Diário de Uma Bruxa - Temporada Final
2 Às Vésperas de Um Desastre
Notas iniciais
O clima na sala era tenso, e era como se o ar estivesse estagnado. Todos estavam em silêncio, encarando a mesa de cabeça baixa. Nagini se arrastava pela madeira escura, serpenteando em direção à ele.
– Harry Potter está desaparecido. – ele resmungou, com uma raiva contida na voz calma – Parece que ele está atrás das horcruxes.
Mais silêncio. Não era seguro falar quando ele estivesse com raiva. Aprendi isso do pior jeito .
Quando esse pensamento passou por mim, meu rosto recomeçou à latejar onde ele tinha me batido no dia anterior. Abaixei ainda mais a cabeça, como se achasse a mesa muito interessante.
– Louise? – estremeci quando ele disse o meu nome. – Você era amiga dele, não era? Onde acha que ele pode ter se escondido?
Engoli em seco e me atrevi à olhar pra ele.
– Talvez...na casa dos Weasley. – disse, com a voz fraca.
– Impossível. Queimamos aquele lugar, não se lembra? – ele sibilou.
– Ainda assim. Eu...soube que vão celebrar um casamento. – senti meu coração se apertar ao lembrar de Hannah e Lupin – Se ele não está lá, vai estar.
– Quando? – ele perguntou, com uma faísca de curiosidade.
– Em breve. Soube que seria comemorado antes do início do ano letivo.
Ele ficou em silêncio, com Nagini sibilando em seu ouvido, como se partilhassem um segredo ou uma piadinha interna.
– Será que seriam tão tolos à ponto de celebrar um casamento nesses tempos? – ele perguntou.
– Esses tempo exigem um casamento, milorde. Nunca se sabe quando algo pode acontecer, não? – Bellatrix soltou um risinho – De fato, seria prazeroso ver aquela convencida da Hannah queimando em seu próprio vestido de noiva...
Tive de me segurar para não socar sua cara; Bellatrix odiava Hannah desde que estudavam juntas, e falava mal dela à cada oportunidade que surgia.
– Bellatrix, já chega. – o próprio Voldemort já previa um de seus discursos, e já estava cansado deles. Ela abaixou a cabeça e murmurou:
– Desculpe.
Você-Sabe-Quem ponderou por algum tempo, com os olhos de cobra fixos na parede. Por fim, ele sorriu pra mim maliciosamente.
– Ótimo. Antes de atacarmos, devemos ter certeza de quando será o casamento. Que tal cuidar disso pra mim, Louise?
Todos levantaram os olhos pra mim, como se esperassem que eu recusasse. Engoli em seco e disse:
– Eu vou. Hoje à noite.
Ele riu.
– Viram? É isso o que eu quero. Determinação.
Então, se levantando, fez o seu gesto de “saiam”. Todos se ergueram das cadeiras e se curvaram, saindo apressadamente. Assim que pisei do lado de fora, voltei à respirar. Draco veio até mim.
– Tem certeza de que vai fazer isso? – perguntou – Eu posso ir, se quiser.
– Não. Ele nunca deixaria. – respondi, balançando a cabeça – E você sabe que ele só me manda fazer esse tipo de missão pra me irritar.
Draco suspirou e colocou a mão na minha bochecha machucada. Na última reunião, eu tinha irritado Lorde das Trevas e...bem, pra resumir ele educadamente pediu a bengala de Lúcio Malfoy pra dar na minha cara.
– Está muito ruim? – perguntei.
Ele hesitou, sem saber o que dizer.
– Ele bateu com muita força. – disse, por fim, como se eu não soubesse disso.
Ele pegou minha mão e me olhou nos olhos.
– Eu vou com você.
– O quê? – afastei seus dedos, antes entrelaçados nos meus – Não, eu posso fazer isso sozinha.
– Pode? – ele levantou uma sobrancelha – E se te pegarem?
– Por favor. Eles nunca fariam mal algum à mim. – respondi, confiante – Não teriam coragem.
– Não sei. Harry parecia bem...”chateado” por você ter traído todo mundo e ajudado à pôr fogo em Hogwarts.
– Ele supera. – disse – Mas ele parecia mais “chateado” com você do que comigo.
Draco fez uma careta amargurada.
– Ele acha que eu te levei pro lado negro.
– Bem...tecnicamente, sim. Mas não nesse sentido. – sorri, me aproximando.
Ele sorriu junto e estava prestes à me beijar quando se lembrou de que estávamos em público. Ninguém parecia estar prestando atenção à nossa conversa, mas acho que Lúcio e Narcisa perceberiam o que estava acontecendo entre nós dois se nos pegássemos no meio do corredor.
Ele sorriu outra vez, mas timidamente.
– Depois. – sussurrou, se afastando,
O vi andar para longe com um sorriso.
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Eu e Draco chegamos à colina metade queimada da qual podia-se ver a casa dos Weasley. Como eu pensava, uma grande tenda era armada do lado de fora. Parecia que o casamento seria no dia seguinte.
– Você estava certa. – ele disse, quebrando o silêncio.
Sim, eu estava certa. Mas não estava particularmente feliz por esse fato.
O vento soprou forte, fazendo meu cabelo se agitar. Eu finalmente disse:
– Fique aqui. Vou olhar mais de perto.
Ignorando seus protestos, andei pelas árvores por algum tempo, até chegar o mais perto que podia sem sair da cobertura das folhas. Escondida nas sombras, observei a cena cuidadosamente;
Os gêmeos (um deles usava um pano ensangüentado na orelha, por algum motivo), Gina e o Sr. e Sra. Weasley argüiam a tenda com magia. Mais longe, vi Lupin e Hannah conversando de mãos dadas. Ele sussurrou algo em seu ouvido e o resto dela ficou vermelho como uma pimenta.
Vi o trio de ouro conversando na porta da casa, e fui subitamente tomada por uma saudade indescritível da Ordem da Fênix.
“Você não pode começar com essas dúvidas outra vez”, me repreendi, “Já é crescidinha. Fez sua escolha”.
Estava encostada em uma das árvores, com uma onda de nostalgia quando vi Hermione suspirar e revirar os olhos como ela sempre fazia.
Mas seus olhos pararam em mim.
Ela ficou de boca aberta por um momento, e ambos nossos olhares se encontraram. Senti meu coração disparar de medo e me virei, correndo de volta à colina onde tinha mandado Draco me esperar. Os galhos e espinhos me machucavam, mas não podia parar de correr ou...
– Louise! – ouvi Harry atrás de mim, mais perto do que imaginei.
Droga. Ele era rápido, ou eu era lenta. Ou os dois.
Ignorei seu chamado, mas repentinamente, senti uma mão agarrar meu braço.
– ME SOLTA! – gritei, esperneando.
– Ei, calma, calma, sou eu! – Abri os olhos e vi Draco – O que aconteceu? Por que está correndo?
Engoli em seco.
– Desculpe, você estava certo. Eles...eles me viram.
Nesse mesmo momento, Harry apareceu na clareira, ofegante. Seu rosto se tornou mais sombrio ao ver Malfoy segurando meus pulsos.
– O que está fazendo com ela? – ele pegou sua varinha.
– Ele não está fazendo nada. – respondi, decidida.
Sem saber o que mais falar, nós três nos encaramos, desconfortáveis. Por fim, Harry perguntou:
– O que aconteceu com seu rosto?
Coloquei a mão na minha bochecha e senti uma dor leve.
– Não foi ele. – disse.
Mais alguns segundos de silêncio depois, Harry foi direto ao assunto:
– O que está fazendo aqui? Com...com ele?
Abri a boca e a fechei de novo, sem um jeito delicado de explicar. “Ah, Voldemort me mandou aqui porque quer queimar todos vocês durante o casamento. Aliás, sabia que eu e Draco somos meio irmãos? Ah, e namoramos.”
Complicado.
– Eu...eu queria dar uma última olhada em vocês. Antes de...ir. – menti. Quer dizer, era uma meia mentira. Eu realmente queria vê-los antes da guerra começar e eu ser obrigada à despedaçá-los.
Ele suspirou.
– Por quê? Por que está fazendo isso?
Franzi os lábios.
– Harry, eu escolhi isso.Não sei explicar, é...como se algo me dissesse que é a escolha certa pra mim. – engoli em seco – E...bem, já faz algum tempo...
– O quê? Desde quando? – ele perguntou, confuso.
– Desde o final do Torneio, na verdade. – admiti. Sua confusão só aumentou.
– Mas...você nos ajudou. Naquele dia, no Ministério...!
– Eu matei Sirius, Harry! – explodi – E depois de matá-lo, lançei um Obliviate em você.
As lágrimas vieram aos meus olhos, mas não me indignaria à derramá-las. Ele ficou em silêncio, encarando o chão.
– Eu não acredito. – balançou a cabeça – Você não faria isso. Draco a obrigou ou coisa assim, não é?
Neguei, com um nó na garganta.
– Mas...Louise...você é minha irmã! Como pode ter feito isso?! – ele gritou, dando um passo pra trás. Resolvi entregar o jogo todo de uma vez;
– Eu também sou irmã de Draco, Harry.
Ele continuou negando, com os olhos úmidos. Seu mundo estava desabando como um castelo de areia. Todas as mentiras que eu tinha contado durante todo aquele tempo tinham se empilhado. E agora queimavam aos poucos.
– Não. Papai nunca faria isso...nunca faria algo assim. Nunca trairia mamãe.
– Tem certeza? – perguntei, com a voz embargada de raiva – Olhe pra mim! Eu sou uma prova de que ele faria. Por que acha que ele não faria algo assim? Você nem mesmo o conheceu!
Ele se calou, escondendo o rosto nas sombras. Encostou em um pinheiro, como se temesse cair.
– A profecia, Harry. A profecia diz que eu sou a única que pode te destruir. – falei – É por isso que Voldemort me quer. Você não entende? Isso já estava previsto. Não poderia ser evitado. Somos partes opostas de algo.
– NÃO! – ele explodiu em lágrimas – Você tem uma escolha, Lou. Você pode voltar...por favor. Por favor, volte.
– Eu já fiz minha escolha, Harry. – eu disse, e Draco abraçou minha cintura protetoramente – Desculpe.
Ele arregalou os olhos, e vendo Malfoy e eu juntos, se tocou do que estava acontecendo.
– V-Vocês... – gaguejou — ...mas você disse...
Abaixei os olhos, e isso foi o suficiente para ele saber que era verdade.
– Harry, eu...
– Chega. – olhei para o seu rosto e vi uma expressão de ódio que eu nunca tinha visto antes. Ele odiava à mim. Ele odiava Draco. Ele odiava o que estava acontecendo entre mim e Draco. E acima de tudo, ele odiava a minha escolha. – Se aparecer aqui de novo, eu te mato.
Malfoy, que antes observava tudo em silêncio, me apertou mais forte e o lançou um olhar mortal.
– Encoste um dedo nela e vai querer não ter nascido, quatro-olhos.
– Gostaria de vê-lo tentar. – ele o encarou com a mesma intensidade – E isso vale pra você também, Malfoy. Quando os vir de novo, não os deixarei que saiam tão facilmente. Agora desaparece da minha frente, Louise.
– Mas... – comecei.
– VAI. – ele gritou, fazendo- me pular. Segurando minhas lágrimas e me sentindo profundamente mal, apertei os punhos e eu e Draco aparatamos.
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