Diário de uma adolescente
27 Por um triz
Notas iniciais
Ele me encarou e sentiu que eu estava falando sério. Depois se levantou e eu olhei satisfeita, dando um sorrisinho mostrando minha vitória pra amiga dela. Nate deu algumas dicas pro pessoal que ia ficar ali com a menina, depois me deu as mãos e seguimos para o carro.
_É a primeira e última vez que faço isso. – ele falou ao se sentar no banco do motorista.
_Cuidar dela? – eu perguntei sabendo que ele se referia à me “obedecer”.
_Não, Améllia. O jeito que você falou está errado. A garota estava passando mal e como amigo eu estava ajudando. Você escolheu a melhor hora pra dar crise de ciúmes.
_Eu não dei crise de ciúmes. – menti indignada.
_O que foi aquilo então? – ele perguntou grosseiro.
_Eu só não quero ficar com fama de corna burra, Nate. – uma lágrima escapou dos meus olhos, virei meu rosto pro lado e limpei-a rapidamente pra ele não notar.
_Você não é corna. Porra Mia quantas vezes vou ter que pedir confiança?
_É difícil raciocinar quando você está abraçado a uma guria e afagando o cabelo dela de uma forma tão intima.
_Melhor do que ver um homem sem blusa, se esfregando na minha namorada não foi. –gritou se referindo do barmen e desviando os olhos da estrada quando passava no sinal vermelho já que era de madrugada e não tinha movimento.
Até ouvirmos uma buzina muito alta e darmos atenção à outro carro que estava à poucos segundos de bater no nosso e me esmagar entre os ferros.
Assim que vi o farol na minha cara, fiquei desesperada. “Vou morrer “ era o que passava na minha mente. E se não acontecesse isso com certeza teria algo como paralisia no corpo. Não sei porque, sendo que nem sou uma pessoa tão religiosa, mas pensei em Deus nos abraçando.
E quando eu me desesperava na experiência pré-morte, Nate foi mais rápido e fez uma manobras com o carro que eu tive que me segurar no puta-merda. O outro carro passou a centímetros de nós e na vaga mais próxima ele encostou, que era ao lado do calçadão na praia.
Meu olho ainda estava arregalado de medo, meu corpo tremia e a imagem do farol no meu rosto e o som da buzina ficavam passando repetidas vezes pela minha cabeça.
Assim que desligou o carro Nate olhou pra mim e começou a me tocar em todo lugar como uma mãe preocupada.
_Você está bem? – falou com a mão no meu rosto.
_E-e-eu acho que sim. – falei gaguejando um pouco.
_Vem vamos dar uma volta, espairecer. –ele saltou do carro e me abraçou de lado.
Sentamos na beira da praia onde o mar quase vinha em nossos pés. Ele me abraçava com tanta força que acredito que estava se sentindo culpado, ainda mais por meus olhos não conseguirem parar de lacrimejar.
_Eu podia estar morta agora. –Pensei em voz alta depois de tanto silêncio e mentes barulhentas – eu vi a luz, vi o farol no meu rosto. Ele ia bater, ia quebrar o vidro e amassar os ferros bem do meu lado. Imagina se meu pai sonha isso, que saímos de casa escondidos, bebemos, brigamos e quase nos matamos.
Nate não respondeu, beijou minha testa. Depois me aninhou com um braço e enlaçou nossas mãos. Sempre passando o polegar de leve fazendo carícias. Isso me relaxou bastante, aquele abraço me confortava e comecei a pensar na nossa discussão que foi o motivo da distração. Comecei a lembrar cada palavra dita.
_Desculpa. – falei olhando pro chão.
_Não foi sua culpa, meu amor. – ele parecia mais calmo, já tivera muitas experiências assim por causa das rachas. – Eu que me deixei distrair.
_Não por isso ..... por aquela crise de ciúmes.
_Agora você admite? –ele soltou um risinho, consequentemente me fazendo rir também.
_Eu só não quero te perder novamente. Esses seus olhos, seu corpo, seu cabelo, seu estilo e sua popularidade fazem qualquer garota se apaixonar. – ele estava com aquele sorriso convencido no rosto — E o fato de eu não estar mais na escola pra poder participar das coisas é difícil pra mim. – desabafei.
_Minha popularidade? Mia você quem deixa as garotas invejadas e faz os rapazes babarem. E te garanto que é muito mais difícil pra mim esse negócio de escola pelo fato de eu só ter inimigos lá e nenhum contato pra me contar sobre você. E espera ai se eu faço todas as garotas se apaixonarem por mim, então você também conta?
_Eu não sou apaixonada por ti, querido. –falei levantando as sobrancelhas e com um sorrisinho- Mas... eu te amo.
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