Diário de uma adolescente
7 Você não me reconheceu
Notas iniciais
Meu dia não tinha sido muito bom, o ponto alto foi o café da manhã, tive muitas aulas antes e depois do almoço, tanto que não posso mais ver um livro na minha frente hoje. Almocei no meu quarto sozinha. Da janela do meu quarto dava pra ver que o dia já tinha escurecido e agora eu conversava com a Mariah enquanto ela alisava o cabelo com chapinha e eu arrumava minhas roupas.
_Sabe o que seria bom pra você?
_O que? – perguntei.
_Entrar em alguma equipe esportiva. Melhora o relacionamento com os alunos, vai acabar com os boatos de retardada e ainda vai servir como desculpa pra sair do colégio.
_Que seja, já me informei e os testes são só no começo do ano.
_Quem sabe eu consigo fazer você entrar na minha equipe.
Eu ainda não descobri se a Mariah era querida com todos ou tinha alguma intensão por trás. Porque o comportamento sempre gentil dela é algo realmente estranho para mim.
_Uau. Sério?
_É bem possível, mas tenho que falar com as meninas antes.
_E o que você pratica? – perguntei rezando para não ser natação, porque tenho pavor.
_Cheerleader. – ela falou tirando a prancha da tomada.
_Não é muito a minha praia, sabe? – desanimei, líder de torcida. Fala sério, né!
_Eu amo torcer, todas as sextas nós somos liberados antes de todos para os jogos e podemos voltar só segunda de manhã. Estamos na final agora. – ela fez um gritinho de alegria e deu pulinhos- o jogo vai ser na sexta que vem com o colégio Bortoluzzi.
_O QUE? – falei espantada por não saber que minha antiga escola estava na final com minha atual. Eu definitivamente teria que ir.
_Não gosto muito do pessoal de lá, mas os meninos são uns gatos. – ela comentou.
_Já peguei alguns, inclusive o capitão do time. –Falei com um sorriso bobo no rosto lembrando do meu ex e olhei para ela que estava arqueando a sobrancelha com um sorriso malicioso.
_Tenho que ir. Gus ta me esperando. – ela disse saindo e jogou um beijo.
Peguei meus cremes e levei eles para cima da penteadeira, comecei a organiza-los e vi uma caixinha de jóias preta, branca e vermelha com alguns strass. A caixa era linda e fiquei curiosa para ver se as joias também eram.
”VAMOS VER SEU ESTILO SENHORITA MARIAH VENTURA” não que eu fosse pegar ou algo do tipo, só estava entediada e não queria sair do quarto.
Tinha alguns poucos brincos pequenos que reconheci ser ouro só de olhar e vários outros grandes, com franjas, penas, brilho e tudo mais. Os anéis eram bonitos, mas nada de muito diferente. Olhei as correntes e me interessei por uma caixinha vermelha de veludo. Abri e fiquei de boca aberta.
A corrente era linda, com ouro amarelo e branco, era delicada e elegante. Exatamente como a minha. Só que a parte dela era a contraria. Tirei da caixa e trouxe para junto ao meu pescoço onde a minha estava. Elas se completavam e formavam BFF, best friends forever ou como gostávamos de chamar, Best bitches forever. Como eu fui idiota, ela ser a outra metade era a única explicação pelo seu fascínio na minha corrente quando nos conhecemos e pela gentileza. Afinal ela lembrava de mim.
_Eu esqueci o molet ... – Mari entrou apressada no quarto pegando o moletom que tinha esquecido em cima da cama, mas quando me viu parada na penteadeira ela parou e eu me virei com as duas correntes encaixadas próximo ao meu pescoço.
_Você não me disse. – falei com a voz travada quase chorando.
_Você não me reconheceu. – ela disse triste com os olhos marejados.
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