E lá estava eu, sentada na cobertura de meu prédio tentando me convencer de que tudo ficaria melhor.
Mas já estava insuportável, minhas notas na escola estavam afundando, e todos resolviam brigar comigo.
Guiei meus olhos pelo céu que estava coberto de estrelas

-Não está dando certo…

Sussurrei para mim mesma, eu já estava cansada de ser a culpada de tudo, todos os problemas eram meus.
Eu tinha um pai alcoolatra, uma irmã drogada, e uma mãe prostituta, voltei para o meu apartamento, cheguei em casa já sendo interrogada.

-Onde você estava mocinha??

Atravessei a sala deixando o meu silencio

-Tem louça na pia!

Realmente ela estava querendo me tirar do sério

-Então lave!

Supliquei fechando a porta do quarto com raiva, me joguei na cama tentando me desligar do mundo novamente.
Revirei meu quarto procurando meu melhor amigo, não era um bichinho de pelúcia, nem um gato, muito menos um cachorro, peguei minha navalha e cravei a em minha pele.
Logo depois eu já podia ouvir meu pai gritando com a minha mãe, me tranquei no banheiro, eu já sentia as lágrimas percorrerem minha pele rosada,quando eu não aguentava mais saí pela janela.

Alguns metros dali, vi meu irmão e seu grupinho de amigos, andei até a parte escura da cidade, entrei em um beco, me sentei no chão, senti a parede esfriar minhas costas.

-Você sabe que vai ficar tudo bem irmãzinha.

Mais um pra me tirar do sério, eu odiava que as pessoas me vissem chorar.

-Me deixa em paz.

Me levantei e segui até o final da rua, senti meu irmão segurar meu braço com força.

-Precisa parar de se importar garota!!

Ele suplicou tentando me acalmar, tive um reflexo não intencional, mas quando vi eu já havia, penetrado minha navalha entre suas costelas, entrei em desespero, ele padeceu ali em minha frente, branco e com a pele gélida, eu vi seus olhos perderem o brilho e soltarem algumas lagrimas.

-Matei meu irmão…

Sussurrei em desespero, andando para trás totalmente desnortiada.

-Não!!!

Gritei com a força que me restava, corri para longe da cena do crime, voltei para casa, a qual estava vazia.

-Dróga!!

Virei a mesa da sala de jantar, tudo o que eu via pela frente ia para o chão, vasos, quadros, absolutamente tudo, eu destruí a casa.

Me guiei para o banheiro, sentei sobre o chão frio e me resguardei, eram muitas lagrimas, eu estava encharcada de sangue, ouvi um barulho vindo da porta da sala.

-Mas o que houve aqui?!

Era meu pai, daquela noite eu não passaria, eu poderia morrer naquele momento, ele me encarou, seu olhar estava queimando, eu podia ver todo o ódio do mundo se acumulando naquela sala.
Saí em desespero para o meu quarto, tranquei a porta, eu podia ouvir seus berros suplicando para eu sair do quarto, eu estava encostada na porta, minha visão já estava ficando escura, eu estava perdendo muito sangue.
O barulho parou, ouvi minha mãe chegar em casa, logo depois ouvi uma discussão seguida por gritos de socorro e desespero, temia que minha mãe estivesse morta, saí do quarto me arrastando pelo corredor, já não tinha mais forças nem para respirar, quando consegui ver o corpo de minha mãe, estirado na sala, ensanguentado.

-A meu Deus!!!

Eu gritei em desespero, meu pai surgiu na sala, corri para fora do apartamento o mais rápido possivel, chegando na calçada os amigos do meu irmão estavam prontos para me matar.
Eu não tinha saída, continuei correndo até chegar ao centro de Londres, eu me via em cima da ponte, logo abaixo a água do rio Tamisa parecia me fazer um convite.
Só tive tempo de sussurrar o nome de meu amado, a água me envolvia com toda a delicadeza do mundo, meu copo adormeceu para sempre, meus olhos se fecharam para todo o mundo azul, as cores sumiram, os sentimentos sumiram, e eu sumi do mundo