Diário de uma adolescente

6 A louca que chegou de camisola branca


Notas iniciais
Hello pessoal, espero que gostem desse capítulo apesar de ele estar um pouco triste!

Eles se deitaram naquela minúscula cama de solteiro e ficaram abraçados rindo, sussurrando, se beijando e eu os invejando. E fiquei um pouco irritada também, porque além de ela não pedir ou avisar que ele iria pra lá, esse casal me lembrava de uma pessoa que eu estava tentando esquecer há um tempo.

Também tem o fato que o Augustus era maravilhoso e seria difícil para qualquer menina vê-los sem ter no mínimo um ciuminho. Além de ele ser lindo, ele tinha outra coisa que eu não saberia explicar, talvez é o olhar ou o carisma. Mas é estranho porque acabamos de nos conhecer e para mim parece termos anos de amizade.

Acordei com um despertador irritante me lembrando que eu tinha aula. Mariah tentava sair dos braços do Augustus sem acorda-lo. Fui pro banheiro e fiz minha higiene matinal.

Peguei o uniforme e olhei aquela coisa medonha, não tinha como eu aparecer sequer apresentável com aquilo. Coloquei a saia de pregas na cintura pra ficar mais curta, as meias obrigatórias e a blusa de cola polo com o símbolo do colégio no lado esquerdo do peito. Fiz uma maquiagem básica e arrumei meu cabelo.

—O novata – Mariah chamou — se quiser pode tomar café conosco, sabe, não é muito fácil fazer amigos aqui no Patruni.

Óbvio que aceitei, andamos bastante até chegar ao bloco A, onde era o refeitório. Assim que passamos pela porta senti vários olhares sobre mim. Minto. Não era vários eram todos. Dei um meio sorriso pra não parecer antipática e segui Mariah e Augustus que pararam em uma mesa onde sobravam apenas duas cadeiras. Antes de eu procurar outro lugar para sentar Gus já tinha pego uma cadeira de outra mesa e colocado ao seu lado pra mim.

CAVALHEIRO” – pensei.

Até o pessoal daquela mesa trocava olhares nada discretos, as meninas principalmente, me senti como se tivesse sendo intrusa.

“É essa que saiu do hospício e chegou de camisola branca?” Ouvi uma ruiva cochichar para Mariah.

Ela me olhou e não respondeu. Depois se levantou e fez sinal para que eu fizesse o mesmo.

—Galera, essa é a Améllia. Aluna nova e minha colega de quarto. – ela me apresentou.

“Você é sempre tão ingênua mari” “Ouvi dizer que ela tava dando em cima do teu namorado” a cada cochicho que eu ouvia sobre mim, me sentia ainda mais mal.

Ninguém parava de me olhar, era tanta atenção que eu estava totalmente sem graça. Não sou o tipo que fica corada e sai de fininho, pelo contrário sou o tipo que se irrita e se defende sozinha. Por isso me levantei e fiquei em frente à minha cadeira olhando para todo mundo e eles me olhando como se eu fosse realmente louca.

OLÁ —gritei chamando atenção de todos. — Curiosos, não? Então eu vou tirar as dúvidas pra pelo menos ter um café da manhã em paz.— falei encontrando olhares distintos– Meu nome é Améllia Kuerten e NÃO. Eu não vim de um hospício ou qualquer coisa do tipo. Eu fui expulsa da minha antiga escola por isso estou começando aqui no meio do ano. — Agradeci pelo silencio com um cumprimento de cabeça e ia me sentando, mas lembrei de algo – Ah e outra coisa— falei olhando para a amiga da Mariah— Eu não sou PUTA — as meninas ficaram de queixo caído.

Quando me ia me sentando na mesa acabei derrubando minha bolça e caiu tudo. Inclusive meu teste de glicemia.

—Se você não é louca como se explica isso? – uma guria da mesa de trás falou.

“ÓTIMO AMÉLLIA, ESTAIS SE SAINDO MUITO BEM NESSE COLÉGIO”

Ela tem diabetes, sua idiota. – Gus se levantou e me defendeu mesmo eu não precisando.

E os olhares que recebi agora foram piores do que o de antes, eram de pena. Todos olham assim quando sabem por isso evito de contar. Se sentir frágil era tudo que eu não queria e se tivesse outro jeito de explicar meus “instrumentos” com certeza eu optaria por deixar minha doença sob minha conta.

Notas finais
Beijos!!