Notas iniciais
Vamos seguir com essa história maravilhosa que nos reserva grandes surpresas.

— E se, e se nós fugíssemos? — eu estava com pressa e de mãos dadas com Stefan, algo nós perseguia, mas a única coisa que conseguíamos fazer era ficar alí, a espera da tão relutante morte.

Ele me observou atentamente, olhou uma última vez meus lábios e soltou uma de suas mãos, depositando-a em minha bochecha, se distanciando de mim.

— Não adiantaria nada se fugíssemos para nos salvar, ou algo parecido, pois o monstro não é ela, esse monstro é você.

Meu coração adormecido pelo medo parecia ter sido transformado em migalhas, aquilo havia o atingido profundamente, e meus olhos, antes cheio de esperança, se encheram d'agua e naquele instante eu percebi que deveria deixá-lo.

— Eu não estou ouvindo isso! — retirando seus braços de mim me senti o pior monstro que já enfrentamos.

— Caroline você é idêntica a ela, mas à algo que ela não tem que você tem... E para que tenhamos paz, e tudo isso acabe, você tem que dar a ela.

Olhando para a calçada que se escurecia avistei uma neblina densa vindo em nossa direção. Eu torcia para que ela chegasse logo e acalmasse os meus pensamentos e tirasse Stefan de meu campo de visão, mas quando meu olhar voltou-se a ele o próprio já não estava mais lá, eu me encontrava só e sem saber o que fazer, mas quando a neblina me atingiu trouxera-me boas lembranças dos dias em que pensei ser uma criança, de quando tudo era tão mais fácil, não havia preocupação, apenas sorrisos e brincadeira. Elena, Bonnie e eu.

Grande parte daquelas memórias se foram com o sumiço da neblina me levando para a época de minha juventude.

Eu me imaginava velha, com uma beleza incomparável, com senhores ainda me bajulando, e mesmo que eu tentasse esforçar eu não me via feliz e realizada.

Todos as vantagens que antes eu havia conseguido com o vampirismo se transformaram no meu pior pesadelo. Alguém me consumia de uma forma inexplicável que eu não entendia.

Não me lembro ao certo o que fiz, mas flashes de minha mente recém acordada me mostraram sinais de corrida sobre o chão.

Quando acordei meu corpo estava todo molhado, como se eu estivesse acabado de participar de uma corrida. Eu não entendia o porque de estar sonhando com coisas absurdas, talvez seja um aviso ou coisa parecida.

Meus pensamentos foram interrompidos pela voz grossa de Klaus.

— Sonhando comigo? — Klaus estava parado em minha porta me observando com as pálpebras pesadas, como se houvesse passado toda a noite ali.

Se eu perguntasse a ele sobre esse tal pensamento, hoje eu não estaria da maneira como estou.

— Quem... Como você entrou? — o olhei tentando limpar meu rosto e procurando ao mesmo tempo pelo gato adorável que ele me dera na noite anterior.

— Amor, eu não seria eu se não soubesse arrombar uma porta — ele me analisava atenciosamente — você deveria tentar aprender ao invés de ficar ai... Molhada!

Cheirando o odor de minha boca percebi do que realmente Klaus estava falando. Eu iria argumentar sobre o que ele havia dito, mas uma dor tremenda invadiu minha cabeça fazendo com que eu perdesse a noção de tudo e despencasse a cabeça no travesseiro novamente. Klaus chegou próximo a mim com muita rapidez segurando meu tronco e tentando entender o que havia acabado de acontecer.

Olhei fixamente para o espelho na escrivania, próximo a minha vista, e vi a cor de meus olhos mudarem, para um verde intenso, e minha pupila se delatar ao máximo.

— Caroline o que houve com você? — ele estava realmente preocupada e aquilo me deixava ainda mais apreensiva.

— Eu não sei, acho que não me alimentei.

Lembro-me de ter perguntado a Klaus se ele ainda me amava, mas não me recordo do que fizemos logo após em seguida. Eventualmente devo ter desmaiado por falta de sangue no organismo.

— Como assim você acha que não se alimentou? — vi no olhar de Klaus que ele suspeitava de algo e que estava totalmente preocupado com o meu bem estar.

Achar todas essas características em apenas uma pessoa é muito difícil, especialmente se referindo a alguém como Klaus.

— Eu não me lembro de nada depois que você foi embora.

Queria ter o poder de desvendar o que cada olhar e mexida de sobrancelhas significava. Ele era verdadeiramente um mistério, um mistério que eu amava observar e admirar.

Todas as linhas que contornavam seu rosto, contavam a história de alguém, sobre onde ele já esteve, e como ele chegou até mim.

— Você não se lembra... Nada!

Klaus me deixou perplexa com sua afirmação fazendo-me relembrar a suposta viajante do corpo de Elena na primavera passada, será que estaria acontecendo algo parecido comigo?

Novamente uma dor infernal invadiu a minha cabeça causando uma torção em alguns ossos de minha coluna. Tentei gritar, mas as palavras não saiam de minha boca, era como se eu não tivesse controle nenhum sobre mim mesma.

Logo em seguida algo de estranho aconteceu. Meu coração bateu em chamas, enquanto eu me via lábio a lábio com Klaus, ele estava prestes a me beijar quando um impulso fez-me levantar e ficar de costas para a parede, fazendo com que a escuridão caísse sobre mim.

***

Bonnie ordenava suas memórias tentando acertar o feitiço e acender as velas, tudo ocorrera como o desejado, mas a única coisa que conseguira sentir de verdade foi a doce maciez de pelos sobre sua pele e o cheiro de orquídea. Ela tentava buscar profundamente pistas que a levassem para algum lugar de verdade, mas parecia irrefutável todas as tentativas. Após uns dez minutos tentando sugar a magia das velas, Damon resolveu interrompe-la vendo a sangue sair de seu nariz.

— Bonnie? Pare Bonnie! — ele a segurava com seus braços ao mesmo tempo que franzia o senho.

Naquele instante Bonnie ouvia vozes de bruxas que pediam a ela para não se meter nesse assunto, pois ela poderia acabar morta. Voltando do transe mágico Bonnie pronunciara o nome de uma pessoa fazendo com que os olhos de Damon sobressaltassem.

— O que? Você só pode estar brincando, ele não — Damon se aproximando da lareira pensou nas terríveis noites em que passara ao lado de Malakai.

— Por alguma razão as bruxas estão me bloqueando e não posso fazer o feitiço de localização, mas eu sei quem pode.

Todos se olharam e esperaram algum nome percorrer sobre a sala.

— Mas porque ele Bonnie? — Damon se virou olhando os belíssimos olhos de sua morena que limpava o nariz ensanguentado.

— Eu não sei, mas as bruxas disseram que ele é o único que pode fazer o feitiço.

Stefan, que estava na sala, pegou o telefone de seu bolso e discou para o número do garoto Parker e entregou-o em seguida para Bonnie. Todos pensaram que nunca precisariam da ajude de alguém de fora para resolver um simples problema com magia.

A família Parker é bastante complicada todos fazem o que querem na hora que querem e assim não foi diferente com Kai, o mais velho entre os irmãos da convenção gemini. Ele chegou quase uma hora depois da ligação.

— Desculpe a demora, mas minha tia me procurou e tive que matá-la — olhando um por um ele avistara Bonnie — Oi Bonnie? — disse ele sorridente e entusiasmado.

— Cala boca Kai — disse Damon defendendo Bonnie.

— Vocês que me chamam e é eu que tenho que calar a boca?

Damon se continha para não matar Kai, essa era a primeira vez depois de dois mês que uma oportunidade aparecia assim do nada. Elena ao ver que seu par de olhos azuis estava prestes a dar o bote ela correu o segurando entre o rosto.

Stefan ao ver que sua casa poderia se tornar em território de guerra resolveu ir logo a questão.

— Precisamos que você faça um feitiço de localização para que possamos achar a Caroline.

— E daí, e o que eu ganho com isso? A culpa não é minha se você deixou a loira te escapar entre os dedos — Elena que antes olhava Damon revirou seu corpo para ver a expressão de Stefan.

— O que você quer Kaí? — disse Bonnie pegando um copo de Bourbon — Uma varinha de condão!

Ele a analisava da cabeça aos pés buscando uma melhor forma de dizer o que pensava:

— Você Bonnie! Quero juntar com você — Kaí tentava parecer o menos psicopata possível para impressionar sua futura garota.

— O que? — disseram Bonnie e Damon juntamente não acreditando nas palavras do Malakai.

Stefan interrompera os pensamentos de Bonnie a dizendo mentalmente que tudo isso seria pela Caroline, para que no futuro ela não ficasse sem a amiga.

Foram minutos de tensão até a verdadeira resposta viesse a tona e causasse a estranheza, desconforto e felicidade de alguns.

— Eu vou, mas primeiro você tem que achar a minha amiga — disse Bonnie com extrema raiva da possível noite que passaria com Kaí.

— Enquanto vocês estavam discutindo eu fiz o feitiço.. É uma técnica que posso ensinar a você Bonnie, sabe congelar o tempo...

Dando um passo a frente Stefan foi o primeiro a falar e também ficar assustado com a revelação.

— Onde ela está?

— Nova Orleans! Ela não estava bem não, ou talvez esteja... Simplesmente não sei.

— Como assim?

— Ela está com um homem, se não me engano o nome dele é Klaus, e sua loirinha estava... Como posso dizer isso sem parecer perverso e causar ciúmes na Bonnie — ao olhar a morena ele viu as duas sobrancelhas de Bonnie erguidas como quem não se importasse com o que ele dizia — Ela estava sem blusa!

***

Klaus estava assustado e ao mesmo tempo tentado por vê-la com tais atitudes. Seu corpo não havia mudado desde a última vez em que se viram na casa dos irmãos Salvatore.

Pensando no bem estar de Caroline, Klaus tentou ir embora, no entanto a própria se negava a sair da porta e deixar o original sair.

Mesmo sabendo que poderia morrer ela, ou aquilo que a possuira, estava disposta a manter Klaus por perto.

— Caroline se eu fosse você não me provocava, então saia da minha frente.

— Você já fez isso milhões e milhões de vezes, e olha que eu nem estou implorando por isso — naquele instante Caroline voltou a si e ela percebeu que a distância talvez a curaria e salvasse a vida de Klaus — então vá! — disse ela dando espaço para ele passar.

— Então é isso que você queria? Foi por isso que você me procurou? Para que eu lhe obrigue a esquecer? — o brilho de seus olhos haviam começado a desaparecer, assim como a felicidade dele ao me ver quase semi nua.

"Klaus soube naquele instante que eu não estava ali por causa dele, mas sim por minha própria mente, por minha própria salvação".

Notas finais
Espero que tenham gostado desse momentinho Bonkai, Bamon e claro Klaroline, então comenta ai e adiciona essa história em seus favoritos.