna sobre economia o interessou.

–Vou pegar o carro emprestado. Guten Morgen Bruder! – saiu andando apressado e rodando a chave do automóvel.

–WAS?

Tarde demais meu caro alemão, apenas reze pela saúde de seu irmão e principalmente do carro, amém.

.x.

Fast verschluckt an derber Wut

Schweißtreibend wart er sein Gesicht

In seinen Augen leuchtet Glut

Doch seine Diener sehens nicht...

Gilbird piava de acordo com a batida da música, e o albino acompanhava enquanto passava de cento e dez por hora. Cantavam “Weiter” a plenos pulmões. Estava mesmo com vontade de morrer, mas não naquele dia. Diminuiu a velocidade assim que começava a chegar da casa do espanhol, freou bruscamente e acabou por derrubar a pasta do irmão que estava no banco do passageiro. Ao botar o pé fora do veículo ouviu um grito de dentro da casa.

–FIGLIO DI UNA CAGNA!

O vidro da sala quebrou e teve de se esconder para não ser atingido por caquinhos voadores, enfiará seu passarinho dentro do bolso de seu casaco e se jogou por trás do carro. Antônio abriu a porta de repente e balançava as mãos freneticamente.

–O que caralho está acontecendo aqui? – espiou pela por cima do capô; viu Antônio caído no chão todo choroso e com arranhões pelos braços e rosto, logo Lovino vinha com um caco de vidro, seu olhar desesperou o moreno que se afastava o quanto podia até dar de costas com a cerca viva de seu jardim da frente.

–Lovinito, olhar, quer um tomate? – estendeu a mão, o tomate aparecerá misteriosamente, e fora perfurado pelo caco de vidro na cena seguinte, o desesperando ainda mais.

–Se me chamar assim novamente eu te corto em pedaços e lhe como na salada, tomate bastardo.

–Vais me comer? – abriu um sorriso bobo.

Uma bola feno rodou entre eles e o carro de Gil. O clima ficou tenso e o rosto do italiano ficou vermelho ao entender o que falará em tamanha a explosão de raiva.

–Eu, eu… — e correu para dentro de casa trancando a porta.

–Mas o que…

–Gilbert?

–O que foi isso? Não entendi o que se passou. – levantou o amigo e o apoiou no ombro.

–Bem… — lembrava-se de tentar acordar Lovino, mas ele não se movia e resmungava algo que terminava com “bastardo”. Na esperança de ouvir mais, aproximara-se do rosto dele e se apoiou no travesseiro perto do cabelo dele, mas sem querer acabará tocando naquele fiozinho rebelde. O que ele não esperava era a reação estranha de Lovino, ele parecia gemer e acabou abrindo os olhos, as bochechas queimavam. Logo os olhos faiscaram de raiva e não lembrava mais como chegará tão rápido na sala e nem como fora arremessado contra a janela. – E… foi isso. – já haviam entrado e tomavam chocolate quente.

–Ah, Lud me contou que aconteceu com Feli quando acidentalmente ele tocará o fiozinho. Parece que deve ser um tipo de zona erógena ou algo assim, que os deixa excitado. – mordia uma torrada – Acho melhor não chegar mais perto do fio, o incrível Eu não quero perder um amigo.

–Gilbert… — fez biquinho e os olhos brilharam. Abraçou o amigo pelo pescoço com tanta força que quase o arranca do resto do corpo.

Lovino descia as escadas, um pouco mais calmo, e viu a cena. Apertou os olhos de raiva, queria fulminar o albino cara de vela; rodou nos calcanhares e tratou de subir os degraus, no quarto ele sentou na cama e apertou seu travesseiro. Chorou silenciosamente.

O pavio fora apenas acendido, e não demoraria nada para que a dinamite estourasse.

Antônio interpretará mal a frase de Gil, e em vez de evitar tocar no fio ele estava era evitando Lovino. E isso só fez com que tudo que o italiano pensava precocemente fosse concretizado. Ver o espanhol idiota abraçar Gilbert e logo ser evitado durante uma semana inteira o fez concluir que eles estavam saindo; e isso doeu, não sabia por que chorava mais frequentemente, sempre que seus olhos ardiam Lovino largava tudo que estava fazendo e corria para o banheiro, ligava o chuveiro e com roupa ou sem tomava banho e aproveitava para desabar.

Sem a quem recorrer para desabafar tudo que estava entalado na garganta, o italiano vestiu uma roupa e saiu, sem nem ao menos olhar para o moreno que estava sentado na sala vendo uma corrida de fórmula 1. Estranhou o comportamento dele; não falava mais palavrões, só resmungava e vivia de cara fechada, fugia de suas perguntas. O clima era torturante para ambos, e sofriam em silêncio. Querendo dar um basta no gelo que se tornará o italiano, Antônio ligou para Gilbert e Francis. O prussiano não estava em casa e quem o atenderá fora Lud; este parecia irritado com algo, mas deixemos para lá.

–Temos aí um caso crítico. – analisou o francês, estava sério e olhava um ponto qualquer de seu pedaço de bolo de chocolate – Há quanto tempo mais ou menos ele havia ficado assim mesmo?

–Cerca de uma semana, por quê?

–E você lembra-se de algo que aconteceu ou que você falou antes para que ele ficasse assim?

–Bem, depois do que eu te contei eu encontrei com Gilbert, ele me explicou algo sobre o fio do Feliciano e eu o abracei e… Hey!! – levou um pedaço de bolo na cara.

–Seu idiota! Se for o que eu estou pensando você fez uma grande merda.

–Mas… você abraçou o Gil e se distanciou de Lovi, para mim não há dúvidas, Lovino deve ter visto você e ele e está pensando que vocês estão juntos. – suspirou – Ele deve amar você.

E sem trocar mais palavras Antônio baixou a cabeça. Estava confuso, queria apenas evitar com que o garoto ficasse furioso por causa do cabelo rebelde e no final acabou por se afastar. Escondeu o rosto com as mãos; não sabia o que fazer, sentia-se impotente.

–Eu sei o que está pensando. E seja lá o que você for fazer ou falar, toma cuidado, estás lidando com Lovino.

.x.

Segurando a mão machucada, Lovino abriu a porta e viu que estava tudo escuro, estranhou, pois Antônio só desligava tudo quando iria dormir, e isso só depois das onze. Checou o relógio do celular e ainda era nove e quinze. O espanhol ouvirá o garoto o chamando, mas não moverá um músculo; ainda tentava digerir o que o loiro lhe disse mais cedo. Mordeu mais um pedaço de chocolate e pegou um doujinshi para ler.

Na cozinha, o italiano escorregava nos tomates amassados que estavam espalhados pelo piso e espirrados na parede. Pensou no que havia passado ali, uma manada de touros ou algum furacão com nome de mulher? Não havia sobrado sequer um tomatinho na cesta, agora só no dia seguinte ele poderia comer uma depois da feira. A gota d’água foi quando descobriu que não havia mais pasta. Ok, os tomates até que poderia engolir, mas a pasta? A PASTA??

–ANTÔNIO!!! – deu um chute na porta do quarto que quase a arrebentou, pobre porta! – O que você fez com a minha pasta? Você quer morrer desgraçado? Pensa que… — engoliu o resto da frase ao ver Antônio dormindo de cara inchada de tanto chorar e boca melada de chocolate, vasilhas de pasta estavam amontoadas no criado-mudo além das muitas embalagens de bombons. Tropeçou em algumas latinhas de refrigerante e olhou atentamente o moreno que ressonava baixinho, vez ou outra murmurava algo que não conseguia entender. – Idiota! Quer se matar, só pode. Projeto de Alfred… – resmungando, ele tratou de catar as embalagens e todo o lixo que ele deixou na cama e no quarto. Em silêncio limpou o rosto dele com uma toalha de rosto molhada e lhe tirou a camisa, corou nessa parte, afinal, estava fazendo calor. A janela da sacada fora aberta para arejar mais o ambiente e evitar que o espanhol morra torrado. – Boa noite, bastardo. – Ao terminar tratou de limpar o machucado da mão direita, foi até a cozinha e tomou um copo de leite antes de dormir. Isso depois de ter levado certo tempo limpando aquela lama de tomates que cobria o piso e paredes.

.x.

Feliciano ria enquanto Ludwig limpava sua boca do molho de tomate, quando ouviram o som de carro se aproximando e logo em seguida alguns palavrões em alemão, o loiro notou que algo acontecerá. E isso se confirmou com Gilbert entrando enfurecido e tampando um corte na testa, os braços arranhados e outro ferimento no peito.

–O que foi isso Gil? – o loiro levantou preocupado mais com o estado do carro no momento, mas nada de deixar transparecer, né? – O que aconteceu? Você bateu o carro? – falho.

–Não West, só o Lovino. – sentou ao lado de Feli, pegou uma batata cozida e mordeu – Ele me viu indo até a sorveteria e começou a me bater, e eu nem sei por quê. Italiano idiota. – Gilbird, que voava acima de sua cabeça, pousou perto do prato de batatas para bicar uma.

–Você não tem mesmo jeito. – resmungou, pegou uma caixa de primeiros socorros que ficava em cima de uma estante e abriu, tirou uma garrafinha com água oxigenada e algodão – Deixe-me ver isso.

–Hey, eu não fiz nada de mais, eu juro. – estendeu os braços – Ele me atacou do nada.

–Acho que Lovino só estava com raiva de alguma coisa e acabou descontando em você. Desculpe por ele. Ve~

–Não Feli, está tudo bem. Eu só não posso dizer o mesmo do Antônio. Aw!! Cuidado que essa merda… arde! – tentou tirar a mão do irmão, mas levou uma tapa. Mordia os lábios quando a dor era aguda, fazer o que, era o jeito.

Notas finais
A música "Weiter" é da banda alemã "Heldmaschine" - boto pq eu gosto