Era uma noite de lua cheia, havia uma chuva tenebrosa passando pela cidade, uma nevoa densa podia esconder meu rosto, o qual eu havia encharcado com lágrimas.
Eu caminhava pelas ruas vazias de Londres, coisas inúteis passavam pela minha cabeça dentre elas, um sorriso pelo qual eu me apaixonei.

A decisão que eu havia tomado não tinha volta, eu estava decidida.

-Acho que precisamos conversar…

Era a voz dele, o dono do sorriso apaixonante estava logo atrás de mim.
Me calei… Como se eu estivesse de baixo da água e não pudesse falar para poupar oxigênio.

-Ei… volte aqui

Ele suplicou com uma voz calma e suave

-Só quero resolver o problema

Completou, ainda usando o mesmo tom de voz suave.
Fitei meus olhos pelo céu procurando a lua, a qual eu considerava minha melhor amiga… talvez minha unica amiga, me virei… e encarei o nada, o garoto do sorriso apaixonante não estava mais lá, simplesmente sumiu, assim como o açúcar se dissolve em uma xícara de chá.

Supliquei seu nome em meio a escuridão, sem resposta, sem sinal de vida.
As árvores balançavam com a sincronia dos ventos, me guiei novamente para meu destino, logo adiante eu podia ver meu fim, uma ponte de ferro, abandonada, caminhei até ela, minha respiração já estava ofegante, minhas lágrimas pareciam ter pressa para escorrerem em meu rosto.
Tirei meu casaco e o pendurei em um galho de uma arvore qualquer, minha blusa preta parecia o suficiente para me aquecer naquele momento, me aproximei da ponte até chegar ao meio dela.

Dei minha ultima olhada para a lua, e suspirei com medo, pronto eu já havia me entregado, dali em diante não haveria dor, amor, angustia ou decepção, não haveria felicidade ou emoção.

Enquanto meu corpo adormecia por causa da chuva gelada, meus pensamentos exploravam o fundo do lago, frio e sem vida.

Vi meu reflexo na água, junto a ele estava o garoto do sorriso apaixonante, me virei com pressa, na intenção de abraça-lo, nada… ele havia sumido novamente, no chão havia uma rosa, peguei-a e a segurei com força, uma gota de sangue escorreu, escorreu pelo meu dedo como se fosse meu ultimo suspiro de vida, a gota de sangue caio na água fria do lago, a cor purpura de meu sangue invadiu o lago, não havia uma parte dele que não estava avermelhado.

Me virei, em meio a nevoa, avistei uma figura sombria e negra, um medo passou por mim juntamente com um suspiro, então identifiquei que aquela figura misteriosa seria a morte.

-Me leve com você!

Supliquei, eu acabara implorar por minha própria morte, mas a figura negra parecia não estar interessada em me ver morta, quando me dei conta a morte já estava do meu lado, e sua foice já penetrara em minha barriga, o ceifador sugou minha vida, até seu ultimo fio.

Acordei em prantos, suada, fitei meus olhos pelo quarto todo, e ali do meu lado, se encontrava o garoto do sorriso apaixonante, em minha cama, dormindo em um sono profundo