Diário de uma adolescente
32 Eu pelada?!
Notas iniciais
O resto do dia seguiu sem que tenhamos feito nada produtivo. Era uma pessoa falando mais alto que a outra, as crianças gritando e rindo enquanto brincavam de pata-cega dentro de casa, meu tio Henzo, minha mãe e minha avó fofocando sobre como o pessoal daquela cidade vivia. Vôvô sentado na sua poltrona e o tio Hugo jogado no sofá (sério, ele se levantou umas três vezes só ao longo do dia). Ahhh e Nate de vez enquanto trocava umas caricias comigo publicamente, mesmo por um abraço eu me sentia estranha fazendo isso em frente à família até porque eles ficavam “aiiii olha que bonitinhos” “eles estão tão apaixonados” “vocês lembram da minha época assim” “beija, beija, beija”
Minha família é um tanto quanto estranha. EU SEI DISSO. Depois da janta fui direto para o quarto, estava irritada com aquele barulhão visto que sou acostumada a “viver” sozinha, ou com a Mari — que nem faz tanto barulho.
Subi para meu quarto e enquanto enchia a banheira eu fiquei mexendo no meu celular. Vendo o facebook, twitter e o Snapchat. Eu tinha tirado umas fotos com o Nate e ele colocou na my store, bati print e fiquei observando outras que ele capturou sem eu percebesse. Ri de uma em que a Valéria e a Valentina estavam brincando de massagista com o meu pezinho. (não sou exploradora de crianças apenas gostei de participar da brincadeira, apesar de depois sair escorregando no piso de tanto creme que passaram ) a sensação era tão gostosa que na foto sai com um meio sozinho e com os olhos fechados.
Coloquei sais de banho e criou espuma na banheira, coloquei os fones de ouvido e entrei deixando apenas minha cabeça fora d’água e o corpo coberto por espuma.
“Pega a metralhadora” “tra tra tra tra tra” “as que comandam vão no tra tra ...”
Com o shampoo como microfone eu cantava no meu show imaginário, fazendo caretas como se tivesse arrasando. De repente abri os olhos e vi o Nate na minha frente rindo MUITOOO e me filmando. Na hora me veio na cabeça que eu tinha deixado a porta meio aberta, mas não estava com vergonha dele até porque não dava de ver nada além da minha cabeça. Mas na hora que ouvi eu cantando e percebi que aquilo remetia a cada dez segundo. Parti para a ação antes que ele publicasse no snap.
Sai da banheira num pulo, que acredito que muita água saiu também. Fez até uma ondinha. Fui na direção dele já ameaçando. E quando achei que ele fosse correr ou levantar o celular sei lá. Ele ficou com a boca aberta me observando. Os olhos me secavam e na sua boca lentamente formava um sorriso malicioso.
Então a ladina aqui percebeu o que fez. Fiquei vermelha que nem um pimentão e segurei meus seios procurando a toalha com a outra mão.
—SAI DAQUI! – gritei muito brava apontando para fora do banheiro.
Nate foi sem dizer nada, mas estava espantado. Antes de ele atravessar a porta eu ordenei que deixasse o seu iphone comigo. E CLARO ele me obedeceu, entregando na boa. Me sentei em cima do vaso e comecei a mexer no seu celular. Tipo assim em TUDO. Até nas mensagens. Claro que exclui meu vídeo antes.
Nate não parava de falar –sozinho- do outro lado da porta.
“Amor” “Amor desculpa” “Eu não vi nada”
Eu ri quando ele disse isso. Ele ouviu minha gargalhada e confessou.
“Mentira, eu vi tudo.” “Eu prefiro os rosadinhos mesmo.”
Eu entendi que ele se referiu aos meus seios.
“Agora to de pau duro”
“Nataniel” –gritei repreendendo.
E ele voltou a pedir desculpas com o lado mais querido que eu conhecia dele, trocando totalmente do garoto pervertido para o garoto meigo.
Coloquei meu pijama, esvaziei a banheira e sai dali. Me sentei no sofazinho que tinha no quarto e liguei a tv. Nate só me olhava, depois se sentou do meu lado e começou a chegar mais perto.
Tentou me abraçar, me deu beijos no braço, colocou a mão em cima da minha e eu nada retribui. Na verdade, mal o olhei nos olhos.
—Estou bem brava! – afirmei olhando para a tv. Apesar de não ser mais tão verdade era legal vê-lo todo preocupado querendo minha atenção.
—Eu sei, eu sei. Desculpa, não vou mais fazer isso. – falou com sua cabeça muito próxima da minha. Seus olhos na mesma altura que os meus.
—Você invadiu minha privacidade!
—Para com isso, para. – implorou fazendo beicinho e puxou minhas pernas pro seu colo, já que agora estava sentado ao meu lado.
—Nunca mais me filma. Ta bom? – falei e dei um selinho bem rápido.
—Prometo. – respondeu.
—Imagina se vaza. Uma foto do meu corpo nu e tals. Bem falava que vou ficar no colégio né. – Ironizei o “bem”.
—Então você só estava brava pelo vídeo e não por eu ver você pelada? – ele perguntou levantando as sobrancelhas.
Enquanto nós conversávamos do nada apareceu minha mãe enfiando a cabeça na porta.
—MÃE, bata antes de entrar por favor!! – descontei um pouco minha raiva nela.
—Desculpa. –ela falou e colocou as duas mãos para cima em sinal de rendição. – Só queria saber se ta tudo bem aqui. As paredes de madeira são bem finas sabias?
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