Dhampir
10 Surpresa
Notas iniciais
Boaaa Leitura!
O sol entrou pelos vitrais da grande sala iluminando o corpo das duas irmãs que dormiam uma em cada sofá. Não aguentaram arrastar o corpo para os aposentos na noite passada.
Kristell foi a primeira a acordar e ao ver o corpo da mãe estatelado no chão lembrou-se do acontecido. Segurou as lágrimas e se dirigiu à morta com o intuito de tirar seu corpo dali... Pegou-a em seus braços e andou para o quarto perfeitamente intocado da mãe, deixando o corpo da mesma sobre a cama.
Saiu sendo surpreendida por Betsy que a aguardava no corredor, ela tinha os olhos inchados e os cabelos haviam sido presos de uma forma desajeitada, o que denunciava o desleixo de se olhar no espelho.
- Como estás? – perguntou andando até Kristell enquanto a mesma fechava a porta.
- Na medida do possível... Bem. – respondeu dando um suspiro e ela repousou a mão sobre seu ombro.
- Será difícil para todos, no entanto, tudo passa. – tentou acalmar o desespero estampado no olhar da amiga e assim seguiram lado a lado para a sala.
- Não sei nem ao menos preparar um funeral... O que será de mim? O que será de Loiran, Sheryl...? – exclamava exasperada enquanto se sentava no sofá ao lado da amiga, o mesmo sofá em que havia passado a noite.
- Aquieta-te! Tu és uma dhampir, sejas forte, não te preocupes com tolices... Estarei ao teu lado sempre que precisar. – Betsy reconfortava a outra da melhor forma possível, mas era como se nada resolvesse os prantos.
Passaram minutos apreciando o silêncio, enquanto Kristell matutava com os próprios e infelizes pensamentos... Betsy encarava a ruiva clamando por uma resposta que tirasse toda a angústia da que sofria.
- Besty... – chamou com a voz entrecortada.
- Sim.
- Ontem vi um homem embrenhar-se na floresta atrás de minha casa... O homem fugiu daqui de dentro...
- Um homem...? Estranho. Quem poderia ser? – perguntou enrolando uma mecha de cabelo entre os dedos e encarando o teto a busca de respostas.
- Não sei... Creio que. – Kristell parou num súbito, tendo um lapso da memória do cheiro que rastreara – Vampiro.
- O que? – Betsy indagou olhando para o rosto da outra que tinha os olhos arregalados e imóveis em algum canto da sala.
- Um vampiro... Devia ser o maldito do meu pai! Pois ele não perde por esperar... O canalha deve ter provocado a morte de minha mãe, e pagarás por isso! Eu o farei pagar... Caçarei o demônio petulante pelos quatro cantos do mundo, nem que seja minha última façanha! – ela cuspia as palavras com nojo misturado a um ódio imenso enquanto a outra deslizava a mão em suas costas a fim de acalmá-la. – Por culpa dele me tornei o que sou hoje... E já que tenho que conviver com a maldição da eternidade, irei aproveitá-la caçando-o e não descansarei até encontrar seu corpo e transformá-lo em cinzas!
- Não te estresses tão cedo! Tu hás de pegar teu pai, mas precisará de foco e paciência para tal... O vigarista já se mostrou esperto demais se escondendo por todos estes anos. – a dhampir assentiu contraindo a mandíbula e agarrando o tecido do vestido fortemente, querendo ter as mãos no vampiro.
As duas olharam instantaneamente para o sofá à frente, vendo Loiran mexer-se dando os indícios de que estava prestes a acordar... Perderam o olhar nos cachos desarrumados da loira que lhe cobriam o rosto e observaram lentamente os cílios cintilantes se separarem e mostrarem o quão vermelhos estavam os olhos da garota.
Loiran apoiou-se nas mãos levantando o corpo do sofá, a cabeça latejava e os olhos pesavam, além da dor na coluna e apesar de todas as dores, ainda sim, ela se sentia revigorada com o sonho que a assombrou pela noite.
Já ia se pronunciar, com as duas que a encaravam, quando a porta de entrada foi escancarada e junto da rajada de vento trouxe Sheryl sorridente e um homem de cabelos negros ao seu lado.
Brian conversava animadamente ao lado da morena que lhe assegurava ao entrarem na casa que todos estavam dormindo a essa hora, tamanha fora a surpresa dos dois quando encontraram três figuras na sala.
- Olá Kris, Loi, Bet! – exclamou Sheryl com um sorriso no rosto.
Kristell estava concentrada examinando as feições do sujeito que a irmã trazia consigo, e logo percebeu algo de estranho, a pele laminada, os olhos profundos... Aproveitou que todos estavam em silêncio e concentrou-se, procurando algum vestígio vampiro, procurando algo... E encontrou.
- Não acredito que tevês a audácia de colocar um sangue suga em nossas propriedades! – vociferou saltando do sofá e andando até os dois que se assustaram. – Não tens medo do que eu possa fazer com este monstro? – indagou metendo as mãos na cintura.
- Experimente encostar um dedo nele! – provocou Sheryl pondo-se em frente a Brian que observava tudo confuso.
- Tire este verme daqui de dentro... Tire-o agora! – exclamou encurralando-os na parede.
- Está casa é minha também! Chame mamãe e ela que decida! – o silêncio pairou pela sala e a ruiva antes de responder engoliu em seco procurando as palavras certas a se dizer.
- Mamãe está morta. E você saberia disto se não tivesse passando seu tempo fora com o demônio ai atrás! – era impossível dar-lhe a notícia sem aproveitar-se disto para deixa-la com o famoso “peso na consciência”.
Sheryl arregalou os olhos enquanto lágrimas o preenchiam, por um minuto suas pernas falharam e os braços de Brian a apararam.
- Tu estás mentindo! Mentirosa! Mentirosa! – exclamava enquanto as lágrimas escorriam.
- Vá até o quarto dela e comprove por si mesma! – Kristell também tinha lágrimas nos olhos.
A morena saiu correndo enquanto deixava o vampiro para trás, ele estremeceu com o olhar que ruiva lhe lançava, tinha certeza de que mais um minuto e ela arrancar-lhe-ia a cabeça... Kristell apenas se controlava em não cravar as presas no pescoço do mesmo.
Com medo de não durar mais nenhum segundo debaixo do olhar da mulher, Brian correu atrás de Sheryl como se fosse ampará-la.
- Não consigo rastrear o cheiro da dhampir! – resmungou James olhando para os outros que se decepcionavam sem sucesso também.
-Uma hora teremos de acha-la... – disse Zacky tentando acalmar o amigo.
James se concentrou mais uma vez.
Estavam no ponto central da cidade, o ponto de onde tudo podia ser rastreado... Ele não precisava se concentrar para sentir “cheiros”, mas o caso dela era especial... No entanto, ao invés de Kristell, acabou rastreando Brian.
- Brian está de volta! – murmurou com um sorriso nos lábios abrindo os olhos.
- Não acredito! – exclamou Johnny que se mantinha quieto.
- Pois acredite... Eu disse que ele voltaria e não estava enganado. – Sullivan pegou a trilha para o rastro do vampiro.
- Vamos até ele? – indagou Zachary.
- Sim. Quem sabe ele não nos consegue ajudar com a dhampir...
- Srta. Sheryl, abra a porta. – pediu dando leves batidas na porta que acabara de ser fechada. A garota abriu e deixou que ele entrasse.
- Não acredito... Não posso acreditar... – ela murmurava se jogando em seus braços enquanto lágrimas banhavam as sardas perfeitas.
- Acalma-te querida... – sussurrou no ouvido da mulher enquanto a guiava até a cama.
Ela chorou copiosamente em seus braços até cair no sono, ele não impediu, afinal, a súcubo passara a madrugada acordada, ele não podia proibi-la do sono...
Sentou-se na poltrona no canto do quarto observando a morena que ressonava feito um anjo. Nunca... nunca, a julgaria feito demônio.
Já havia perdido o tempo em que estava ali quando ouviu um gemido escapar dos lábios rosados da moça.
Ajeitou-se na poltrona cruzando a perna direita sobre a esquerda, observando-a mais cautelosamente, o cenho da mesma estava franzido. Ela mordia o lábio inferior e se contorcia na cama agarrando os lençóis.
Mais um gemido, e ele já se sentia excitado, outro estridente ecoou pelo quarto e a ereção já apontava por baixo da calça. Ele tinha certeza de que ficar dentro do quarto seria uma tortura, uma tortura psicológica intensa... Mas ainda assim, ele não conseguia sair do lado dela e quando despertasse despejaria todo seu ciúme sobre a amada.
Notas finais
Beeeijos ;*
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