Dhampir
13 Nasce O Assassino
Notas iniciais
Esse capítulo vai pra CrazyGates e pra induceeuphoria que vivem me enchendo o saco pra postar!
Boa Leitura!
p.s capa nova pra vocês, vejam e me falem o que acharam!
- É nessas horas que eu comprovo o quão sofredora estou sendo nesta vida... – murmurou chorosa ultrapassando o corpo da irmã e adentrando na casa.
- Kristell, eu posso te explicar, eu... – Sheryl enrolou-se nas palavras a fim de esclarecer o real problema a sua irmã.
- Não há nada que tu possas me explicar... Sei tudo o que devo saber sobre súcubos, e só não te acuso de mentirosa e meretriz, pois sei que a amaldiçoada és tu! Carregarás o fardo de assassina por séculos de vida. – disse por fim não querendo brigar mais e virou-se de costas correndo para o corredor, chegando ao seu quarto.
Sheryl assim como Loiran continuava boquiaberta, e Betsy corria atrás de Kristell na intensão de consolá-la. A loira mais sensível pôs-se a chorar e lamentar mais ainda dos sonhos homicidas.
- Shh... Acalma-te minha irmã, a maldição está em nós, no entanto não clamamos por ela.
- Claro que não clamamos Sheryl, maldição não é algo que se pede, é algo que te acompanha...
- Então pares com esse drama, não é necessário, terás que conviver com a realidade de ser uma assassina... Se aceite, ou ninguém irá te aceitar. – a morena com ar de experiente levantou-se deixando a irmã para trás e andando até o jardim.
Ela iria lá libertar suas emoções e lágrimas que eram presas por seu orgulho, teria a paz de espírito em meio às margaridas, e violetas do jardim, debaixo do grande eucalipto ou da enorme macieira... Era ali que Sheryl encontrava seu verdadeiro “eu”... Era na solidão que suas barreiras desciam e ela não fingia ser ninguém, era apenas Sheryl, uma súcubo desnorteada e abalada pela perda da mãe e talvez da irmã.
- Kristell abra essa porta! – pediu Betsy pela centésima vez já cansada de forçar a maçaneta.
Como um fantasma sorrateiro faz, a ruiva escancarou a porta assustando a garota em sua frente e saiu do quarto com o amontoado de vestidos nos braços, seguindo para o jardim dos fundos e sendo acompanhada por Loiran e Betsy que gritavam perguntas tolas.
Jogou os vestidos na grama seca e correu até a floresta voltando de lá com um punhado de madeiras, despejou-as sobre as roupas e tratou de acender uma fogueira o mais rápido o possível. Ignorando os protestos das duas outras e voltando para dentro a fim de pegar os outros vestidos.
- Deixe-me ficar com alguns! – imploraram Betsy e Loiran juntas, mais uma vez ignorando-as a dhampir arremessou os últimos vestidos no fogo.
- Porque fizestes isto? – perguntou a loira chocada.
- O único motivo que me fazia usar estes vestidos pesados e demasiados quentes era a imagem de mamãe, e agora que ela se foi nada me fará usar estas fantasias novamente! – esbravejou com as presas a mostra assustando as duas e correndo para dentro novamente.
Kristell estava raivosa, com irritação explodindo por todos seus poros, sua vontade era destruir o primeiro vampiro que visse e de certa forma ela precisava extravasar a raiva...
Primeiro queimou o vestido, e voltou para casa, tomou um banho frio de poucos minutos e se trocou com um vestido branco de alças todo bordado que chegava a metade das coxas. Sua criação.
Já trocada, trançou os longos fios para o lado e os prendeu com uma fita preta, saiu do quarto e ao atingir a sala teve novamente os olhares para si... Só aqueles olhos a observando já lhe provocava vontades sádicas de fazê-los ganhar o sofrimento.
- Aonde tu vais? – perguntou Betsy um tanto receosa, mantendo Loiran atrás de si.
- Caçar. – respondeu ríspida e voltando à atenção a porta.
- E o funeral de mamãe? – indagou a súcubo bem baixinho, quase num sussurro.
- Não me esperem para nenhum funeral. – admitiu escondendo a tristeza por detrás do olhar gélido que suas esmeraldas transmitiam.
Assim, saiu de casa batendo a porta tão forte que os vitrais da janela estremeceram, mais uma vez causava medo nas duas que ocupavam a sala.
- É bom te ter conosco Brian! – exclamou Matthew passando o braço pelo ombro do amigo e consequentemente o sujando de sangue.
- Oh não se anime tanto, não pretendo ficar por muito tempo... – murmurou sentando-se num dos sofás da mansão Sanders. – Creio que devias se trocar. – sugeriu fazendo o maior rir.
- O cheiro de sangue não lhe agrada? – perguntou sorrindo maroto fazendo os outros da sala rirem.
- Deixe-o Matthew, ele ainda tem muito que aprender! – pediu James e Matt se afastou percorrendo o corredor que levava a grande escada.
- Refere-se a destruir vilarejos e matar pessoas inocentes? – indagou retoricamente surpreendendo a inteligência do vampiro antigo. – Dispenso teus aprendizados meu caro... – lançou uma piscada ao outro que se encontrava no canto oposto da sala.
- Só estará forte o suficiente para uma batalha se beber do sangue humano, ou realmente achas que podes enfrentar um dhampir apenas com os cervos que se alimenta?
- Já disse que dispenso teus conselhos. – James bufou irritado e se levantou chamando uma das criadas dando-lhe ordens de servir aos homens o melhor vinho.
- Brian, qual é o nome daquela súcubo a qual tu nos apresentou? – perguntou Zachary que divagava em pensamentos desde que havia encontrado os olhos castanhos da estranha mulher.
- Sheryl... Por que a pergunta?
- Conheço-a de algum lugar... – murmurou alto demais enquanto tinha o queixo apoiado entre o polegar e o indicador recordando de suas antigas memórias, de repente os olhos claros se arregalaram e a boca pronunciou num súbito: — Por Deus ela é uma assassina! Foi ela quem me matou! – exclamou assustado e quando mal se pode esperar Brian já o erguia do chão pela gola da camisa.
- Estás querendo dizer que já esteve na cama com Sheryl? – ele enforcava o menor com a força que era exercida em sua mão.
- Não... Não exatamente... – Zacky tremia em medo enquanto James ria do outro lado da sala acompanhado de Matt, Haner jogou o menor longe e encarou aos que riam.
- Desde quando você se tornou tão patético Sanders? Seria influência deste ao seu lado? Pois para mim tu pareces apenas mais um dos cavalos dele que o servem da forma que o mesmo quer! Quer saber? Cansei disto! Estava muito bem isolado em meu casarão! Terminem com seu culto de morte! – assim saiu correndo do lugar, mais irritado do que nunca havia ficado em toda a vida, só parou quando foi derrubado pelo amigo.
- Precisas relaxar um pouco... – pediu Matt calmo ajudando ao outro se levantar. – Que tal bebermos algo a fim de comemorar minha “vida”? – indagou perversamente.
- Se “beber algo” inclui sangue e aquela pobre mulher de quem tu não tira os olhos, prefiro a morte. – Matthew riu novamente voltando a olhar para o amigo.
- Estás muito estressado hoje não acha? Este comportamento só se deve a sua má alimentação... Ela não parece deliciosa? – perguntou num tom quase que hipnotizante fazendo Brian salivar e olhar para mulher do outro lado da estrada, ela era loira e parecia serena colhendo algumas flores no jardim vizinho.
- O que estás fazendo comigo? – deu murros em sua própria cabeça tentando voltar ao normal.
- Eu? Eu não estou fazendo nada meu amigo, está é a sede caindo sobre ti, finalmente estás deixando sua insignificante humanidade de lado. Agora, venha, e divida aquele banquete comigo. – acenou com a cabeça para o moreno que sem poder sobre suas pernas o seguiu.
- Isto não é certo... – resmungou quando Matthew já tinha a mulher em seus braços enfeitiçada em seus olhos verdes, não hipnose, mas sim um belo feitiço.
- Não cabe a nós julgar certo ou errado. – decretou o sanguinário a sua frente e ambos fincaram as presas na pobre moça ao mesmo tempo.
Vampiros não tinham o poder da hipnose, mas eram mestres na arte da sedução e dominavam suas presas dessa forma. Não se importava sexo ou idade, o cheiro que eles exalavam... Os olhares famintos e desesperados atraiam suas presas. Eram bons caçadores, e ótimos controladores, bastavam apenas pequenas palavras e um mero humano se doaria a eles... O mal controla a luxúria, e luxúria era o pecado mais proeminente nos corpos mortos que vagueavam pelo mundo.
Kristell havia vagado por longos e tortuosos minutos sem localizar nenhum vampiro além dos que se encontravam na propriedade de Sanders, e definitivamente aquele era um lugar do qual ela não chegaria perto por um bom tempo. Não porque temesse aos que ocupavam a casa, mas sim porque não seria capaz de controlar seus atos e terminaria num massacre sem piedade.
Resolveu seguir para a França, sabia que lá era o antro de vampiros, assim como também seu antro preferido para ir à caça. A Europa abrigava a maior população de vampiros pelo clima ameno e pelos centros de prazer onde se encontravam meretrizes baratas. Não que em outros países isso não fosse presente, mas definitivamente, Europa atraia os mais belos pervertidos.
Com sua agilidade sobre-humana logo se encontrava em territórios franceses, assim como logo encontrou sua presa.
Um vampiro distraído, e com a experiência que tinha em capturar seres demoníacos, com certeza esse se tratava de um novato. O que tornava a busca menos intensa e com certeza menos empolgante, além do fato que vampiros recém-criados tem um gosto mais apurado ao humano e se desesperam demais durante o ataque.
A mulher de cabelos vermelhos deixou os pequenos detalhes de lado e antes que o pobre vampiro pudesse pensar em algo já estava sendo atacado por ela. Kristell que já sabia o quão não valia a pena gastar suas energias numa briga sem emoção, logo lhe cravou as presas no pescoço frio e o drenou avidamente.
O vampiro jovem tremia em seus braços, deixava gemidos de dor escapar pelos lábios e eram esses espasmos e protestos que mais a instigavam fazendo suas presas se aprofundarem mais em seu pescoço. Por fim arrancou-lhe o coração e o deixou transformar-se em cinzas no chão.
Assim que terminou de limpar os resquícios de sangue nos lábios e a mão suja pelo mesmo, seguiu o caminho ao centro da cidade, precisava de um alfaiate de mente aberta que lhe fizesse os vestidos sem julgá-la de moça da vida.
Já encontrava alguns humanos a mais pela rua, quando por azar do destino acabou trombando no ser sobrenatural mais desprezível de todos.
- Dominic? – indagou atônita pondo as mãos na cintura.
O íncubo sorriu abertamente pensando no quão era sortudo em encontra-la após tanto tempo... Ele tinha sido seu mestre, havia lhe ensinado os segredos do submundo, mas quando revelou ser o que era a afastou de modo irreversível, fazendo com que seu desejo aumentasse ainda mais pela garota de cabelos flamejantes.
A pobre camponesa já estava desmaiada nos braços dos dois vampiros que se alimentavam dela, e que por sinal não tinham a intenção de parar. Matthew ao perceber a morte se aproximar do corpo inerte da própria, guardou suas presas e deixou que seu parceiro a arrematasse até a última gota.
- Sentes essa sensação? Parece ouro banhando teu corpo, adrenalina descarregada em seus poros e principalmente, a força... Sentes a força queimando em seus músculos? Como se fosses capaz de quebrar uma árvore ao meio com apenas um encostar de dedo? Pois é, tu podes. – disse enquanto assistia o moreno repousar o corpo da loira no chão e limpar os lábios com os dedos trêmulos.
- É sempre assim? – indagou com voz falhando pelas sensações intensas que transbordavam de seu corpo.
- Acredite, com o passar do tempo fica melhor, ainda mais quando tu aprendes a se controlar. – Brian ainda estava em êxtase tão perdido em pensamentos que não notou quando Matthew ateou fogo ao corpo morto que se encontrava atrás deles.
- Creio que agora sou um assassino... – admitiu desgostoso entregando-se ao prazer dos homicidas.
- E nós vamos nos divertir muito! – exclamou o outro divertido guiando o moreno para a casa novamente.
Brian não se sentia orgulhoso pelo seu feito, mas ao mesmo tempo em que a decepção o preenchia, um peso havia vazado de seu corpo aliviando-o das emoções depressivas. Era como se finalmente o assassino tivesse nascido dentro dele o libertado de qualquer culpa sobre caçar, agora ele assumiria sua natureza.
- Betsy, creio que conheço o homem que tu salvastes... – comentou Sheryl preenchendo o silêncio da sala.
- Zachary? O conheces de onde Sher? – indagou a pequena curiosa e um tanto aflita.
- Sim... Eu o conheço... Só não me lembro de... – sua fala emudeceu e ela perdeu o raciocínio conforme as memórias lhe eram mostradas. – Eu o matei. – as palavras praticamente pularam de sua boca enquanto Betsy a encarava embasbacada e Loiran arregalava os olhos encolhida na poltrona.
Notas finais
Beeeeeeeeeeeijos!
p.s. olhem a capa nova e me digam o que acharam *-*
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