Diário de uma adolescente
12 Aquela voz meio rouca
Notas iniciais
Do meu ponto de vista, meu quarto já era pequeno para mim e para a Mari. Imagina com mais seis pessoas. As meninas selecionavam as roupas e os calçados que eu levaria enquanto eu pegava os cosméticos. E os meninos ficavam incomodando e fazendo a gente perder tempo.
_Galera, já é uma e vinte! – Ophlia, a ruiva, falava insinuando que estávamos atrasados demais.
Num instante todos saíram para pegar suas malas nos dormitórios sobrando só eu e minha colega de quarto. Eu ia saindo quando me olhei no espelho e resolvi seguir o conselho do Gus. Passei a base correndo, o blush e estava passando o rímel no olho direito quando a Mariah se pronuncia.
_Anda logo, senão vamos ficar. – ela falou apressada e eu passei o rímel no olho esquerdo bem depressa.
Pegamos nossas malas e fomos andando pelo corredor. Chamei o elevador, mas quando vi ela já estava descendo as escadas com a mala na mão.
_Nem pense nisso. Não dá tempo. O elevador deve estar lá em cima. –ela gritou já nos últimos degraus.
Segui ela até onde tínhamos combinado de esperar, só que quando vimos o ônibus já estava saindo na portaria. Corremos tanto que meus pulmões pareciam gritar pedindo ar. A respiração ofegante e os músculos doendo por segurar uma mala daquele tamanho. Assim que o pessoal nos viu do lado de fora gritaram para o motorista que parou e abriu as portas para nós.
Entramos no ônibus com todos rindo da nossa cara. Mas logo que o treinador se levantou a galera toda se calou, sentamos no banco reservado para nós e ele mandou o ônibus seguir e andou até nossa frente.
_VOCÊ! –ele apontou pra mim que até deu medo- não devia ter se atrasado. Te aceitaram não sei o motivo e nem quero saber. – o careca falava cuspindo — Mas tenha responsabilidade e pontualidade de cumprir com o horário combinado. E o que dizer de ti então Mariah? Que exemplo a chefe das cheerleaders deu. Deveria ser a primeira a chegar ....
Ele continuou falando para nós duas durante uma hora inteira e nas próximas duas fez a gente ficar correndo pelo corredor do ônibus e fazendo polichinelo pra pagar pelo que fizemos de errado. Resumindo: essa viagem foi uma merda, e eu não consegui dormir de novo. Sério, não sei até que horas eu aguento antes de desmaiar de exaustão.
O ônibus parou no estacionamento do hotel. Em alguns minutos o treinador já tinha pego a chave dos quartos e os empregados já estavam pegando as malas.
Cheguei na recepção com as meninas e enquanto esperávamos notei todas elas viradas para mim encarando alguma coisa. Me olhei imediatamente e vi que não era comigo, depois olhei para trás e vi ele. Conheci na hora. Ele estava de frente, mas se estivesse de trás ou de lado pouco importaria porque eu reconheceria do mesmo jeito. Da mesma maneira de antes o cabelo loiro dourado meio ondulado todo bagunçado e foi quando ele sorriu. Todas estavam em transe e eu pude ouvir alguns suspiros e alguém falando “que gato”. Então ele percebeu a gente olhando para ele e sorriu, aquele sorriso era o que eu mais gostava nele. Dentes brancos e alinhados depois de quatro anos de aparelho ortodôntico. Ele ia se aproximando e as meninas ao meu lado arrumavam o cabelos e qualquer coisa tentando disfarçar o encanto.
_Se lembra de mim, princesa? – ele perguntou olhando só pra mim e ignorando as garotas do meu lado. Assim que ouvi sua voz meio rouca lembrei dos cochichos no meus ouvido que me deixavam louca.
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