Diário de uma adolescente
31 Sua florzinha
Notas iniciais
—Nataniel, deixa eu te mostrar a sala de jogos. Vem! – Tio Henzo convidou.
—Na verdade a gente ia tomar banho de piscina agora, tio. –arrumei uma desculpa para evitar aquilo, sabia que o Nate estava um pouco desconfortável por “conhecer” toda a minha família de uma só vez. E meu tio colocaria pressão nele com certeza.
—Ora, vocês nem estão com trajes de banho. Além de ser quase meio dia, e pelo jeito que estão brancos ficariam queimados rapidinho.
—Você tem um jogo preferido? – Nate falou e seguiu com o tio. Até achei ele corajoso, acho que ele só foi pelo jeito delicado do tio Henzo, só que ele conhece a parte ameaçadora da minha família.
Me joguei no sofá do lado do tio Hugo e mexi no seu cabelo tentando revirar – impossível ficar mais do que já estava.
—Eu espero que você corte seu cabelo antes de entrar na igreja. – comentei.
—Pode mexer. É bom. Pode até tentar encontrar uma pipoca que a Valentina jogou. – ele respondeu e eu fiz cara de nojo.
—Ecaaaaa.
—Se fala isso do meu cabelo imagino quando for lá em casa quando todos os meus filhos estão. É comida, brinquedo e bagunça para todo lado. Ah e não tem um papel de parede que não esteja riscado.
—Eu espero mesmo que a Brenda seja sempre sua caçula!
—Que nada minha sobrinha, terei mais filho que o mister Catra. – falou e riu imitando a voz grossa do funkeiro. Sua péssima imitação me fez gargalhar também.
—Filha, você pode me ajudar aqui na cozinha? –minha vó gritou para mim.
—Acho que vou ficar sem almoçar. –meu tio brincou com minha ‘maravilhosa’ culinária.
Fui até a vó Maria e perguntei-lhe o que eu precisava fazer.
—Pode picar as batatas, o Ottávio só come isso.
Fui cortando em tirinhas para depois fritar e a cada segundo minha avó puxava um assunto, e tive a impressão de que ela não havia me chamado ali por “precisar” e sim por querer.
—Aquele é seu namorado né? – ela me perguntou. E pelo seu tom descobri que essa era a pergunta que ela queria fazer desde que cheguei.
—Sim vóvó.
—Eu já sabia pelas fotos, mas ele é mais bonito pessoalmente.
OBSERVAÇÃO BEM IMPORTANTE: minha vó se acha moderna e usa MUITAS redes sociais. E provavelmente já estalkeou Nate em todas elas.
—Vocês formam um casal bonito e vão procriar filhos mais lindos ainda. –ela continuou e eu pensei Ô meu deus será que todo mundo aqui só pensa em criança?
—Vó, nós ainda estamos no primeiro estágio de um relacionamento. –Afirmei para que ela não insinuasse nada como um “casamento”.
Ela se virou e me olhou analisando meu rosto e fez outro comentário (desnecessário).
—Então sua florzinha ainda ta intacta? – quando entendi o que ela quis dizer virei um pimentão. Onde tem um buraco aqui para eu me enfiar?
Fiquei muda e ela ficou me olhando com um sorriso bobo no rosto esperando resposta.
—Sim, vó. –respondi com a cabeça abaixada.
—Eu lembro da minha primeira vez, foi na minha noite de núpcias. Você sabia que sangra? E doi bastante. Parece até que rompe uma pele lá dentro. – ela continuou falando e eu com minha expressão um pouco enojada por ouvir aquilo enquanto preparava o almoço.
—Mas enfim minha filha – ela queria terminar o assunto antes que eu arrumasse uma desculpa para ir embora- eu te chamei aqui para te pedi uma coisa. – ihhh lá vem.
—O que é vó?
—Que você apresentasse o Nataniel no almoço. Só para “oficializar e formalizar” o namoro com a nossa permissão. – ela deu seu melhor sorriso mostrando muito dos seus dentes implantados. E continuou – você sabe como é seu avô tem aqueles costumes antigos. Acredita que ele queria que dormissem em quartos separados. Ele nem sequer tenta ser moderno.
Ignorei tudo que minha vó falou depois da parte que envolve apresentar o Nate e respondi.
—Tudo bem. Mas meu pai ainda não sabe.
—Ué, ele só chega amanhã.
—Sabia que eu estou com medo da reação dele, vóvó? – desabafei.
—É claro que ele vai sentir ciúmes, tu fosse a primeira neta mulher e a primogênita dos seus pais. Ele pode ser grosso no começo, mas depois vai entender que você está se tornando uma mulher.
Minha vó falando assim me fez sorrir, vendo por esse lado até eu entenderia ele.
—Ô de casa. – brincou minha mãe que entrou na cozinha interrompendo nosso momento bonito.
—Oi mãe. – larguei minhas batatas e fui abraça-la.
Eu estava com saudade. E quando encostei minha cabeça em seu ombro vi alguém atrás. E ela cochichou para mim “conforme combinamos”.
E lá fui eu toda falsa abraçar meu querido “padrasto” com toda a intimidade que consegui. Afinal ela tinha deixado eu fazer uma festa em casa – um milagre- e me deixado sair daquele internato.
—Oi, Dan. – sorri e percebi meus parentes nos observando.
Fale com o autor