Notas iniciais
Esse capítulo é para as Klaroline's, espero que saboreiem.

O inverno estava chegando e Bonnie podia sentir em sua pele que ele estava próximo.

Observando, por meio do espelho, cada detalhe de seu vestido ela pensava nas macias mãos que a levaria para o campo de dança naquela noite. Seu desejo parecia cada vez mais inalcançável quando se tratava de certas pessoas a qual não podia amar. Olhando novamente para seu vestido Bonnie reparou o quanto havia crescido, e que já estava madura o suficiente para confinar sua vida a outro.

Tudo que fazia estava voltado a um jantar que aconteceria no Grill, simples, mas seria algo um pouco mais arriscado para ela. Seu corpo estaria sem proteção e mesmo que fosse uma bruxa Bennett ela não possuía magia o suficiente para derrotá-lo.

Eram tantas perguntas presas na mente da morena que ela mal podia se olhar no espelho e pensar no que estava acontecendo. Bonnie esperava pelo impossível naquela noite, sua verdadeira vontade era que o seu super-herói estivesse ali, e durante toda a noite, para protegê-la do psicopata do Kai.

Arrependendo-se do que havia proposto no dia anterior, ela desejava que seu medo também se arrependesse do que à havia feito. Por mais que seu coração pedisse suas lágrimas, Bonnie se recusava em dá-las de mão beijada.

Ao olhar o tempo pela janela tudo se clareou, estava quase na hora de encontra-lo. Tremendo de medo ela ajeitou o brinco, que ganhara de presente de Damon, na orelha esquerda. Por o brinco na orelha a fez ter mais confiança em si mesma e que aquela noite poderia se passar tão depressa quanto colocá-los em si.

Em sua consciência, por mais que resistisse, havia uma mista junção de desespero e ódio por Caroline e Kai.

"A se eu te pego Caroline Forbes", pensou Bonnie ao se lembrar de que aquilo era culpa de Caroline. Pelo menos desta vez era apenas ela e não a Elena, talvez ela não precisasse se sacrificar dessa vez por algo inacreditável.

Após conferir os detalhes de sua vestimenta Bonnie escutou ao fundo Elena fechar a porta do banheiro e se direcionar para o quarto onde a mesma se encontrava:

— Olha ainda dá tempo de desistir, nós podemos dar um jeito, sempre damos um jeito, sem contar que... – Elena foi interrompida pelas palavras desesperadoras de sua melhor amiga que sentia-se armada para uma guerra, se ela realmente existisse.

— Não Elena! Eu já me decidi – disse ela pausadamente amaciando a saia de seu vestido – Uma vez alguém me disse que é melhor enfrentarmos os medos de imediato do que lentamente – Bonnie passando a mão no cabelo viu a irrelevância no olhar de Elena, ela não se mostrava preocupado com o que estava acontecendo, mesmo escutando as fortes batidas do coração de sua amiga ela se recusava em pensar que suas dúvidas se transformassem em verdades.

— Quem foi essa pessoa que te deu esse terrível conselho? – disse ela rindo se olhando pelo reflexo do espelho.

—Acho que nunca iremos saber! – após se arrumar Elena foi embora a pedido de Bonnie.

Saindo de seu quarto ela se voltou para sala, onde se posicionou ao centro de frente para a porta a espera de Kai.

Quando enfim a hora chegou ela sentiu o temor se aproximando de sua porta.

Mesmo que ele fosse um Malakai Parker, ele era o pior de todos. Frio, calculista, mal amado pela família, e por mais estúpido que isso possa parecer ele possuía um charme irresistível que nem mesmo Bonnie compreendia.

***

Dirigindo pela saída de Mystic Falls, Enzo procurou tomar frente na busca por Caroline em Nova Orleans, mas de início ele tinha um trato a fechar com Henriette, que o colocaria frente a frente com o mistério da Phenex, e ajudaria seus amigos a descobrir o porquê dela querer tanto Caroline.

Ninguém o havia obrigado a seguir tal caminho, suas decisões foram quase que momentâneas ao ter escutado por meio de Kai que ela estava nos braços de outra pessoa. Embora já tenha tentado algo com Caroline e a mesma tendo o rejeitado ele estava decidido que se fosse possível morrer, para que ela tivesse uma eternidade, ele morreria.

***

Foram horas de agonia e desejando para que tudo acontecesse da forma mais tranquila.

A rodovia marcava 210 km de Nova Orleans a uma cidade pequena chamada Kota, ele nunca havia sequer ouvido falar naquele lugar ou pelo menos pesquisado no GPS se aquele mundo existia, Enzo apenas prosseguiu e quando atingiu o quilometro dez ele saiu da estrada se redirecionando para um emaranhado de árvores não tão distante dali.

Retirando a chave do gancho ele enxergou á uns cinquenta metros da onde havia parado uma mulher com roupas rasgadas e da época de Stefan. Lá estava Henriette a espera de seu futuro comparsa, que a ajudaria a capturar Caroline e tomar aquilo que era de seu direito.

Caminhando entre os matos selvagens ele visualizou uma sombra escura sobre o corpo de Henriette onde a mesma parecia temer aquilo que a rodeava. Por um instante ela pareceu ser inofensiva como a Caroline quando não estava com raiva ou tentando ser controladora, mas em outro momento já estava furiosa assustando todos os passarinhos e a todos os que podiam a ouvir.

Quando atingiu com êxito a árvore onde ela se encontrava, Enzo se sobressaltou:

— Nossa! Como vocês são parecidas... – sussurrando na esperança de que Henriette o escutasse ele completou – Tão lindas!

Com a expressão de surpresa ela olhou nos profundos olhos do homem a sua frente e sentiu um sentimento incompreensivo, era algo inexplicável. Henriette teve medo e ao mesmo tempo tristeza por ele ter a feito se lembrar das belíssimas frases que Stefan a proporcionou em 1860, quando ainda eram jovens e apaixonados.

— Estranha semelhança – disse Henriette vendo que estava desaparecendo – a não ser pela cor do cabelo e dos olhos! Mas vamos direto ao assunto, fiquei sabendo que você deseja trair seus amigos para ficar comigo – pensando na burrada que disse ela tentou consertar sua frase arrancando um sorriso de Enzo – não do jeito que você acha... É que... Não importa.

Não se demorando muito ela prosseguiu esquecendo o que havia dito. A tarde foi passando e os dois continuaram ali discutindo sobre a lealdade dos dois e como provariam um ao outro que estavam do mesmo lado. Enzo estava quase se arrependendo de ter ido ao encontro de Henriette, quando ela enfim aceitou ter ele como parceiro nessa missão.

[...]

Em Nova Orleans.

Querido caderninho verde, sei que não converso com você há muitas semanas e que não dou a mesma atenção de antes, mas as coisas mudaram e o afeto que eu tinha por você agora sumiu. Klaus anda tentando me ajudar com minha humanidade de todas as formas possíveis, como quando ele me deu um gato.

Parando de escrever eu senti uma enorme dor na cabeça e no coração. Estava acontecendo novamente, era uma dor insuportável, como se minha pele rasgasse e meus ossos fossem quebrados, por um instante eu senti a minha alma, algo ainda vivo dentro de mim, eu almejei pela cura, para que a dor passasse logo e pudesse voltar aos meus problemas reais. Ao notar que meu corpo queimava me desesperei e sem pensar duas vezes cai aos prantos pretendendo gritar.

Um medo subiu-me aos olhos imaginando se alguém chegasse naquele momento e me visse chorando, por uma simples dor de quebrar os ossos. Considerei uma justificativa a dar para Klaus.

Comecei a perceber o quão frente aquilo estava se tornando.

Olhando para a fechadura da porta eu gritei tentando controlar a situação:

— Saia da minha cabeça! – quebrando um copo no chão eu me apoiei na parede.

Quando enfim a dor passou Caroline se viu frente ao espelho olhando suas feridas e vendo seus olhos mudarem, novamente, para um verde intenso.

Henriette havia à dominado novamente, era a terceira vez no mesmo dia, porém desta vez com mais intensidade.

A ideia central era leva-la para o local onde aconteceria a cerimônia da Phenex. Henriette adorava estar no corpo de Caroline, era como se voltasse ainda mais forte e mais sexy. Com a ideia de sair ela abriu a porta do apartamento dando de cara com Klaus.

Henriette, no século dezenove, ficou sabendo que Niklaus estava a procura de seus irmãos e uma tal de Katherine – todos o abominavam, incluindo ela mesma – que estava fugindo dele a muito tempo.

Klaus, que estava a sua frente, naquele dia estava mais charmoso que em todas as outras vezes que ela havia o visto.

Henriette, não tinha medo por estar tão perto dele ou por apenas pronunciar o nome dele.

Olhando o realce da luz da lamparina na barba loira do original ela pensava em Enzo. Porque ela pensaria em Enzo? Boa pergunta. Talvez o charme britânico a afetasse mais intensamente do que pensava.

Henriette balançando a cabeça tentando afastar os pensamentos.

— O que veio fazer aqui? – disse apontando para a maçaneta quebrada – Você vai ter que pagar uma nova!

— Se tivesse aberto a porta pra mim eu não teria a quebrado meu amor – ele retirava do bolso um envelope tentando se explicar.

Henriette poderia ser boba, mas sabia que pelo tipo de papel aquilo só poderia ser uma espécie de convite.

— Desde nossa chegada a Nova Orleans a uma comemoração em honra de nossa família para celebrar esse dia, minha irmã o apelidou de ORIGINAL. Sei que parece sem graça e muito tolo, concordo com você, mas gostaria que você fosse a minha acompanhante desta noite – sem saber ao certo o que responder para Klaus ela simplesmente jogou para fora um sim – então eu te pego as nove?

— Não precisa, mande apenas um carro, que te encontrarei lá – ela disse fechando a porta em sua cara.

Esse seria seu primeiro baile desde 1860 quando uma bruxa tentou parar Henriette com o feitiço que a fez se tornar um espectro.

Foram horas de arrumação. Tendo que enfeitiçar uma proprietária, de um alojamento de vestidos para conseguir o seu, ela deslocou o melhor que podia sem ao menos pensar que Klaus é quem dava os belíssimos vestidos para Caroline se mostrar nas festas.

Henriette estava incontrolável e irresistível como nunca pode estar. Ela estava dentro de um espetacular vestido branco que jorrava aos seus pés e marcava o belo busto que possuía. Cada detalhe lhe parecia ainda mais genuíno vistos mais de perto. Flores pretas preenchiam o vestido de um tecido não conhecido, dando um tom mais negro aos seus olhos escuros.

Terminando seu preparo com um penteado bagunçado ela se viu esperando pelo carro e alisando o pequeno e gordo presente de Klaus.

Sem ao menos ter o que fazer ela se pôs a mexer nas coisas de Caroline.

Na escrivaninha, dentro da primeira gaveta, ela encontrou algumas canetas e folhas, todas em branco. Se questionando o porquê de uma pessoa querer tanta folha ela prosseguiu com a investigação.

No lado direito, mais a baixo na escrivaninha ela encontrou uma gaveta bloqueada, não havia entradas para chave ou aberturas disponíveis para abri-la, mas usando a forma sobrenatural Henriette conseguiu viola-la. Eram mais folhas, porém não quaisquer folhas, consistia em belos desenhos da própria Caroline, provavelmente foram cópias de algo com o qual a mesma não gostaria de esquecer ou se desapegar.

— E Caroline, pensei que fosse mais santa, mas vejo que não se parece nenhum pouco com a desmiolada da Elena.

Sentindo o cheiro da sulfite e pressentindo que algo estava por vir, Henriette foi obrigada a partir para o plano B, onde Enzo se preparava para o sinal. Ele passou o dia inteiro espionando a família original tentando encontrar alguma fraqueza para poder atrair Freya. Ela era essencial para o feitiço, e como o departamento estava lento, Enzo decidiu escolhe-la como alvo.

O plano A consistia em Bonnie, mas como Enzo se recusava em dar qualquer uma de suas duas garotas ela resolveu poupar pelo menos uma. A ideia era se envolver ainda mais com Enzo para que ele pudesse se recusar a usar o plano B.

A noite se prosseguia lentamente.

Ela olhava atentamente cada mensagem do celular de Caroline, Henriette não estava preocupada com as mensagens já enviadas, mas sim com as salvas no rascunho.

A maioria se redirecionava a sua mãe, todas as frases eram belíssima e de extrema tristeza.

— Parece que não superou minha querida.

Ela foi interrompida por uma batida na porta. Era o motorista de Klaus, um avox – o espanto de Henriette foi assustador, assim como a primeira vez em que viu seu amigo Beau.

Ele a conduziu para o automóvel, de última geração. Henriette apreciava a bela música mundana. Em sua época era quase que impossível poder sair de casa para ouvir uma música, a maioria dos vizinhos acreditavam que essas moças poderiam ser perdidas.

Não se demorando muito, eles chegaram ao seu destino. Tudo se iluminava aos seus olhos, a sua frente, no chão, havia um tapete de veludo avermelhado que a levava para o centro do recinto. Todos estavam graciosos, os homens sensualmente de terno e as moças com seus vestidos longos e medianos.

Ela sorria para todos que a enfrentavam com os olhos, Henriette estava perdida, a procura de Niklaus.

— Você está estupidamente linda – ele sussurava aos seus ouvidos.

— Obrigada – ela o olhou parecendo flertar.

— Me acompanha? – ele estendia a mão para Caroline mostrando o caminho.

Como tudo ali era uma tradição ela o seguiu.

Estavam dançando ao som de Stone Cold de alguma cantora britânica. Sua voz era mansa e romântica. Klaus segurava sua cintura a fazendo acompanhar o seu ritmo de dança.

— Incomodada com o que? – ele dava um passo para o lado quando a música chegava ao terceiro verso.

— É... que eu não faço isso a muito tempo, principalmente com essa música de fundo – passando a mão na dela ele a acariciou.

— Verdade! Faz tempo em que não dançamos juntos. Estou feliz.

A música falava sobre a frieza de uma pedra, assim como a pobre Caroline que estava agora ao chão almejando pelos braços de Klaus.

Deixando que a letra da música entrasse em seus ouvidos, ela abraçou os braços de Niklaus.

"Eu queria realmente sentir isso, mas aqui está meu adeus".

A imagem de Stefan se materializou em meu olhos, os quais permaneciam serrados, e a cada momento em que a música dava um estrondo seu corpo se afastava do corpo de Caroline. E como se nada daquilo tivesse acontecido ela foi embora deixando a sóbria e a par de tudo que havia feito.

Quando enfim a música deu o seu último toque de notas, Caroline se viu a chorar, ela havia conseguido derrotar Henriette pela primeira vez. Stefan agora era sua âncora. Ela sabia que jamais poderia ser tomada novamente, pois era ele – e não Klaus – sua âncora.

Passando suas mãos frias no rosto de Caroline e limpando suas lágrimas ele ficou feliz por vê-la demostrar algo tão nobre como tristeza. Ele estava feliz por ela, assim como na música ao seus ouvidos.

E como nos dias mais frios Klaus a abraçou o mais forte que podia, a esquentando de todas as formas possíveis. Ela era seu anjo, o anjo de ouro, o anjo que estava quebrado, mas tentando se remontar.

Klaus se sentiu no céu, sedento pela presença de Caroline. Visando não sair das nuvens ele olhou para as pessoas do salão que os apreciavam dançar.

Rebekah se mordia de raiva e inveja, mas estava agarrado a Marcel. Novamente ela estava ali por ele, e lindíssima com o seu vestido. Hayley se abraçava a Elijah, quanto o mesmo a beijava na cabeça.

Caroline passando a mão na nuca de Klaus diz:

— Você não irá fazer que nem meus amigos fizeram com a Elena, me prender e me bombardear com lembranças? Você sabe que eu não preciso disso! – Care parava de dançar o fitando.

— Caroline, eu nunca faria isso se não fosse preciso.

— Klaus você sabe que eu não preciso disso, que eu não necessito de nenhuma dessas estúpidas ideias.

— Eu sei!

— Eu tenho você... Eu não preciso de mais nada... – ele fazia um movimento estranho com a boca parecendo querer falar algo.

Então, as palavras lhe faltaram.

— Você não desiste – em um piscar de olhos sua atenção por Caroline não estava mais lá, ele olhava nas costas de sua rainha.

Seguindo sua mira, sua visão escureceu e encontrou um par de olhos verdes que jamais gostaria de ver naquela noite.

Ela pensou em ir embora, mas suas pernas estavam paralisadas.

Agarrando-se a Klaus por um instante, ela tentou não se desequilibrar. Mas talvez tenha sido um pouco tarde demais.

— Stefan! – Caroline pretendia dizer naquela mesma noite algo que estava a muito a esconder, ela iria religar a humanidade por ele.

Mas com Stefan ali, seu desespero veio a tona. Klaus e Stefan, ela nunca pensou que estaria presa entre os dois, que um dia iria estar na mesma posição que Elena já esteve.

[...]

Quando a porta se abriu um homem robusto a surpreendeu. Ele estava realmente pronto para impressioná-la. Tudo era lhe intenso, ela não compreendia mais nada, seu medo a dominava.

"Me dê a verdade que eu quero que te dou todo o meu coração" — pensava Kai ao encara-la pronunciar seu nome.

Notas finais
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