Dhampir
12 Rendendo-se ao Inimigo
Notas iniciais
roupa da Sheryl - http://www.polyvore.com/sheryl/set?id=39918963
Boa Leitura!
– Não escaparei? Tens tanta certeza disso querida? – perguntou Matthew a centímetros de seu rosto, segurando os pulsos da mesma para trás, mantendo-a imobilizada.
– Tenho certeza de que estás implorando pela morte! – logo ela estava liberta e o tinha grudado no chão terroso segurando-o firmemente.
– Só deixarei este mundo após ganhar um beijo teu. Só assim descansarei em paz… – disse-lhe pondo-se por cima da mesma.
Iniciaram uma batalha em velocidade máxima ora ela por cima, ora o vampiro tomando posse da luta. Seres sobrenaturais adquiriam dons sobrenaturais e faziam jus aos dons que lhes eram dados.
– Ficaremos nesta batalha até quando? – perguntou o senhor das presas grandes revelando o brilho nos olhos esmeraldas.
– Até eu cravar uma estaca em teu peito! – respondeu prendendo-o entre as pernas que estavam uma de cada lado da cintura do vampiro, aproveitou e segurou os braços do mesmo para cima de sua cabeça.
– Está esperando o que? – sua voz soava desafiadoramente e a ruiva cravou as presas no pescoço dele.
Incentivada pelo gosto adocicado que seu vampiro tinha, Kristell afrouxou o aperto nos braços que segurava e apoiou as mãos no peitoral másculo do mesmo. Logo estava embaixo dele, sugando-lhe a vitalidade, alimentando-se da criatura.
Num súbito de realidade ela retirou as presas antes cravadas nele e lambeu os lábios limpando o líquido que escorria do mesmo. Seus olhos imediatamente foram de encontro aos de Matthew que agora possuíam um tom vermelho… E assim ficaram por um bom tempo, até ela lembrar-se do vampiro que prendia seu corpo contra a terra.
Trocou de posição sem esforço com ele e voltou a segurá-lo debaixo de si, mantendo a garganta presa em seu antebraço, tateou no chão em busca de uma estaca, ou algo que lhe servisse para cravar no coração do mesmo. Com as poucas forças que lhe restavam ele tomou sua posição dominadora e a obrigou ouvir-lhe as súplicas.
– Não me importa sair daqui com ou sem vida, basta-me olhar em teus olhos e eu possuo a calmaria dos céus… Mate-me, mate-me enquanto estou vidrado nas tuas lindas orbes verdes, perdido no paraíso que tu chamas de perfume e enlouquecido pelo rubor raivoso nas maçãs do teu rosto. Mate-me agora e eu terei a certeza de que morri nos braços do mais lindo anjo.
Ela queria ceder. Ela queria abraçá-lo, e tê-lo em seus braços novamente… Provar do gosto do beijo tão cobiçado e experimentar do amor pela primeira vez. Ela queria, e como queria que a natureza dos dois não fosse tão distinta e ela estivesse destinada a matá-lo.
Nos murmúrios profundos do homem sobre si, Kristell procurou pela estaca no chão com a mão livre, e tendo-a em punho voltou a tomar as rédeas da situação e segurá-lo entre as pernas.
Mirou no peito do vampiro e ergueu a estaca roliça entre as mãos para o alto, formando um arco com os braços, bastava um movimento, apenas um, e ele petrificaria deixando a humanidade… O golpe seria fatal e certeiro, mas algo a impediu de fazê-lo, arremessando a estaca para o outro lado do galpão.
Tomada pela onda de emoção que lhe atingia, lágrimas queimaram nos olhos cristalinos e juntando o resto de sua dignidade ela inchou o peito e gritou vorazmente:
– SAIA DAQUI AGORA MATTHEW CHARLES SANDERS OU EU NÃO EXITAREI EM TE MATAR! SAIA JÁ E SUMA DE MINHA VISTA… SUMA, POIS SE APARECER EU NÃO TEREI CLEMÊNCIA DA TUA POBRE ALMA AMALDIÇOADA. – ele ainda digeria os fatos ocorridos quando deixou a dhampir solitária.
Matthew conhecia muito bem a mulher que deixava para trás, a imponente ruiva poderia mudar de idéia e se mudasse ele deveria estar longe do local. Longe o suficiente para evitar qualquer possibilidade de ser seguido.
Kristell abraçou os joelhos desfazendo-se em lágrimas espessas acumuladas de todos os sentimentos que abrigava em seu peito. Ela soluçava copiosamente enterrando o rosto entre as pernas sujas de terra, sentia os órgãos deslocarem-se a cada contração raivosa, uma dor alucinante perduraria.
Sheryl adentrou na sala elegante com seu vestido cor nude decorado pela renda negra francesa que acabava com as mangas na altura dos cotovelos. Fora quase impossível não notar a morena que encarava a cena embasbacada.
Brian por um minuto perdeu-se no emaranhado de cachos que caiam pelos ombros cobertos da mesma, antes de dirigir-se a amada e apresentá-la aos colegas.
– Está é a Srta. Sheryl. Estes são James, Zachary e Jonathan. – os vampiros formaram fila para cumprimentá-la. – É bom que tirem os olhos dela. – murmurou o outro que assistia a cena visivelmente irritado.
– Creio eu que agora podemos partir. Certo? – indagou James passando por trás da enorme cadeira de estofado bordô.
– Partir? Por que partir? – balbuciou sendo guiada para um canto isolado ao lado de Brian.
– Tua irmã resolveu jantar um grande amigo meu, de certo irei salvá-lo e cuidar para que os outros três – fez um sinal com a cabeça para o trio na sala. -, não a matem.
– Matar? Kristell? Oh meu Deus! – cobriu a boca com a mão, surpresa.
– Acalma-te, cuidarei para que nada aconteça a ela. Preciso ir, trate de explicar a anja-caída sobre tua real existência. – envolveu a mão dela na sua e depositou um beijo nas costas da mesma, voltando para os amigos que já saiam pela porta.
– Quando descobristes que era uma súcubo? – perguntou Betsy que aguardava emudecida a saída dos vampiros.
– Dia atrás que estive desaparecida... é uma longa história e preciso que Loiran esteja junto, assim não será necessário contar mais de uma vez. – o destino como sempre conivente com a situação, trouxe a loira para a sala.
– Contar o que Sheryl?
Assim desencadeou-se o enorme conto, recheado de caretas surpresas de ambas ouvintes que eram apenas capazes de soltarem “Oh” “Ah” e mais alguns sons monossilábicos durante a conversa que mais parecia monólogo.
– Conseguiu rastreá-los? – perguntou Zacky observando a concentração do mais velho que distinguia o rastro da caçadora entre os pinheiros da mata fechada.
– Se calasse a boca ao menos por um minuto, talvez, apenas talvez, eu pudesse rastreá-los. Mas tu pareces uma vitrola, não para nunca de falar! – respondeu rispidamente, fazendo o outro encolher-se. – Por aqui! – chamou o grupo que o seguia indicando o caminho ao leste entre os galhos secos.
De repente, num lapso instintivo todos puseram as presas para fora e assumiram o tom avermelhado nos olhos, as pernas tomaram vida própria nos recém-criados, que correram feito condenados para o oeste assim que o sangue impregnou em suas narinas aguçadas.
– Ficaram loucos? – perguntou James pulando na frente dos descontrolados que tentavam ultrapassar seus braços e atingirem a presa ferida nos braços de outro vampiro.
O demônio olhou por cima do ombro identificando o que se alimentava do pobre cervo que há essas horas estava dilacerado, com os órgãos estatelados na relva seca.
– Matthew? – indagou despertando a atenção de todos, o vampiro o encarou com os olhos e face avermelhado, era o próprio. – Fiquem quietos abutres inúteis! – pediu imponentemente empurrando a todos para o outro canto da floresta e agachando-se ficando na altura do amigo que antes estava desaparecido.
– Que cena deplorável. – julgou Haner já controlado, enquanto observava Matthew ensangüentado, e segurava Jonathan pelo colarinho.
– Precisamos levá-lo para casa. – comentou James encostando-se no tronco de uma árvore pelada.
– E estamos esperando o que? – Zachary perguntou ofegante ainda vidrado no sangue que escoava do animal aberto.
– Deixe-o se alimentar e aproveitem para controlar seus instintos e manterem controle sobre seus corpos e mentes. Um vampiro descontrolado é equivalente a uma criança tendo em punho uma escopeta. – dito isso passou a contemplar o cenário sanguinário que o cercava.
Kristell ergueu-se do chão querendo que as forças lhe faltassem, querendo sentir os joelhos falharem... Mas era algo impossível, já que havia acabado de se alimentar. Andou feito um zumbi até as portas de madeira e saiu do galpão que agora lhe remetia as mais infecciosas lembranças.
Correu a toda velocidade pelo caminho de árvores, desejava que o sentindo da noção se perdesse e ela atingisse uma árvore em cheio, desconstruindo a face e tendo alguns ossos do corpo quebrado. Mas nem esse sofrimento ela era capaz de se proporcionar. Acabou em frente a porta da vasta casa.
Girou a maçaneta encontrando a sala ocupada pelas mulheres da casa, graças a sua audição extremamente aguçada, acabou ouvindo o que não deveria.
“Tu sabes o quanto Kristell odeia súcubos não sabes?” Perguntava Betsy um tanto preocupada com a segurança das duas súcubos que habitavam a casa.
“Como hei de saber isso Betsy? Mal me descobri e tu atreves-se a fazer-me uma pergunta dessas?” Indagava Sheryl estupefata, levantando-se da cadeira em que repousava e dando um encontrão com a irmã que digeria os fatos na soleira da porta.
– Diga-me que minha audição falhou pela primeira vez. – pediu Kristell querendo apenas acordar do pesadelo que lhe era imposto.
Ela lutou para manter o ar severo, mas por dentro estava devastada. Não era inteira mais, estava dividida. Havia sido peneirada em grãos tão pequenos quanto os da areia. A cratera em seu peito aumentava no tamanho, e a frustração pessoal dilatava-se a cada segundo. Afinal “O que tinha feito ela para merecer tudo aquilo?”.
Notas finais
Beeeeeeeijos, vejo vcs nos reviews!
Roupa da Sheryl - http://www.polyvore.com/sheryl/set?id=39918963
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